The Martial Unity

Volume 21 - Capítulo 2072

The Martial Unity

Rui fitou profundamente para o pai por um instante.

E então começou.

Começou a narrar uma história que se iniciava sete anos atrás, no fatídico dia em que seu pai revelou sua verdadeira identidade ao mundo inteiro.

Ele revelou tudo.

Desde o início.

O que aconteceu. Como se sentiu. O que pensou. E, por fim, o que decidiu fazer.

“E assim, decidi que não abandonaria meu Caminho Marcial pelo trono.” Seu tom ficou firme. “Nem agora, nem nunca. Mas, ao mesmo tempo, não queria permitir que o império fosse devastado por uma guerra. Uma guerra que, sem dúvida, consumiria as longas vidas que minha família cultivou em Kandria. Depois de toda a dor que os fiz passar com meu exílio de sete anos, não conseguiria fazer isso a eles.”

Seu pai o olhava em silêncio, com olhos melancólicos.

“E assim, decidi desfazer a própria coisa que causou essa bagunça em primeiro lugar”, continuou Rui, seu tom ficando mais pesado. “Desfaria a própria fonte de toda essa confusão. Se eu pudesse apenas curar sua doença…”

Seu pai ouvia em silêncio enquanto Rui desabafava pela primeira vez, sem deixar de fora o menor detalhe.

Ele ouviu Rui falar sobre como construiu sua própria facção do nada, elevando-a à facção política mais poderosa do Império Kandriano.

Ele ouviu seu filho descrever sua batalha com o Guardião do Portal, e sua vitória contra o Ancião Superior e contra seus irmãos, conquistando tudo o que precisava para reivindicar o trono e toda Kandria para si.

No entanto, isso não comovia Rui.

Seu pai ouviu enquanto ele começava sua busca pelo Médico Divino, aproximando-se do Sábio Mendigo, do Clã Silas e da Guilda de Aventureiros.

Seus olhos se arregalaram quando seu filho descreveu como conseguiu atrair o Clã Silas para o Império Kandriano.

Seu olhar amoleceu quando Rui descreveu sua jornada no Domínio das Feras.

O Vale dos Prismas.

A Floresta do Medo.

O Jardim da Salvação, a Árvore Anciã e o sofrimento que ele suportou para obter o poder da Árvore da Vida.

O Mellow e a Masmorra Mellow.

O Médico Divino.

Sua ascensão ao Reino Mestre.

No entanto, por mais que Rui tentasse, ele não conseguia se obrigar a revelar a questão de sua alma. Ele não conseguia se obrigar a revelar a crise de identidade que sofrera em Mellow com as revelações.

Era muito pessoal.

Muito próximo ao coração.

Muito próximo à alma.

“E depois de coletar a forma de vida vegetal alienígena, deixamos a masmorra, o Domínio das Feras, e voltamos para casa”, explicou Rui. “O Sábio Sayfeel nos recolheu assim que voltamos e fez com que o Médico Divino o curasse imediatamente depois. Já se passaram cinco dias desde então. E aqui está você…”

Um silêncio profundo pairou na sala quando Rui terminou sua longa história.

PASSO…

O Imperador da Harmonia se levantou.

Ele se levantou pela primeira vez em muito tempo.

No entanto, seu olhar estava fixo em seu filho.

Seus olhos dourados estavam melancólicos.

Ele precisara exercer um autocontrole hercúleo para suprimir sua explosão quando Rui falou sobre a rede de inteligência da Árvore Anciã, os acordos com o Médico Divino, a Masmorra Mellow e a forma de vida vegetal alienígena.

Cada uma dessas coisas era de enorme significância.

Eram ativos inestimáveis.

No entanto, sua observação aguçada e perspicaz lhe dizia que havia mais.

Seu filho estava escondendo algo.

Seja lá o que fosse, era profundamente pessoal e o havia impactado mais do que tudo.

Isso lhe causara sofrimento.

Sofrimento que ele suportara como preço por curar seu pai.

TOC

Os olhos de Rui se arregalaram quando seu pai o puxou para um abraço terno.

“Acabou, Rui.” Sua voz era quente e poderosa. “Eu estou aqui.”

Ele soltou Rui, olhando profundamente em seus olhos. “Obrigado.”

Sua voz rica e profunda era tão grata quanto sincera.

“Eu pensei que meu destino estava selado.”

Seu tom ficou mais pesado.

“Eu pensei que minha vida havia acabado.”

Ele fechou os olhos. “Eu pensei que morrer com arrependimentos era a única possibilidade, mas você…”

Um sorriso caloroso apareceu no rosto do Imperador da Harmonia.

“Você me mostrou que minha mãe estava certa. Nunca se deve abandonar a esperança, não importa o quê. Eu pensei que sabia o que isso significava, mas agora entendo o que ela estava tentando me dizer.”

Rui se agitou com suas palavras.

“Só agora entendo o que ela estava me dizendo.” O Imperador Rael fechou os olhos. “A esperança nunca deve ser abandonada. Não importa o quê.”

Ele abriu os olhos, olhando para seu filho com olhos profundos. “Espero que você nunca esqueça.”

Rui encontrou seu olhar em silêncio.

“Eu não sei o que aflige seu coração”, continuou o Imperador Rael. “Mas espero que você supere isso. Espero que eu possa ajudá-lo, assim como você realizou minha esperança.”

Rui assentiu silenciosamente.

“Temos muito a conversar.” O Imperador Rael o informou calmamente. “Mas este não é o momento nem o lugar. Agora que eu voltei, carrego a responsabilidade do Império Kandriano. É uma responsabilidade que não posso deixar por mais tempo. O Império sofreu com um vácuo de poder e liderança por muito, muito tempo. Sua fundação rachou, e a harmonia que cultivei ao longo de séculos está certamente se erodindo. Você entende, meu filho?”

Rui assentiu lentamente. “…Você é o Imperador de Kandria. O Império precisa de você. Precisa mais do que nunca. Você não precisa se preocupar comigo, pai. Eu não sou uma criança que precisa de mimos. Eu tenho problemas, mas…”

Ele olhou para suas mãos, apertando-as em punhos.

“…Eu consigo lidar com eles.”

Ele precisava lidar com isso sozinho.

Seu olhar voltou para o pai, seus olhos cheios de confiança.

“Faça o que você deve.”

Um sorriso gentil surgiu no rosto do Imperador. “Então, farei exatamente isso. Agora então…”

Ele olhou para o Sábio Sayfeel.

“Onde está minha coroa?”

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