
Volume 20 - Capítulo 1937
The Martial Unity
Rui abriu os olhos.
Uma profunda sensação de conforto saturava cada célula do seu corpo. Tanto que ele se sentia relutante até mesmo em se mexer.
Até mesmo em pensar.
“O quê…?” Franziu a testa, nebulosamente.
Sua confusão era palpável.
Ele não sabia onde estava.
Não sabia o que estava acontecendo.
Era incapaz de conectar suas circunstâncias atuais às suas memórias.
Ele nem mesmo entendia o que não entendia.
No teto, acima dele, havia uma foto de Bruce Lee. John a tinha colado lá quando se mudou, para que a última coisa que ele visse antes que o mundo se apagasse fosse Bruce Lee em sua pose icônica e clássica.
Uma onda de nostalgia explodiu dentro de Rui.
Mas também parecia errado.
Ele se virou de lado, inspecionando sonolentamente.
[8:59 AM] Seus olhos se arregalaram de choque.
Um relógio digital mostrava a hora em algarismos arábicos e letras inglesas, o encarando diretamente. Haviam se passado trinta e três anos, mas ele nunca conseguiria esquecer os números e o idioma de sua vida anterior. Afinal, John trabalhava com eles o tempo todo.
Os olhos de Rui se voltaram para o resto do quarto, totalmente abalados pelo que viam.
Havia pôsteres de Bruce Lee por todo o cômodo, mostrando diferentes momentos icônicos, além de suas citações mais famosas e profundas. Incluindo aquela que se tornaria a maior ambição de sua vida e seu Caminho Marcial.
[Seja água, meu amigo.]
Uma realização estrondosa finalmente o atingiu enquanto sua mente atordoada finalmente acordava completamente. “Isso…” Sussurrou ele, completamente perplexo até o fundo do coração. “Este era meu apartamento na minha vida anterior.”
Tendo-o comprado em Manhattan, Nova York, muito antes de os preços dos imóveis subirem, ele havia vivido naquele lugar ainda mais tempo do que no Orfanato Quarrier. Era idêntico ao que ele se lembrava, idêntico ao que estava em seu Palácio Mental.
No entanto, ele tinha certeza de que não estava em seu Palácio Mental.
Não.
Não havia dúvida de que aquele era o mundo físico real.
E ainda assim, ele estava em um lugar que deveria estar em um mundo completamente diferente daquele em que Rui havia renascido.
Ele caminhou até a janela, atordoado, enquanto espreitava por ela.
Ele não estava preparado para o que viu.
Seus olhos se arregalaram com um choque cru e inalterado enquanto um mundo, diferente de tudo que ele já vira, se estendia muito além do que os olhos podiam alcançar. Um mundo com inúmeros seres vivos de inúmeras espécies.
De espécies predatórias de ápice mortais como dragões, fênix, liches, basiliscos, quirinos, krakens e hidras a espécies herbívoras dóceis como catoblepas, cervos-negros, unicórnios, pégasos, raposas-do-campo e coelhos-jackalopes. De vegetação comum a flora mais esotérica e poderosa.
Este mundo tinha todas elas.
Elas viviam em harmonia, lado a lado, em um vasto mundo abundante que se alterava para atender seus residentes.
Era inconcebível. Tanto que se descartaria como ficção.
No entanto, uma realização estrondosa surgiu nele quando sua visão aguçada discerniu a enorme estrutura obscurecida na distância.
Uma árvore.
Era tão incomensuravelmente gigantesca que se confundia com a topografia se alguém não prestasse atenção. Ela irradiava um profundo e tranquilo senso de poder diferente de tudo que Rui já sentira em toda a sua vida.
Foi naquele momento que tudo se encaixou.
Uma enxurrada de memórias voltou para Rui.
Enquanto seguia Kane em seu estado de pânico artificialmente induzido, eles tropeçaram em uma criatura de nível Mestre por acidente. Rui tentou deter a criatura com a Máscara Mental de nível Mestre, mas isso havia dado terrivelmente errado quando várias outras criaturas de nível Mestre apareceram.
Rui lembrou-se do horror que sentiu nos momentos finais daquele encontro, enquanto cada criatura se lançava sobre eles com uma quantidade incomensurável de poder devastador. E foi quando o próprio mundo ao seu redor havia mudado. “Funcionou…” Rui sussurrou, atônito.
Eles haviam conseguido entrar no Jardim da Salvação.
O peso dessa constatação era grande. Era difícil de compreender completamente, mesmo enquanto Rui a elaborava em sua mente. Antes, ele nem sabia se o Jardim da Salvação era real.
Agora, no entanto, ele havia entrado nele.
Um mundo mágico dito ser um paraíso. Um sorriso maravilhado surgiu em seu rosto quando ele percebeu que o Jardim da Salvação os havia protegido no último momento. Os efeitos combinados do horror artificialmente induzido de Kane e seu próprio horror muito real por ter enfrentado feras de nível Mestre na carne pareciam ter sido suficientes para desencadear sua aceitação no Jardim da Salvação.
Ele olhou para as várias criaturas em seus diversos habitats com admiração.
Os rumores não mentiam.
O mundo realmente se adaptava às suas necessidades.
Ele olhou ao redor de seu ambiente enquanto a compreensão o atingia. “Memórias…” Sussurrou ele. “Deve ser isso. Ele acessa as memórias da criatura para recriar o ambiente perfeito para ela.”
Isso explicaria por que ele se encontrava em um quarto que não pertencia a este mundo. Explicaria por que o quarto era idêntico ao que ele havia criado em seu Palácio Mental. O mundo deve ter acessado suas memórias para recriar o ambiente em que a criatura passou mais tempo. Em seu caso; seu apartamento em Nova York.
Ele voltou-se para a janela, olhando para a paisagem imensa e vasta ao longe, enquanto seu espanto só aumentava. O que era realmente o Jardim da Salvação?
Como um lugar assim poderia existir?
Por que um lugar assim existia?
Como ele o trouxe de perto da morte certa?
Perguntas que antes eram feitas com ceticismo e intriga agora eram reiteradas com espanto inalterado e perplexidade crua.
“Acordou, hein?” Rui se assustou quando a voz de Kane interrompeu seu devaneio, virando-se para ver seu melhor amigo.
“Kane…” Rui murmurou.
O homem caminhou até Rui, olhando-o por um momento.
BAM!
“Ai!” Rui fez uma careta. “O que foi isso?!”
Kane olhou para ele sem palavras.
“Ah… certo, desculpa,” Rui pediu desculpas, um sorriso se contraindo no canto da boca.
BAM!
“Você já me bateu uma vez.”
“Você não está arrependido.”
BAM BAM BAM!
“Ok, ok!” Rui reprimiu seu sorriso. “Desculpa, viu?”
Kane estreitou os olhos, olhando-o suspeitosamente, só para o sorriso retornar.
BAM BAM BAM!
Rui riu enquanto Kane desferia uma série de socos nele, espancando-o até ficar satisfeito.
“Com isso resolvido…” Kane bufou catarquicamente.
Sua expressão ficou séria enquanto seus olhos se aguçavam.
Seu tom escureceu.
“Você quer explicar o que é essa sala ao meu redor?”