The Martial Unity

Volume 18 - Capítulo 1757

The Martial Unity

“Foi um prazer ver você se tornar um artista marcial fantástico, Sua Alteza.”

Uma voz profundamente poderosa escapou do Sábio Sayfeel.

Reverberou em seu coração.

Rui encarou o Sábio Marcial com choque absoluto. “Então, todo esse tempo... você era um Sábio Marcial oculto.”

Rui sentiu as pernas fraquejarem com o peso dessa nova revelação.

Ele se lembrou do incidente com clareza e profundidade. Ele ainda não era um artista marcial; nem sequer tivera uma luta de verdade com a vida em risco naquele momento. Aquele fora seu primeiro conflito.

A própria lembrança o envergonhava.

O homem que o salvara era um Escudeiro Marcial, ou pelo menos assim parecia. Ele ensinara a Rui que nem o medo nem o fracasso o desqualificavam de ser um guerreiro. Era o que ele fazia depois que decidia se era ou não um guerreiro.

Este homem fizera muito para colocar Rui em seu Caminho Marcial; se não fosse por ele, que dirá um artista marcial, Rui teria morrido muito tempo atrás.

“…Obrigado,” sussurrou Rui, curvando profundamente a cabeça. “Obrigado.”

“Eu estava simplesmente cumprindo meu dever, Príncipe Rui,” o homem sorriu antes de olhar para o Imperador com reverência. “Foi Sua Majestade quem realmente salvou sua vida.”

Rui voltou-se para seu pai com gratidão nos olhos, recebendo um gesto displicente e desdenhoso dele antes que ele se virasse de volta para o Sábio Sayfeel.

O espanto em seus olhos ainda não diminuíra.

Não era apenas o fato de que este homem era um Sábio Marcial.

Rui não deixara de notar que este não era nenhum dos quatorze Sábios Marciais conhecidos, cuja aparência ele conhecia.

Este era um novo Sábio Marcial.

Um que ele nunca vira antes.

O ar estalou com as assustadoras implicações dessa revelação que atingiram Rui.

Rui estava tão completamente atordoado pela sequência de revelações com que fora bombardeado que não tinha mais energia para se chocar.

Estava completamente esgotado.

O Imperador podia tirar um Transcendente Marcial da cartola, e ele duvidava que ficaria muito surpreso.

“Sayfeel é uma das minhas maiores cartas na manga,” declarou calmamente o Imperador Rael. “Minha arma secreta. O décimo quinto Sábio Marcial de Kandria. Todos que sabem de sua existência estão nesta sala.”

Rui encarou o Sábio Sayfeel, sem conseguir falar. “O décimo quinto Sábio Marcial de Kandria…?”

“Desde jovem, eu sabia que para tomar o trono, precisava de uma poderosa carta na manga que pudesse me ajudar a superar a resistência de meus irmãos aliados que buscavam me impedir de chegar ao trono,” informou calmamente o Imperador Rael a Rui. “Assim, cerca de trinta anos antes de eu assassinar seu avô, comecei a cultivar uma arma, um poderoso artista marcial que responde apenas a mim.”

Rui percebeu que estivera errado.

Ele era, de fato, capaz de se chocar mesmo agora, enquanto seus olhos se arregalavam de choque pela enésima vez.

Ele percebeu que talvez tivesse mais em comum com o Imperador do que imaginava. “Incrível.”

Rui percebeu o peso dessa revelação.

Era um gesto tácito de confiança do Imperador.

Ele acabara de ser confiado com um segredo de importância nacional.

Ele olhou para o Imperador com desconfiança. “Você disse que me protegeu até eu me tornar um artista marcial.”

O Imperador assentiu. “Isso mesmo. Assim que você se tornou um artista marcial, a proteção só atrapalharia seu crescimento. Um artista marcial protegido é um artista marcial fraco; você viu isso com o Príncipe Raijun, não viu?”

Rui assentiu.

Ele não nutria nenhum ressentimento ou hostilidade contra o Imperador por não o proteger quando se tornou um artista marcial. O Príncipe Raijun era realmente o exemplo perfeito de como um artista marcial protegido se parecia.

“Prendi a respiração muitas vezes durante sua jornada, é claro,” comentou o Imperador. “Mas você conseguiu superar todas as tribulações que enfrentou até agora. Eu até mesmo tomei a liberdade pessoal de dar um toque pessoal a alguns de seus sucessos.”

Rui franziu a testa confuso. “O que isso quer dizer?”

Um sorriso travesso surgiu no rosto do Imperador. “Voidbringer. Voider. Voidreaper… Você acha que é coincidência que esses apelidos que lhe pertencem compartilham suspeitamente o tema do ‘vazio’, mesmo que eles supostamente tenham surgido totalmente separados e desconectados uns dos outros?”

Rui encarou Rael com uma expressão atônita. “Você foi o responsável por esses epítetos!”

O Imperador Rael caiu na gargalhada, rindo às custas de Rui. “De fato. Me diverti muito inventando esses nomes e espalhando-os hahaha!”

Rui suspirou resignado e divertido enquanto o Imperador se entregava a uma boa gargalhada antes de finalmente se acalmar.

“Imagino que você foi quem me deu nome,” observou Rui.

“Não, na verdade,” o Imperador negou com a cabeça. “Seu nome foi dado a você por sua mãe.”

“…Entendo,” comentou Rui enquanto ficava calado.

Ele nunca conhecera sua mãe biológica. No entanto, ela parecia uma pessoa incrível quanto mais o Imperador falava sobre ela. Ele sentiu uma pontada de tristeza por nunca ter tido a oportunidade de conhecê-la.

“…Então meu pai é o Imperador de Kandria. O homem que me deu uma família e um lar que há muito tempo passei a amar como verdadeiramente meu, que me protegeu antes de descobrir meu Caminho Marcial, que cuidou de mim a minha vida inteira…” murmurou Rui.

O Imperador não respondeu, olhando para Rui calmamente.

“…Quem então, trinta e um anos depois, expõe minha identidade para o mundo inteiro e me declara seu herdeiro.” Os olhos de Rui se aguçaram levemente.

Seu ressentimento em relação ao Imperador diminuíra muito depois que ele soube que seu pai não apenas lhe dera o Orfanato Quarrier, mas também lhe salvara a vida quando criança. No entanto, o fato de seu pai ter descarrilado sua vida expondo sua identidade e o coroando como seu herdeiro não oficial ainda permanecia.

Não havia se passado tanto tempo desde que a revelação fora feita.

Nem uma hora.

Foi por isso que ainda não havia se estabelecido e se tornado sua realidade e normalidade, mas Rui sabia que sua vida havia mudado para sempre em todos os sentidos.

Nada jamais seria o mesmo.

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