
Volume 5 - Capítulo 415
The Author's POV
'Fui duro demais?'
Pensei enquanto meus pés paravam de repente e olhei para trás, onde os outros estavam.
Relembrando as palavras que disse a Kevin e aos outros, pensei que talvez eu tivesse sido um pouco severo com eles... mas, ao pensar em como se comportaram após minhas ações, não me arrependi do que disse nem um pouco.
Se o que falei os ajudou a perceber sua mentalidade, que assim seja.
Eles poderiam pensar o que quisessem sobre mim.
No final das contas, o que importava era que eles se tornassem fortes. Fortes o suficiente para derrotar o rei demônio.
Respirando fundo, apoiei meu corpo contra a árvore e esperei os outros chegarem.
Felizmente, não precisei esperar muito, pois Amanda foi a primeira a chegar.
Andando sob a luz da lua, Amanda segurava seu arco com a mão direita. Seu fino cabelo preto caía sobre os ombros, enquanto a luz da lua brilhava atrás dela, acentuando seus traços delicados.
A cena bonita era como uma pintura.
Sorrindo para ela, abri a boca e perguntei.
"...Vocês terminaram de arrumar suas coisas?"
"Mhm."
Com um simples aceno, ela me cumprimentou. Mas, assim que acenou, sua cabeça inclinou um pouco e suas sobrancelhas delicadas se franziram.
Notando a mudança em sua expressão, perguntei.
"O que foi?"
"...seu rosto."
Ela disse de forma direta.
Minha sobrancelha se levantou com sua resposta inesperada.
'Tem algo errado com meu rosto?'
Tocando meu rosto com ambas as mãos, não encontrei nada de errado. Olhando para mim a alguns passos de distância, Amanda suspirou e deu um passo à frente.
Antes que eu pudesse perceber, ela estava a poucos centímetros de mim. Levantando as mãos, colocou-as em meu rosto, apertando suavemente minhas bochechas.
"O que você tá fazendo!?"
Fiquei instantaneamente surpreso com suas ações. Mas antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Amanda colocou o dedo nos lábios.
"Shhh."
'O que você quer dizer com shhh?!'
Eu pensei internamente, enquanto o rosto de Amanda estava a poucos centímetros do meu. Sem querer, meu coração acelerou um pouco.
Comparada ao passado, Amanda só havia ficado mais bonita, e agora que estava quase adulta, seus traços estavam ainda mais impressionantes. Isso me deixou sem fôlego.
'Droga, o que está acontecendo?'
Olhando para seu rosto que estava extremamente próximo ao meu, pela primeira vez em um tempo, fiquei sem saber o que fazer, enquanto meus olhos se moviam de um lado para o outro, na esperança de encontrar algo que me ajudasse a sair daquela situação.
Mas parecia que eu era o único que se sentia assim, já que a expressão de Amanda permanecia impassível.
"Pronto."
Não demorou muito para Amanda retirar a mão do meu rosto, e eu finalmente pude relaxar.
Rápido, recuperei a compostura e toquei meu rosto.
"...Pronto?"
Pronto com o quê?
Eu estava tão confuso que não percebi o que ela estava tentando fazer.
"Mhm."
Amanda assentiu.
Notando minha confusão, apontou para seu rosto.
"Você não colocou sua máscara de pele direito."
"Ah."
A realização finalmente me atingiu.
'Então era sobre a minha máscara.'
Era porque eu estava com pressa? Não tinha certeza, mas parecia que eu de alguma forma não havia colocado minha máscara corretamente.
Ainda assim, minhas sobrancelhas se franziram enquanto olhava para Amanda.
"...Você sabe, em vez de fazer isso, poderia ter apenas me dito e eu teria conseguido consertar sozinha."
Um pensamento de repente me atingiu enquanto franzi as sobrancelhas.
Ela estava me provocando?... Não, Amanda não era o tipo de garota que faria isso... na verdade, eu realmente não tinha mais certeza.
"É mesmo?"
Amanda inclinou a cabeça inocentemente.
Pela maneira como ela estava me olhando, não parecia que o que fez foi intencional.
Meus olhos se estreitaram em dúvida.
'...será que ela realmente fez isso sem querer... ou está me provocando?'
Realmente não consegui discernir.
Depois de olhar para ela por mais um segundo, decidi deixar para lá e olhei para a distância, onde podia ver os contornos tênues dos outros se aproximando.
'...Só para ter certeza.'
Inclinando um pouco a cabeça, tentei espiar na direção de Amanda.
"Ahá!"
Foi então que, pelo canto do olho, vi o canto da boca de Amanda se levantar levemente. Minha cabeça se virou rapidamente em sua direção, mas, infelizmente, Amanda foi rápida em reagir e sua expressão voltou rapidamente ao seu jeito sério.
"Eu vi isso."
"Viu o quê?"
"Tsk."
Vendo que ela havia voltado à sua expressão neutra, cliquei a língua. Ela definitivamente fez aquilo de propósito.
Falando sobre seu rosto neutro, de repente tive um pensamento enquanto olhava para Amanda.
"Diga, agora que estou pensando nisso, você já jogou pôquer?"
Um pouco surpresa com minha pergunta, Amanda não respondeu de imediato. Era claro que ela estava tentando ver se eu estava tentando retaliar ou não.
Foi só depois de alguns segundos que ela finalmente respondeu. Ao responder, sua voz estava cheia de cautela.
"...sim, com a Emma."
"E qual foi o resultado?"
"Ela me chamou de uma ameaça para a comunidade de pôquer."
"...Tanto assim?"
"Mhm."
"Pftt..."
Uma risada escapou dos meus lábios enquanto uma cena de Emma fazendo birra com Amanda surgia em minha mente.
Parece que encontrei um novo jeito de ganhar dinheiro.
Olhando para mim pelo canto dos olhos, os lábios vermelhos de Amanda se abriram ligeiramente enquanto ela perguntava.
"Por que você perguntou?"
"Só curiosidade."
Respondi com um sorriso simples.
Seus olhos se estreitaram em dúvida, mas, no final, ela não disse nada.
"Então era onde vocês estavam."
Não demorou muito para que eu ouvisse a voz de Kevin vindo à distância.
"Demoraram, hein."
"O que você quer dizer? Você sabe que havia mais três corpos para se livrar, certo?"
"Sim, claro."
Respondi com um olhar desinteressado.
Judando pela forma como ele ainda parecia tranquilo, apesar das palavras que eu disse a ele, parecia que ele levou as minhas palavras a sério. Ou pelo menos, considerou-as.
Sorri com isso.
Quanto mais forte Kevin se tornasse, mais brilhante seria meu futuro.
***
Dentro de uma residência particular.
"Ele completou a missão ou não?"
Jasper caminhava de um lado para o outro no quarto, tentando manter a compostura. No entanto, o mero pensamento de a missão falhar lhe causava uma ansiedade sem fim.
Se havia uma chance de se livrar de Emma, era agora. Não havia tempo melhor. Se falhassem na missão, ele nunca realmente seria o líder principal da casa Roshfield, já que ainda havia alguns leais a Oliver.
Com sua influência atual, ele poderia facilmente expulsá-los de casa, mas isso reduziria drasticamente as forças da família e ele não podia se dar ao luxo de fazer isso.
A única maneira de ele controlar completamente a casa era através da morte de Emma.
"Maldito seja."
Jasper rangia os dentes de raiva. Só o pensamento de Oliver o irritava sem fim.
Apesar do fato de que ele havia desaparecido para sabe-se lá onde, ainda assim, criava problemas para ele em todos os lugares.
Veias saltaram em sua testa enquanto pensava sobre os problemas que a influência de Oliver ainda lhe causava até hoje.
Pondo a palma da mão sobre a mesa, Jasper olhou para a porta e murmurou.
"O que está demorando tanto?"
Eliminar um monte de crianças não deveria levar tempo para alguém como ele. Nem mesmo um minuto. O que poderia estar demorando tanto?
Felizmente, Jasper não teve que esperar muito, pois alguém rapidamente bateu na porta.
Knock—! Knock—!
Os olhos de Jasper se iluminaram de alegria ao ouvir o som.
Recuperando a compostura e ajeitando as roupas, ele se sentou na cadeira e abriu a boca. Uma voz fria e autoritária ecoou no ar.
"Entre."
Clank—!
Uma vez que suas palavras se apagaram, a porta se abriu e uma figura familiar entrou.
Sorrindo amplamente, Jasper se levantou e estendeu as mãos em um gesto de abraço.
"Micheal, estou feliz que você finalmente chegou."
Dando uma olhada casual em Jasper, Micheal retribuiu o cumprimento com um simples aceno e não disse uma única palavra.
Sem se importar com a atitude de Micheal, Jasper apontou para a cadeira em frente a ele.
"Sente-se, sente-se. Você deve estar cansado da missão."
Puxando a cadeira para trás, Micheal se sentou e cruzou as pernas. Assim que Micheal se acomodou, Jasper fez o mesmo.
"Então, a questão está resolvida?"
Um traço de antecipação e impaciência se escondia na voz de Jasper enquanto ele olhava para Micheal.
Observando-o em silêncio por alguns segundos, Micheal acenou com a cabeça.
"Está."
"Ótimo!"
Não conseguindo conter sua empolgação com a notícia, um sorriso brilhante surgiu no rosto de Jasper e ele logo começou a rir.
"Ahaha, maravilhoso, maravilhoso."
Micheal sorriu com a empolgação de Jasper.
"Você está tão feliz que Emma morreu?"
"Claro que estou."
Jasper respondeu. O sorriso em seu rosto ficou ainda maior.
"Com ela fora do caminho, agora posso ter controle total da casa. Aqueles velhos bastardos não podem provar que fui eu que me livrei dela, e assim serão forçados a ouvir minhas ordens—Eh?"
Antes que pudesse terminar a frase, os olhos de Jasper se abriram de par em par enquanto assistia Micheal lentamente colocar a mão em seu rosto. O que aconteceu a seguir fez seu semblante ficar pálido e seu corpo tremer incontrolavelmente.
"Eu... impossível."
Smack—!
Com um forte estalo, uma máscara de madeira apareceu sobre a mesa enquanto uma figura que tinha um forte parecido com Emma, sua sobrinha, surgiu diante dele.
Aquela figura, ele sabia... é claro que sabia, como poderia não saber? Era a mesma figura que ele tentou superar por toda a sua vida!
"C-como!?"
Com um sorriso no rosto e olhando profundamente nos olhos de Jasper, Oliver respondeu.
"Jasper, faz tempo que não nos vemos, não é?"
***
Em um certo quarto.
Crash—!
Os olhos de Aaron estavam vermelhos enquanto ele quebrava tudo no quarto. Levou um longo tempo até que finalmente parasse, ofegante. Seu rosto se contorcia de raiva.
Bang—!
Levantando o punho, Aaron socou um buraco na parede de seu quarto enquanto rosnava entre dentes apertados.
"Saia da minha cabeça, caralho!"
Seu grito estava cheio de ressentimento e desamparo.
Desde aquele dia, Aaron não conseguia dormir. Sua cabeça coçava o tempo todo e 'aquele rosto' o assombrava, ressurgindo em sua mente repetidamente, como se alguém estivesse o perseguindo.
"Droga, droga, droga."
Esfregando o cabelo até ficar bagunçado, o rosto de Aaron se tornou pálido enquanto a parte de trás de sua cabeça começava a coçar mais e mais.
Cobrindo o rosto com as mãos, sangue escorreu de sua testa enquanto suas unhas se cravavam em sua pele.
Leves recordações da dor que sentiu naquele dia continuavam a aparecer em sua mente, enviando-o para uma espiral agonizante de dor.
"Arghhh!"
Ele gritou de agonia enquanto sua respiração se tornava ainda mais pesada.
Fechando o punho com força, Aaron cambaleou em direção à sua mesa e olhou a lista de concorrentes da rodada de 64. Rolando pela lista, seus olhos logo pararam em um determinado perfil.
[Caeruleum]
Suas mãos tremiam incontrolavelmente.
Um medo subconsciente surgiu dentro dele ao ver aquele perfil.
Nada se sabia sobre ele, exceto o fato de que era humano.
Por ter chegado à rodada de 64, Aaron naturalmente prestou atenção em todos os perfis, e quando viu Caeruleum, algo dentro dele coçou. Após observá-lo mais e mais, uma horrível realização lhe ocorreu.
E se o que ele experimentou não fosse uma fabricação de seu sonho?
Pela forma como interagia com Kevin, Jin e os outros, havia uma possibilidade muito real de que aquele fosse 'ele'.
O mero pensamento fez Aaron passar noites sem dormir, enquanto círculos negros se formavam sob seus olhos.
"...Não...não pode ser...Impossível..."
Levantando a mão, Aaron começou a morder as unhas lentamente. Encolhendo-se no chão, continuou a morder as unhas dos dedos.
'Eu preciso matá-lo...ele deve morrer...fazer a vida dele miserável por me fazer sofrer tanto...só depois que ele morrer todos os pesadelos vão parar.'
Uma voz estranha entrou em sua mente enquanto continuava a morder as unhas.
Gradualmente, ideias começaram a se implantar em sua mente enquanto Aaron logo começou a morder a pele de suas unhas.
"Você... deve... morrer!"
***
No início da manhã.
Um frio suave cobria a cidade de Issanor, fazendo vapor branco sair da boca das pessoas presentes sempre que respiravam.
"Huaaam."
Esticando meu corpo, soltei um grande bocejo.
Após os eventos da noite anterior, todos nós saímos para jantar e voltamos direto para a cama logo em seguida. O motivo era que hoje teríamos nossas próximas partidas.
Com essas rodadas sendo mais importantes do que as anteriores, uma nova área foi selecionada para realizar o torneio.
Ao chegar ao local, um enorme campo se estendia à nossa frente.
O mais impressionante era uma enorme árvore que se erguia no centro do campo. Levantando a cabeça e olhando para a árvore, fiquei completamente chocado com seu tamanho, pois era pelo menos tão alta quanto alguns dos prédios mais altos do domínio humano.
Na base da árvore, raízes grossas se cravavam profundamente no chão. Por outro lado, ao lado da árvore, havia oito ramos grossos que se estendiam para fora. Colocados na extremidade deles, havia uma enorme plataforma.
Provavelmente as plataformas onde as lutas aconteceriam.
No momento presente, cercando a árvore havia um mar de pessoas. Praticamente todos os líderes de facção, assim como os cidadãos de Issanor, se reuniram ali.
Apresentando-se diante deles estavam grandes feitiços circulares parecidos com espelhos que exibiam a visão das plataformas acima. Eles funcionavam essencialmente como grandes monitores.
Rugidos ensurdecedores ecoaram pelo campo.
No momento em que apareci sob a árvore, imediatamente atraí a atenção de muitas pessoas.
Não precisei me perguntar por que estavam me olhando, pois uma grande projeção do meu rosto, bem, do meu rosto com a máscara, apareceu.
Franzindo os lábios, balancei a cabeça e me dirigi ao centro da árvore.
Finalmente era hora de o verdadeiro torneio começar.