The Author's POV

Volume 3 - Capítulo 270

The Author's POV

Assim que pisei nas chamas, senti o calor do fogo roçar minha pele. Movendo minha mão para frente e canalizando os psions do vento no ar, uma esfera protetora se formou ao meu redor, desviando as chamas de mim.

Com a esfera ao meu redor, avancei. Em direção ao mar de chamas.

"Khhh..."

Depois de alguns passos no fogo, um pequeno gemido escapou de meus lábios.

Apesar de estar desviando o fogo, o calor era insuportável. A prova disso era minha pele, que estava lentamente ficando vermelha.

"Kh..."

Com os dentes cerrados e ignorando a dor, continuei avançando.

"Haaa!"

"Hue!"

Devido às chamas furiosas bloqueando minha visão, não conseguia ver para onde estava indo. Mesmo assim, ainda ouvia os gritos agonizantes dos guardas sendo queimados vivos.

Focando nos gritos dos guardas, rapidamente me dirigi em sua direção.

Eles eram meu objetivo.

"Khh...khhh...ajuda."

Em pouco tempo, seguindo o grito mais próximo, cheguei até um guarda. Bem, o que restou do guarda.

Com a barreira de ar girando ao meu redor, ao me aproximar dele, consegui ter um rápido vislumbre de sua condição.

No momento em que meus olhos se pousaram sobre ele, tudo o que vi foi um corpo carbonizado. Com a mão levantada em minha direção, em uma voz grogue e quase inaudível, ele implorou.

"Ajude...me...ahh—!"

"Claro."

Abaixando meu corpo, levantei minha mão e acertei sua cabeça, matando-o instantaneamente. Nesse ponto, mesmo que alguém tentasse ajudá-lo, ele estava ferido demais para ser salvo.

"Huuu."

Exalando, meus olhos se fixaram no que parecia ser a mão do guarda. Nela, havia um pequeno anel dourado.

Pegando o anel da mão do guarda, fechei os olhos e canalizei meu mana.

'Ótimo, tudo está aqui.'

Olhando através do anel e percebendo que tudo ainda estava lá, sorri satisfeito.

Tirei o anel que estava no meu dedo e substituí pelo que peguei do guarda, guardando meu antigo anel.

Assim que coloquei o novo anel no dedo, olhando para o corpo do guarda ao meu lado, recuei e deixei-o ser novamente consumido pelas chamas.

Virando-me, afastei-me alguns metros do corpo e sentei-me.

"Huuu."

Respirando fundo, sabia que não tinha muito tempo. Fechando os olhos, diminui o raio do escudo de ar que girava ao meu redor.

"Khh.."

Marcas de queimaduras começaram a aparecer por todo o meu corpo, mas não me importei. Eu precisava economizar o máximo de mana possível.

As chamas ao meu redor continuaram a rugir ferozmente por cerca de dez minutos, e quando estava prestes a ficar sem mana, as chamas finalmente começaram a mostrar sinais de diminuição.

"Aqui!"

"Tem uma pessoa ferida aqui!"

Logo, consegui ouvir o som da equipe de resgate à distância. Acenando com a mão, o escudo de ar ao meu redor se dissipou, e assim que desapareceu, as chamas instantaneamente envolveram todo o meu corpo.

Fechando os olhos, usando o último mana dentro de mim, murmurei.

"Indiferença do Monarca."

***

Dentro de uma grande sala iluminada por uma lâmpada fraca, várias figuras estavam sentadas ao redor de uma grande mesa oval de madeira. No momento, uma atmosfera pesada envolvia a sala, enquanto todos os olhos se voltavam para um homem sentado à cabeceira da mesa.

Objetivamente falando, ele era um homem bonito. Tinha traços faciais bem definidos que brilhavam lindamente sob a luz tênue.

Seu olhar de descontentamento era a razão pela qual a atmosfera estava tão pesada.

"Então você está me dizendo que ainda não consegue rastrear o 876?"

Sua voz profunda e fria ecoou pela sala. Virando a cabeça, ele fixou o olhar em um certo indivíduo sentado à mesa, sua voz se tornando ainda mais gelada.

"E você também está me dizendo que um comandante como você é incapaz de cuidar de um único indivíduo, mesmo tendo duas unidades ajudando?"

Uma pressão pesada desceu sobre a sala. A respiração de cada pessoa se tornou áspera, e o suor escorreu pelo lado de seus rostos.

"..."

Reprimido, Luther levantou a cabeça em silêncio.

No momento em que ele levantou a cabeça, e a luz iluminou seu rosto, uma enorme marca de queimadura que se espalhava por metade de seu rosto ficou visível para todos na sala.

Com os punhos cerrados sob a mesa, Luther não rebateu nem pediu desculpas.

"Reconheço meu erro."

Descansando o cotovelo na mesa e apoiando o queixo na mão, o homem bonito perguntou indiferenitamente. "É só isso que você tem a dizer?"

"Não." Luther balançou a cabeça, antes de ranger os dentes e levantar-se de repente. "Por favor, me dê outra chance, Xavier!"

—Bang!

Batendo o punho na mesa e assustando as pessoas ao seu redor, Luther elevou a voz.

"Eu juro que pegarei aquele desgraçado e o matarei com minhas próprias mãos!"

Cada palavra que saia de sua boca estava impregnada com uma quantidade inimaginável de ódio.

Embora não tenha sofrido ferimentos graves, a fúria e a humilhação surgiam dentro dele sempre que pensava no incidente que ocorreu não muito tempo atrás. Tal desgraça era algo que ele nunca havia experimentado antes, permanecendo vívida em sua mente.

Observando Luther atentamente, Xavier ponderou.

"Então você está dizendo que assumirá a responsabilidade por sua falha?"

"Sim."

Luther respondeu firmemente.

"...Entendi, tudo bem."

"Sério?"

Ao aceitar, os olhos de Luther brilharam, enquanto as chamas de ódio que ardia em seus olhos queimavam ainda mais intensamente.

"Não vou te desapontar!"

"Mhm... mas, há uma condição."

"Uma condição?"

A empolgação de Luther murchou, e o que a substituiu foi a cautela.

'Como esperado, não existe almoço grátis neste mundo.'

Assim funcionava a Monolith, Luther sabia que não existiam favores na Monolith. Havia apenas acordos, e Xavier estava prestes a propor seu acordo.

"Qual é a condição?"

"Não se preocupe, não é nada demais."

Descansando o outro cotovelo na mesa e entrelaçando os dedos, Xavier disse casualmente. "No processo de caçar o 876, quero que você leve alguns recrutas com você."

"Alguns recrutas?"

"Mhm, eles são bem jovens, mas acredito em seu potencial. Que essa seja uma boa experiência para eles."

"...É só isso?"

"Sim." Sorrindo, ele provocou. "O que, você esperava algo diferente?"

"Não, não, não, entendi."

"Bom."

Sorrindo e desviando a atenção de Luther, Xavier mudou de assunto.

"Agora, para um tópico diferente. Resumindo, estamos planejando emboscar Monica Jeffrey."

"O quê!? Monica Jeffrey?"

"Ah?!"

"A bruxa do crepúsculo?"

Olhando uns para os outros, murmúrios e sussurros rapidamente tomaram conta da sala.

Todos na sala sabiam quem era Monica.

A bruxa do crepúsculo e a próxima heroína de classe SS, uma prodígio que nunca havia sido vista antes, e a maior detentora de recompensas da Monolith.

Apoiado na mão entrelaçada, Xavier explicou calmamente. "A razão pela qual estou dizendo isso é porque os superiores estão planejando emboscá-la."

Fazendo uma pausa e olhando para todos os presentes na sala, Xavier ordenou. "Enquanto isso, assim que os superiores saírem para lidar com essa praga, será sua responsabilidade garantir a segurança de todos. Se algo grande acontecer, será sua tarefa cuidar disso, entendido?"

Ouvindo as palavras de Xavier, todos prenderam a respiração.

Se o que Xavier disse era verdade, e os superiores realmente conseguissem matar Monica Jeffrey, a guerra entre a Monolith e a União se intensificaria ainda mais, atingindo pontos em que começariam uma guerra aberta.

Uma guerra que não ficaria mais nas sombras.

Compreendendo isso, a atmosfera se tornou extremamente tensa.

Completamente ciente do que todos estavam pensando, Xavier olhou firme para cada um na sala.

"Repito, todos entenderam o que acabei de dizer?"

Olhando uns para os outros por um breve momento, todos se levantaram e gritaram em uníssono.

"Sim!"

"Bom, a reunião está encerrada."

Batendo as mãos e levantando-se de seu assento, Xavier virou-se e saiu da sala.

Assim que ele deixou a sala, os demais participantes da reunião o seguiram. Incluindo Luther.

***

Por um tempo indeterminado, a escuridão envolveu minha visão.

Não sabia quanto tempo havia se passado, mas eventualmente, recuperando o controle do meu corpo, abri os olhos.

No momento em que abri os olhos, deparei-me com um teto branco desconhecido.

Minha mente parecia nebulosa e minha visão estava embaçada.

Consegui? Ou falhei?

A fronteira entre a realidade e os sonhos era ambígua.

Meu corpo todo doía e muitas perguntas surgiram em minha mente enquanto as memórias começavam a inundá-la.

'Certo, o fogo.'

Foi então que comecei a lembrar lentamente do que havia acontecido momentos antes. A dor que percorria meu corpo era o que realmente me lembrava do ocorrido.

"Ah."

Levantando lentamente a cabeça, um pequeno suspiro escapou de meus lábios. Coberto da cabeça aos pés com ataduras, encontrei-me dentro do que parecia ser um quarto de hospital.

Ao meu lado, havia outras pessoas em um estado semelhante ao meu.

"Oh, você acordou?"

Uma voz suave me chamou.

Virando a cabeça, uma bela jovem com cabelos negros e um jaleco de enfermeira se aproximou de mim. Em sua mão, havia uma pequena prancheta.

"Você está bem?" Ela perguntou enquanto desenrolava as ataduras que cobriam minha cabeça. "Suas lesões foram bastante graves. Você tem queimaduras de terceiro grau por todo o corpo. Se não fossem os sedativos e analgésicos, você estaria desmaiando de dor."

Observando-a desenrolar as ataduras na minha cabeça, contive as palavras.

Primeiro, porque havia uma chance de que reconhecessem minha voz, e segundo, porque meu cérebro estava extremamente sonolento.

Com todos os medicamentos que estava tomando, tornou-se incrivelmente difícil processar o que estava acontecendo ao meu redor.

Se não fosse pelo chip dentro da minha cabeça, teria demorado muito mais para perceber o que estava acontecendo.

'...meu plano funcionou?'

Olhando ao redor, pelas aparências, meu plano parecia ter funcionado. Embora tenha resultado em mais queimaduras, de alguma forma, consegui infiltrar a Monolith com sucesso.

"Tudo bem, Matteo, fique parado para que eu possa trocar suas ataduras?"

"Matteo?" murmurei em voz alta, enquanto refletia internamente. 'Quem é Matteo? Nunca ouvi falar dele, e por que ela me chamou assim?' Muito distraído com meus próprios pensamentos, não percebi que Matteo era o nome do guarda com quem troquei os anéis durante o incêndio. Nele estavam seus pertences e cartão de identificação.

Era por isso que ela havia me chamado pelo nome dele.

"Hm? Não é esse seu nome?" Inclinando a cabeça, a enfermeira levantou levemente a cabeça e olhou para sua prancheta. "Matteo Monaco? Não é você?"

As palavras da enfermeira imediatamente clarearam minha mente sonolenta.

Então, rapidamente, fingi ainda estar sob o efeito dos medicamentos.

"...huuekk, teo teo."

"Hmm, acho que você ainda não consegue entender o que estou dizendo."

Felizmente para mim, a enfermeira não deu muita importância e continuou trocando as ataduras na minha cabeça.

Percebendo que consegui, de alguma forma, me livrar da minha gafe, suspirei aliviado.

Se não fosse pelo meu rápido pensamento, poderia estar em apuros.

"Certo, terminei." Terminando de substituir minhas ataduras, a enfermeira bateu palmas em satisfação antes de dizer. "Descanse, voltarei amanhã para verificar como você está."

"Khm, hm, hm."

Respondi de um jeito que parecia que ainda estava sob o efeito dos medicamentos.

"Certo, agora para o próximo paciente."

Olhando para as costas da enfermeira, fechei os olhos, e os engrenagens da minha mente começaram a girar.

'Preciso sair daqui o mais rápido possível.'

Apesar de ter conseguido infiltrar a Monolith com sucesso, sabia que o verdadeiro problema estava prestes a começar.

Estava mais perto da liberdade do que nunca, mas também sentia que ainda estava a milhas do meu objetivo.

Ainda assim, não estava desanimado.

Já que consegui chegar até aqui, nada poderia me impedir de escapar desse buraco infernal.

Nada.

'Vamos pensar nisso antes de agir.'

Deitando-me na cama, evitei sair correndo da enfermaria. Havia muitos fatores que eu precisava levar em conta antes de realmente agir.

Primeiro, sem dúvida, a Monolith estava me procurando em todos os lugares. Quero dizer, matei mais de uma dúzia de seus soldados, incluindo seu principal cientista, além de explodir uma das entradas da Monolith.

Se eles não estivessem me procurando, eu ficaria muito surpreso.

'Outra coisa da qual preciso ter cuidado é o fato de que, até agora, eles devem ter uma ideia de que posso mudar de rosto. Seriam idiotas se não soubessem, portanto, preciso ser ainda mais cuidadoso.'

Por hábito, levantei minha mão e a coloquei sob o queixo, começando a meditar.

Se houvesse alguém presente na sala, acharia a cena bastante cômica.

De qualquer forma, meu ponto ainda estava válido.

Mesmo que as pessoas que me caçam não tenham descoberto que eu possuo algo que pode me ajudar a mudar de rosto, até agora, eles já devem ter uma ideia do que sou capaz.

Portanto, precisava ser ainda mais vigilante ao me mover do que antes. Não poderia ser tão imprudente.

'...por último, o chip.'

Esse era o problema que mais me incomodava.

Embora eu tenha desligado a conexão com meu chip, a Monolith, sem dúvida, possuía alguns dispositivos que deveriam ser capazes de localizar o chip dentro da minha cabeça.

Mesmo que possa demorar um tempo para eles configurarem isso, já que Joseph está morto, ainda precisava considerar esse ponto.

Quanto mais eu ponderava sobre esse problema, mais percebia o quão pouco tempo eu tinha à disposição.

Se até o final da semana eu não estivesse fora deste lugar, poderia dar adeus às minhas chances de escapar.

Precisava sair desse lugar até o final da semana.

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