
Volume 7 - Capítulo 322
Warlock Apprentice
Domino não entendeu o que Angor queria dizer… até ouvir Tepikkhu gemer.
“O que vocês estão fazendo? Vão proteger o Jovem Mestre!” gritou o velho servo, e todos os guardas correram para conter Tepikkhu novamente.
“Ai… que dor…” Tepikkhu esfregou as têmporas.
Os guardas já estavam se movendo para afastá-lo.
“Parem!” Domino ordenou que seus homens recuassem. Em seguida, ajudou Tepikkhu a sentar-se em uma cadeira próxima.
“Pai?” perguntou ele ansiosamente.
Tepikkhu abriu os olhos e lentamente reconheceu a figura de seu filho. “Domino? Ugh, minha garganta… Me dê um pouco de água, Muwa.”
“Muwa” era o nome do servo ao lado de Domino.
“M-mestre, o senhor está bem? Isso é inacreditável!” Muwa estava com os olhos e o nariz escorrendo muito.
Tepikkhu tossiu e disse: “O que você quer dizer?… Rápido, água…”
Tepikkhu estava confuso. Ele ainda não se lembrava de como havia desmaiado.
Contudo, seu comportamento convenceu a todos de que ele havia voltado ao normal, exatamente como Angor havia dito.
Domino abraçou o pai com força e começou a chorar alto também, enquanto todos os outros guardas choravam silenciosamente junto.
Tepikkhu lentamente relembrou a situação. Ele viu algo entrando em sua boca, então tudo ficou escuro… Ele se perguntou se um mago havia aparecido para ajudá-lo.
Ele queria aproveitar o reencontro com sua família e servos, mas como mestre de um clã, sabia que havia assuntos importantes em jogo.
Ele gentilmente empurrou Domino para o lado e se levantou, preparando-se para agradecer a Angor.
Então, ele torceu o tornozelo e caiu de joelhos, sentindo dor. O parasita havia machucado seus membros.
Após alguma comoção, Tepikkhu foi carregado por um guarda. Ele então ordenou que todos se ajoelhassem diante de Angor.
Tum! Tum!
Duas dúzias de joelhos bateram no chão.
“Muito obrigado, Senhor Mago. Se não fosse por você, eu teria—”
“Levantem-se. Estou aqui porque a Senhora Lótus me pediu. É meu dever.”, disse Angor. Ele não pretendia ficar observando a família se abraçando por mais tempo. “Vamos. Não podemos perder tempo agora.”
Tepikkhu observou Angor caminhando em direção à porta e suspirou, impotente. Um favor que salvava vidas era uma tarefa tão fácil aos olhos de um mago. Não era de admirar que o rei do Soberano da Meia-Noite estivesse tão determinado a buscar conhecimento em magia…
Lá fora, sob a névoa da noite, um jovem de trajes casuais caminhava à frente, seguido cautelosamente por um grupo de guardas e membros de clãs de aparência nobre, rumo ao portão sul da cidade.
Domino sabia que Angor poderia salvar os infectados, mas ainda assim estava apavorado ao pensar que milhões de mutantes estariam à espreita na cidade.
Após caminhar por cerca de duas horas, Domino ficou cada vez mais intrigado, pois não encontrou mais nenhum mutante. Havia apenas um “hostil” bem à frente, que imediatamente fugiu.
Domino não conseguia acreditar que os mutantes estivessem evitando seus guardas, o que só podia significar uma coisa: esses monstros estavam com medo do jovem mago que os liderava.
Aquele garoto possuía poderes incríveis. Só de seguir seus passos calmos e serenos, Domino já se sentia melhor.
O amanhecer se aproximava e eles finalmente chegaram ao portão sul. Ao saírem da área afetada pela névoa, puderam ver a estação de trem à distância, bem como a floresta e as paredes da caverna na borda.
Havia um grupo de Subterrianos não infectados esperando na estação de trem. Quando o grupo de Angor emergiu da névoa, um homem corpulento com uma armadura completa correu em direção a eles, empolgado.
O homem removeu o capacete, revelando um rosto envelhecido e marcado por batalhas. Ele se ajoelhou diante de Tepikkhu. “Vossa Excelência!”
“Que bom vê-lo bem, Capitão Neboa.”, disse Tepikkhu, continuando a caminhar em direção à estação de trem com a ajuda de um guarda.
“Este é o senhor — meu salvador. Ele me ajudou a escapar da cidade.”, disse Tepikkhu, apontando para Angor. Como os magos preferiam permanecer nas histórias e lendas dos mortais, Tepikkhu não revelou a identidade de Angor ao capitão da guarda.
Neboa rapidamente se aproximou de Angor e ia se ajoelhar novamente.
Angor o deteve e se afastou. “Terminei o pedido da Senhora Lótus. Podem ir sozinhos.”
Antes que pudesse ir muito longe, ouviu os sobreviventes conversando em voz alta. Neboa perguntava a Domino se tinham visto Ananda na cidade.
Angor curvou os lábios.
Então aquele Neboa é o pai da Ananda.
Ele viu todos os moradores prestando-lhe sincero respeito. Não conseguia associar aquele homem à sua filha ladra.
“Não entrem na névoa ainda. Se minha suposição estiver correta, ela se dissipará em breve. Esperem até lá para que possam voltar para casa em segurança.”, disse a voz do Angor à distância.
Quando todos se viraram para olhar em sua direção, viram apenas uma sombra tênue afundando na densa névoa.
…
Angor caminhava pela rua do Soberano da Meia-Noite, sozinho desta vez, em um estado de espírito mais relaxado. Não demorou muito para que ele chegasse à parede branca.
A parede era um portal para o Poço do Crepúsculo. Quando ainda estava a certa distância, viu inúmeros feixes de luz minúsculos emanando da parede.
Sem dúvida, eram os parasitas produzidos pelas libélulas arco-íris.
À medida que se aproximava, os feixes de luz mudaram de direção, desviando-se dele. Havia tantos que Angor facilmente capturou vários parasitas agarrando o ar.
Eles eram semelhantes ao que ele havia capturado dentro do Domínio do Pesadelo um momento antes, apenas um pouco menores.
Ele observou os parasitas por um instante antes de jogá-los fora.
Então, olhou para a parede branca, que ainda emanava parasitas com uma certa loicura. Respirou fundo e entrou.
Antes que pudesse verificar seus arredores novamente, a transmissão de voz do Sunders chegou.
“Senti sua aura. Você está dentro do Poço do Crepúsculo de novo?”
“Sim, professor.”
“O ninho dos insetos fica bem ao lado da entrada, guardado pelas libélulas. Para que você não esbarre nelas, fique aí e não se mexa. Vou buscá-lo.”
Sem esperar por uma resposta, Sunders encerrou a conexão.
Angor olhou para a bifurcação da estrada à frente. Guardas? Ele já os via.
Um enxame de libélulas brilhantes e coloridas circulava a bifurcação. Suas asas produziam um zumbido alto.
Ele não só podia vê-las, como também podia senti-las.
“Lorde Shava!”
“Bom dia, Shava, sua alteza!”
“Oh, senhorita Shava! Brilhante como a lua, como sempre!”
“Aproveite o brilho da rainha, Shava!”
Parecia que as libélulas arco-íris não eram muito inteligentes. Angor só percebia pensamentos infantis e simplistas. Precisava adivinhar bastante para decifrar o significado das emoções.
Cerca de cem libélulas o elogiavam constantemente. Cada vez que uma libélula conseguia dizer algo brilhante, pousava no cabelo de Angor e liberava sua cor com mais intensidade.
Angor não sentia medo algum. Pelo contrário, achava aqueles insetos bastante engraçados.
Não demorou muito para que um bom número de libélulas se reunisse em seu cabelo, brilhando intensamente. Se alguém estivesse ali para observar, encontraria uma lâmpada humana ambulante, iluminando tudo com cores diferentes.
Angor espantou os insetos com um gesto. As libélulas permaneceram próximas, mas Angor não se importou mais com elas.
Ele inspecionou cuidadosamente o ambiente. As lojas perto da entrada eram sempre as mais caras para alugar. Uma floricultura mágica próxima estava com a porta escancarada e o interior da loja em completa bagunça. Outro mercado estava trancado; sua matriz mágica ainda brilhava intensamente. Mais adiante, os prédios ao redor da bifurcação da estrada estavam muito obscurecidos para que Angor pudesse ver claramente. Mas ele acreditava ter visto manchas de sangue e destroços na estrada.
Este lugar fervilhava de gente há apenas quinze dias. Mas agora… ainda não estava totalmente destruído. Contudo, tudo estava muito desolado e silencioso.
Ele não viu nenhum mutante ali. Provavelmente estavam escondidos nos prédios. Angor já estava acostumado a ser deixado em paz, então simplesmente entrou na floricultura mágica para verificar.
A porta que dava para o interior estava trancada, e havia uma barreira mágica protegendo a escada, então ele só pôde verificar a sala externa do primeiro andar.
Ele pensou em pegar algo que pudesse usar na loja. No entanto, ficou desapontado ao notar que as plantas no primeiro andar eram todas de variedades baratas, como Flores Eco. Além disso, a maioria das plantas estava arrancada.
Vários exemplares intactos eram usados principalmente por alquimistas boticários iniciantes, e ele não tinha utilidade para eles.
A voz de Sunders soou novamente: “Onde você está?”
“Na floricultura à esquerda da entrada.”, respondeu Angor prontamente.
“Você encontrou os guardiões libélula?”
Do telhado de um prédio a algumas centenas de metros de distância, Sunders observava a cena com sua forma física oculta. Ele viu o enxame de libélulas do lado de fora da floricultura, agitando-se como se estivessem realizando algum tipo de performance.
“Sim.”, disse Angor ao sair da loja. “Mas elas não me atacaram.”
Em seguida, Sunders viu os insetos brilhantes pousarem na cabeça de Angor, transformando seu jovem aluno em uma lâmpada humana.
Angor os espantou novamente. “Acho que me confundiram com Shava de novo. Senti suas emoções. Estão cantando para ela.”
Sunders ficou sem palavras por um instante. E ele estava apenas preocupado com a segurança daquele garoto…
“Esse nome de novo…” Sunders suspirou. Ele estava ficando frustrado com o fato da Forma Pesadelo do Angor conter tantos mistérios. Agora, ele realmente desejava trazer Angor de volta ao Reino dos Pesadelos para que o garoto pudesse ficar mais forte mais rapidamente.
“Já que eles não são hostis a você, tente ir até o ninho deles. Nosso alvo está lá dentro.”, disse Sunders.
“Certo. Onde fica o ninho?”
“Dentro de uma loja chamada ‘Suco da Dama’. É administrada pela Casa do Prazer. Tenha muito cuidado. Se você sentir QUALQUER intenção negativa, saia imediatamente e eu o ajudarei do lado de fora. Entendeu? NÃO faça nada imprudente!”