
Volume 6 - Capítulo 285
Warlock Apprentice
“Fale”, disse Lydia, balançando as pernas.
Daichese e Anna trocaram um olhar antes de Daichese se aproximar e falar humildemente: “O que deseja saber, Senhora Lótus?”
Lydia revirou os olhos. “Quanta ingenuidade! Eu já perguntei em alto e bom som durante o leilão.”
Daichese ficou surpresa. “E-eu não sei quem criou a caixa de música, minha senhora.”
“É mesmo? Então como a conseguiu?” Lydia estreitou os olhos e emanou uma aura diferente. Um par de mãos invisíveis agarrou Daichese pelo pescoço e a ergueu do chão.
Suor frio se acumulou na testa de Daichese. Seu rosto estava ficando vermelho e ela não conseguia falar.
Anna demonstrou preocupação e tentou fazer algo. Mas um simples olhar de Lydia a fez recuar.
A voz de Crepúsculo soou repentinamente na sala, quebrando brevemente a tensão.
“Senhora Lótus, por favor, não se esqueça do nosso acordo. Abrimos uma exceção ao apresentar o vendedor a você, mas não cabe a você ameaçá-lo.”
Os olhos de Daichese brilharam de esperança ao ouvir as palavras de Crepúsculo.
Lydia zombou da resposta de sua prisioneira: “Você realmente acha que Crepúsculo está aqui para salvar o dia? Deixe-me lhe dizer uma coisa. Matá-la pelas minhas mãos pode provocá-la um pouco, mas ela jamais me pediria para assumir a culpa. E se eu a levar até a porta para matá-la lá, ela não se importará com nada.”
A esperança de Daichese rapidamente se transformou em medo.
“Estou certa, querida Crepúsculo?” Lydia falou através das paredes do quarto.
O silêncio foi a resposta que ela precisava.
“Então, é melhor você me contar a verdade em vez de depender da Crepúsculo para te ajudar. Contanto que eu consiga o que preciso, não tenho que estragar o rosto de uma… jovem dama.”
Daichese assentiu freneticamente. Seu nariz e olhos lacrimejavam depois de ter sido sufocada por tanto tempo.
Lydia bufou e a jogou para longe.
“Agora fale. Da forma mais simples possível, se puder.”, disse Lydia enquanto tirava seu Terra no Céu e inspecionava o objeto com um olhar encantado.
“Eu realmente não sei quem o fez. Recebi do meu familiar.”, disse Daichese com a voz trêmula.
Seu familiar era uma Fada Lírio-da-Lua do tamanho da palma da mão. A fada das flores geralmente ajudava Daichese a coletar pólen e preparar o Perfume Lírio-da-Lua.
No outro dia, quando foi buscar o perfume com a fada, viu a caixa de música por perto. A música a fascinou. Como estava sem dinheiro, decidiu vender o item no Leilão do Crepúsculo e comprar a Poção da Orquídea Branca com o dinheiro que ganhou.
“Foi isso que aconteceu, milady.”, disse Daichese. Ela baixou a cabeça e quase chorou.
Lydia havia usado seu feitiço de detecção e não encontrou mentiras nas palavras de Daichese.
“Então seu familiar não lhe disse onde encontrou a caixa de música?”
“Eu… eu comprei a Fada Lírio da Lua de nível baixo de alguém por um preço baixo. Ela ainda não é inteligente o suficiente para falar. Mas…”
“Mas?”
Daichese hesitou um pouco antes de continuar: “Quando tirei a caixa de música dela, a fada quase gritou e tentou me impedir. Ela até tentou me atacar.
Foi a primeira vez que algo assim aconteceu. Eu não sabia o que fazer, então eu simplesmente… a nocauteei e a tranquei em uma gaiola…”
Daichese estava constantemente preocupada nos últimos dias. A caixa de música obviamente não era da Fada do Lírio da Lua, então ela temia que pudesse ter vindo de alguém poderoso. Ela não conseguia dormir direito pensando nisso.
“Que mentalidade frágil… Você será uma mera Aprendiz pelo resto da vida”, comentou Lydia sobre a expressão preocupada de Daichese. “Como mestra de um familiar, você pode fazer o que quiser com os pertences dele. Se ele se opuser a você, simplesmente mate-o e acabe com todos os problemas em potencial.”
Longe delas, Anna também percebeu por que sua parceira estava tão inquieta ultimamente. Como Lydia disse, tomar algo do familiar à força não era um problema, já que o próprio familiar pertencia ao seu mestre. O problema era que eles não tinham determinado se a fada era a dona da caixa de música.
Se o objeto tivesse sido entregue ao familiar temporariamente, ou pior… Se o familiar o tivesse roubado de alguém… A situação toda se tornaria assustadora.
“Já que foi o seu familiar que encontrou a caixa de música, traga-a para mim. Eu mesma perguntarei.”
Daichese assentiu rapidamente. “Embarcarei em um dirigível imediatamente e retornarei aqui com a fada à noite.”
“Dirigível? À noite?” Lydia inclinou a cabeça. “Vocês dois vieram da Caverna Bruta?”
Daichese olhou para Anna e assentiu. “Sim, meu nome é Daichese, essa é Anna. Nós duas somos da Caverna Bruta. Minha professora é ‘Rosa’ Neon Yethaway, enquanto a da Anna é…”
“Pare. Você pode me dizer se é alguém do nível do Sunders. Caso contrário, poupe-me dos nomes inúteis de fracotes. Você não precisa voltar. Irei à Caverna Bruta em alguns dias e irei encontrá-los pessoalmente.”
Com isso, Lydia acenou para eles, dispensando-os.
Quando a porta se fechou, a expressão de Lydia se transformou em um sorriso. Ela encarou a “Terra no Céu” à sua frente com um olhar intrigado.
Brilhante, design único, inovação incomum… Lydia não conseguia parar de acariciar o adorável objeto.
Ela jogou “Cidade do Céu” muitas vezes e viajou pelas “histórias” da ilha flutuante por um longo tempo antes de despertar de sua experiência onírica.
“Que ilusão interessante… Também me parece familiar”, disse Lydia, sorrindo. “É você, Senhor Sunders, querido?”
Ela se espreguiçou e bocejou.
“Agora que penso nisso, faz tempo que não visito a Senhora Espelho.” Lydia sorriu novamente ao se lembrar do nome. “Acho que vou dar uma olhada.”
…
Angor e Prome saíram da loja e logo foram cercados por alguém.
Angor reconheceu o líder do grupo como um dos Guardas do Crepúsculo. Juntamente com outros quatro Aprendizes, eles bloquearam o caminho em um beco tranquilo.
“A Senhora Crepúsculo pode ter tido misericórdia, mas não nós! Você matou meu amigo e pagará com o seu próprio sangue!” O homem com o uniforme do Leilão do Crepúsculo berrou para Angor.
Angor olhou para Prome. “Por favor, senhor, me dê alguns minutos.”
Então, ele se aproximou dos guardas, sob a expressão de choque de Prome.
“Vou repetir. As mortes deles não têm nada a ver comigo. Não coloquem toda a culpa em mim.”
Angor olhou para o líder deles em seguida. “Pare de fingir. Você é péssimo nisso. A Crepúsculo está por perto observando, não é? E ela não se atreve a fazer isso sozinha, então mandou você?”
Ele tinha certeza. O guarda que mencionou a morte de seu irmão não demonstrou a menor tristeza. Havia apenas crueldade nos olhos do homem. Angor não acreditava que alguém assim viria se vingar de seu amigo.
Era por isso que ele sabia que Crepúsculo estava por trás disso.
O guarda a quem ele se dirigiu zombou: “Você está morto. Não há saída.”
Angor sorriu. “Vai precisar de mais do que vocês para me matar. Crepúsculo talvez consiga, se estiver aqui. Mas se for esse o caso… arrastarei toda a região bruxa do sul para o inferno comigo.”
Angor falou assim porque ainda estava frustrado por ninguém ter reconhecido seu “ato heroico” de salvar o mundo ontem.
Os guardas não entenderam o que ele queria dizer, mas isso não os impediu de iniciar o ataque.
Angor fez uma careta e disse a Prome: “Por favor, vá embora, eu cuido deles.”
A paisagem ao seu redor começou a mudar.
Em algum lugar a um quilômetro de altura, Crepúsculo observava a área abaixo dela com um olhar frio.
“Hehehe. O professor tem razão, você realmente conseguiu>”, disse uma jovem descalça vestida com um vestido de boneca que flutuava em sua direção.
“Você veio aqui para me impedir, Flora?” A expressão de Crepúsculo se tornou mais sombria.
“Ah, não, não. Faça o que quiser. Vim ficar de olho no Angor para que ele não faça nenhuma besteira de novo.”
Crepúsculo zombou: “Esse rato não tem muito tempo de vida.”
Apesar do ciúme, Flora ficou um pouco irritada quando um forasteiro chamou seu subordinado de “rato”.
“É… claro que alguém tão poderoso quanto você não se importa com um rato. Mas tem uma coisa que você precisa saber. Acha que estaria segura se meu professor não tivesse intervido ontem? Já se esqueceu da aura lendária e poderosa?” Flora apontou o dedo para o chão. “Aquele garoto não estava te ameaçando agora. Se ele estiver desesperado, nós duas não seremos os únicos a encher a cova.”
…
A única tática viável para Angor agora era usar ilusões.
Ele não tinha tempo para complicar as coisas, então simplesmente cobriu a área com uma névoa para enganar os sentidos dos inimigos e identificá-los um a um.
Mas ele se surpreendeu ao notar algo diferente depois de lançar a névoa.
Sua visão estava “dividida” novamente. De um lado, ele podia ver pessoas presas na névoa, enquanto do outro lado estava o Domínio do Pesadelo que Sunders havia separado da realidade.
Ele não conseguia entender como Sunders havia invocado o Domínio do Pesadelo usando uma ilusão simples. Sunders havia mencionado algo sobre mudanças drásticas em suas ilusões após a fusão com um Domínio do Pesadelo, mas Angor nunca perguntou os detalhes.
Agora ele já podia ver a “mudança drástica” e não sabia o que fazer.
“Shava… Shava…”
De repente, ele ouviu a voz de uma criança chamando, vinda de dentro do Domínio do Pesadelo.
Mais precisamente, vinha da banda de xícaras de chá que estava lá dentro.