Warlock Apprentice

Volume 2 - Capítulo 268

Warlock Apprentice

A jovem sereia entrou em pânico quando todos os magos a encararam com seus olhares impiedosos. As pessoas ficaram cada vez mais animadas ao verem a timidez da pobre, porém bela criatura, se transformar em medo.

Angor observava o leilão com um semblante impassível. Sereias tendiam a atrair azar por causa de sua beleza. Mas, ao mesmo tempo, essa mesma beleza era sua arma mais mortal. No mar, essas criaturas sempre enfeitiçavam marinheiros inocentes e destruíam frotas inteiras.

A sereia foi vendida para alguém por 320 cristais.

A segunda jaula foi revelada, mostrando outro escravo em seu interior — um anão coberto por escamas cristalinas.

“Um Povo de Cristal do Grande Plano, um artesão nato. Eles fazem trabalhos maravilhosos na construção de edifícios, tanto acima quanto abaixo da superfície”, explicou Crepúsculo.

Um humanoide de outro plano? Angor encontrou vestígios de danos causados pela consciência deste mundo na criatura.

Ele estava ponderando se deveria comprar aquele escravo e aproveitou a oportunidade para perguntar na casa de leilões como impedir que o escravo fosse expulso pela consciência do mundo.

Mas a dura realidade o desanimou rapidamente. O anão de cristal foi vendido por 1.500 cristais. Angor só tinha 600 restantes depois de comprar o chifre do pesadelo.

As gaiolas foram reveladas uma a uma. Havia todos os tipos de belas criaturas femininas ou escravos de outros mundos, e cada um deles custava mais de mil cristais mágicos. Angor não tinha a menor chance.

Ele já tinha ouvido falar que capturar seres de outros mundos e vendê-los para magos significava um lucro enorme. Mas não esperava que fossem tão caros.

O que ele não sabia era que o Leilão do Crepúsculo sempre fornecia as melhores mercadorias, todas cuidadosamente selecionadas. Além disso, as criaturas vendidas ali chegavam por meios legais, então o Culto Supremo não podia fazer nada com os escravos. O processo também aumentava o valor deles.

Restavam apenas os três últimos lotes.

Normalmente, esses seriam os itens mais valiosos oferecidos. No entanto, as pessoas notaram que ainda havia duas gaiolas no palco, o que significava que dois dos três “itens principais” eram escravos.

O leilão vai finalizar com a venda de escravos? Enquanto as pessoas se perguntavam que tipo de criatura teria tanto valor, outra gaiola foi revelada.

Angor ergueu uma sobrancelha ao ver mais uma grande beleza: uma mulher loira com um par de asas brancas como a neve nas costas.

A mulher tinha a mesma aparência descrita em certas histórias que retratavam anjos do céu. Obviamente, não se tratava de um anjo de verdade. Ela podia ter a mesma aparência, mas o ódio escondido em seus olhos era real, o mesmo ódio que se encontraria em bestas demoníacas.

Todos os escravos, em maior ou menor grau, demonstravam ódio. Mas, ao contrário deles, essa mulher não direcionava seu ódio especificamente as pessoas presente no recinto. Além disso, ela vestia roupas finas e não estava presa a nada como os outros escravos. Ela simplesmente permanecia sentada em silêncio, com suas asas cobrindo o corpo.

Angor sentiu ondulações de mana emanando dela. Parecia ser uma humanoide sobrenatural.

Crepúsculo apontou o dedo para a mulher. “Ela se chama Gabriel.”

Muitas pessoas expressaram surpresa ao ouvir aquele nome. Angor as viu cochichando entre si.

“Com licença, Senhora Crepúsculo…” Alguém perguntou: “Ela é Gabriel? Qual Gabriel, se me permite perguntar?”

“Aquela que todos vocês acreditavam ser. Ela é Gabriel Fudo Islanle, a atual Santa do Povo Alado de Parmigi.”

Santa? A santa de uma raça intimamente relacionada aos Subterrâneos?

Alguém engasgou em choque.

O Povo Alado geralmente habitava o céu. No entanto, alguns deles foram perseguidos pelos Karabits e forçados a se mudar para o subterrâneo. Após milhares de anos, os ancestrais desse Povo Alado estabeleceram um forte laço com os habitantes do subterrâneo. Mais tarde, eles se estabeleceram em uma ilha flutuante ao norte das Terras Altas de Parmigi e se autodenominaram Povo Alado de Parmigi. “Senhora Crepúsculo, você realmente acha certo vender a santa daquele povo como escrava em público?” perguntou um mago do Subterrâneo.

Na verdade, as pessoas mal conseguiam conter sua sede por mulheres bonitas. No entanto, ainda assim, tiveram que acenar com a cabeça e concordar com a pergunta, apenas por “educação”.

Gabriel deu um leve sorriso ao observar a plateia lasciva. Ela acenou para Crepúsculo e fechou os olhos.

Crepúsculo suspirou mentalmente.

“Acho que todos vocês sabem quem ela é. É claro que jamais venderíamos a órfã da Asa Sagrada. Ela… veio por vontade própria, com a condição de que seu comprador a ajudasse em sua vingança. Ela quer matar… o ‘Lorde da Noite’ Moodick.”

Suas palavras chocaram a todos para sempre.

“Se alguém puder ajudá-la a conseguir isso”, continuou Crepúsculo, “ela se considerará escrava eterna daquele homem e concordará em fazer qualquer coisa. Uma cobaia, um instrumento de prazer… qualquer coisa.”

‘Asa Sagrada’ Sariye, a antiga santa do Povo Alado de Parmigi, uma maga de formação e a amada professora de Gabriel.

Três anos atrás, Sariye morreu nas mãos de Moodick. Ninguém sabia exatamente o que aconteceu. Moodick apenas admitiu ter cometido o assassinato, mas nunca disse mais nada.

Crepúsculo não explicou por que Gabriel estava tão determinada a matar Moodick, mesmo que isso significasse se tornar escrava. Ela apenas seguiu sua profissão e iniciou o leilão. “Não há lance mínimo para esta. Qualquer um que deseje aceitar sua missão pode assinar o contrato com ela.”

A discussão entre as pessoas se acalorou, mas ninguém se apresentou para aceitar o trabalho. ‘Lorde da Noite’ Moodick era uma figura ilustre em toda a Cidade Insones, e ninguém ali arriscaria a sorte contra aquele homem terrível.

Crepúsculo lançou um olhar furtivo para a Câmara 19. Como ela acreditava, aquele homem era o único ali que “talvez” tivesse uma chance.

Cinco minutos se passaram.

Crepúsculo suspirou e encerrou o leilão com um olhar triste.

Em vez de ser levada pelos trabalhadores, Gabriel abriu sua gaiola sozinha, curvou-se para Crepúsculo e voou para fora do palco interno com um olhar desesperado, porém determinado.

As pessoas permaneceram em silêncio por um tempo.

“Vamos torcer para que o desespero lhe dê força e coragem para se opor a este mundo cruel. Mulheres capazes não devem depender de idiotas inúteis”, comentou Lydia.

…

Com a partida de Gabriel, restavam apenas dois itens, um dos quais era outro escravo.

Elas franziram a testa ao ver o que havia dentro da última gaiola.

Aquilo parecia… uma pessoa?

A figura tinha um corpo esguio, cabelos curtos e grisalhos e pele escura. Vestia um uniforme de servitor impecável, como os que se encontram em garçons de restaurantes.

Tinha um nariz proeminente e lábios de cor pálida, de tamanho médio. Tudo nele sugeria que era um humano comum. Tudo, exceto… uma coisa.

Ele não tinha olhos.

Isso não significava que fosse cego. Em vez disso, havia apenas pele nua e vazia onde seus olhos deveriam estar. Alguém desenhou um par de olhos em estilo de desenho animado em seu rosto com tinta, o que lhe parecia horrivelmente fofo.

“Que diabos é isso? Não sinto nele a marca da consciência do mundo. Ele não é uma criatura alienígena?”

“Existe uma raça chamada ‘sem olhos’ neste mundo? Nunca ouvi falar.”

“O que ele pode fazer? Por que o colocou em penúltimo lugar?”

Angor não tinha essas perguntas. Esfregou os olhos e observou o escravo atentamente.

“O que foi, Angor?” Dave percebeu seu movimento.

“Acho que… já o vi em algum lugar.Ele me parece tão familiar.”

“Familiar?” Dave também ergueu a cabeça e inspecionou a figura, mas não notou nada.

Angor tentou se lembrar se tinha visto alguém assim no Reino dos Pesadelos, mas nada lhe veio à mente.

Toby se mexeu de repente no bolso. Durante o incidente com a caixa de música, Angor conseguiu acalmar o pássaro e fazê-lo dormir. Parecia que Toby tinha acabado de acordar.

Angor voltou sua atenção para o pássaro e não se importou mais com o escravo no palco. “Só faltam dois itens. Ótimo momento, vamos embora logo.”

Toby piou preguiçosamente. Angor sorriu ao perceber que o pássaro havia superado completamente o problema anterior.

Enquanto Angor e seu pássaro brincavam um com o outro, Crepúsculo começou sua apresentação.

“Como todos sabem, existem dois restaurantes absolutamente divinos no sul: a Taverna Borboleta da Felicia e o Restaurante Barbie da Greya.”

Angor congelou ao ouvir o nome de Greya.

“Quem leu a edição mais recente de Expedição aos Planos Infinitos deve saber que Greya se meteu numa briga com a Vovó Shikazaru no Mundo Assombrado, e as duas, junto com outro mago da equipe de expedição, ‘Sawai’, foram sugadas para o Reino dos Pesadelos. Acredita-se que Greya tenha caído, o que significa que seu restaurante não existe mais.”

Um suor frio surgiu na testa de Angor quando ele finalmente se lembrou de quem era a escrava.

“Todos os outros funcionários do restaurante são magos gourmets. Além daqueles que escaparam de volta para a Casa dos Doces, o resto se espalhou por diferentes partes do mundo. Este é um dos funcionários, capturado por um mago durante um incidente. Acho que não preciso lembrá-lo do valor dos magos gourmets. Ele ainda não é um mago formal, mas já sabe cozinhar pratos incríveis que compartilham o mesmo nível de propriedades das poções alquímicas. Agora, vamos fazer alguns lances. Começamos com 10.000 cristais mágicos e espero aumentos de pelo menos 5.000!”

Uma cena passou pela memória de Angor, na qual ele entrava no Restaurante da Barbie com Mara e um grupo de outros magos. Eles viram vários funcionários e garçons estranhos pelo caminho. O dançarino Tom Weasel, um zelador fantasma que sempre falava bobagens, o chefe de garçons Neo Gorduroso e outro homem com o corpo rígido que só conseguia avançar pulando, o “Homem Sem Olhos”.

A mesma figura trancada dentro daquela gaiola de ferro!

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