
Volume 2 - Capítulo 214
Warlock Apprentice
“A alma de uma Forma de Pesadelo é naturalmente mais pura do que a de pessoas comuns”, disse Sunders.
“É… você também já foi uma Forma de Pesadelo, né? Mas por que tenho a sensação de que o garoto é ainda mais puro do que você?” Ness ainda parecia duvidoso.
“Porque a Forma de Pesadelo do Angor é de um nível superior ao meu”, pensou Sunders. Muitos Magos conheciam sua Forma de Pesadelo, mas poucos sabiam realmente o que uma Forma de Pesadelo podia fazer.
“Uma alma tão pura… ele não deve ter problemas para estudar Feitiços da Alma”, comentou Ness.
Sunders não lhe deu atenção, mas as palavras chamaram a atenção do Angor.
O garoto não estava interessado em aprender Feitiços da Alma por enquanto. Ele só precisava saber como matar um Manipulador de Almas de forma definitiva. Gancho Grosso já havia enviado assassinos atrás dele, e Angor estava determinado a se vingar.
Eles prosseguiram com a segunda etapa do experimento: [Separar a Alma do Corpo].
Os materiais para preparar o fluido nutritivo eram suficientes, e eles o prepararam rapidamente. O produto final, de cor verde-clara, foi injetado em uma câmara de vidro.
Seguindo a ordem do Ness, Angor tirou toda a roupa e rastejou para dentro da câmara cheia de líquido.
A princípio, sentiu-se sufocado. Contudo, assim que o líquido cobriu completamente seu corpo, essa sensação desapareceu. O líquido em seus pulmões não impedia sua respiração. A câmara era quente e aconchegante, como o abraço reconfortante de uma mãe.
Angor sentiu seu cérebro repousar completamente sob aquele conforto. Suas pálpebras ficaram pesadas até que ele caiu em um sono profundo.
…
Enquanto Angor dormia, Ness preparou-se para separar a alma do rapaz.
Havia um feitiço simples que arrancava a alma de alguém do seu corpo. Contudo, o feitiço causava muito dano à vítima e, claro, Sunders não o permitiria, então Ness teve que escolher um método complicado. Primeiro, ele precisava afrouxar a ligação entre a alma e o corpo do Angor, depois incendiar um precioso material vegetal chamado Atrator de Almas, que atrairia a alma do Angor para deixar o corpo por conta própria.
O processo era longo. Ninguém sabia quanto tempo levaria para a alma do Angor deixar o corpo.
Quando o Atrator de Almas começou a queimar, Ness rapidamente ficou entediado e tentou matar o tempo de uma maneira bizarra.
O velho chamou um grupo de jovens criadas para o quarto e começou a mover as mãos pelos seus corpos. Quando percebeu que Sunders permanecia imóvel em frente à câmara de vidro do Angor, teve uma ideia perigosa e pediu a duas criadas que fossem servir Sunders.
As criadas desmaiaram no chão antes que pudessem alcançar o cavalheiro.
“Remove esse poder seu, tá bom? Elas são apenas mortais”, Ness se aproximou sorrateiramente, exalando perfume. “A alma do Angor ainda está estável. Isso vai levar muuuito tempo.”
Sunders permaneceu indiferente. “Se entregar aos seus desejos é o motivo pelo qual você nunca evoluiu muito. Se deseja seguir adiante no caminho da magia, aprenda a controlar sua luxúria.”
“É só um hobby! Você parece não ter nenhum”, reclamou Ness.
“Eu tenho. Mas sei me controlar”, respondeu Sunders. Sua voz soava fria como sempre.
“Está me dando sermão agora? Conhece a Maria Sangrenta do Castelo das Trevas? Ela toma banho de sangue de virgens todos os dias e mantinha milhares de catamitas em suas celas. E mesmo assim se tornou uma lenda e foi explorar terras distantes!” Ness sentiu-se um pouco irritado. O que ele fizera não era nada comparado a Maria Sangrenta.
“O desejo não é determinado pela quantidade de ferramentas. Você pode se entregar completamente a uma única mulher, enquanto Maria Sangrenta sabe como controlar, não importa quantos filhos tenha tido.”
Ness não pareceu nada convencido, então Sunders decidiu deixar o assunto para lá. Todos os Magos precisavam trilhar seus próprios caminhos para aprender a verdade suprema. Foi por isso que ele não ensinou nada a Angor no início e só lhe deu seu caderno quando o garoto aprendeu a se aprofundar nos fundamentos dos Feitiços e a alterá-los de acordo com suas próprias ideias.
Sunders permaneceu em silêncio, e Ness voltou para suas criadas. O velho logo se entediou novamente, então pediu a todas as mulheres que se retirassem. Em seguida, juntou-se a Sunders perto da câmara.
“Então… como você ensinou Angor? Onde ele aprendeu sobre todas essas plantas mágicas e seus efeitos?” Ness tagarelou. “Olhe para meus alunos… Eles são péssimos comparados a Angor.”
Sunders deixou escapar uma expressão de desconforto. Ele nunca havia ensinado nada de alquimia a Angor. Quando Ness elogiou seu aluno, o cavalheiro sentiu-se orgulhoso e envergonhado ao mesmo tempo.
Como Sunders não respondeu, Ness continuou tagarelando: “Ele até sabe sobre o efeito catalisador da [Flor de Escorpião de Mero]… Eu só descobri isso recentemente. Impressionante. Será que ele recebeu alguma iluminação do Ancião dos Livros?”
Sunders estava curioso sobre o conhecimento do Angor, mas não pretendia investigar. Todos os Magos tinham seus próprios métodos de estudo, e cada um podia saber algo que os outros desconheciam.
Por exemplo, Sunders não sabia muito sobre conhecimento da alma e precisou recorrer a Ness para obter ajuda “Iluminação? Não exatamente. Mas ele recebeu algumas dicas.” Sunders sentiu orgulho da conquista do Angor.
Ninguém havia aprendido nada com o Ancião dos Livros em muitos anos. Seja lá o que Angor tenha feito, o garoto provou seu talento superior.
Ness estava com inveja agora. “Eu teria sido o responsável pelos recrutas! Aí talvez o Angor fosse meu aluno. Tenho tantas perguntas para fazer ao Ancião dos Livros, mas ele sempre me expulsava do quarto dele! Droga.”
Sunders zombou mentalmente. Você não vai conseguir o Angor de qualquer jeito. Eu interceptei o garoto da nave da Academia Flutuante Coral Branco.
Enquanto conversavam, Angor sentiu-se retornando ao espaço caótico.
Este era o lugar onde ele lutara com a Rainha Parasita.
“Voltei à minha Forma de Alma?” Angor olhou ao redor, curioso. O lugar podia parecer seu espaço mental, mas Angor sabia que não era, pois não via seus Eixos do Universo ali.
Estava praticamente vazio. Além de sua própria alma, havia apenas um outro objeto: um botão de flor verde que emitia uma luz verde pálida.
Então este é o núcleo do Veludo Verde?
Angor tentou se mover. Ele pensou que sua alma estivesse presa no corpo, como quando lutou contra a Rainha Parasita. Surpreendentemente, porém, percebeu que conseguia se mover desta vez.
“Hum… Eu consigo me mover?” Angor flutuou. A sensação era semelhante à de quando estava no Reino dos Pesadelos, onde não estava sujeito à gravidade.
Angor flutuou até o Veludo Verde e circulou ao redor do botão. Não tinha confiança suficiente para tocar a planta, mas sentia algo reconfortante ao permanecer perto do botão.
Assim como Sunders mencionou, o Veludo Verde podia nutrir sua alma.
Mas… o núcleo de Veludo Verde deveria estar dentro de alguma parte do meu corpo, certo? Por que consigo vê-lo aqui?
Isso significa que o espaço caótico é o interior do meu corpo? Mas por que não há vasos sanguíneos nem outras partes do corpo? Parece tão vazio.
Onde exatamente está o Veludo Verde? E o que é este lugar?
Angor decidiu que perguntaria ao seu professor mais tarde.
Ele permaneceu perto do Veludo Verde e apreciou a aura refrescante que ele emanava até que uma força estranha apareceu e o atraiu para longe.
A força estranha era como um doce delicioso que seduz uma criança.
Angor pensou que poderia facilmente ignorar o impulso de segui-la, mas sua mente funcionava muito lentamente. Quando recobrou os sentidos, já flutuava em direção a uma entrada que parecia um vórtice.
Ele podia ver o mundo exterior através dela. Sunders estava bem ali, mas o cavalheiro não olhou em sua direção.
Ele também viu Ness. Ao contrário do Sunders, Ness curvou um dedo para ele e fez um gesto com a mão.
Angor já estava atraído pela força desconhecida. Agora que Ness pediu para ele sair, ele atravessou a entrada sem pensar duas vezes.
…
“Bom garoto. E finalmente! Seu espaço espiritual é bem grande. O Atrator de Almas está aceso há uma hora.”
Ness apagou a chama na grama e a estranha força que atraía a alma do Angor desapareceu.
“Então, foi um sucesso. Agora precisamos testar sua alma”, disse Sunders.
Angor não conseguia sentir o líquido nutritivo ao redor de seu corpo quando existia como alma, então acreditava ser um ser etéreo capaz de atravessar objetos sólidos.
Ele logo se provou errado. Quando Angor foi para o lado de fora da câmara de vidro, bateu a cabeça no vidro. Com força. Sunders observou a atitude tola de seu aluno e conteve a vontade de dar um tapa na testa.
Ness deu uma gargalhada. Quando a expressão do Angor se fechou, o velho explicou lentamente: “Meus equipamentos são todos feitos de materiais especiais. Almas não conseguem atravessá-los.”
Vendo Ness ainda rir e o olhar constrangido do seu professor, Angor encontrou uma saída no topo da câmara e flutuou para fora, corando.
Ele tentou ficar em pé no chão, mas não conseguiu sentir nada sólido. Era estranho olhar para seu corpo submerso na câmara. Angor ainda sentia uma conexão entre seu corpo e alma, mas não conseguia entender por quê.
Ness falou com Sunders. “O garoto ainda está tentando esconder sua ‘privacidade’. Veja, ele até fez umas vestes etéreas em volta da alma.”
Como Ness dissera, a alma do Angor não estava nua. Ele usava uma espécie de cobertura básica.
Sunders zombou: “Ao contrário de você, as pessoas sabem o que é vergonha.”
“Ptui. Por que eu precisaria saber o que é vergonha? Isso é coisa de mortal, que limita a natureza humana. Magos deveriam se libertar!” retrucou Ness.
“Esse é o seu padrão unilateral e extremo, e a razão pela qual você não conseguiu avançar”, disse Sunders. Ele estava cansado de explicar questões morais para Ness. “Vamos começar. Primeiro, vamos anotar a condição dele.”
Sunders se virou para Angor. “Você sente a névoa cinzenta dentro de si?”
Angor tentou, e sentiu a estranha ondulação vinda das profundezas de sua alma. “Sim, senhor.”
“Então você consegue controlá-la? Liberá-la”, disse Ness.
Angor tentou novamente. “Eu… acho que não consigo.”
Depois de ter liberado a névoa em um nível extremo da última vez, ela parecia estar adormecida. Agora, parecia uma poça estagnada que se recusava a se mover, não importava o quanto ele tentasse.
“Entendo. Então, precisamos de mais testes. Vamos descobrir onde ela existe e fazer algo específico para ativá-la”, disse Ness. Ele apontou para a bancada de experimentos onde processava o cadáver feminino. “Suba na bancada.”