
Volume 3 - Capítulo 421
Busca pela Verdade
Pelo que a garota pensava originalmente, Su Ming deveria ter destruído todas as árvores estranhas da floresta ao longo do caminho e usado o método mais rápido para sair dali.
Era por isso que suas ações atuais estavam causando confusão no coração dela.
Cada passo que Su Ming dava era feito com extrema cautela. Na maior parte do tempo, ele caminhava pelos pontos onde as árvores não eram densas. Ao fazer isso, sua velocidade diminuía consideravelmente.
A garota não ousava falar, mas começava a duvidar do poder de Su Ming em seu coração. Ainda assim, o Su Ming de cabelos vermelhos havia deixado uma impressão muito profunda nela. Por isso, mesmo com suas dúvidas, ela ainda acreditava que a escolha de seu patriarca havia sido correta.
Depois de caminharem por um dia inteiro na floresta, vários arcos longos cruzaram o céu com um ímpeto impressionante. Por onde passavam, as camadas de nuvens pareciam ser rasgadas. Havia cinco pessoas nesses arcos.
Quatro delas eram adolescentes, e uma outra pessoa os liderava. Era um homem de meia-idade incrivelmente bonito. Sua expressão era tão fria quanto o gelo, e todo o seu ser exalava poder. Quando passaram sobre a floresta estranha, ele lançou um olhar para baixo, como se tivesse visto Su Ming e os dois jovens. Depois de varrer o olhar sobre eles, escolheu ignorá-los, passando direto com os quatro adolescentes atrás dele.
Quando a garota viu tudo isso, ficou agitada. Lançou um olhar para Su Ming e, após um longo momento de hesitação, ainda assim escolheu permanecer em silêncio.
O garoto, porém, sentia-se completamente diferente da garota. Para ele, aquilo era ótimo. Dessa forma, poderiam evitar ao máximo possíveis problemas. E ao ver aquelas cinco pessoas voando no céu, achou tudo muito chamativo. No perigoso Mundo dos Nove Yins, voar de maneira tão extravagante não era uma boa ideia.
Na primeira noite que os três passaram na floresta, nove luas apareceram no céu. As pupilas de Su Ming se contraíram quando viu as nove luas brilhando acima dele.
As nove luas brilhavam com uma luz suave que se espalhava pelo chão, fazendo a terra cintilar e tornando o céu mais acolhedor. As camadas de nuvens pareciam ter se dissipado durante a noite.
— Descansem!
Disse Su Ming, parando em um local onde não havia muitas árvores estranhas por perto. Sua voz era calma. Assim que terminou de falar, sentou-se no chão com as pernas cruzadas, desviou o olhar das luas no céu e fechou os olhos para meditar.
A garota sentia que estava sendo forçada a parar e nada podia fazer quanto a isso. Achava que deveriam continuar se movendo e seguir o mais rápido possível para a Cidade Xamã. Na verdade, em sua opinião, deveriam estar voando, não andando pela floresta. Se continuassem caminhando daquele jeito, era totalmente incerto quanto tempo levariam para atravessar aqueles trezentos quilômetros.
— Lan Lan, quer beber?
Justo quando a garota se sentia contrariada, o garoto se aproximou e ofereceu um cantil de água.
A garota pegou o cantil e, após dar um gole, perguntou suavemente:
— Ahu, se continuarmos andando assim, quanto tempo acha que vamos levar até chegar na Cidade Xamã?
— Acho que… não importa quanto tempo leve. Desde que possamos garantir nossa segurança, tudo bem.
Respondeu o garoto chamado Ahu, coçando a cabeça com um sorriso.
— Segurança. É só nisso que você pensa o tempo todo. Você sempre foi assim na tribo. Isso se chama covardia, entendeu? Além disso, não acho que andar pelo chão seja seguro. Só seria seguro se viajássemos pelo céu. Assim sairíamos mais rápido dessa floresta estranha…
A garota o encarou, descontente. Claramente, estava descontando nele todas as frustrações do dia.
O garoto murmurou algumas palavras para si e não ousou dizer mais nada. Estava claro que tinha medo da garota. Após algum tempo, ele tirou um pouco de comida do seu manto e colocou diante dela.
— Comer! É só isso que você sabe fazer!
Ela resmungou mais um pouco e, ao ver a expressão dele, revirou os olhos e o ignorou.
Su Ming parecia calmo sentado ali, mas na verdade, permanecia vigilante. Durante o dia, havia espalhado parte de seu sentido divino pela área e descoberto que a floresta estranha cobria completamente uma região de cem quilômetros.
Na verdade, ele tinha a sensação de que, enquanto caminhava por aquele lugar, inúmeros olhos o observavam. No entanto, mais do que os olhares invisíveis ao seu redor, Su Ming notou que havia ainda mais desses olhares ocultos nas nuvens escuras no céu.
Quando Su Ming varreu a área com seu sentido divino, sentiu uma leve pontada de surpresa, e foi por isso que decidiu não voar, especialmente quando viu as cinco pessoas cruzando o céu durante o dia. Imediatamente, percebeu todos aqueles olhares invisíveis se voltando para os cinco com avidez, o que fez Su Ming abandonar totalmente a ideia de voar.
Mesmo que o caminho que escolheu entre as montanhas não revelasse nada à primeira vista, ele só foi selecionado depois que Su Ming percebeu, com seu sentido divino, que era a trilha com a menor concentração de olhares sobre ele.
Somente assim ele se sentia minimamente mais seguro.
No entanto, o garoto e a garota claramente não sabiam disso. Su Ming havia percebido a frustração da garota por serem forçados a caminhar e seus pensamentos, mas não viu necessidade de explicar nada.
Enquanto permanecia sentado, Su Ming abriu os olhos em uma pequena fresta e olhou novamente para as nove luas no céu. Um brilho surgiu em seu olhar.
— Nove luas… me pergunto o que aconteceria… se eu usasse aqui a Arte dos Berserkers de Fogo e executasse a queima de sangue…
Su Ming não agiu de forma imprudente. Esse pensamento apenas passou por sua mente e logo desapareceu.
A noite passou sem uma única palavra trocada entre eles. Quando o amanhecer chegou, Su Ming se levantou e continuou avançando com o garoto e a garota. O caminho que seguiram naquele dia foi ainda mais incompreensível para a garota, pois houve vários momentos em que pareciam estar apenas andando em círculos. A única constante era que havia menos árvores no trajeto. Em certos pontos, não havia absolutamente nenhuma daquelas árvores estranhas.
Se ela não tivesse nada com que comparar, talvez aguentasse melhor. Mas quando o entardecer quase chegava no segundo dia, eles ouviram uma explosão violenta ao longe.
Quando ouviram aquele estrondo vindo em sua direção, Su Ming parou e se virou para olhar. Seu olhar atravessou a floresta, e viu um homem meio nu caminhando há cerca de trezentos metros de distância, rindo de forma selvagem. Havia um machado de batalha gigantesco em sua mão direita, e por onde ele passava, as árvores eram despedaçadas, deixando para trás uma grande quantidade de líquido verde.
Dois garotos o seguiam de perto, com os rostos iluminados de empolgação. Eles o acompanhavam de perto, pisando naquele líquido verde e atravessando rapidamente a área.
Havia uma garota sentada nos ombros do homem. A garota também parecia ter cerca de quinze a dezesseis anos. Ela balançava as pernas, com uma expressão extremamente orgulhosa.
Quando Su Ming e os dois jovens olharam em sua direção, ambos os grupos ainda podiam se ver, mesmo com as árvores entre eles e a distância de trezentos metros.
A garota sentada nos ombros do homem riu e perguntou:
— Ei, vocês aí, de qual tribo são? Nós viemos da Tribo do Campo Tranquilo. E vocês, de onde vieram?”
Lan Lan olhou para a garota com uma inveja não maliciosa. A presença que emanava do homem deixava claro que ele era um Xamã de Batalha Intermediário. Ao ver as árvores estranhas sendo destruídas pelo machado do homem e o grupo se movendo muito mais rápido que eles, sua insatisfação com Su Ming aumentou ainda mais.
— Nós somos da Tribo do Touro Branco. Eu sou Lan Lan.
Respondeu imediatamente a garota. Su Ming franziu a testa, e o garoto foi até ela para puxar sua manga.
— O patriarca disse para não termos muito contato com outras tribos antes de completarmos nossa jornada e nos tornarmos Capturadores de Almas…
Ahu sussurrou para ela.
— Tribo do Touro Branco? Nunca ouvi falar. Deve ser uma tribo pequena. O caminho que vocês escolheram é bem remoto. Será que têm medo dessas árvores? Que tal isso? Vou permitir que andem atrás da gente.
A garota nos ombros do homem sorriu, e seu tom tinha uma leve arrogância.
Assim que terminou de falar, sem esperar pela resposta de Lan Lan, a garota partiu rapidamente com o homem e os dois garotos, enquanto o homem continuava abrindo caminho. Um dos garotos se virou e lançou um olhar para Su Ming e os dois jovens quando já estavam longe, com um leve desprezo no rosto.
— Vamos!
Su Ming manteve a calma de sempre. Desviou o olhar, então se virou para continuar caminhando pelo caminho que seu sentido divino havia percebido.
Naquele instante, ele pôde sentir claramente os olhares invisíveis na floresta se voltando instantaneamente para o homem. Sua existência era como uma bola de fogo na escuridão, atraindo todo tipo de trevas ao seu redor.
— Mas…, mas por que ainda temos que passar por esse lugar? Eles já abriram um caminho! Por que não podemos seguir por lá?
Lan Lan não conseguiu mais conter sua frustração depois de aguentar por dois dias.
— E todo mundo está voando no céu, e eles viajam bem rápido! Mesmo que a gente não voe, dá pra atravessar essa floresta correndo. Assim saímos logo desse lugar idiota e chegamos à Cidade Xamã mais cedo também. Se chegarmos antes, vamos atrair mais atenção. Isso seria ótimo para a Tribo do Touro Branco!
A garota desabafava, e enquanto falava, Su Ming agia como se não a tivesse ouvido. Nem sequer virou a cabeça, e sua expressão permanecia completamente inalterada enquanto continuava caminhando.
O garoto ficou dividido, olhando para Su Ming caminhando à frente, e depois para Lan Lan.
— Lan Lan, o patriarca escolheu ele para nos proteger. Acho que… o ancião com certeza tem seus motivos pra isso…
— Cale a boca!
A garota já estava irritada por Su Ming tê-la ignorado, e descontou toda sua raiva no garoto.
Ele murmurou algumas palavras inaudíveis e simplesmente deixou que a garota extravasasse sua frustração enquanto tentava consolá-la. Por fim, em meio à sua indignação, ela correu atrás de Su Ming junto com o garoto.
Quatro dias se passaram num piscar de olhos. Durante esses quatro dias, a garota viu mais algumas pessoas voando pelos céus e já começava a duvidar do poder de Su Ming.
Contudo, ela não percebeu que várias árvores grandes no caminho que haviam tomado no dia anterior tinham rostos que surgiam na casca, todos com expressões de sofrimento. No entanto, era difícil notar esses rostos à primeira vista, pois tinham a mesma cor da casca. Ela apenas pensaria que eram marcas naturais nas árvores.
Se tivesse olhado com atenção, teria percebido que aqueles rostos pertenciam a um homem, uma garota e dois garotos…