The Book Eating Magician

Capítulo 393

The Book Eating Magician

―Ahhh.

A voz de Theodore não apareceu. Seus lábios não se abriram. Ele não conseguiu mexer nenhum dedo nem sentir o fluxo de mana atravessando seu coração. Era algo incompreensível para um mago que podia lançar magia. Não havia nada diante de seus olhos e nenhum som chegava aos seus ouvidos. Todos os seus cinco sentidos estavam desajustados enquanto ele mergulhava numa sensação de calmaria.

Não, não havia nada.

―Ahh.

Era algo negativo e sem sentido. Os limites da consciência de Theodore tornaram-se cada vez mais confusos. Uma força incontrolável se apresentava. Os frutos de trinta anos de esforço estavam sendo liberados. Ele esqueceu memórias insignificantes—os rostos dos colegas na Academia Bergen, o conteúdo dos livros, a janela de informações das mercadorias defeituosas que comprou no mercado negro...

―Ah.

Mesmo que essas memórias não importassem, elas faziam parte dele. Os pilares que sustentavam o prédio de tijolos começaram a tremer. Uma página do livro chamado [Theodore Miller] foi rasgada. Ele esqueceu alguém cujo nome ele não conhecia. Então, esqueceu paisagens e as distâncias que tinha percorrido. Não havia espaço para resistência.

Como se um apagador estivesse passando por seu cérebro, o esquecimento espalhou-se como fogo, enquanto seus trinta anos eram apagados de suas extremidades.

―Ah.

Theodore percebeu que tinha esquecido algo precioso. Algo que não deveria ter sido esquecido. Era como se um grande buraco tivesse sido aberto em seu corpo. Quem era essa pessoa? Quando pensou nisso, soube que tinha esquecido alguém. Queria gritar, mas sua boca foi forçada a se calar e ele mal conseguiu se contorcer como uma minhoca.

Um temor de inutilidade o encheu.

«...»

À medida que esse pântano de vazio subia até sua garganta, Theo□□ percebeu que restava apenas ele. Theo□□? Não, esse não era seu nome. Th□□□. Quando voltou a pensar nisso, perdeu mais letras. Agora ele estava à beira de perder seu próprio nome.

Então, ele até esqueceu a última letra. □□□□. Não, quantas sílabas havia? Algo na escuridão de seu corpo ria alto.

.

Este era o fim. No momento em que entrou no mundo akáshico, Theodore Miller deixou de existir. Era um desfecho pelo qual ele se preparara.

A determinação pela vida, o poder de um transcendente, não valiam nem um centavo aqui. Não era um lugar onde a vida pudesse sobreviver. Neste lugar infinito, uma consciência finita não era reconhecida. Muitos pessoas vieram aqui, mas ninguém voltou para casa.

Essa era a verdade que todo investigador temia.

Mesmo que apenas uma gota fosse ingerida, ela poderia despertar a sabedoria de um deus. Se compararmos a densidade de informação, não era diferente de uma estrela que se tornara uma supernova, enquanto o ego da vida era apenas um pedaço de açúcar. No caso de transcendentais como Theodore, eles poderiam ser apenas a ponta de um iceberg. Mas, no final, o desfecho era o mesmo.

Simon Magus, a figura mais poderosa do mundo material, não foi capaz de suportar uma fração dessa sabedoria infinita e derreteu-se.

[······.]

Nos mitos, havia uma coleção de informações superglobal na qual tudo do universo era registrado. Se um transcendente a obtivesse, poderia usar um poder onipotente sem distinção entre passado, presente e futuro.

Os Registros Akáshicos, ou os Registros Ocos—essa coleção de informações era o alvo final daqueles que buscavam além do reino de um deus, mas apenas uma pessoa tinha alcançado isso.

[...Não, ele não chegou lá.]

Depois disso, ele se afogou. As informações contidas nos Registros Akáshicos, a vida do universo, eram avassaladoras para qualquer investigador. O mesmo valia para o espadachim que podia cortar uma estrela com uma espada, assim como para os apóstolos que dominavam dezenas de planetas.

Por mais fortes que fossem, como poderiam suportar todo o universo? Muitos transcendentais morreram por sua arrogância.

[Que pena.]

Era dito que 6.700 estrelas precisariam ser multiplicadas por 3.000 vezes para formar um mundo. Multiplicando esse mundo por mais 3.000 vezes, formaria um mundo vasto, e multiplicando esse grande mundo mais 3.000 vezes, originaria o cosmos. Mas, mesmo assim, o cosmos era apenas poeira. Era algo que podia ser calculado.

Mesmo que alguém conseguisse alcançar essa infinitude, era impossível manter seu ego. Alguém acabou chamando isso de nirvana.

[Hoje, aumentei em 'um' o universo, 'Akáshico', murmurou em tom seco. [O que você veio buscar aqui? Sublimação? Desejos vis? Bem, ótimo. Seja lá qual for sua intenção, é inútil.]

Todos que estão azedos, covardes, humildes ou arrogantes tornam-se algumas letras escritas...]

Ninguém saberia disso. Existia um self independente na coleção de informações, nos Registros Akáshicos, os quais registravam o começo e o fim do universo. Em retrospecto, não era estranho, pois continha toda a sabedoria do mundo. Seria mais estranho se tal existência não tivesse vontade própria. O corpo branco do Akáshico parecia um espírito, mas não podia ser observado em nenhuma dimensão.

A forma assemelhava-se a Theodore Miller, pois ele era o último investigador que via nele.

[Eu te verei.]

Tudo o que o Akáshico, encarnação de onisciência, desejava foi realizado. No meio do universo, o buraco negro que devolveria tudo ao nada era sua residência. Ele sempre quis observar a pessoa que se tornara parte do 'Akáshico'. Era sua obrigação todo investigador que chegasse até lá.

[Theodore Miller.]

Ao recitar esse nome que havia desaparecido, Akashic viajou por alguns trilhões de anos-luz até o planeta correspondente. Foram 10 segundos após Wrath sacudir Theodore. Uma esfera de metal especial com três quilômetros de diâmetro estava caindo. Os movimentos anteriores de Theodore eram inúteis, pois ela caía a uma velocidade de 10 quilômetros por segundo em direção ao planeta.

O Akáshico se perguntou sobre o resultado e conseguiu enxergá-lo imediatamente.

No instante em que a esfera de metal atingiu o chão, mais de cinquenta quilômetros do planeta seriam destruídos e 98,128% da população dizimada. A civilização inteligente seria destruída sem deixar vestígios, e levaria pelo menos 200 mil anos para que o ecossistema destruído se recuperasse à condição atual.

[É algo comum.]

Essa foi sua curta impressão da situação. Akashic observou insensível enquanto esse mundo estava prestes a ser destruído. Os Sete Pecados, um grupo de pesquisa autônomo criado por investigadores externos—em todo o universo, dezenas de civilizações ou estrelas estavam sendo destruídas neste exato momento.

Para celebrar o fim do investigador chamado Theodore Miller, Akashic continuou assistindo.

[Sou aquele que registra o fim da criação. Os pesos de toda a vida e da morte são iguais. A verdade é nascer e destruir. Não posso intervir nisso.]

Ele não faria nada, mesmo se pudesse. Seria uma presunção, a incompetência de um ser todo-poderoso. Era possível para o Akáshico mover uma ponta de dedo e alterar as leis físicas do universo, matando ou salvando todos os seres vivos. Contudo, tal ação não tinha sentido. O guardião dos Registros Akáshicos não sentia esse impulso.

[Hmm.]

Portanto, ele observava esse mundo material com respeito ao investigado.

[Vou assistir.]

Ele concentrou sua atenção no planeta onde o investigador, Theodore Miller, tinha vivido.

Humanos, elfos, dragões, espíritos, elementais... À medida que todas as formas de vida deste mundo material surgiam à vista, o Akáshico penetrava na realidade da coletividade. Diferente de uma entidade onisciente, essa era a essência dos Registros Akáshicos. O poder de registrar observações lhe era mais familiar do que qualquer outra autoridade.

Dentro dele, encontrou o nome de 'Theodore'.

-Theo, onde você está?Onde você está agora?Não pode ser... certo? Sylvia Adruncus, que recentemente ficou grávida, segurou sua barriga e pensou em Theodore.

Wrath já estava próximo o suficiente para ser visto na superfície. Uma cor vermelha no céu—era uma visão que convencia todos no planeta de sua destruição.

-...Não deveria voltar em segurança, marido?Senão, ficarei zangada. Verônica, instintivamente, buscava por seu paradeiro.

-Ahh, Theodore...! Era isso que te preocupava...! Ellenoa, tardiamente, entendeu por que Theodore estava tão nervoso, e olhou para o meteorito vermelho com olhos trêmulos.

Muitos outros pensavam em Theodore—o herói do continente norte e o maior mago dos continentes. Apesar de saber que era ridículo, tinham fé de que ele de alguma forma faria algo.

-Filho, por favor, esteja seguro. Na sacada da mansão, Dennis Miller fechou os olhos.

-...Suspiro, se eu soubesse que o fim viria hoje, não teria dormido ontem à noite. O Mestre da Torre Branca, Orta, suspirou.

-Droga, que droga! Ainda não casei! gritou Randolph, balançando suas duplas espadas.

[Cinco segundos.]

Akashic virou a atenção dos conhecidos de Theodore Miller para Wrath.

Um meteoro em queda era uma das tragédias mais comuns no universo. Assim que a esfera prateada de três quilômetros de diâmetro tocasse o solo, este planeta se tornaria como uma casca de ovos quebrada, com os limites de terra e mar desaparecendo. O magma sob a crosta explodiria como uma fonte, e o céu azul se encheria de luz vermelha, formando um cenário infernal.

Mesmo sabendo de tudo isso, Akashic não impediu. Na verdade, sabia que não devia impedir. Era apenas um desastre que acontecia a uma civilização que Akashic, por capricho, se via atraído a observar.

Kukwaaaaaang!

Um segundo antes do impacto, ondas de choque rasgaram o céu. O ar foi comprimido pelas nuvens e a escuridão cobriu o céu. Os estudiosos e os que não estudavam ambos sabiam...

Era o fim de um destino absurdo, o fim que qualquer religião descrevia com uma palavra—fim do mundo.

Nos últimos momentos, o pequeno dedo do Akáshico se moveu débilmente.

* * *

――――――――――――――――!!!!

O meteorito foi destruído. Sua superfície prateada foi esmagada como um ovo, e a entidade chamada Aniquilador Planetário foi despedaçada. Centenas, talvez milhares, de fragmentos se espalharam. Antes que os fragmentos tocassem o chão, passaram por uma combustão incompreensível e desapareceram sem deixar rastro.

Foi o fim inútil de Wrath, a última arma dos Sete Pecados.

[...Hrmm?] Akashic ficou surpreso por ter destruído Wrath. Estava sem expressão, mas seu tom subiu um degrau. Era uma destruição impressionante. Como poderia ter acelerado através do vasto universo até a superfície de um planeta só para destruir um meteorito? Além disso, salvou a superfície do planeta dos destroços e restaurou a atmosfera rasgada.

Akashic não era algo que fosse movido por emoções.

[Por quê?]

Era algo comum. Era apenas um planeta cheio de civilizações. Poderia observar dezenas desses lugares se voltasse sua atenção agora. Teria sido a história de um investigador que o atraíra? Akashic negou veementemente esse raciocínio. Então, por que assistia ao planeta de Theodore Miller?

Enquanto questionava suas ações, a mão esquerda do ser onipotente lhe deu a resposta.

[―Surpreendente.]

Akashic assentiu. Ficou surpreso. Apesar de emoções existirem nele, ele quase era uma coisa inanimada. Nesse caso, não podia deixar de se surpreender. Theodore Miller...

Sim, esse era o nome. Ao saber que ele e 'Theodore' estavam separados, Akashic fez uma expressão curiosa.

[Responda-me. Como você conseguiu sobreviver dentro de mim?]

Theodore Miller ficou nu, mas sem ferimentos. Tinha retornado da morte e sorriu amargamente.

"Eu não sobrevivi. Morri uma vez, sem deixar vestígios... e depois fui reformado. Não foi por minha força. Pessoas me ajudaram."

[Hoh.] Akashic estava sinceramente interessado. [Posso descobrir facilmente, mas quero ouvir de sua boca. Pode me contar como isso aconteceu?]

"Sim. É uma honra ensinar algo aos Registros Akáshicos."

Era um feito que nunca aconteceria novamente na história do universo.

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