
Capítulo 368
The Book Eating Magician
Depois de examinar o corpo de Wichung, as duas pessoas vasculharam o castelo em busca de sobreviventes. No entanto, não havia ninguém. Só restava a morte dentro e fora das muralhas.
A Luxúria não poupou ninguém, exceto Wichung, que tinha sido utilizado como mensageiro. Os irmãos seguravam as lanças com as quais se atacaram, e os pais seguravam o cobertor que sufocava o filho... Este era um inferno criado artificialmente. Depois de abrir as portas de algumas casas particulares, Theodore aceitou a fútil realidade do Castelo de Hyungkang.
— Veronica, por favor.
— Sim.
Ela não precisou ser instruída. Veronica soltou um suspiro profundo e produziu fogo pelas pontas dos dedos.
Incinerar.
Veronica incendiou uma mansão, e o fogo se espalhou pelas construções próximas. Se permanecesse sem controle, consumiria todo o castelo. Com os cadáveres e os edifícios como lenha, iniciou-se uma cremação sem precedentes.
'Cremação... Não é uma coisa sentimental.'
Theodore observava o castelo em chamas com olhos secos. O Castelo de Hyungkang não era muito grande, mas também não era pequeno. Considerando a população total, poderia ultrapassar umas 10.000 pessoas. Só o número de corpos variantes já excedia essa quantidade. Se deixassem esse inferno assim, logo se tornaria um banquete para as variantes que logo chegariam.
— ...O que você vai fazer? — perguntou Veronica, após espalhar as chamas.
— Bem, acho que preciso ir até aquela vila e ver.
— Pode ser uma armadilha para você.
— Não acho que seja.
O Lust presente não tinha forças de combate suficientes para matar Theodore. Se tivesse esse poder, não teria fugido do Castelo de Hyungkang antes de ele chegar. Em vez disso, tentaria um ataque surpresa. Seria difícil matar Theodore com o sistema de defesa do Castelo de Geongun, que matou Seimei, sem falar numa armadilha num vilarejo remoto.
— Talvez ela realmente tenha algo a me dizer.
O problema era que a Luxúria precisaria estar preparada para o perigo ao conversar com Theodore. Isso envolvia a razão de ela ter deixado o Castelo de Geongun para raptar Sylvia. A menos que ele soubesse dessa razão, Theodore não conseguiria falar no mesmo nível da Luxúria.
— Não seria uma situação de reféns?
— Considerando todas as hipóteses incertas, provavelmente sim. Ainda assim, é difícil entender o porquê.
Se a Luxúria oferecesse a vida de Sylvia, seria suficiente para manter Theodore paralisado até o nascimento do demônio celestial. No entanto, não há garantia de que a oferta seria aceita. Seria ilógico um grimório dos Sete Pecados agir com base numa possibilidade tão incerta.
— Bem, não consigo pensar numa resposta para esse problema.
Era bom refletir, mas era hora de agir. Theodore não se preocupou mais com isso e segurou Veronica nos braços. Seus olhos arregalados, sem resistência, eram bem fofos. Theodore deu uma risadinha rápida antes de dizer: «Transição.»
Então, uma luz apareceu ao redor de seus corpos.
Flash!
Os dois magos desapareceram do Castelo de Hyungkang e reapareceram a 50 quilômetros ao norte, perto da vila que a Luxúria prestes a visitar. Para Theodore, que já se deslocara por continentes, 50 quilômetros era apenas um lançamento de pedra. Os dois olhavam ao redor com expressões semelhantes.
— Esta vila...?
— ...Nada?
Havia apenas um deserto ao norte, sul, leste e oeste.
— Não, espera um minuto. — Theodore quis verificar se a Luxúria tinha errado as coordenadas, mas percebeu uma sensação de desconforto leve. Mana fluía em uma direção calma, porém estranha. Uma distorção de luz que não podia ser detectada com visão comum. A cerca de 30 metros de onde estavam, havia uma 'fronteira' invisível a olho nu. Uma proteção que nem Veronica conseguia detectar...?
'Incrível. Uma ilusão assim... quem fez deve estar pelo menos no oitavo círculo.' Logo depois, Theodore percebeu que sua avaliação estava errada.
'Não, eles não teriam escapado do Castelo de Hyungkang se fossem tão poderosos. Tae Rang está em nível semelhante ao de um grande mestre, e achar impossível criar esse ward.'
No entanto, vendo que essa barreira foi estabelecida, a pessoa que a fez provavelmente possuía um artefato. Se fosse destruída à força, a barreira certamente ruiria. Theodore não sentia necessidade de criar hostilidade. Então, ao invés de atacar a proteção, abriu a boca e falou: "Grande monge, se você estiver dentro da barreira, por favor, ouça."
Podia parecer estranho falar com o ar, mas ele sabia que suas palavras seriam ouvidas pelo grande monge que mantinha a barreira. A voz de Theodore continuou: "Fui solicitado por Tae Rang, que está nas Montanhas Baekun. Ele pediu minha ajuda com o Castelo de Hyungkang, mas esta já foi capturada há tempos. Minha identidade será confirmada com minha companheira Veronica, que tem lutado ao seu lado nos últimos dias."
Apesar de sua persuasão, a barreira não se abriu. Em vez disso, ouviu-se uma voz no ar, —Impossível. Conheço a identidade da sua companheira, mas como posso confiar no estado mental dela?
— O-Que?! Ei! Abra imediatamente! Caso contrário, vou destruir tudo!
Ao contrário da Veronica furiosa, Theodore apenas riu. Parecia que ele não conseguiria convencer o monge apenas com palavras.
— Parece que você viu o poder da Luxúria. Não há jeito senão sentir dúvida.
Era um poder que transformava um mestre de espada em escravo de uma hora para outra. Theodore não sabia como o monge superou aquela fascinação, mas se ele tinha visto a cena, era natural que não acreditasse na Veronica.
'A Espada Celestial ou a magia de ataque são perigosíssimas... É melhor abalar um pouco o fluxo.'
Trata-se de uma proteção que valoriza o sigilo, portanto sua defesa era relativamente fraca. Se atacada com magia suprema ou a espada divina, não só seria destruída como também os sobreviventes dentro dela sofreriam danos severos. Theodore pensou nisso e levantou cuidadosamente as duas mãos. Não precisava de um poder destrutivo intenso ou força cortante aguda.
Ele apenas concentrou-se e desviou o fluxo de um ponto.
'Quebrar.'
Numa interseção onde nove linhas se cruzavam, uma grande rachadura apareceu de um lado.
Jjejejeok...!
Havia uma linha na estrutura da barreira que não deveria ser rompida. O mesmo valia para qualquer ward. Se uma única fenda fosse feita com uma agulha, ela desmoronaria por ali. Assim como uma represa que não consegue suportar a pressão interna, a barreira que isola o espaço desmoronaria naquele ponto de conexão.
-E-Espera um minuto! Entendo! Vou enfrentar você diretamente, então não quebre essa barreira!
"Aceito."
-Suspiro...
Com um estágio de colapso próximo, Theodore deixou a força diminuir. O monge fez um som, e a rachadura na barreira começou a se fechar novamente. Isso aconteceu porque ele sabia que era inútil quando Theodore podia neutralizar efetivamente a barreira.
"Suspiro, sou o monge Taeryun. Quem é você?"
"Theodore Miller, mestre da torre principal de Meltor."
— ...Não acreditei quando a deusa carmesim disse, mas você é uma pessoa de verdade."
— Deusa carmesim? — era a primeira vez que Theodore ouvia esse título. Taeryun olhou na direção de Veronica. "As chamas rubras lutaram sempre na linha de frente, por isso o povo do castelo chamava ela assim. A outra é chamada de deusa azul. Ambas eram tímidas quanto a isso."
— Ah! Eu tinha pedido para não dizerem isso! — Veronica protestou irritada.
No entanto, o homem de meia-idade continuou sem sorriso, "Você não disse que ele é seu superior militar? Informações faltantes são um crime no mesmo nível de falsidade."
— Você! — Veronica não conseguiu matar o monge, então cerrava os punhos e rangeu os dentes. Pensando que ela estivesse carregando essa vergonha ao público, ela queria sumir na hora.
Claro, Theodore achava engraçado as lutas dela. — Obrigado pelo elogio ao meu amor. Ouvi dizer que os monges relutam em se envolver nos assuntos do mundo, mas eles são bons de fala."
— É inútil imitar uma nuvem, se nasceu para ser uma pessoa. Também preciso eliminar o preconceito de que todas as respostas zen são entediantes."
O comportamento de Taeryun foi mais flexível que o de Tae Rang. Se Tae Rang estivesse aqui, a barreira teria sido completamente destruída. Theodore considerou a eloquência de Taeryun enquanto a situação ainda estava indefinida. As habilidades do monge eram desconhecidas, mas Taeryun era superior a Tae Rang em adaptabilidade.
— Aqui, isto é algo que Tae Rang me deu como símbolo. — Antes de contar a história, Theodore puxou o token que recebeu de Tae Rang.
Era uma plaquinha de madeira com a palavra 'Kunlun' gravada nela. À primeira vista, parecia uma peça de artesanato simples. Mas talvez só pudesse ser interpretada por um monge? Assim parecia, pois a dureza nos olhos de Taeryun se suavizou. "Fui bastante rude. Por favor, perdoe-me."
— A situação era compreensível, não se preocupe.
— Sou grato pela sua generosidade.
O mal-entendido foi esclarecido com algumas palavras. Então Theodore abriu a boca: "Tenho mais a dizer. Devemos ser o mais rápido possível."
Taeryun deve ter sentido o peso nas palavras de Theodore, pois respondeu com cautela: "Por favor, diga. Não vou negligenciar uma só palavra."
* * *
A longa noite passou, e o sol nasceu. A luz vinha do horizonte ao leste, enquanto os botões de flores que se abriam anunciavam que o dia tinha chegado. Como sempre, nuvens brancas flutuavam no céu azul. Às vezes, o vento dispersava as nuvens em formas estranhas. As folhas verdes e os pássaros cantando eram sinais de vida. Era uma manhã clichê de um conto de fadas.
— ... — ele se sentou no centro da vila, onde todos haviam desaparecido, esperando o visitante que prometera vir.
Ao mesmo tempo, reabasteceu a energia consumida em várias batalhas. O uso dos três artefatos ainda era um mistério, mas suas capacidades permaneciam intactas. Se adquirisse alguma experiência prática, talvez pudesse demonstrar um desempenho igual ou até melhor do que o de seu antigo dono.
Ele era o mestre da Gula e o transcendente único deste mundo material. Theodore estava em um estado perfeito para a batalha.
'―Ela está vindo.'
Seus sentidos, afiados o suficiente para detectar um dente-de-leão, perceberam uma presença a poucos quilômetros de distância. Ela vinha com um ritmo que não era nem rápido nem lento. Sua presença não tinha muito poder de combate. Era um mestre? Se Theodore se movesse para matar, poderia eliminar a presença antes que ela reconhecesse o ataque. Também poderia fazê-la falar, cortando-lhe todos os membros.
No momento, Theodore estava muito poderoso e bastante bravo.
Passo.
Porém, ele não atacou a pessoa que apareceu ali. Em vez disso, franziu os dentes. Como Gluttony dissera na noite anterior, havia espaço para isso. Ele apenas esperou que não fosse como pensava. Theodore respirou fundo, controlando sua visão distorcida pela raiva reprimida.
— Olá! Dono da Gula, faz tempo, não? — numa voz que não podia deixar de parecer familiar, ela veio conversar. — Huh? O que foi? Ah, sim. É a primeira vez que me encontro com você nesse corpo.
Com um jeito sorrateiro, a linda mulher de cabelos prateados fazia uma expressão estranha. Se não fosse pela voz, Theodore não saberia que era um sorriso. Um olhar sinistro surgiu nos olhos de Lust, que havia tomado posse do corpo de Sylvia Adruncus.
Theodore mal conseguiu conter sua raiva e perguntou, em tom pesado: "...Você não disse que enviaria uma encarnação?"
— Ah, realmente havia essa promessa, — Lust falou como se tivesse esquecido. — Por isso vim neste corpo com o qual ainda não estou acostumada.
— ...Você!
— Por que de repente está agindo como uma criança birrenta? Pense do meu lado. Existe proteção melhor para meu pescoço? Posso confiar em você? Isso é impossível. Nós somos os piores grimórios, os Sete Pecados."
Os olhos azuis de Sylvia estavam avermelhados. Ser o terminal de Lust estava consumindo seu corpo, além de ela ter perdido o controle dele.
A única esperança era que nenhuma mudança visível fosse percebida. Em um corpo do mesmo sexo onde Lust havia plantado seu terminal, a erosão aceleraria primeiro ao formar uma placenta. Depois disso, não haveria mais volta de ser uma das pessoas de Lust. Se Sylvia estivesse naquele estado, Theodore a teria morto sem conversa alguma.
— ...O que você quer? — ele foi direto ao ponto.
De pé diante dele, com uma aura ameaçadora, Lust usava o corpo de Sylvia e lambia os lábios sensual. "Vamos ponderar os prós e contras?"