
Capítulo 1069
My Vampire System
Momentos antes de Layla ir falar com Quinn, ela estava ocupada percorrendo o Abrigo, verificando se havia algo que pudesse fazer para ajudar.
Inicialmente, ela foi até os membros da facção Amaldiçoados que estavam reconstruindo o Abrigo. Layla pensou que poderia ajudá-los com sua habilidade de telecinese.
"Senhorita Layla, agradecemos sua oferta, mas estamos bem sozinhos. O que as pessoas iriam pensar da gente se vissem um de nossos líderes fazendo esse tipo de trabalho braçal? Iriam achar que a facção Amaldiçoados é fraca ou que falta gente! Por favor, descanse e deixe isso para nós!", um dos homens a impediu rapidamente de ajudar.
Ela estava prestes a insistir até que viu o ótimo trabalho que estavam fazendo. Desde que a facção Amaldiçoados recebeu pessoal militar de Oscar, o que não faltavam eram usuários de habilidades de terra, principalmente porque os livros de terra não eram mais guardados em segredo pelos militares.
Hoje em dia, pessoas de todas as facções podiam aprender a habilidade até o seu limite.
Layla suspirou, ciente de que, se tentasse ajudar, provavelmente só atrapalharia. Então, continuou a explorar o Abrigo em busca de qualquer trabalho que pudesse fazer. No entanto, não importava para onde ela ia, tudo estava funcionando a plena capacidade com máxima eficiência.
"Acho que não sou realmente necessária por aqui", Layla pensou desanimada. "Adiantava eu ter vindo aqui, se não há nada em que eu possa ajudar? Como posso ficar só de bobeira quando há tanto a fazer? Quero dizer, eu salvei algumas vidas, mas Nate ou Dennis também poderiam ter ajudado a lutar contra as feras. Eu me sinto tão... inútil."
"Ei, Layla, você parece livre. Quer me dar uma ajudinha no centro médico?", Hayley apareceu de repente atrás dela com o pedido. Ela carregava caixas grandes de suprimentos, mas no segundo seguinte elas começaram a flutuar no ar.
"Com o maior prazer", Layla sorriu para ela, feliz por finalmente ter algo para fazer.
Dentro do centro médico, Layla estava no seu ritmo enquanto conversava com os pacientes que aguardavam tratamento. Os ferimentos variavam muito, de arranhões simples a ossos quebrados, mas de longe os mais comuns eram as marcas de mordidas.
Todos acharam a presença de Layla muito acolhedora, e de tempos em tempos ela ajudava Hayley quando a mulher mais velha decidia não usar sua habilidade. Afinal, os pontos de MC eram limitados e levaria tempo para recuperá-los. Assim, Hayley economizava para pacientes com ferimentos mais graves, enquanto os que podiam se curar sozinhos eram tratados da maneira tradicional.
"Será que eu me transformo na minha terceira forma? Só precisaria atingir eles com um pouco de fogo verde para ajudar", Layla se perguntou ao observar mais uma pessoa ferida sendo suturada.
"Não, o que eu estou pensando? Este não é o Mundo dos Vampiros, então se eles me vissem de repente me transformar em uma cobra gigante, poderiam me confundir com uma besta e eu poderia causar pânico."
Embora Layla estivesse contribuindo para o bem comum, seu humor começou a diminuir. Quanto ela estava realmente ajudando? Seu papel não poderia ser preenchido por outra pessoa mais uma vez? Em comparação, Hayley tinha um papel que só ela poderia desempenhar.
"Até a Cia conseguia ver o futuro. Quem sabe se ela estivesse viva, ela poderia ter nos avisado sobre a besta de nível Demônio. Talvez até nos dissesse como derrotá-la para salvar muitas vidas, ou pelo menos limitar os danos", Layla pensou.
Nesse momento, um novo paciente chegou. Era uma jovem assustada e amedrontada a ponto de tremer. Como Hayley ainda estava ocupada, Layla se levantou e levou a recém-chegada para uma cama livre. Depois que ela se acomodou, Layla ofereceu-lhe água, antes de perguntar o motivo de sua presença ali.
"Eu não consigo dormir. Fico pensando que serei atacada no meio da noite, ou transformada. Nem consigo olhar para a minha própria família porque tenho medo de que eles possam me atacar de novo", a garota explicou entre soluços.
Embora Hayley pudesse curar o corpo dos feridos, o mesmo não podia ser dito sobre as feridas mentais que as pessoas sofriam. Vendo isso, uma estranha fumaça roxa apareceu.
"Isso é algo que eu posso fazer, mesmo que seja apenas uma solução temporária", Layla começou a consumir a névoa roxa no ar. Quando terminou, o humor da garota melhorou. Parecia que todas as suas preocupações e tudo ao seu redor tinham desaparecido de repente.
Seus olhos brilharam e, após uma breve conversa, ela foi deixada para dormir na cama por um tempo, já que era a primeira vez que parecia se sentir segura.
"Oh meu Deus, você não está aqui há muito tempo, mas já sabe lidar com pacientes sem mim", comentou Hayley de lado.
"C-como assim?", Layla perguntou nervosa, virando-se para evitar contato visual. Ela não tinha certeza de quanto a outra mulher tinha visto.
"Vamos lá, Layla, você esqueceu que eu vi você com chifres o outro dia? Não se preocupe, não estou com medo, só estou... preocupada." Hayley sussurrou perto do seu ouvido.
Layla olhou para cima, sem entender por que Hayley estaria preocupada com ela.
Como aquele não era o melhor lugar para discutir as coisas, Hayley foi até a entrada e mudou a placa de "A médica está atendendo" para "A médica está no intervalo", antes de gesticular para Layla segui-la para os fundos. Pegando uma cadeira, Hayley deu algumas batidinhas nela, para Layla sentar ao seu lado.
"Não consigo imaginar por que vocês passaram por tudo isso, mas está claro que algo está acontecendo. Quando você e Quinn estavam na escola, vocês só tinham habilidades básicas. Mas olhem para vocês hoje, sombra, telecinese e, pelo que vi, vocês são capazes de fazer coisas ainda mais incríveis."
"Trabalhando na minha área, especialmente como parte do exército, aprendi que, muitas vezes, quando os humanos tomam um atalho, há grandes desvantagens envolvidas. Eu só não consigo deixar de pensar que Quinn, todos estão assumindo muito mais riscos ao não contar a ninguém o que está acontecendo, enquanto colocam todo o peso sobre si mesmos."
Quando Layla ouviu Hayley, percebeu pelo tom da mulher mais velha que ela estava genuinamente preocupada. Muita gente esquecia que os mesmos 'líderes da facção Amaldiçoados' tinham, em termos de idade, pouco mais que a idade adulta, recém-saídos da escola.
Na verdade, Hayley também estava muito preocupada com seu pai, a quem não via muito desde que se juntou à facção Amaldiçoados.
"Nós conseguimos controlar", Layla respondeu como se fosse uma resposta pré-programada.
Hayley inclinou-se para frente e começou a esfregar o dedo na bochecha de Layla.
"Que nada!", ela insistiu enquanto limpava a lágrima que caía de um dos olhos, e depois afastou o cabelo para ver as duas pequenas saliências.
"Uau, então essas coisas são reais, dói se eu pressioná-las? Ah, talvez um terceiro apareça no meio?", Hayley brincou.
A imagem visual fez as duas rirem e Layla confiou na outra, contando um pouco mais sobre si mesma e o que podia fazer. No entanto, ela se absteve de revelar nada sobre vampiros em geral ou quem exatamente a havia transformado, apesar da insistência da outra.
Enquanto conversavam, Layla percebeu, no entanto, que ela frequentemente tentava perguntar sobre seu pai.
"Deixa eu pedir ao Quinn para marcar uma reunião para vocês duas", Layla sugeriu. "Eu sei que o Quinn é super ocupado às vezes, mas ele é s.e.n.s.í.v.e.l a esse tipo de coisa."
"Obrigada", Hayley deu a ela um sorriso maior que os anteriores.
Alguém bateu na porta, antes de entrar. "Desculpe a intromissão, mas me disseram que apesar da placa, Hayley está aqui."
Vendo a garota que havia entrado, Hayley se levantou e quase chorou também.
"Wendy, tudo bem com você!"
Embora as duas não tivessem conversado muito, Wendy a protegera e havia um vínculo entre essas duas pessoas. Elas correram uma para a outra para se abraçar.
"Acho que é minha vez de ir embora", Layla decidiu e estava prestes a sair.
"Espera, Layla, quase esqueci o que queria te dizer!", Hayley a chamou para pará-la por um momento. "Antes você disse que o Quinn sempre parece estar ocupado e que nunca parece haver um momento certo para falar com ele, certo? Bem, ele parece bem livre agora, então você deveria ir falar com ele. Quem sabe quando você terá outra oportunidade como essa?"
Como para provar o ponto de Hayley, pouco depois dela sair, Layla viu ninguém menos que Quinn.
"Não quero ter mais arrependimentos", Layla, talvez ainda influenciada pela conversa animada que acabara de ter, decidiu se aproximar de Quinn.
"Quinn... faz tempo, eu estava me perguntando se a gente podia conversar", Layla disse em um tom meio envergonhado.
"Ah...", Quinn respondeu, sem saber muito bem o que dizer. "É algo importante, ou aconteceu alguma coisa?"
"É importante... para mim." Layla disse.
No entanto, ela de repente percebeu que as coisas de que queria conversar com ele eram bastante particulares, então pediu que ele a acompanhasse para fora do Abrigo. Como ele já havia terminado seus afazeres e Layla não iria até ele sem motivo, ele concordou.
A dupla seguiu pela floresta. Havia um silêncio constrangedor entre os dois durante toda a caminhada. Finalmente, a dupla chegou a um lago verde, criando uma cena idílica.
Do outro lado, eles podiam até ver uma besta bebendo no próprio lago. Estava longe demais para ser uma preocupação para eles, porém.
"Quinn, tem alguém que você gosta?", Layla perguntou, finalmente quebrando o silêncio.
"Alguém que eu gosto?", Quinn ficou chocado com a pergunta repentina. Ele estava se perguntando sobre o que ela queria conversar, mas seus pensamentos tinham sido principalmente sobre algo relacionado à Pure.
No entanto, depois de pensar sobre isso, ele se lembrou rapidamente de como Vincent constantemente lhe dizia para se divertir com algumas garotas.
"Tipo, o que você acha da Erin? Ela é uma beleza que todo mundo gostava na escola?", Layla continuou, já que Quinn não disse nada.
"Erin? Bem, eu e ela não conversamos muito. Além disso, ela é bastante assustadora quando alguém a irrita", respondeu Quinn, antes de acrescentar. "E entre nós dois, não é particularmente difícil irritá-la acidentalmente."
Ele achou que isso poderia quebrar o gelo um pouco, mas Layla não reagiu muito. Em vez disso, ela continuou a questioná-lo:
"E aquela garota, Bonny? Quero dizer, você a beijou na TV ao vivo. Uma garota aventureira como ela não é o seu tipo? Alguém que está sempre fazendo coisas emocionantes e coisas por conta própria?"
"Por favor, quantas vezes tentei explicar que tudo aquilo foi um grande mal-entendido? Eu estava apenas tentando fazer algo com meus poderes de vampiro e deu muito errado. Além disso, não acho que eu gostaria de alguém como ela como minha namorada."
"Quero dizer, eu nunca conseguiria vê-la, a menos que eu a acompanhasse em uma de suas aventuras e com o tipo de responsabilidades que tenho agora, eu não posso realmente me dar ao luxo de fazer isso. Às vezes eu desejava que tudo isso tivesse acabado e eu pudesse voltar a ser um cara normal. Se eu não fosse o líder da facção Amaldiçoados, eu simplesmente terminaria meu treinamento militar, procuraria a mulher certa para me estabelecer, teria uma família, uma casa, dois filhos, talvez um cachorro", Quinn compartilhou seus pensamentos.
Nesse ponto, ele realmente não sabia o que estava dizendo, mas a imagem de quando vivia sua vida como Vincent, com sua família, apareceu em sua cabeça.
"Então, que tal a Helen? Ela deixou claro que gostava de você. Uma beleza forte que provavelmente combina com seus talentos e poderia te dar o tipo de vida que você quer quando tudo isso acabar?", perguntou Layla.
"Helen... eu acho que ela é uma boa pessoa... mas não consigo deixar de ser cauteloso em relação a ela. Como posso namorar alguém se nem confio nela?"
Layla ficou um pouco surpresa depois de ouvir a resposta. Os outros que Quinn havia descartado bem rápido, mas com Helen ele havia hesitado. Isso significava que ele tinha algum sentimento por ela, mas escolheu não agir porque não confiava nela?
Talvez ele não confiasse nela devido ao tempo que passaram juntos. Mas isso não significava que, se ele confiasse nela, nada o impediria de procurá-la?
Mais uma vez, Layla estava pensando em recuar, mas apertando o punho, disse a si mesma que não podia desistir desta vez. Ela caminhou na frente de Quinn, parando na beira do lago e se virou, colocando o cabelo atrás da orelha.
"Já que você foi tão honesto comigo, só tenho mais uma pergunta para você, Quinn. E eu? Quinn, eu... gosto de você... gosto muito de você, mas o que você sente por mim?"
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