
Capítulo 711
My Vampire System
Para dizer o mínimo, o relacionamento entre Edward e Leo era um tanto complicado. Os dois se respeitavam, mas Leo era pouco falador, nunca iniciando uma conversa. O problema era que ambos eram responsáveis não só pelo castelo, mas por toda a Décima Família.
Como Edward tinha mais experiência e conhecia melhor as funções dentro do castelo, era ele quem tentava forçar a comunicação com Leo. Não que Leo fosse resistente, mas Edward sabia que Leo era mais poderoso que ele. No mundo vampírico, as pessoas respeitavam o poder, e parecia estranho ordenar ou comandar um vampiro mais forte.
Querendo aproximá-los da Décima Família, ele decidiu que seria melhor se eles fizessem a mesma tarefa que Quinn: entregar as rações de sangue para os moradores da área interna do castelo. Eram apenas cerca de cinquenta pessoas, então não levaria muito tempo.
"Vinte e cinco membros no castelo, cinquenta na área interna. É uma grande melhora em relação à época em que ninguém queria se juntar a nós", pensou Edward com um sorriso.
Havia quem fizesse esse trabalho no castelo, mas Edward queria esse toque pessoal dos novos cavaleiros vampiros.
Saindo do castelo, os dois caminharam com a caixa de armazenamento automática se movendo atrás deles. Ao ver os pacotes de sangue dentro, um pensamento surgiu na mente de Edward.
"Segundo Quinn, você não é vampiro há muito tempo", disse Edward. "Mas nunca te vi consumir sangue. Pelo menos não na frente de todos."
"Consigo controlar bem a sede de sangue", respondeu Leo. "No início, achei que a fome me deixaria mais fraco, mas logo descobri que na verdade tornava meus ataques mais fortes. Embora as ações mentais fiquem mais selvagens para alguns."
Era verdade: quanto mais faminto um vampiro estava, mais fracas ficavam suas habilidades, mas sua força, velocidade e atributos gerais melhoravam. A única outra coisa afetada era sua capacidade regenerativa.
"Você deve ter cuidado", disse Edward. "Se exagerar, pode se transformar em uma daquelas bestas enlouquecidas. Mas, desde que a transformação seja por falta de sangue e não por vício, você deve estar bem."
Edward estava se referindo à outra forma dos vampiros, a forma de sugador de sangue.
"Está tudo bem, não tenho mais problemas para controlar minha fome. Posso passar um mês sem precisar de sangue."
"O quê?", respondeu Edward, atônito. Ele sabia que os vampiros conseguiam se livrar do vício em sangue, mas conseguir chegar ao ponto de ficar um mês sem precisar dele levava muitos anos. "Como?"
Leo hesitou por um segundo antes de responder.
"É o Qi. A técnica especial que pratico. Consigo usá-la para controlar certas ações da mente e do corpo."
Mais uma vez, Leo mencionou o uso do Qi, e parecia fazer muito mais do que apenas impedir que os vampiros se curassem quando feridos.
"Você é realmente incrível. Depois de saber de todas as coisas maravilhosas que o Qi pode fazer, tenho que perguntar: você estaria disposto a ensiná-lo aos vampiros da Décima? Poderíamos fazer com que apenas os do castelo pudessem aprendê-lo."
Antes, Edward achava que seria indelicado fazer tal pergunta a Leo. Se ele quisesse ensinar, era sua escolha, mas depois de saber sobre todas as maravilhas do Qi, ele não podia perder essa oportunidade.
Ele até pensou que poderia ser algo ensinado aos leais à família; assim como os outros usavam habilidades, eles poderiam ensinar o Qi àqueles que o tivessem.
Ao ouvir a pergunta, Leo estava prestes a recusar. Seu mestre sempre o ensinou a não compartilhar algo assim com o mundo. No entanto, já havia pessoas que sabiam usar Qi, como aqueles que trabalhavam para a Pure.
Talvez não fosse tão ruim ensinar essa habilidade a mais pessoas. Mas havia algo que o preocupava se ele o fizesse. Quando as pessoas ganhavam um novo poder, faziam coisas perigosas, e ele seria o responsável por tê-las ensinado.
"Vou pensar sobre isso", disse Leo. "Mas minha resposta por enquanto é: podemos realmente confiar que todos aceitam a Décima Família como ela é? Se ensinarmos a eles esse poder, temos que ter certeza de que não pode ser usado contra nós."
Leo estava certo. Edward havia deixado suas ambições de levar a Décima Família de volta à sua antiga glória tomarem conta dele. Havia a chance de isso fazer mais mal do que bem, especialmente com aqueles que o observavam.
A boa notícia era que não foi um "não".
Eles haviam passado por algumas casas e entregue os pacotes de sangue com bastante facilidade. Quando viram Leo na porta, ficaram boquiabertos. Agiavam nervosos, sorrindo, e alguns até fizeram pedidos estranhos.
Um homem de meia-idade abriu a porta, e seus olhos imediatamente começaram a brilhar ao ver Leo.
"Leo, o décimo cavaleiro vampiro. Não acredito que você está na minha porta. Querida, olha quem está aqui!", gritou o homem.
Quando sua esposa veio até a porta, um pequeno grito escapou de seus lábios enquanto ela se aproximava. Essa não era a reação que Edward esperava. Parecia que sua última demonstração o tornara muito mais popular do que imaginava.
"Tenho um grande favor a pedir, e entendo se você disser não. Mas você foi a razão pela qual decidi ficar na Décima Família. Também só falta um item para completar o conjunto."
Leo sorriu para os homens. Era bom ver pessoas entusiasmadas com as coisas, e eles pareciam ser mais acolhedores do que os militares.
"Se eu puder completar o pedido sem causar problemas a outros e com pouca dificuldade, claro", respondeu Leo.
"Você pode cortar um dos meus membros? Não se preocupe, guardei sangue para me regenerar. Até um dedo serviria."
Edward bateu a cabeça em frustração. Era uma via de mão dupla: as pessoas não só precisavam respeitar Leo, mas também precisavam convencê-lo de que valiam a pena serem ensinadas, e ele temia que esse tipo de ação boba estragasse o clima.
No entanto, Leo tirou sua espada.
"Deve ser fácil."
"Estou cercado de loucos", pensou Edward.
Casa após casa, eles estavam quase na metade, e Edward estava muito satisfeito com o resultado. Ele deveria ter pensado antes que aqueles que estavam no círculo interno já haviam escolhido ficar na Décima Família.
Portanto, eles respeitavam mais os cavaleiros do que a maioria e já tinham lealdade. Na próxima vez, eles precisariam ir até as pessoas da Décima Família em geral para ver se tinham a mesma reação.
Eventualmente, eles bateram na porta de uma das casas e não houve resposta.
"Talvez eles estejam fora", disse Edward. "Vamos tentar encontrá-los na volta."
Era um pouco estranho, pois a entrega era no mesmo horário todas as semanas. Então, os vampiros normalmente ficavam para receber sua entrega.
Usando sua habilidade, Leo sentiu algo dentro da casa.
"Algo errado", disse Leo.
Imediatamente, ele agarrou sua lâmina e abriu a porta de um golpe, entrando sem dizer mais nada.
Edward, vendo-o tão sério, soube que algo estava errado e o seguiu de perto. Quando finalmente entraram na sala de estar, puderam ver sangue por todo lado e no chão. Quatro pessoas mortas. Dois vampiros mais velhos e dois de meia-idade.
"Quatro vampiros mortos, e em nossa própria propriedade. Quem seria forte o suficiente para fazer tal coisa?", disse Edward.
"Seja lá o que for, parte de sua aura foi deixada para trás, perto daqui."