My Vampire System

Capítulo 642

My Vampire System

Seguindo o som das vozes infantis, Peter acabou chegando a um lugar estranho. Não tinha o mesmo design ou arquitetura do castelo que ele conseguia ver e, por algum motivo, havia crianças ali, na ilha.

Embora isso não fosse tão estranho – se pessoas viviam na ilha, é claro que haveria crianças também –, duas coisas lhe davam uma sensação estranha. A primeira era como todas as crianças se pareciam bastante, mas ao mesmo tempo eram diferentes, como se fossem parentes.

Mas, se isso fosse verdade, Peter não conseguia imaginar uma única mãe dando à luz a todos aqueles bebês.

“Será que elas se parecem um pouco com o Vorden? Isso significa que ele pode estar aqui?”, pensou Peter. Sua lógica não era das melhores, mas ele conseguia ver trabalhadores usando o mesmo uniforme laranja de artes marciais que ele, então a pessoa pela qual estava disfarçado devia ser dali.

A segunda coisa que lhe dava uma sensação esquisita era a expressão dos rostinhos das crianças. Nenhuma delas estava sorrindo ou brincando uma com a outra. Na verdade, parecia que elas tinham formado grupos.

Sussurravam e riam enquanto outras crianças passavam, inseguras do que estava acontecendo, e havia até uma criança sozinha, sem nenhum grupo. Isso era muito estranho para crianças daquela idade.

Lentamente, Peter tentava elaborar um plano do que fazer. Ele não fazia ideia de qual era o motivo de sua presença ali, ou qual era o objetivo dos trabalhadores, e também precisava pensar no que dizer se fosse pego.

“E aí, John”, disse um homem de repente, colocando uma mão em seu ombro. Peter, por instinto, agarrou a mão e quase a torceu, mas parou no último momento, apenas segurando-a.

“Calma aí, lembre-se que não há nenhuma fera neste lado da ilha. Relaxa, acho que você quase mijou nas calças, mas não conseguiu porque já tinha ido?”, o homem estranho começou a rir e continuou batendo no ombro de Peter.

Se Peter não estivesse disfarçado naquele momento, ele também estaria retribuindo os tapas no ombro, sem se segurar.

A única coisa boa era que, por meio desse estranho, Peter descobrira o nome da pessoa pela qual estava disfarçado: John.

Ainda havia mais um problema, e agora Peter estava se arrependendo de não ter pensado melhor antes. Sua habilidade de transformação também permitia que ele alterasse sua voz, mas ele não conseguia fazer isso se não soubesse como era a voz da pessoa. A única coisa em que ele podia se basear era um pequeno grunhido antes da morte do homem.

Anotando mentalmente, aquilo era algo em que ele precisava pensar no futuro.

“O que foi, cara? Nervoso? Você não está falando muito”, perguntou o homem.

“Eu tropecei numa raiz e caí. Me bati na garganta em alguma coisa dura, e agora está doendo”, respondeu Peter, forçando a voz a soar rouca.

“Nossa, você realmente está horrível, cara! Nossa, você parece outra pessoa.”

Naquele momento, Peter queria fazer qualquer coisa para se afastar daquele homem. Se ficasse com ele, acabaria preso a ele como algum tipo de amigo. Se isso acontecesse, como ele conseguiria investigar sozinho?

Naquele instante, uma mulher com cabelo curto e ruivo saiu do chamado Templo. Ela estava vestida de forma diferente dos outros. Enquanto todos usavam robes laranjas de artes marciais, ela usava uma branca com detalhes laranjas.

A julgar pelo fato de ela ser a única usando aquela cor, Peter supôs que ela ocupava uma posição superior. Isso era comum em funcionários de lanchonetes de fast food, então era nisso que ele estava baseando seu conhecimento.

A mulher bateu palmas algumas vezes, e as crianças ficaram em silêncio mortal.

“Tudo bem, é hora de vocês irem para dentro e se prepararem para as aulas da manhã”, ela disse.

As crianças a seguiram imediatamente, como se já estivessem numa escola militar. Peter sabia que sentia algo estranho naquele lugar e aquilo só confirmava seus pensamentos.

“Será que foi assim que o Vorden foi criado?”

“Vocês dois”, disse a mulher, olhando para eles perto do fundo da floresta. “Deixem de moleza e venham para cá agora! Haverá uma reunião lá dentro”, disse ela enquanto entrava no Templo.

“Uau, acho que os boatos sobre a Pam ser explosiva eram verdadeiros. Acho que não deveríamos cair nas graças dela. Ela não é nada parecida com o Duncan, da vila, hein?”, disse o homem, cutucando Peter para que dissesse algo.

“Ah, certo, sua voz.”

Seguindo os outros, parecia que todos os outros professores se conheciam, e por meio das saudações, ele descobriu que o nome do homem era Jazz. Não importava o que Peter tentasse fazer, por algum motivo ele não conseguia se livrar de Jazz.

Às vezes, Jazz parava para conversar com os outros, e Peter continuava andando até a sala de reuniões para onde todos estavam indo. Se Jazz percebia, ele se desgrudava e ia na frente para se juntar a ele novamente.

Ele não entendia aquela obsessão, principalmente porque Peter quase não dizia nada a ele. Se aquilo continuasse, Peter sinceramente não sabia quanto tempo mais conseguiria se controlar.

Os adultos se reuniram em um salão vazio, e havia cerca de quinze deles no total. Na frente estava a mulher que eles tinham visto antes, Pam.

“Okay, escutem, eu sei que este não é o trabalho de vocês e que todos vocês vieram da vila. Até agora, estou supondo que todos vocês ouviram sobre o incidente que aconteceu”, Pam começou a explicar. “O evento só foi adiado, e agora essas crianças sabem sobre ele. Então este não será seu trabalho de tempo integral, mas apenas um temporário…”

Pam começou a explicar mais algumas coisas sobre o Templo para colocar todos a par, mas depois de dizer a primeira parte, Jazz não pôde deixar de sussurrar para seu amigo favorito, John.

“Você acredita no que ele fez? Eu ouvi dizer que o Vorden derrotou dez professores sozinho tentando salvar todos aqui. O cara é maluco”, sussurrou Jazz.

Parecia que Peter poderia estar no lugar certo, afinal. “Ah, eu não ouvi muito sobre isso”, respondeu Peter. “Por que você não me conta mais?”

Quinn, tendo visto aproximadamente onde os dois tinham caído, estava tentando decidir para quem ir primeiro. Havia Logan, que poderia estar em grande perigo naquele momento, mas, conhecendo-o, ele poderia ser esperto o suficiente para sobreviver mais tempo. Então havia Peter, que provavelmente se meteria em todo tipo de problema.

No final, Quinn estava em um dilema, mas havia tomado uma decisão. “Se eu for até o Peter, posso pegar sua arma espiritual e talvez possamos entrar furtivamente no castelo para salvar o Logan.”

Quando ele chegasse ao castelo, Logan já teria sido pego ou não; não fazia diferença, então ele pensou que seria melhor tentar encontrar Peter primeiro.

Observando brevemente a parte da praia em que estava, ele tentava ver se havia algum sinal de vida humana, mas não conseguia ver nada construído, e a única coisa grande o suficiente para ver era a pedra com a inscrição e o castelo aparecendo ao lado dela. Ele só poderia ver isso se andasse pela lateral da praia.

Olhando de volta para o mar, Quinn tremeu novamente ao pensar na fera. Era uma pena que, em seu pânico e medo, ele não conseguira usar sua habilidade de inspeção para realmente ver qual era o nível da fera. Não que ele tivesse alguma ideia de lutar contra ela em primeiro lugar.

Entrando na área semelhante a uma selva, Quinn decidiu seguir na direção geral onde viu Peter cair, mas foi só depois de alguns momentos que ele percebeu que talvez não pudesse ser tão impetuoso quanto pensava inicialmente. Seus ouvidos captaram o som de algo se aproximando, e o fazia em grande velocidade.

O som de algo ofegante enquanto quebrava galhos e folhas de árvores vinha em sua direção.

“É tão rápido!” Virando-se, Quinn conseguiu ver quase um borrão preto vindo em sua direção, e ele só conseguiu usar sua habilidade de inspeção no último momento.

[Fera Nível Rei – Gato Negro de Duas Mandíbulas]

Na ilha, seu primeiro encontro seria com uma fera de nível rei. Sem se conter, Quinn preparou sua sombra e estava pronto para isso. Ela tinha velocidade, mas a única razão pela qual ele não conseguia rastreá-la muito bem era devido a ela se mover entre as árvores e mudar de direção rapidamente. Quando ela viesse para cima dele, ele estaria pronto.

Então, como esperado, o grande gato preto se lançou sobre ele, abriu a boca e tinha uma mandíbula com dentes afiados em cima da outra.

Preparando sua perna, Quinn estava pronto para chutá-la quando estivesse ao alcance.

“Não machuque os amigos do meu irmão!”, gritou uma vozinha, e bem do lado, algo pequeno havia socado a onça na cara, fazendo-a voar e cair em um conjunto de árvores.

Quando o pequeno objeto pousou, dois espinhos podiam ser vistos em suas costas. Era um Dalki em miniatura, com quem Quinn estava familiarizado.

“Borden!”, disse Quinn, surpreso.

“Eu estava esperando por você”, respondeu Borden com um sorriso.

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