
Capítulo 625
My Vampire System
Sil continuava soluçando num canto da sala de aula, e a maioria dos alunos o ignorava, preparando-se para a aula e colocando o trabalho em dia.
O único que se aproximou foi Vorden. Mas ele entendia por que os outros desistiram de ajudar: aquilo já era rotina. Para simplificar, Sil era um chorão que exagerava qualquer coisinha.
Sentando-se ao lado dele com as costas na parede, imitando-o, Vorden tentava confortá-lo. "Vamos, conta aí: por que o Raten disse que você cheira mal?"
Raten já estava em seu lugar, não muito longe do fundo da sala. Vorden podia vê-lo espiando por cima do ombro, olhando para eles.
"Ontem, quando os resultados saíram. Ele virou para mim e disse que eu cheirava mal", respondeu Sil, respirando fundo entre soluços. "Então, hoje de manhã, tomei um banho supercaprichado. Mais do que o normal, usando sabão em todo lugar. E mesmo assim, ele me chamou de fedorento de novo."
"Eu só estava te cumprimentando!", gritou Raten. "Eu tenho apelidos para todo mundo: Cara-de-quadrado, Tilintin, Dois-rostos, Olhos-de-rato, Barriga-de-chope e Bolinhas-moles, que está aí do seu lado!"
Vorden riu. Não sabia se era verdade – nunca tinha ouvido Raten chamá-lo assim, pelo menos não na cara – ou se ele apenas se arrependeu do que disse e esperava que Sil se animasse.
"Ah, é normal", disse Sil, enxugando as lágrimas. "E o que eu te chamo então?"
Raten levantou-se, apoiou o pé na cadeira com o joelho dobrado e apontou para si mesmo.
"Número um, porque eu sou o melhor da sala."
"Você não é o número dois?", disse um colega de classe.
"Não é por isso que você chamou ele de fedorento?", disse outro.
"E nas provas escritas, ele fica em último lugar!", comentaram outros alunos.
O rosto de Raten ficou vermelho vivo, e ele imediatamente voltou a se sentar. Abaixou a cabeça, e uma gota d'água caiu na mesa, escorrendo do seu rosto.
"Você tá chorando?", disse um colega sentado ao seu lado. "Como alguém com uma cabeça tão grande pode ser tão sensível? Acho que o chorão aqui é você."
"Cala a boca!", respondeu Raten, virando-se para o colega. Agarrou a própria cabeça e a bateu com força na mesa. A cabeça voltou para cima, e um sangramento nasal jorrou sangue para todo lado.
Imediatamente, Vorden e Sil levantaram-se do canto da sala e seguraram os braços de Raten para impedi-lo de fazer mais alguma coisa.
"Vou matá-lo, vou matá-lo. O que tem de errado com ele? Por que ele não se intromete e fica quieto? As pessoas precisam comentar cada coisinha que acontece à sua volta?"
Finalmente, a professora entrou na sala e os acalmou. Os três – Sil, Raten e Vorden – foram mandados para fora da sala, enquanto a professora perguntava à classe o que exatamente tinha acontecido.
Não era a primeira vez que algo assim acontecia com os três juntos. Sil não tinha muitos amigos por causa do seu jeito chorão. Já Raten tinha outros problemas. Ele era habilidoso em luta e no uso de habilidades, e por isso os outros alunos o achavam convencido.
Mas ele carregava uma frustração constante: havia alguém que o superava nos testes de habilidade, e esse alguém era Sil. As provocações constantes dos colegas e essa frustração o levavam a ter problemas de raiva, e as explosões, como a anterior, tornaram-se frequentes.
E então havia Vorden. Falante, ele conseguia conversar com qualquer um, mas ao mesmo tempo sentia que não estava se conectando de verdade com ninguém. No início, ele achava que tinha alguns amigos, mas logo percebeu que eles não sentiam o mesmo.
A razão era que ele também era rejeitado na classe – talvez fosse por isso que Raten lhe dera aquele apelido. Vorden tirava as notas mais baixas, era um perdedor.
Eram crianças, e o Templo dava muita ênfase em ser o melhor, exibindo constantemente rankings em diferentes áreas. Naturalmente, elas começaram a achar que, se andassem com ele, seriam prejudicadas.
Isso levou à situação atual. Embora fosse difícil chamá-los de amigos, os três tornaram-se conhecidos que, sem escolha, acabavam se dando mais bem uns com os outros do que com qualquer outra pessoa.
Encostado na parede, as pernas de Raten estavam cansadas, a adrenalina começando a ir embora. Ele suspirou fundo.
"Não acredito que fui segurado por Bolinhas-moles e Fedorento."
"Bom, a gente não quer que o número um se meta em encrenca", disse Sil.
Raten olhou para Sil. Começou a ranger os dentes, e então a raiva simplesmente o abandonou. Sil era a única pessoa com quem ele, por algum motivo, nunca conseguia ficar realmente bravo. Mesmo sendo crianças, ele parecia ainda mais infantil, ingênuo a ponto de não entender.
"Vamos esquecer esses apelidos", disse Vorden. "Não gosto muito do meu."
Os três riram, e a professora finalmente saiu para o corredor para falar com eles. Na verdade, pelo que Raten fizera, ele não teve muitos problemas; apenas conversaram com ele, sem punição.
Não havia muito o que fazer, e eles não queriam prejudicar suas habilidades ou treinamento de forma alguma. Os outros alunos sabiam que ele se safava porque era talentoso, e isso só fazia com que o desgostassem ainda mais.
A aula do dia era sobre criação de habilidades próprias. Depois de dominar uma habilidade, era importante tentar criar as suas próprias, e não depender apenas das do livro. Para isso, era preciso ter criatividade.
Eles tinham aulas de todos os tipos, geralmente as teóricas de manhã. Depois dessa aula, era hora de comer em um dos corredores.
Os três sentaram-se sozinhos, conversaram e comeram, aproximando-se cada dia mais. Mas as aulas da tarde eram as que Raten mais esperava.
Era hora das aulas de combate. Geralmente, havia dois tipos de aulas de combate: habilidades básicas de luta corpo a corpo sem o uso de habilidades. De vez em quando, eles também usavam armas.
Depois vinha a aula de habilidades, onde praticavam o uso de suas habilidades. Nessas aulas, costumavam trazer pessoas amarradas, vendadas e amordaçadas para que não pudessem falar.
Não se explicava muito quem eram essas pessoas, apenas que, se eles não se saíssem bem, poderiam acabar como elas no futuro. Era a forma deles de assustar as crianças.
A aula do dia era de luta corpo a corpo informal, e era sexta-feira. Todas as sextas-feiras era a noite de sparring, onde os alunos se enfrentavam em duelos.
Isso era feito lá fora, sob a supervisão de vários professores. Os três assistiram algumas lutas, e chegou a vez de Sil. Ele parecia normal, mas não era tão ruim em luta corpo a corpo.
Tudo começava mais ou menos igual: Sil levava o primeiro golpe, e logo depois, para não se machucar mais, contra-atacava, batendo no outro até não poder mais ser atingido.
Então foi a vez de Vorden. O aluno correu para cima dele com o punho fechado. Era óbvio que ia socar, pensou Vorden. Então ele tentou desviar, mas a outra mão o agarrou pela camisa, puxando-o para frente.
Usando toda a força que tinha, ele tentou chutar o outro na barriga, mas foi inútil, fraco. Então, antes que percebesse, estava levando socos no rosto até a luta ser interrompida.
Finalmente, chegou a vez de Raten. Ele tinha um sorriso no rosto e estava pronto para enfrentar qualquer um. Então apontou para o aluno que acabara de lutar.
"Você, você está fresco, né? Não se machucou na última luta, então vamos nessa!", gritou Raten.
Mas o pedido dele foi negado, pois os professores sabiam o que estava acontecendo. Se Raten lutasse, provavelmente não pararia de machucar a criança até que alguém o separasse. Porque, mesmo que ele não soubesse, eles sabiam: Raten se importava com seus dois amigos.
Ele foi emparelhado com outro aluno e venceu a luta com facilidade.
Depois da sessão de luta, os alunos finalmente puderam relaxar. Eles viviam no Templo, e esse era considerado tempo livre, em que podiam fazer o que quisessem. Durante esse tempo, cada um deles seria chamado individualmente para uma sessão.
Ali, eles falariam com um dos professores para contar se tinham algum problema. O que eles estavam passando seria muito pesado para uma criança de oito anos. Era por isso que um professor verificava sua saúde mental e estado com frequência.
"Sil, você é o próximo. Você sabe qual sala ir."
Sil levantou-se e sorriu enquanto se dirigia à sala. Ao abrir a porta, um jovem de cabelos pretos e cacheados estava sentado no chão, com uma mesinha pequena.
"Prazer em vê-lo, Sil."
"Caser!", gritou Sil, correndo e dando um abraço forte no homem. Claro, Sil tinha seus amigos e se importava com eles, mas o homem à sua frente era a pessoa mais importante do mundo.
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