
Capítulo 621
My Vampire System
Não demorou muito para Vorden decidir deixar o templo e voltar para seu objetivo original, o castelo. O impacto emocional que isso estava causando em Sil era demais. Se estivesse sozinho, talvez Vorden tivesse tentado entrar no templo para explorar.
Mas com Sil mais consciente do que o normal, simplesmente não era possível. Se Sil reclamasse, o Raten reclamaria, o que no fim só causaria uma baita dor de cabeça em Vorden.
Finalmente, ele havia chegado ao castelo, ou pelo menos ao pé dele. Ao olhar para cima, via uma escadaria muito larga e comprida que levava até uma plataforma, e então, finalmente, seria preciso entrar pelas portas.
"Sempre odiei essa escada", disse Vorden enquanto, relutante, começava a subir, controlando o ritmo. Era muito mais fácil do que ele se lembrava. Parecia que, no último ano, seu corpo havia ficado significativamente mais forte por causa do serviço militar.
Antes, ele achava que não faria muita diferença, mas realmente passou por muito mais do que esperava na escola. Vorden já tinha um corpo que superava as necessidades físicas humanas normais. Não tanto quanto um vampiro, mas pelo menos além do normal para um humano.
Havia certas razões para isso, por isso ele nunca pensou que seu corpo melhoraria além do que era, sem a ajuda das Lâminas, de qualquer maneira.
Além de submeter seu corpo a situações extremas repetidas vezes, havia também o fato de ele ter recebido as pílulas de sangue de Logan. Isso havia aumentado sua força a cada vez que ele tomava uma.
Mesmo agora, até hoje, as pílulas faziam efeito, o que significava que era permanente. Finalmente, depois de uma longa caminhada, ele podia ver o topo da plataforma, deu o último passo e sentiu uma mudança no vento.
"Droga!", gritou Vorden, levantando as duas mãos para cobrir a cabeça.
Naquele momento, um chute o atingiu nos antebraços, e ele começou a perder o equilíbrio. Se caísse agora, seria uma queda feia, mas ele estava mais preocupado com a dor de ter que subir todas aquelas escadas novamente.
No entanto, seu corpo aguentou, ele afastou as pernas e rolou no chão, são e salvo na grande área da plataforma.
"Ah, você sempre caía no passado." Uma voz feminina disse.
Olhando para cima, do chão, ele viu uma garota com longos cabelos loiros.
"Vicky, a gente precisa fazer isso?", perguntou Vorden.
Ela correu e arrematou a perna para trás, preparando um chute em direção à sua barriga. Por instinto, ele quis levantar as pernas e se encolher, mas se conteve no último segundo. Preso na lateral de sua perna estava um pequeno dispositivo tipo caixa de ferramentas, e dentro estava Borden.
Ele o trouxera consigo, já que Borden se recusava a ir com mais ninguém. Ainda assim, antes, ele garantiu que Borden não faria nada, mesmo que sua vida parecesse estar em perigo. Vorden simplesmente disse que aquela era a família dele, e embora parecesse que eles poderiam estar machucando-o, eles nunca, jamais tentariam matá-lo.
Quando o chute o atingiu, seu corpo deslizou pelo chão, e ele tossiu sangue.
"Deixa que eu cuido dessa vaca!", disse Raten.
Desta vez, Vorden ficou aliviado em fazer a troca. Levantando-se do chão, Vicky já estava em cima dele, desferindo chutes consecutivos sem apoiar o pé no chão, mas Raten conseguiu bloquear cada um deles.
Os chutes doíam, e seus antebraços latejavam, mas ele apenas sorriu. Vendo isso, Vicky parou.
"Você trocou com ele? Que sem graça.", disse Vicky enquanto se afastava. "Você pode cumprimentá-lo agora, irmão."
“Irmão?”
Ao ouvir essas palavras, Raten se abaixou, e parece que na hora certa. Um soco foi lançado e quase acertou sua cabeça. Ao se abaixar, Raten girou no chão, chutando e derrubando quem quer que estivesse atrás de suas pernas.
Um baque foi ouvido quando o corpo atingiu o chão e Raten partiu para o soco.
"Me rendo, me rendo." Disse um homem loiro, com as mãos na frente do rosto. Ele parecia quase idêntico à garota com quem estava lutando segundos atrás.
O punho de Raten parou logo acima do rosto dele, quase tocando seu nariz, enquanto sua outra mão segurava sua gola.
"Eu me importo?", disse Raten. E prosseguiu dando-lhe um soco na cabeça.
"Vicky! Ajuda!", gritou ele, entre cada soco que recebia.
Ela se virou e apenas olhou para os dois, balançando a cabeça.
Em breve, os socos pararam, e o rapaz ficou com o nariz sangrando.
"O Raten trocou comigo, pare de machucar o irmão Pai", disse Vorden, os dois trocaram de lugar e Vorden soltou a camisa de seu irmão.
"Me chame a qualquer momento para lidar com esses dois, eu estava esperando para machucá-los há algum tempo."
Raten sempre foi um lutador melhor que Vorden, mas antes, mesmo que ele tivesse trocado, quando se tratava apenas de combate corpo a corpo normal, nenhum deles conseguia sequer desferir um soco nesses dois.
"Obrigado, Vorden.", disse Pai. "Eu nunca esperava que você esquivas-se daquele ataque, você nunca foi tão rápido antes."
"Obrigado", disse Vorden, dando uma mão para ajudar seu irmão a levantar do chão. As duas pessoas que o atacaram, ou melhor, essa era a maneira delas de cumprimentá-lo e recebê-lo de volta, eram sua irmã e seu irmão gêmeos mais velhos, Vicky e Pai.
Esses dois eram fortes, fortes o suficiente para que sua velocidade e força combinassem com a de Vorden atualmente. Mesmo que Vorden tivesse usado as pílulas de sangue vermelho e não estivesse usando nenhuma armadura.
Essa era apenas a força e velocidade natural do corpo deles.
Depois de aprender sobre vampiros, se ele não soubesse de nada melhor, a força deles era tão anormal que Vorden pensaria que eram vampiros. Mas se a força deles era considerada anormal, e o resto da família?
Ainda tentando limpar o sangue do rosto, seu irmão e irmã não disseram muito e começaram a caminhar em direção à entrada.
"O vovô está esperando por você", disse Vicky, e assim, os dois se foram.
Não foram feitas perguntas sobre como ele estava ou o que ele havia feito durante o tempo em que esteve fora. Nada, apenas uma pequena briga.
"O que você achou?", perguntou Pai.
"Pft, bem, ele te deu uma surra, não foi?", respondeu Vicky.
"Foi porque eu não estava pronto", respondeu Pai, envergonhado. "Ainda assim, ele melhorou, tenho que admitir, e ele bloqueou todos os seus chutes."
Os dois, embora gêmeos, eram bem diferentes, tanto em personalidade quanto em estilo de luta. Enquanto Vicky gostava de usar as pernas, Pai gostava de usar os punhos em uma luta.
Os dois foram os primeiros a entrar na sala principal, e seu avô estava sentado em sua cadeira, esperando no fundo. De pé ao seu lado estavam o pai e a mãe. Quando ele viu o rosto de Pai, o maior sorriso que já se viu apareceu.
"Cara, talvez o vovô teria ficado duro se visse meu rosto todo ensanguentado também", disse Vicky.
"Grossa como sempre, irmã, muito grossa", comentou Pai enquanto os dois se juntavam ao lado da mãe e do pai.
Finalmente, entrando na sala estava Vorden, e seu coração batia mais forte do que nunca. Ele demorou um pouco para olhar para cima, mas eventualmente o fez, e ele pôde ver todos eles olhando para ele. Tão intimidante quanto ele se lembrava.
"Vorden!", gritou Hilston com uma voz forte e estrondosa. "Estou supondo, de qualquer maneira. Pensei que você poderia ter fugido em meio a todo esse caos. Esses idiotas ficaram dizendo que você provavelmente morreu, mas eu não duvidei por um segundo que você ainda estava vivo."
Vorden não respondeu nada e simplesmente riu.
"Eu pedi aos empregados que preparassem um grande banquete para sua chegada. Temos muito o que colocar em dia e muito o que conversar. Por que você não vai descansar em seu quarto e depois podemos conversar sobre isso juntos?"
Vorden ainda não disse nada, apenas assentiu e fez uma reverência, e então foi para seu quarto, esperando ser chamado para o jantar.
Assim que Vorden saiu, o grande sorriso de Hilston desapareceu.
"Então ele ainda é o mesmo de antes." Hilston suspirou.
"Sim. Ele trocou na nossa pequena luta mais cedo." Vicky respondeu.
"Eu esperava que depois de ver Pai daquele jeito, ele tivesse mudado e estivesse curado."
"Não diga isso, pai." Disse o homem loiro mais velho. "Talvez ele esteja melhorando. Tenho certeza de que, se dermos mais tempo, ele ficará bem."
"Talvez", disse Hilston, passando os dedos pela barba áspera. "Eu estava pensando, talvez devêssemos enviá-lo ao templo novamente."
Quando ouviram Hilston falar disso, cada um deles começou a tremer levemente. Os pelos na beirada de seus corpos se arrepiavam.