
Capítulo 617
The Regressed Demon Lord is Kind
O homem virou-se para sair.
— Espere — disse Wesker.
— O quê? Ainda tem algo a dizer? Quer mesmo verificar minha sinceridade ou algo assim? — perguntou o homem com sarcasmo.
Wesker ignorou as provocações sarcásticas do homem e disse: — Tenho uma dúvida.
— Entendo. Acho que isso é melhor do que confiar cegamente. Do que se trata essa dúvida? — respondeu o homem.
— Você foi quem nos orientou a pressionar Lara Browning, dizendo-lhe os prejuízos que ela causou à família dela. — disse Wesker.
— Não há necessidade de nos agradecer por isso. Sugerimos esse plano porque também tínhamos algo a ganhar. — respondeu o homem.
— Mas como vocês souberam fazer isso? — perguntou Wesker, e o homem olhou fixamente de volta.
Wesker continuou: — Uma pessoa que conhece Lara Browning profundamente poderia elaborar esse plano. Honestamente, pensei que ele iria fracassar.
Por isso, foi ordenado a Feijadiru que executasse o plano. Claro, havia a razão de que Feijadiru era o mais adequado para falar sobre a família de Lara, mas uma grande razão para Wesker ter mandado Feijadiru fazer isso era que ele acreditava que o plano iria falhar.
— Ainda assim, o plano deu certo. — disse Wesker.
— Não era pra ser assim? — questionou o homem.
— Como você conseguiu adivinhar o comportamento dela com base na personalidade dela, sendo que até mesmo um familiar não conseguiu? — insistiu Wesker.
O homem respondeu com um sorriso: — Não sou seu professor. Não preciso lhe dizer isso.
Então, finalmente, o homem saiu, deixando Wesker sozinho no edifício. Wesker encarou a velha porta gasta com um olhar frio.
— ...Tudo bem. — murmurou com um brilho gélido nos olhos — Sou eu quem vai vencer. Não sei o que aconteceu, mas o que quer que vocês façam, no final, todos vocês vão desmoronar diante de mim.
Essa é a sina deles. — ele reprimiu uma ansiedade misteriosa que começava a surgir por dentro.
O corpo de um dragão caiu no chão sujo. A força do impacto não conseguiu marcar suas escamas duras, mas o corpo do dragão estava sendo tratado com muita rudeza considerando seu valor.
O homem, Piros Bulington, não se importava com isso. Depois de trazer o corpo do dragão de Wesker, comandou seus subordinados: — Vamos começar.
Ele não tinha muitos subordinados restantes após os Karuwimans persegui-los, mas aqueles que sobreviveram àquela caçada terrível eram verdadeiros guerreiros. Ele olhava para eles com profunda confiança. O subordinado de Piros foi imediatamente até o corpo do dragão ao seu comando. Embora estivessem tocando em um item raro e valioso, não havia ganância nem admiração em seus olhos.
Somente uma raiva silenciosa ardia por dentro deles.
— As escamas são mais duras do que eu esperava. — comentou um deles.
— O couro também é resistente. — afirmou outro.
— Provavelmente será preciso um esforço considerável para gravar um círculo mágico nisso. — disse um terceiro.
— Mas a energia sagrada penetra nele com muita facilidade. Essa deve ser a razão pela qual armas e artefatos lendários são feitos com o corpo de um dragão. — refletiu Piros.
— Então, você consegue fazer isso? — perguntou Piros. Seus subordinados se olharam e concordaram com a cabeça.
— Vamos tentar. — disseram eles. Lembrando-se de seus companheiros que morreram de formas horríveis, eles viam nesta tarefa uma chance de vingança, e precisavam liberar a fúria de seus amigos contra seus inimigos.
— Muito bem! Então, vamos começar agora. — Piros se sentou ao lado do cadáver do dragão.
'Logo começará.' O corpo do dragão era a mostra da grandeza de seus inimigos. Ao contrário de Wesker, que tentava minimizar as realizações dos caçadores de dragões, Piros reconhecia seu valor e os avaliava altamente. Ainda assim, esse corpo, que era prova do esforço heróico deles, seria a chave para destruir esse festival e causar grandes danos a Yuras e à cidade.
Como eles perceberiam a expressão deles ao ver isso? Piros não conseguiu esconder sua risada com esse pensamento.
Ele precisava executar esse plano com sucesso a qualquer custo. Seus subordinados e ele começaram a trabalhar no corpo do dragão.
Quando Lara e Hans voltaram ao local onde haviam separado-se dos companheiros, viram que seu grupo tinha aumentado em mais um membro.
— Ei, vocês voltaram. — disse alguém.
— Senhor Zich? O que faz aqui? — perguntou Lara.
— Desde que Lyla, Elena e Leona saíram, eu andava sozinho por aí, quando encontrei esses caras. Não tinha nada para fazer, então me juntei a eles rapidinho. — Zich sorriu enquanto mastigava um lanche na mesa, parecendo bem-estar, de alma leve.
— Por que está desconfortável? Posso ir embora se desejar. — comentou Hans.
— Claro que não, senhor. — disseram Hans e Lara, voltando a se sentar.
— Então, ouvi dizer que vocês encontraram o irmão da Lara? — Zich soube do que aconteceu através dos outros, e assim Lara explicou para ele e os demais curiosos o que aconteceu na sala. Não havia segredo. Quando seu relato chegou ao momento em que entregou o corpo do dragão, Chelsea e Pina mostraram a mesma reação.
— Você é bobo ou um idiota? Qual dos dois? — disseram, querendo ser mais drásticos, mas suavizaram as palavras por causa do resto do grupo. Lara não discordou deles. Era uma negociação que lhe proporcionava satisfação pessoal e paz, mas ela sabia que, do ponto de vista de um forasteiro, seu comportamento não podia parecer mais do que pura estupidez.
No entanto, Zich respondeu de forma diferente dos demais.
— Entendo. — foi tudo o que ele disse. Depois, continuou a comer e beber os petiscos.
Sua resposta foi tão insossa que até Chelsea, que jurou apenas agradar Zich, perguntou espantada: — É só isso que você vai dizer? —
— Se o dono da casa diz que ela está bem, então está tudo bem, né? Não é como se ela tivesse prejudicado alguém com suas ações. — respondeu Zich.
— Mas ela não vendeu uma coisa que valia uma ou duas moedas! Era um item que nem dava para colocar preço. — reclamou Chelsea.
— Então, faz mais sentido ela trocar o item sob seus próprios termos. — afirmou Zich.
— Mas... — Chelsea queria discordar, mas não havia erro naquilo que Zich dizia. Afinal, era o item da Lara, e ela tinha o direito de decidir o que fazer com ele.
— Chega de papo. Você sabe que não adianta discutirmos com ele. — disse Lara, interrompendo.
— Mas, Senhora Acous! — Chelsea tentou convencer, e Pina ouvia com atenção meia-desinteressada. Era irônico que as duas parecessem muito próximas agora, quando sempre eram indiferentes uma à outra junto a Glen.
— Então, seu irmão comprou? — ao invés de Lara vender a pele do dragão, Zich parecia mais interessado em Feijadiru.
— Sim, senhor — respondeu Lara.
— Que tipo de pessoa ele é? — perguntou Zich.
— Hmm, diria que é o retrato de um aristocrata patético? — respondeu Lara.
— Então, você não o considera incompetente? — indagou Zich.
— Bem, tenho que admitir que é habilidoso com a espada. — disse Lara.
— Você não disse que o derrotava em toda luta quando eram jovens? — lembrou Chelsea.
— Parece que não, mas o talento de Lara é de um dos melhores do mundo. É natural que a maioria das pessoas nem consiga tocar nela. — afirmou Zich.
— Concordo facilmente. — disse Chelsea. — Na verdade, ela foi ótima na luta que vi.
— Windne, qual é sua opinião dele? — perguntou Zich.
— O quê? Você está perguntando a mim? Em vez de mim, Lara conhece melhor o irmão dela, como parte dos Browni… ah, você disse que não ia mais usar seu sobrenome. — respondeu Windne.
— Bem, Lara tem um lado bastante ingênuo. Como uma pessoa sombria e astuta, achei que você poderia trazer uma nova perspectiva. — sugeriu Zich.
— ...Isso é um elogio? — questionou Windne.
— Claro que não. Bem, se quiser interpretar assim, não me incomoda. — respondeu Zich.
— Droga! — Chelsea expressou sua raiva claramente. É claro que ela não negou as palavras de Zich, mas a verdade machucava mais do que insultos aleatórios.
— ...Eu também não sei ao certo. Como posso julgar com precisão uma pessoa que acabei de conhecer? Acho ela uma pessoa bem irritante, a ponto de Browning acrescentar 'mal-educada' como modificador para 'aristocrata patético'. — disse Lara.
— Hmm. — refletiu Zich.
— Há algo de estranho nele? — perguntou Pina, cautelosa.
— Não, não é bem assim. Só estou um pouco curioso porque ele pediu o corpo do dragão do nada. Será que cobiçou só por ser um item valioso ou está tentando usar para algum propósito? — questionou Zich.
— Senhor, devo tentar descobrir? — ofereceu Hans.
Zich balançou a cabeça para Hans, que parecia pronto para agir imediatamente. — Não é necessário. Não há nada claramente suspeito nele, pelo menos por enquanto. — disse Zich.
Zich tomou um gole de sua cerveja. Como se tivesse perguntado só por curiosidade, Zich não mencionou o assunto e se focou em beber e comer. A reunião terminou já tarde. Depois de se despedir de Chelsea e Pina, resto do grupo foi para Yuras. Então, Zich disse que queria brincar um pouco mais e foi embora sozinho.
Pouco depois, enquanto Hans, Lara e Snoc caminhavam pela rua, Snoc perguntou: — Senior, o que acha? —
— Do que? — respondeu Hans.
— Sobre Feijadiru Browning. — disse Snoc.
Lara ouviu com atenção.
— Ainda não tenho uma opinião formada, pois é a minha primeira vez vendo ele, mas concordo que ele é um aristocrata rude e patético. Por quê? — perguntou Snoc.
— Estou perguntando porque acho estranho o interesse do Senhor Zich. Como você sabe, o sexto sentido do Zich é bastante apurado para detectar essas coisas, certo? — questionou Snoc.
— Então pensa que ele pode estar planejando algo malicioso? — perguntou Lara.
— Acha que há uma grande possibilidade? — disse Snoc.
— Sim, isso é verdade, mas… — Hans olhou para Lara.
— Estou fora. Já falei que cortei todos os laços com a família Browning depois de passar adiante a pele do dragão. Melhor assim, pois terminei tudo logo no começo. Se os Browning realmente estiverem envolvidos em algo conspiratório, Lara parece determinada a punir as suas ações Erradas.
Era absurdo Hans ficar sempre olhando para ela toda vez que falava dos Browning, enquanto Lara mesma tinha dito que cortou totalmente os vínculos com eles.
Então, Hans respondeu: — É uma possibilidade, mas não podemos afirmar que ele realmente está planejando algo. O sexto sentido do Zich nem sempre é certeiro. Se ele realmente tivesse alguma habilidade como uma profecia, ele não se esforçaria tanto para encontrar pistas sobre os inimigos que já encontraram até agora. —
— É, isso é verdade. Ele só teria que bater neles na hora. — disse Lara.
— Não, acho que ele usará esse tempo para criar um plano de tortura ainda maior. — sugeriu Hans.
— ...Faz mais sentido assim. — concordaram todos, imaginando Zich sorrindo e tramando formas de torturar as pessoas.
— Talvez ele realmente tenha agido assim porque queria o corpo do dragão. Para ser honesto, não é um item comum. — refletiu Snoc.
— Muitas pessoas me pediram que vendesse na torre mágica também. Não faltaram que quisessem até me dar todas as suas riquezas. — acrescentou Snoc. Pessoas muito ricas fizeram essas ofertas, o que fez Snoc entender completamente o valor do corpo do dragão naquele momento.
— É, deve ter sido difícil mesmo. É um ingrediente que magos enlouqueceriam pra conseguir. — comentou Lara.
— Recebi todas essas propostas mesmo estando sob a proteção da família Dwayne. Se não estivesse, provavelmente teria recebido várias dezenas de ofertas. Tenho certeza de que alguns até tentariam tomá-lo à força. — disse Snoc.
Kooo! Nowem gritou apoiando as palavras de Snoc.
— Enfim, nada é certo ainda, mas como ele despertou o interesse do Zich, se realmente tentar algo, o Zich vai notar. E aí… você sabe, né? —
Snoc e Lara ficaram com os rostos um pouco tensos por um momento. Nowem enterrou o rosto no ombro de Snoc e cobriu a cabeça com as patas dianteiras.
Hans prosseguiu: — Pela própria segurança dele, espero que esteja satisfeito em apenas pegar o corpo do dragão, afinal, ele é irmão da Lara. —
— Tomara mesmo que seja isso. — respondeu Lara.
— Sim, espero que não fique muito ganancioso. — concluiu Hans.
Os três torciam sinceramente para que não acontecesse mais uma vítima das más (?) ações de Zich.