A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 316

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Apesar de ser algo que beneficiaria a todos, foi bastante difícil convenceras pessoas a pagarem por uma academia. Não era possível para o Sábio Norwood e a guilda dos aventureiros bancarem tudo – se as pessoas não estavam interessadas em se tornarem aventureiros, Timmy não conseguia justificar a despesa.

A guilda dos aventureiros, por si só, não era monumentalmente lucrativa. Timmy tinha uma casa grande… Mas não luxuosa. Apenas uma casa adequada ao tamanho dele. Ele não era pago excessivamente, e aventureiros eram uma necessidade no mundo.

Eles precisavam arcar com constantes viagens e estadias em estalagens, que eram muito mais caras do que os gastos diários de quem vivia num único lugar. Se os aventureiros ganhavam mais do que aqueles que não arriscavam a saúde diariamente – mesmo considerando os gastos com equipamentos melhores – isso não era irracional.

Uma grande quantia de dinheiro passava pela guilda, mas muito pouco permanecia nela.

Os comerciantes não queriam lidar com impostos aumentados. Eles já pagavam por guardas competentes – por que se preocupariam em treinar outras pessoas? Com o tempo, argumentou-se que até eles poderiam se beneficiar de pessoas mais bem treinadas.

Eventualmente, decidiu-se que toda Ekralas financiaria a nova academia. Era ambicioso esperar o mesmo para todas as grandes cidades de Othya, mas Ekralas estava disposta a tentar algo. Com algumas das figuras mais proeminentes do reino apoiando o plano, as pessoas estavam dispostas a experimentar. Não era algo que daria frutos imediatamente… Mas era algo que deveria ser feito, e aquele era o momento ideal.

Minha classe Polivalente foi bastante útil na criação de uma Academia de Atributos. Minha experiência com o Sábio Norwood, treinando diferentes habilidades, também ajudou. Embora a maioria das minhas técnicas fosse voltada para aventureiros, não faria mal ensinar um pouco de magia ao público em geral.

Dito isso, havia formas mais mundanas de treinar Atributos, que poderiam ter outros efeitos práticos. Ler, por exemplo, podia treinar Atributos mentais, mas a maioria das pessoas só lia coisas simples. Treinar Atributos mentais exigia exercícios desafiadores – repetir as mesmas coisas todos os dias apenas mantinha a pessoa no mesmo lugar. Não tínhamos acesso imediato a livros profundos sobre habilidades úteis, mas podíamos tentar adquiri-los.

Algumas pessoas estavam compreensivelmente relutantes em compartilhar técnicas secretas de suas famílias. Não obrigaríamos ninguém a compartilhar nada… Mas, se conseguíssemos compensar de maneira suficiente aqueles que escrevessem o que sabiam, todos poderiam se beneficiar.

Eu adoraria dizer que criamos um comércio de livros próspero em poucos anos. A verdade era que era muito mais fácil construir um edifício físico do que mudar hábitos e formas de produção. Portanto, tivemos que nos contentar com o que sabíamos e com os livros que conseguíamos obter.

O Sábio Norwood foi de grande ajuda, pois ele e outros sábios tinham uma vasta coleção. Eles não os deram de graça, mas copiaram os livros a um custo baixo para o projeto. Mesmo com nossa experiência da academia de aventureiros, o projeto era uma loucura. Eu nunca havia planejado ser um professor… Mas alguém precisava fazer isso. Embora, às vezes, eu fosse mais um treinador de academia.

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Logo no início da minha jornada, eu me arrependi de ter investido tudo em Força. Com mais experiência, percebi que não era uma escolha sábia, mesmo sem saber de tudo na época.

No entanto, se eu dissesse que faria algo diferente, estaria mentindo. Não acho que foi uma boa escolha ou a escolha certa, porém eu não recomendaria isso a ninguém. Mas, embora às vezes eu me arrependesse e pensasse em como as coisas poderiam ter sido diferentes… No final, isso foi o fator mais importante.

Se eu não tivesse feito aquilo, talvez tivesse morrido na floresta, atacado por coelhos com chifres. Os bandidos poderiam ter me matado. Sem a força para lidar rapidamente com os coelhos, talvez eu não tivesse tentado ser aventureiro. Talvez tivesse me tornado… Contador ou escriba, ou algo nessa linha. Nesse caso, talvez eu não tivesse feito tudo o que fiz.

Mesmo com alguns momentos difíceis, minhas aventuras com meu grupo resultaram em algo muito bom. Talvez outro grupo tivesse chegado no nosso lugar, descoberto as mesmas coisas alcançado os mesmos sucessos. Era bem possível que o plano de Lionel Tenford tivesse sido interrompido sem nós… Ou talvez sem mim.

No entanto, a minha maior perda seria nunca ter conhecido Kantrilla. Se não nos conhecêssemos, não nos apaixonaríamos… E não teríamos nossa filha. Assim, embora eu me arrependesse de algumas coisas, ao ver nossa linda menininha, qualquer outro caminho se tornava impossível.

Naquele momento, já fazia cinco anos desde que eu tinha entrado em uma masmorra pela última vez. Algumas pessoas poderiam me chamar de aposentado decadente. Essas pessoas eu teria colocado em um mata-leão usando minha Força totalmente recuperada. E, aquela altura, ela quase começou a beirar o absurdo.

E se um prédio caísse sobre minha filhinha? Eu teria que ser capaz de segurar o teto com um braço enquanto a segurava com o outro. Ou e se estivéssemos viajando e uma árvore caísse sobre nós? Não, eu não poderia me contentar com apenas mil, mil e quinhentos ou dois mil de Força.

Eu estava trabalhando como treinador tanto na academia de aventureiros quanto na Academia de Atributos, além de treinar a mim mesmo. Não apenas Força, mas claro que isso era o mais fácil. Eu meio que desejava poder alcançar a lendária terceira mudança de classe… Mas parecia improvável que eu atingisse o nível lendário em que isso poderia teoricamente acontecer.

Isso caso fosse 5 -> 25 -> 125 como eu havia teorizado, de qualquer forma.

Agora, eu era um homem velho na casa dos trinta anos. O tipo de velho que podia pegar qualquer um dos seus alunos e jogá-los a seis metros no ar. Na verdade, esquece isso. Eu era um jovem com uma esposa e uma filha. Por que eu havia pensado que alguém depois dos trinta era velho? Crianças não têm perspectiva do mundo. Velho era para pessoas como o Sábio Norwood. Ele ainda estava por aí, firme e forte. Ainda está.

Isso pode ter acontecido porque embora a história das minhas aventuras tenha chegado a um final feliz, não era como em um filme. Eu não simplesmente recebi uma tela dizendo ‘Llyr viveu feliz para sempre’. Em vez disso, eu estou vivendo isso. Com Kantrilla, nossa pequena Natalie e todos os nossos amigos.

Tenho certeza de que haverá mais problemas para lidar no futuro. No mínimo, criar uma criança é tão difícil quanto matar monstros – embora seja menos provável que isso resulte em morte.

Alhorn tem passado a maior parte do tempo trabalhando com o Sábio Norwood, desenvolvendo o novo campo da magia de laser. Isso era algo que o Sábio Norwood realmente não sabia muito… Porque ele era dos tempos antes dos lasers. Então, apesar de ser da Terra, ele não sabia da possibilidade.

Lasers mágicos eram práticos para coisas fora de combate? Ainda não. Provavelmente precisariam ser mais semelhantes às coisas usadas na Terra, em máquinas estáveis. Ou ferramentas mágicas, ou algo assim. Não acho que este mundo esteja pronto para uma revolução magi-industrial, mas não sei se isso realmente depende de mim. Se acontecer, acontece.

Halette não passa muito tempo na cidade. Ela lida bastante com monstros da natureza. Meias é excelente em rastreá-los. Quanto à própria Meias…Ela parou de crescer. Talvez tenha atingido seu tamanho máximo naturalmente ou talvez todas as coisas mágicas estranhas que experimentamos a fizeram parar… Mas ela já era grande demais de qualquer forma.

Ouvi dizer que ela é bastante famosa pelo país, no entanto. Um lobo como ela não é algo que se esquece facilmente. Claro, os guardas dos portões em Ekralas a reconheceram anos atrás, antes do incidente com os atributistas hereges. Ela não era o maior animal de estimação que qualquer domador de bestas em Othya tinha, mas certamente estava na lista… E provavelmente era a maior anomalia.

Kasner manteve seu espírito aventureiro, mas não lutava muito contra monstros sem o resto de nós. Ele passou muito do seu tempo como treinador de técnicas na academia de aventureiros, além de defender que as pessoas aprendessem mais sobre seus elementos mágicos treinando suas resistências a eles. Nem todos estavam interessados nisso… Mas a maneira como ele lidava com gelo e raios mostrava que havia algo a aprender.

Claro, mantivemos contato com a Guilda. Eles não se importavam que não fôssemos aventureiros ativos. Estávamos melhorando o mundo e nunca deixamos de ficar atentos às ameaças. O que nós íamos fazer, ignorar uma ameaça ao nosso país ou ao mundo só porque Kantrilla e eu tínhamos uma filha? Claro que não! Natalie vivia no mundo. Não permitiríamos que nenhum mal chegasse até ela.

… Eu juro que não vou me tornar um pai superprotetor. Embora isso possa ser a coisa mais difícil de fazer.

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