A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 310

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Eu descobri que os limos pegajosos eram tão bons quanto todos os outros limos para serem jogados uns contra os outros. Era a maneira mais rápida de removê-los do campo de batalha… Se não a mais segura.

Diferentes tipos de limos reagiam violentamente quando colidiam entre si, espalhando gosma ácida, fogo, relâmpagos ou outras substâncias perigosas por toda parte. Mas geralmente isso resultava na destruição de ambos os limos de tipos diferentes.

Consegui lançar um limo flamejante na direção da massa gigante que nos seguia, mas, após a explosão, não havia nenhum dano visível à criatura maior. Por outro lado, como eu poderia saber se algo estava faltando ou se aquelas manchas na parede faziam diferença em sua interminável extensão?

“De que lado viemos?” Kasner olhou para trás em uma encruzilhada.

“Não tenho certeza…” Alhorn disse. “Isso significa que podem haver mais monstros… E armadilhas desconhecidas.”

“Não podemos simplesmente ficar aqui…” Kantrilla disse enquanto o grande limo continuava a avançar, apesar de tudo o que jogávamos nele. “Por aqui!” ela começou a seguir por um corredor.

Não havia garantia de que aquele fosse o caminho certo, mas, se fossemos escolher aleatoriamente, era muito mais provável que ela fosse capaz escolher um caminho bom. 

Nossa visão era limitada – Alhorn podia iluminar o corredor inteiro, mas manter mais de seis ou nove metros bem iluminados exigiria muito de sua energia. Havíamos avançado cerca de quinze metros pelo corredor escolhido quando mal conseguimos avistar um limo transparente que ocupava quase todo o espaço do corredor. Era ligeiramente menor do que o primeiro que tínhamos visto desse tipo, mas não muito.

Kantrilla suspirou.

“Desculpem, pessoal. Acho que escolhi o caminho errado.”

Alhorn riu.

“Ou poderiam haver dois deles em outro corredor.”

Ainda conseguíamos ver a criatura atrás de nós. Não estava claro se deveria ser chamada de chefe. Não era algo natural da masmorra e, pelo que sabíamos, não convocava mais limos para si… Mas também parecia ser composta por um conglomerado. O nome não importava enquanto a enfrentávamos de qualquer maneira. Chamá-la de chefe já era suficiente.

“O chefe está depois da esquina…” Kasner disse. “Vamos ter que passar por esse!”

“Ou contorná-lo…”

A criatura continuava se aproximando, e balancei a cabeça. Coloquei a mão contra a parede para procurar armadilhas. Senti tijolos da masmorra e terra… E então um pequeno vazio. Exceto por uma sensação de magia.

“Uma das formações ocultas!” eu falei “Podemos tentar nos esconder lá… Mas as chances de ficarmos presos são altas.”

Kasner estava lançando eletricidade contra a criatura ‘menor’ que ocupava quase todo o corredor.

“Não podemos derrubar isso antes de sermos esmagados no meio… E eu não gostaria de tentar me espremer para passar por ele. Teremos que tentar algo!”

Olhei para os dois lados do corredor. Ativar o Transe Marcial me deu algum tempo para pensar. Estava consumindo minhas já escassas reservas de mana, mas eu não teria mais nada se fosse devorado. Não consegui pensar em outra maneira de sair… Então martelo era a escolha.

Os tijolos da masmorra não pareciam muito mais fortes do que os das masmorras de níveis mais baixos quando as coisas não eram feitas às pressas… Mas, quando eu tinha que me apressar, parecia que a parede era feita de aço. Quase impossível de quebrar… Embora eu não tivesse quebrado uma parede de aço antes, não deixaria isso me impedir de tentar.

Fúria não necessariamente era eu estando com raiva. Às vezes vinha como uma forma de foco… Embora eu devesse admitir que limitava minha percepção de outros alvos. Tudo o que eu podia sentir e ver era meu martelo quebrando a parede.

Golpe, golpe, golpe.

Então, havia uma área aberta. Não era enorme, mas grande o suficiente para enfiar quatro pessoas.

“Entrem!” gesticulei para todos.

Os dois limos gigantes não eram rápidos… Mas só precisavam cobrir seis ou nove metros em qualquer direção. Eu quase podia alcançá-los com os braços esticados. Kasner correu para o buraco, seguido por Alhorn. Virei a cabeça para os lados. O cubo estava mais próximo de nós do que o chefe. Quando Kantrilla entrou no túnel lateral, segurei seu ombro e a virei.

“Me dá um beijo para dar Boa Sorte.”

Kantrilla sorriu e se abaixou, me dando um beijo na testa.

“Boa sorte.”

Ela puxou meu braço para me levar com ela, mas sorri e a empurrei para longe. Não com força… Mas também não muito suavemente.

Então, eu me virei e corri em direção à parede oposta. Não havia como essas coisas ignorarem as pessoas só porque estavam em um pequeno túnel lateral. Elas estavam atrás de pessoas e, embora não fossem inteligentes, também não eram incapazes de manter o rastreamento. Se eu saísse de sua visão, elas apenas nos seguiriam pela esquina.

Os limos estavam se aproximando, e estendi as mãos até a parede. Nunca fiquei tão feliz que as paredes fossem de tijolos escuros e estranhos. Consegui encaixar meus dedos e me puxar para cima, e então minha outra mão. Ativei repetidamente o Transe Marcial, não para ver de um lado ou de outro, mas para buscar por aberturas.

Então, minha mão tocou o teto.

O chefe ocupava todo o corredor, mas o outro limo tinha cerca de dois metros e meio de altura e largura em vez dos três metros do corredor inteiro. Eu me puxei para cima, segurando-me apenas com os dedos, e virei meu corpo para o lado. De repente, fiquei feliz que o tijolo da masmorra aqui fosse mais resistente do que o normal. Assim, ele podia sustentar meu peso mesmo em… Posições abaixo do ideal.

Eu me lembrei de alpinistas que faziam coisas estúpidas como se projetar horizontalmente de um penhasco. No entanto, eu não estava em um penhasco… E também não tinha escolha. Também estava usando armadura… Mas o que compensava isso era ter uma quantidade de Força excessiva. Isso incluía meus dedos, e me concentrei neles, no meu braço e no meu tronco, mantendo tudo o mais firme possível. Os tendões também se tensionaram.

Logo abaixo de mim, vi o cubo deslizar, pressionando-se contra a parede. Este era o ponto em que eu morreria se ele pudesse se estender, mas consegui me mover pela parede. Mal conseguia manter meu equilíbrio. Fechei os olhos para manter a concentração, ouvindo os sons viscosos do limo se movendo… E isso continuou por vários segundos.

Quando abri os olhos novamente, ele estava claramente visível abaixo de mim. Bem, vi a distorção da luz que ele causava, de qualquer forma. Eu podia até ver Kasner, Alhorn e Kantrilla em seu pequeno refúgio. Alhorn obviamente estava segurando Kantrilla… Mas então ele os empurrou para o corredor.

Claro, Alhorn não havia se tornado de repente um psicopata assassino de companheiros. O canto mais distante do cubo acabara de passar por eles, deixando espaço suficiente para passar apertado por ele. Alhorn os conduziu mais alguns passos para longe… E o limo abaixo de mim parou.

Meus braços tremiam, assim como o resto do meu corpo. Provavelmente tinham se passado apenas dez ou quinze segundos, mas parecia uma eternidade. Eu havia trabalhado minha Resistência, mas quatrocentos dela não me salvariam de cair de cara em um monstro corrosivo.

Então, o cubo encolheu. Vi uma poça se formar no chão… E vi o motivo de ele ter parado. Estava preocupado que fosse virar e perseguir Kantrilla e os outros… Mas, em vez disso, havia atingido uma barreira. O chefe. Eles não interagiam bem entre si, mas o cubo claramente era o perdedor na situação. Era uma pena que isso não estivesse acontecendo rápido o suficiente.

O sangue pulsava em meus ouvidos. Eu podia ouvir vozes, mas não as entender. Meu suor era como rocha derretida pingando por todo o corpo. Então meus músculos cederam.

Eu bati em algo duro e rolei… Rolei… E então parei. Virei a cabeça para ver uma rampa feita de gelo… E do outro lado estavam meus companheiros. Alhorn me puxou e me deixo de pé imediatamente, e então começamos a correr. Pelo menos minhas pernas ainda tinham alguma Força nelas.

Fui o segundo a chegar à esquina, um momento tarde demais para impedir Kasner de ser atropelado por uma figura enorme que saltou. Tentei alcançar uma arma, mas meus braços não queriam se mover.

Então, eu ouvi Kasner rindo. Não conseguia entender suas palavras, mas voltei a mim quando Meias lambeu meu rosto. Tudo o que consegui com isso foi um forte cheiro de hálito de cachorro e um pouco de baba através dos buracos no meu capacete.

Vi Halette atrás de Meias, e então um homem gigante. Timmy estava lá, assim como o Sábio Norwood e alguns outros. Sorri e desabei contra a parede. Eu não conseguia lutar naquele momento… Mas meus músculos se recuperavam extremamente rápido. Eu tinha algumas poções para ajudar com isso, e não era hora de pensar no custo ou nos pequenos efeitos colaterais. Pelo menos, eu queria não ser um fardo para os outros.

Era difícil beber as poções com Kantrilla cobrindo o meu corpo, mas eu não ia reclamar de estar sendo abraçado por minha esposa. Dava para entender por que ela não queria me soltar naquele momento. Se eu pudesse levantar os braços, eu a abraçaria de volta. Na verdade, encontrei força suficiente para fazer isso, embora o abraço não fosse exatamente apertado. Era mais como meus braços caindo frouxos nas costas dela.

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