A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 284

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Ver as mudanças que ocorreram em nossos alunos era encorajador.

Claro, agora eles podiam matar monstros e coisas assim, mas essa não era a mudança mais importante. Não importava que Yuri tivesse dois braços e pernas agora – a mudança importante nele aconteceu antes disso, quando lhe demos uma oportunidade. Seria fácil para ele cair em desespero, considerando como tudo era difícil, mas em vez disso, ele trabalhou duro para aproveitar a chance que recebeu. Provavelmente, sua última chance.

Luth… Já era competente quando entrou na academia. Ele já sabia lutar, mas não era realmente entusiasmado com isso, nem tinha o conhecimento necessário para caçar monstros. Agora, ele claramente desenvolveu um estilo único, e embora pessoalmente eu não gostasse do cajado, ele o usava muito bem, criando espaço para si mesmo e para os outros.

O halfling, Larr, não parecia capaz de muitos feitos físicos quando se juntou ao grupo… Mas também carregava consigo a mesma determinação dos outros. Não sabia como tinha sido sua vida, mas, embora estivesse com a saúde em bom estado, parecia que suas perspectivas de vida não eram o que ele desejava. O suficiente para que escolher lutar contra monstros como profissão fizesse sentido.

Embora tenha sido recomendado que ele se tornasse um usuário de magia, ele optou pelo paladino, mais focado no quesito físico. Embora usassem magia, o que ele queria mesmo era correr por aí em armaduras pesadas balançando armas – algo que tentamos desencorajá-lo a fazer. Ainda assim, ele fez funcionar, então não tínhamos do que reclamar quanto aos resultados.

Arara era a exceção do grupo, no sentido de que parecia perfeitamente bem como era. Já era um mago treinado, um aventureiro errante… Mas aproveitou a oportunidade que a academia oferecia para continuar seu treinamento e se conectar a um grupo. O fato de ter escolhido permanecer com o grupo específico com que acabou diz algo.

Outros poderiam preferir uma formação mais tradicional… Com grandes guerreiros liderando a linha de frente em vez de um halfling. Ter um mago ocupando o lugar de batedor também era estranho, especialmente pela forma como ele fazia isso… Mas funcionava.

“Os inimigos estão agrupados ao sul,” Arara apontou para o corredor à esquerda. “Nenhum chefe avistado ainda. Posso estimar a localização do núcleo perto do centro do grupo.”

“Como esperávamos,” Halette balançou a cabeça. “A menos que a masmorra possa mover seu núcleo rapidamente, devemos ter reduzido as possíveis localizações.”

Assenti. Na verdade, minhas habilidades tinham sido usadas extensivamente. Destruir coisas, claro, mas mais relevante… Procurar o núcleo. Como eles geralmente estavam escondidos atrás de paredes secretas, sentir através das paredes com magia de terra era útil. Não sabia exatamente como era a sensação de um núcleo de masmorra, mas conseguia dizer se havia mais tijolos de masmorra, terra ou espaço vazio além.

Se houvesse algum indício visual, imaginava que Halette seria capaz de percebê-lo… Mas se estivesse atrás de uma parede real e não algo que pudesse abrir, não haveria uma junção visível. Bater em todas as paredes daria muito trabalho e não seria necessariamente suficiente para encontrar espaços abertos. A magia tornava as coisas um pouco mais fáceis.

Embora Halette tivesse boa intuição sobre onde um núcleo poderia estar, confirmar se havíamos deixado algo para trás poderia facilmente nos poupar dias – e muitas batalhas. As batalhas proporcionavam experiência, mas lutar em uma masmorra sempre carregava perigos, ainda mais quando ela estava em um estado de mudança.

Os dois batedores planejaram uma rota que nos levaria perto do núcleo, onde teoricamente poderíamos avistá-lo, torcendo para não alertar a masmorra sobre nossa descoberta.

Lutamos contra vários monstros de pedra. Nenhuma das batalhas foi sequer uma surpresa com dois batedores, e avançamos pelos corredores, parando ocasionalmente para os batedores explorarem e para eu sentir passagens secretas e similares.

A única porta secreta que realmente acabamos atravessando foi encontrada por Arara, mas havia algumas que poderiam conter monstros de pedra e simplesmente estavam vazias no momento.

“Armadilhas de esmagamento,” Arara notou enquanto circulávamos pela área, sem nos aproximarmos do quarto que acreditávamos estar ao lado do núcleo. “E numerosos seres de pedra. Sem equipamentos, no entanto, e nenhum daqueles em forma de estátua.”

Meias choramingou, e Halette interpretou:

“Meias sente alguns venenos. Talvez gás ou algo assim? Teremos que estar prontos para limpar o ar.”

Chegamos mais perto, do outro lado de uma parede do quarto. Com alguma dificuldade e um impulso da magia de Kasner, consegui sentir um espaço aberto sob um canto do quarto. O núcleo da masmorra estava lá, eu podia garantir.

Fiz um sinal de que o tinha encontrado, já que falar demais sobre nossos planos dentro da masmorra parecia errado. A menos que houvesse algo que sentisse exatamente como eu esperava que o núcleo fosse, de qualquer forma.

Tentei esconder a magia o máximo possível, mas não dava para dizer se o núcleo podia perceber essas coisas ou não. Não havia movimento… Mas por que haveria? Guardei alguns pensamentos adicionais para mim até retornarmos à superfície.

“As armadilhas de esmagamento parecem ter muitos tijolos soltos por perto, talvez eles se movam ou algo assim. Precisamos ter cuidado.”

“Se encontramos o núcleo, então… Precisamos coordenar com todos os outros,” Alhorn notou. “Nas vezes anteriores, acabamos tropeçando no núcleo e precisávamos destruí-lo com medo do que poderia acontecer se adiássemos e voltássemos mais tarde. Tomara que dessa vez possamos nos dar um pouco mais de segurança.”

O plano era simples: ter os outros grupos explorando a masmorra e matando monstros também. A diferença seria que os grupos alternadamente passariam pelas escadas, mantendo o caminho de retirada livre. Isso incluía outro grupo no andar mais baixo conosco, não indo em direção ao núcleo, mas agindo como distração e procurando mudanças estranhas.

Todos fizeram os preparativos necessários. Para o meu equipamento pessoal, trouxe um martelo bom para quebrar paredes, uma lança de arremesso, minha maça especial, a adaga de adamantina, além de meu escudo e armadura. Isso já era mais do que a maioria das pessoas levava. Eu podia quebrar paredes com a maça, mas não era tão boa quanto algo realmente projetado para atravessar objetos inanimados grossos.

Larr conseguiu convencer o Sábio Norwood a permitir que ele usasse a espada do rei nas batalhas seguintes. Cortar diretamente os inimigos seria certamente útil… E ela era praticamente o artefato mais útil recuperado. Seu outro equipamento já tinha sido reparado há tempos, mas ele me demonstrou cortando um entalhe em sua espada comum. Esperava que não encontrássemos nada assim dessa vez.

Então entramos novamente na masmorra, preparados para só sair quando ela estivesse destruída.

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O caminho até o andar mais baixo mudou levemente durante a noite, com alguns corredores que tivemos que contornar em vez de passar diretamente… E um que ficou mais direto. Houveram algumas armadilhas que precisávamos evitar, e Halette deixou uma marca em uma armadilha de queda particularmente desagradável.

Era melhor que as pessoas não descessem aos andares inferiores sem querer, especialmente não de repente. O giz provavelmente duraria apenas algumas horas, mas isso deveria ser suficiente. Mesmo uma pequena quantidade era uma distinção visual da absorção de luz da masmorra.

Não vimos nenhum dos outros grupos – entrar junto com eles provavelmente levantaria suspeitas na masmorra, qualquer que fosse o tipo de inteligência que tivesse. Nosso grupo ligeiramente maior continuou alternando táticas até chegar à área final, onde o núcleo devia estar.

Não tínhamos certeza se núcleos podiam se mover, mas se pudessem, não seria muito… E Arara confirmou quantos inimigos ainda havia na área. Seria extremamente perigoso enfrentar todos eles com apenas um grupo, pois estaríamos em grande desvantagem numérica e não conseguiríamos lidar com ataques de todas as direções… Mas com nove ou dez pessoas, poderíamos enfrentar mais.

“Só há uma coisa estranha,” Halette disse antes de entrarmos na área. “Não há chefe. Talvez o fato de haver um chefe na superfície por tanto tempo tenha bagunçado a masmorra, mas com a velocidade com que está criando inimigos normais, ao menos esperávamos um chefe neste andar.”

“Certo, e aquele chefe… Ou par de chefes?” Arara inclinou a cabeça. “Enfim, eles não eram o que esperávamos. Todos prestem muita atenção aos locais onde podem se mover com segurança.”

Não podíamos hesitar por muito mais tempo – se o fizéssemos, a masmorra poderia simplesmente enviar monstros para nos cercar, independentemente de perceber ou não a ameaça direta ao núcleo. Eu torcia para que todos os outros conseguissem limpar monstros o suficiente no caminho de volta e que aqueles na superfície pudessem manter as coisas sob algum controle.

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