
Capítulo 270
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Havia apenas uma coisa boa em entrar em uma batalha surpresa contra um chefe: pelo menos você não precisava passar o tempo anterior à luta se estressando. Normalmente, isso não era tão ruim, mas também normalmente nós não tínhamos acabado de fugir de uma luta quase morrendo – pensando que um de nós realmente tinha morrido.
Você poderia pensar que voltar com um número muito maior de pessoas fosse fazer com que o nervosismo desaparecesse, mas os cérebros nem sempre funcionam de maneira conveniente ou lógica. Em vez disso, eu estava indo para uma luta com minha mente dizendo “você vai morrer”… O que, por sua vez, aumentava as chances de isso realmente acontecer, em vez de diminuí-las.
Soltei um suspiro longo. Não era fácil distinguir o chefe ou qualquer um dos pequenos monstros de pedra da elevação próxima, mas os campos queimados indicavam que estávamos no lugar certo. Consegui identificar algumas pilhas de pedras… Que quase certamente tentariam nos matar quando chegássemos perto ou talvez depois de passarmos por elas.
Tudo bem. Os pequenos não eram tão difíceis. Nós podíamos derrotá-los. Relembrar-me dessas verdades ajudava pouco, mas ver outras pessoas ao redor ajudava mais.
Descemos a colina montados nos cavalos. Embora eu não fosse lutar montado, trazê-los conosco nos permitia economizar energia e, se necessário, dava-nos uma opção de retirada. Algo que eu realmente esperava não precisarmos.
Um grupo tão grande quanto o nosso não passaria despercebido ou sem desafios enquanto nos aproximávamos. De qualquer forma, estávamos planejando destruir todas as pilhas de pedras pelo caminho, e quando algumas delas se levantaram, ficou ainda mais fácil alcançá-las.
Embora eu não tivesse o mesmo equilíbrio montado a cavalo, as propriedades estranhas da minha maça ajudavam a compensar isso. Tudo o que eu precisava fazer era desferir um golpe ascendente, e eu conseguia esmagar o “tronco” e a “cabeça” dessas criaturas. Isso era suficiente para detê-las, pelo menos as pequenas.
Quanto ao chefe… Ainda não conseguíamos vê-lo. Por outro lado, da última vez, quase o encontramos sem perceber. Deixei Margarida no pé da colina onde esperávamos encontrar o chefe, com outros membros da expedição. Eles cuidariam dela e dos outros cavalos durante a batalha, permanecendo perto o suficiente para ajudar, se necessário.
Com a maior parte da grama queimada, era mais fácil ver como o terreno era irregular… e mais difícil para as pedras se esconderem. Ao chegar ao topo da colina, não avistei imediatamente o chefe, mas–
“Ali.” Halette apontou. “Está meio enterrado, mas há pedras demais em um único lugar para ser qualquer coisa além do chefe.”
Acompanhei o ritmo dos outros guerreiros enquanto nos aproximávamos. Havia cinco de nós designados para atacar o chefe diretamente. Meias talvez contasse como uma sexta, mas os outros eram: um homem grande com um martelo de duas mãos, uma mulher com um grande machado, uma mulher moderadamente alta com escudo e martelo de guerra, e um anão surpreendentemente esguio empunhando um bastão de metal. Em teoria, todos nós tínhamos armas duráveis e força suficiente para quebrar pedras consistentemente, desmontando o chefe aos poucos.
Enquanto dávamos alguns passos pelo topo da colina, avistei o que Halette apontava – não que eu duvidasse dela, mas as pedras se misturavam bem ao terreno… Cobertas por cinzas, como tudo mais. O chefe estava realmente meio enterrado… Ou melhor, não completamente na superfície. De um ângulo mais próximo, pude ver que ele estava sobre uma camada de cinzas e… Nada. Escuridão. Ou, mais precisamente, o topo de uma masmorra. Parecia haver escadas descendo ali, e o chefe estava no meio disso.
Quando chegamos a cerca de quinze metros de distância, o chefe começou a se mover e a fazer ruídos, erguendo-se de uma formação de rochas espalhadas para uma posição vertical. Mais uma vez, tinha uma forma vagamente humana, com braços, pernas, cabeça e tronco, embora sem traços distintivos – apenas um amontoado de pedras do tamanho de cabeças.
Os sons de batalha começaram ao nosso redor, enquanto os outros grupos designados para lidar com os lacaios iniciavam seu trabalho. Se isso fosse como a última luta, não haveria muitos lacaios no início, mas mais viriam conforme a batalha prosseguisse… E o estranho rugido que emanava do chefe indicava o mesmo. Lacaios estavam sendo convocados para a batalha.
O chefe avançou na nossa direção, o grupo de guerreiros. Talvez reconhecesse o perigo que representávamos ou simplesmente atacasse o grupo mais próximo… De qualquer forma, precisávamos evitá-lo. Como planejado, nos espalhamos ao redor do chefe – não fazia sentido agrupar-nos e atrapalhar uns aos outros. Precisávamos de espaço para desviar de seus ataques… Pois ninguém podia se dar ao luxo de ser atingido por esse enorme amontoado de pedras.
Enquanto o chefe marchava em nossa direção, ele tropeçou… Mas não caiu para frente, afundando no solo em vez disso. Isso durou apenas um momento antes que ele parasse com uma perna completamente enterrada no chão e outra pela metade. A liquefação momentânea e a posterior solidificação do chão deviam ser obra de Kasner e Sábio Norwood juntos… Ou talvez o Sábio Norwood fosse tão habilidoso a ponto de fazê-lo sozinho. Eu não tinha tempo para virar e perguntar.
Tentei avançar primeiro, mas o chefe girou a parte superior de seu corpo para me enfrentar, balançando um de seus braços grossos logo acima do chão. Fui forçado a recuar rapidamente. Mesmo depois de achar que estava fora de alcance, o braço se estendeu – afinando e empurrando pedras na minha direção. Consegui bloquear com meu escudo e apenas fui empurrado alguns passos para trás. Que incômodo esse chefe era… Mas pelo menos sua posição desajeitada havia reduzido seu poder.
O homem com o martelo conseguiu contornar o chefe, atingindo-o por ‘trás’ e arrancando um pedaço do ombro. De outro ângulo, o anão com o bastão de metal quebrou algumas pedras ao redor do torso e da perna com uma série de golpes rápidos.
Os outros dois foram mantidos à distância, como eu. Meias saltou sobre a cabeça do chefe, arrancando um pedaço de rocha com os dentes e esmagando-o em pedrinhas. Ainda sentia dor nos meus próprios dentes sempre que ela fazia isso. Feitiços e ataques à distância atingiam o chefe de longe, mas a maioria fazia muito pouco efeito.
O chefe logo se libertou de sua posição presa. Em vez de se soltar, a metade superior simplesmente se enrolou em uma bola. As partes das pernas que estavam presas no chão ficaram para trás, mas vi as pedras se mexendo, tentando se libertar do solo. A parte principal do chefe estava ligeiramente menor, mas reformou-se no mesmo formato anterior. Com o usuário do martelo e o anão cuidando das partes menores, o resto de nós concentrou-se na porção ainda grande do chefe.
Com menos material, o alcance do chefe estava mais limitado – já que ele teve de usar algumas das pedras para formar novas pernas e recuperar alguma mobilidade. Como os braços não estavam próximos ao nível do chão, era mais fácil evitá-los… Mas ainda era extremamente tenso passar por debaixo de sua axila e golpear sua lateral com minha maça.
Pelo menos, consegui arrancar algumas pedras e ouvir o som de mais sendo quebradas. Ter muito mais pessoas ajudava muito em uma luta contra um monstro gigante – quem diria?
As pernas conseguiram se libertar, mas talvez metade delas tenha sido destruída pelos dois que trabalhavam nelas antes que se juntassem novamente ao restante do corpo. O chefe estava visivelmente menor – ainda enorme, mas um pouco mais baixo e “magro”. Estávamos progredindo.
O chefe roncou e rugiu, como se chamasse seus lacaios novamente. Não pude olhar ao redor, mas, ao girar, vi parte do restante da batalha e sabia que estava sob controle. Nossa estratégia estava funcionando.
Consegui quebrar mais algumas pedras enquanto o chefe desferia um soco em minha direção, desviando e bloqueando enquanto balançava minha maça. Eu ainda precisava fortificar minha arma. Sentia cada impacto, mas, com a Força que possuía, não podia dizer que estava entre os que tinham o trabalho mais difícil na linha de frente.
Enquanto os outros, às vezes, apenas derrubavam algumas pedras ou as partiam ao meio, eu conseguia esmagar a maioria das que acertava em pedaços. Fiz isso repetidamente… Até eu ser atingido nas costelas e ser lançado longe.
O feitiço de barreira de Kantrilla impediu que eu sofresse muitos danos, mas senti a dor de pelo menos algumas costelas rachadas. De onde veio aquele ataque? Eu estava observando o chefe, e o perímetro externo estava seguro. Quando me levantei, vi que era, de fato, um dos pequenos monstros de pedra… E pelo menos uma dúzia deles estava perto do chefe. Então, outro surgiu.
Ah. Certo. A masmorra. Esfreguei as costelas e fiz uma careta. Bem, isso me ensinou a não ficar complacente. Confiar nos meus aliados era uma coisa; perder a noção do que estava ao meu redor era outra.
Então, o chefe pegou um dos novos lacaios… E os temores de Sábio Norwood se confirmaram. As partes da pequena criatura se anexaram ao chefe, restaurando parte do tamanho que ele havia perdido. Isso não poderia ser uma batalha de resistência – mais lacaios viriam da masmorra e de outros lugares próximos, se a última luta fosse algo a se basear.
Precisávamos derrotar essa coisa o mais rápido possível… E lidar com alguns lacaios irritantes ao mesmo tempo. Tudo bem. Haviam muitos de nós. Podíamos fazer isso. Cerrei os dentes, obrigando meu corpo a agir como se acreditasse que isso era verdade.