A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 265

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Duas semanas podem passar num instante ou parecer uma eternidade. Nesse caso, passaram rapidamente. Não houve interrupções reais, e a única coisa na agenda era o treinamento – e dar aulas na academia quando necessário. 

A maioria das pessoas não queria aprender habilidades de resistência, mesmo com o quão úteis elas poderiam ser – e as pessoas mais inclinadas a aprendê-las geralmente tinham mais dificuldade. Aqueles com alta Resistencia, planejando suportar dano por outros, raramente também tinham um bom entendimento de magia. 

Eu nunca fui estudante de arqueologia, mas a chance de ver uma enorme cidade mágica sendo desenterrada não era algo que acontecia todo dia. Na verdade, ver uma cidade comum desenterrada já seria bem interessante, mas eu não estava em condições de sair em expedições de meses… Já que eu não tinha como fazer nada, muito menos algo útil

Todos concordaram que a expedição valia a pena. Tivemos algum tempo para nos preparar e, agora, estávamos a caminho. Embora não usássemos nossos cavalos com frequência, nós os tínhamos. Não notei nada particularmente especial na minha égua, ao contrário da resistente Carvalho de Alhorn e da estranha pônei de Kasner que comia flechas. 

Margarida tinha gostos mais normais… Como flores. Não tinha certeza se flores eram algo que cavalos realmente deveriam comer, mas Halette não parecia preocupada. Carlos também veio conosco, porque nunca podíamos ter certeza se precisaríamos carregar mais – e não fazia sentido deixá-lo na cidade. 

Em algum momento, Meias havia sido pequena demais para Halette montar. Agora ela era grande demais, a menos que construíssemos toda uma estrutura para colocá-la nas costas, como um elefante… Mas ela ainda não seria boa para montar por causa da forma como se movia. 

No momento, Meias estava… Em algum lugar. Embora todas as nossas montarias estivessem acostumadas com ela, descobrimos que a maioria dos cavalos ficava nervosa perto de lobos gigantes. Se eu não tivesse conhecido Meias desde que ela era uma lobinha, não chegando nem à minha altura, provavelmente me sentiria do mesmo jeito. 

Não havia muito perigo na jornada, já que viajávamos com um grande grupo de pessoas capazes. O Sábio Norwood estava conosco… E, embora eu não o tivesse visto lutar, ele com certeza era capaz de usar magias devastadoras. E isso não era apenas uma suposição, porque ele mesmo admitira sua habilidade. 

Era difícil para a maioria das pessoas evitar algum nível de experiência em combate nesse mundo, especialmente para aqueles que queriam se aprimorar além dos limites “normais”. Mesmo experiências residuais eram suficientes para muitas pessoas se tornarem mais fortes que meu entendimento básico sobre os limites humanos, dado tempo suficiente. 

“Você sabe,” comentou Halette “Não estaremos tão longe de onde Khyrmin vive. Pelo menos, não na escala de um país inteiro. Acho que vejo o começo das grandes sequóias ali.” 

Foquei meus olhos, mas não conseguia ver nada com certeza. Árvores, certamente, mas apenas no sentido vago de que massas de verde indicavam árvores. Mas se Halette dizia que era o lugar certo, então devia ser. 

Elas não pareciam tão grandes, mas isso também acontecera na outra borda da floresta. Nem mesmo vi algumas das árvores que diziam estar em Fepresil, cujos troncos gigantescos eram tão grandes faziam as outras que vimos que davam para passar um carro por dentro parecerem pequenas. Não que as pessoas soubessem o que era um carro, mas a ideia estava lá. Troncos grandes o suficiente para caber uma casa de bom tamanho, pelo que ouvi. 

A única razão para não conseguirmos vê-las daqui provavelmente era a curvatura do planeta, já que algumas delas diziam ter mais de trezentos metros de altura. Havia mágica envolvida nisso, com certeza, mas se eu não tivesse visto as sequóias gigantes da Terra, presumiria o mesmo delas. 

“Khyrmin?” um dos outros aventureiros contratados para a expedição perguntou de perto “A lendária duelista elfa?” 

Eu não estava surpreso que ele soubesse sobre ela, considerando o estilo de suas vestes. Era um halfling, com cerca de um metro de altura, como a maioria deles. Armadura leve, mas funcional, e uma rapieira – mais ou menos do mesmo tamanho que uma projetada para um humano. 

“Ouvi dizer que ela vivia perto da fronteira… Mas que não gostava de visitantes.” Ele suspirou. “Adoraria vê-la em algum momento, mas já que ela quer ficar sozinha…” Ele deu de ombros. “Algum de vocês já viu ela lutar? Meu professor viu uma vez. Disse que isso o inspirou a mudar seu estilo de luta, embora sua classe na época não fosse adequada para isso.” 

“Eu já vi, na verdade.” respondeu Alhorn “Foi… Inspirador.” 

Os dois conversaram por um tempo. Concordei com a maior parte do que diziam, então não tinha muito a acrescentar. Ela não me inspirou a mudar meu estilo, mas isso porque ela não necessariamente achava que uma arma específica era melhor. Acontece que ela se sentia mais confortável com uma rapieira. Pensei no treinamento dela… E me perguntei quantas vezes teria morrido sem ele. 

“Sou Elyver, a propósito,” o halfling se apresentou, e nós nos apresentamos em troca. “Foi bom conversar com vocês, mas como já está quase na hora do almoço, devo voltar ao meu grupo. Sem mim, provavelmente só vão comer rações de viagem quando pararmos, em vez de procurar comida de verdade.” 

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Embora houvesse avistamentos regulares de monstros pelo caminho, poucos se aproximavam de um grupo grande. Quando o faziam, não duravam muito. No entanto, à medida que nos aproximávamos do suposto local perdido de Namoth, o número de monstros aumentava. De todos os tipos, mas com destaque para monstros do tipo rocha. 

Eles não tinham uma forma consistente. Alguns eram como eu esperava, vagamente com braços, pernas e uma cabeça, num formato humanoide. Porém, também havia pedras que rolavam sozinhas e pilhas de pedras que mudavam de forma. 

Fiquei muito feliz por conhecer magia de reforço, porque isso me permitia usar qualquer uma das minhas armas para atacar pedras. Como muitos desses monstros, não havia necessariamente pontos críticos… Mas, uma vez que dano suficiente fosse causado, as criaturas morriam. 

Quando os encontramos pela primeira vez, arremessei minha adaga de adamantina de cima da minha montaria. Não houve problema com a arma em si, que perfurou os inimigos facilmente… Mas minha técnica de arremesso a cavalo deixava a desejar. Margarida não era necessariamente feita para combate, mas saber lutar enquanto a montava podia ser útil. Porém, se mais de um pequeno monstro de pedra estivesse se aproximando, era melhor eu lutar no chão. 

Ao usar uma arma corpo a corpo, tinha um bom motivo para usar minha Força ao máximo. Pedra era resistente, afinal, e mesmo que Alhorn conseguisse cortar um inimigo com sua espada ou Kasner quebrasse pedaços com relâmpagos, minha Força extra era útil. Eu podia fazer corte profundo em um deles, derrotando-o com um ou dois golpes, em vez de lutar por mais tempo. 

Meias também era bastante eficaz contra eles, mas ocasionalmente lascava um dente ao tentar esmagá-los com sua mordida. Afinal, eles eram feitos de diferentes tipos de pedra, e Meias não conseguia reconhecer instantaneamente a dureza de cada uma. 

Curiosamente, às vezes eles eram feitos de giz… O que os tornava mais fáceis de derrotar. Esses eram ligeiramente irritantes por causa da poeira que levantavam quando os quebrávamos em pedaços, mas não era nada perigoso. 

Surpreendentemente, a pessoa mais eficaz no grupo era Kantrilla. Ela vinha trabalhando suas habilidades com a maça e atributos físicos, com certeza, mas mesmo assim… Quando ela acertava – mais frequentemente que não – uma rachadura aparecia e boa parte do monstro se soltava. Era a Sorte dela agindo… Mas, se não tivesse Força suficiente, ainda assim não faria nada. Além disso, nem sempre acontecia, e ela ainda conseguia derrotá-los sozinha. Às vezes, apenas muito mais rápido. 

Halette teve sorte de aprender a fazer flechas mágicas, porque flechas normais simplesmente não tinham massa suficiente para romper muita rocha – mesmo com muito poder. Fogo não era necessariamente melhor, mas, ao condensar sua magia, ela conseguia quebrar pedaços significativos de pedra. 

Suas flechas sempre acertavam pontos críticos, como ombros ou pescoços, se existissem. Quando não existiam, ela ainda conseguia mirar algo ao menos vagamente importante para o funcionamento das criaturas. Se elas tivessem olhos, e mais de dois, eu apostaria em tiros ainda mais impressionantes e precisos. 

Eu esperava que Elyver tivesse mais problemas do que teve. Afinal, uma arma como uma rapieira não era feita para atacar pedras… E ele era um halfling. Embora eles pudessem ser fortes como qualquer outra pessoa, sua Força natural era menor. No entanto, ele aproveitava seu baixo centro de gravidade para empurrar sua rapieira contra os inimigos. 

Ele não tinha muito mais que trezentos de Força, mas usava bem o que tinha. Quanto ao resto do grupo dele… Não havia nada decepcionante em suas performances. Eles tinham que ser classes avançadas também, mas não havia muito o que dizer sobre um usuário de relâmpago lançando raios. Notei que os raios dele pareciam menos naturais, não vagando como a eletricidade costuma fazer, mas sim condensados em uma linha reta.  

Não sabia se isso era melhor que o que Kasner fazia, mas certamente era diferente. Teria mais chances de ver como o elfo se saía à medida que avançássemos para mais perto do nosso destino. 

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