A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 236

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Nosso grupo havia sido chamado para falar com Timmy. Era menos estranho nos reunirmos com o mestre da guilda no nosso nível atual; antes, isso tinha sido mais uma exceção devido às circunstâncias. Timmy fez o possível para falar baixo, o que, é claro, significava que ele ainda estava um pouco alto demais. 

“Apreciamos o que sua academia está fazendo. A forma como vocês a organizaram fornece um serviço inestimável… Mas, por enquanto, precisamos do seu grupo em outro lugar. Vocês já sabem que algumas masmorras têm se comportado de forma estranha ultimamente. O que talvez não saibam é a extensão do problema.” 

“A maioria dos aventureiros de rank F ou superior já foi designada para lidar com diversos problemas em Ostana. Há uma masmorra com um tipo peculiar e desagradável de morto-vivo… Como zumbis infestados de vermes. Seu grupo deve estar bem-preparado para lidar com eles… Especialmente com a ajuda de uma clériga focada em cura.” 

Kantrilla franziu a testa. 

“Na verdade, não sou muito focada em magia ofensiva para lidar com monstros mortos-vivos, então…” 

“Talvez não, mas matar as criaturas não é o maior problema. Os vermes que habitam os zumbis são perfuradores de carne e, sem um curandeiro habilidoso… Muito difíceis de remover. Os melhores métodos para combater essas criaturas são incinerá-las completamente, mas isso é extremamente exaustivo.” 

“Em vez disso, caso seus corpos sejam destruídos o suficiente é possível então lidar com os vermes… Mas, sem um bom curandeiro por perto, se eles entrarem na armadura… Os resultados não são agradáveis.” 

Timmy colocou seus cotovelos maciços na mesa igualmente maciça, que ainda assim rangeu levemente. 

“Vocês não serão obrigados a fazer isso, mas… Precisamos de vocês.” 

Halette franziu o cenho. 

“Eu consigo ver como os outros podem lidar bem com a situação, mas flechas não são particularmente boas contra mortos-vivos… E pode haver problemas para Meias com vermes que comem carne…” 

Timmy assentiu. 

“Mas você ainda será necessária como batedora do grupo. Na verdade, podemos preparar algum equipamento que ajude. Fogo é particularmente eficaz…” Timmy virou-se para Kasner. “Embora eletricidade e gelo também funcionem muito bem… Qualquer coisa que realmente os atinja é eficaz. Podemos fornecer algum equipamento para ajudar.” 

“Ah, eu ainda não disse… Mas seria melhor se essa masmorra específica fosse destruída. Seus habitantes são perigosos demais. Se conseguirem destruí-la, seja por conta própria ou com outro grupo, o equipamento que fornecermos será de vocês. Não precisam se comprometer totalmente. Se descobrirem que a masmorra é arriscada demais, certamente não os forçaremos a continuar.” 

~~~*~~~*~~~*~~~ 

Nosso grupo discutiu a situação entre nós. Eu comecei a conversa: 

“Tenho aprendido a aplicar magia às minhas armas e coisas assim…” 

“Minhas barreiras devem ajudar a proteger as pessoas também,” disse Kantrilla “Não há lacunas…” 

Kasner deu de ombros. 

“Eu serei o que menos precisará fazer algo diferente.” 

“Então,” disse Alhorn “Dependerá bastante do equipamento que puderem fornecer para Halette… E para Meias também. Não valeria a pena tentar sem nossas batedoras.” 

Halette assentiu. 

“Teremos que ver. Certamente não parece uma tarefa agradável… Mas, se só pegássemos trabalhos fáceis e agradáveis, provavelmente não teríamos chegado tão longe.” 

Kantrilla concordou com um aceno. 

“Ainda estou um pouco preocupada, mas seremos cautelosos.” 

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Ao aceitarmos a missão, Timmy reuniu algum equipamento para nos ajudar. Halette recebeu um arco flamejante – embora, na verdade, ele adicionasse magia às flechas em vez de ao próprio arco. Colocar flechas comuns em chamas era receita para desastre e, no máximo, causava queimaduras leves nos inimigos, mas concentrar magia de fogo na ponta da flecha era diferente. 

O arco tinha uma pequena reserva própria de mana, mas era alimentado principalmente pela mana do usuário… O que evitaria que Halette precisasse aprender um alto nível de magia de fogo apenas para ser eficaz. Contra zumbis, enchê-los de flechas não era muito útil. 

Para Meias… Bem, ninguém fazia equipamentos especificamente para lobos gigantes. Havia coleiras para vários tipos de animais de domadores, mas nenhuma delas era particularmente útil. No entanto, eles tinham uma capa flamejante. Fazer com que fosse utilizável levou um pouco de trabalho – capas não são projetadas para lobos –, mas eventualmente conseguimos ajustá-la para que não arrastasse no chão e a fizesse tropeçar. 

Quanto ao que a capa fazia, ela podia cobri-la com chamas. Elas não eram particularmente fortes, mas deveriam ser suficiente para evitar que os vermes se enterrassem nela. Não era uma solução perfeita… Mas, pelo menos, poderia queimar coisas sem machucá-la. Levaram alguns dias para Meias realmente ativá-la. Era compreensível, considerando que ela nunca havia usado magia antes. 

Sua habilidade de uivo era uma exceção, mas era mais uma simples ativar uma habilidade inata dela do que ativar um item mágico projetado para humanos. Mesmo sendo uma companheira de uma domadora, Meias ainda era uma loba. Ela não tinha uma quantidade particularmente grande de mana, então não poderia manter a capa ativada o tempo todo – planejamos que ela a ativasse após cada batalha e depois a verificaríamos cuidadosamente ao sair da masmorra. 

Quanto a Carlos… Ele não entraria na masmorra conosco. Não planejávamos carregar muitas coisas, e, embora Carlos provavelmente pudesse esmagar a cabeça de um zumbi, coisas menores poderiam ser um problema.

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A masmorra não estava convenientemente localizada perto de uma cidade, então havia um acampamento montado do lado de fora. No entanto, também senti alguma magia ao redor da área. Não seríamos o único grupo envolvido na exploração da masmorra, mas, pelo que pude ver, havia apenas um punhado de outros grupos por ali. Enquanto nos aproximávamos do acampamento, um gnomo baixo saiu para nos receber. 

“Outro grupo?” Ele nos examinou “Vocês têm um curandeiro?” 

“Eu sou uma curandeira.” 

“Ótimo. Vocês deveriam ir até aquela tenda – estão trabalhando em alguém agora, é melhor ganhar alguma experiência aqui fora do que na masmorra. Os outros talvez queiram olhar também… Ou talvez não queiram, mas deveriam.” O homenzinho balançou a cabeça. 

Quando entramos na tenda médica, ficou claro o que ele quis dizer. Eu preferiria não ter visto o que vi, mas isso aconteceria em algum momento. Havia um homem com o braço estendido e uma curandeira analisando-o. Eu podia ver um verme verde – do tamanho de uma minhoca, eu acho –, mas não dava para ver todo o seu corpo. 

Parte dele estava enterrada no interior do cotovelo do homem, onde a armadura dele tinha uma espécie de abertura. Vi a magia de cura envolver o verme e puxá-lo para fora. Houve um jorro de sangue do cotovelo, e o verme foi jogado em uma fossa com brasas, onde encolheu-se e morreu. A curandeira então usou mais magia para fechar o ferimento. 

“Ah!” A curandeira, que podíamos ver ser uma mulher – uma meio-elfa, eu acho – virou-se para nos olhar. “Um novo grupo! Que momento bom que vocês chegaram,” disse ironicamente “Eu estava apenas terminando a inspeção aqui. É extremamente importante fazê-la imediatamente após retornar da masmorra. Não podemos deixar esses vermes se espalharem para fora da masmorra…” 

Ela balançou a cabeça. 

“Vocês devem ter sentido algumas barreiras; a guilda enviou alguns magos de nível mais alto para criá-las. Eles não podem realmente entrar na masmorra… Mas esses vermes não podem sair daqui.” A mulher balançou o dedo para nós “Então, certifiquem-se de vir direto para cá depois de saírem da masmorra! Porque, se não vierem e houver um problema, vocês vão se arrepender.” 

Ela se virou para Kantrilla. 

“Você também é uma curandeira, certo? Já explicaram tudo para você?” 

“Mais ou menos. Sempre haverá alguém de plantão aqui, nos dias de folga deles.” 

“Isso mesmo. Você não é responsável por curar ferimentos normais – cada grupo tem pessoas para isso –, mas deve verificar as pessoas para ver se possuem esses vermes de cadáver. Geralmente será bem fácil… Procure em qualquer lugar onde alguém sinta dor e use um pouco de magia de diagnóstico mesmo que não vejam nada na superfície.” 

“Eca. Parece horrível.” Kantrilla fez uma careta. “Mas seria pior deixar a masmorra fazer o que quiser.” 

“Exatamente, é por isso que todos foram trazidos para cá.” 

Eu não tinha muito o que dizer sobre a situação… Não era algo em que eu realmente quisesse me envolver, mas precisávamos. Talvez pudéssemos descobrir algo para ajudar… Ou algum dos outros grupos pudesse. Compartilhar as informações que tivéssemos provavelmente seria importante nesse caso. 

Com muita frequência, aventureiros não compartilhavam tudo o que sabiam… Seja porque queriam os segredos da exploração das masmorras só para si ou porque era inconveniente demais, já que eles não sabiam com quem falar ou o que as pessoas já sabiam. No entanto, com apenas alguns grupos… Bem, poderíamos fazer funcionar. 

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