A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 222

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

A masmorra que nos interessava ficava a cerca de uma hora de Kagdihr. Aparentemente, ela havia sido descoberta algum tempo depois da fundação da cidade, mas sua falta de conveniência não era necessariamente algo ruim. Havia apenas algumas estruturas próximas, como muros para os guardas e uma taverna simples que servia como ponto de espera para aventureiros e cocheiros. 

Ela não era tão longe ao ponto que um grupo de aventureiros não pudesse ir e voltar a pé no mesmo dia… Mas, como era uma masmorra de nível intermediário, isso quer dizer que os aventureiros tinham condições de pagar por carruagens, e economizar energia valia a pena. 

A distância implicava em uma pequena perda de eficiência no tempo, porque aquelas duas horas de ida e volta poderiam ser usadas para explorar a masmorra, treinar ou até descansar adequadamente… Mas, na Terra, as pessoas tinham tempos de deslocamento ainda mais insanos, e nem sempre por causa da distância.  

Nós optamos por pegar uma carruagem tanto porque era o padrão quanto porque fazia sentido – não era necessariamente mais rápido, mas a energia que economizaríamos seria melhor usada na masmorra. 

Já que tínhamos tempo durante o trajeto, compartilhei meus pensamentos sobre os deslocamentos. A carruagem era barulhenta o suficiente para que, se eu falasse baixo, o cocheiro não pudesse me ouvir claramente, e evitei mencionar especificamente que eu vinha de outro mundo. Eu disse algo como: 

“De onde eu venho, as pessoas passam horas em estradas lotadas de gente todos os dias.” 

“Isso é insano!” exclamou Kasner. “Você está dizendo que as pessoas vão e voltam entre diferentes cidades para trabalhar?” 

Eu suspirei 

“O pior é que a maioria delas nem precisa estar lá pessoalmente. Poderiam simplesmente usar a internet… Quer dizer, poderiam enviar os documentos necessários rapidamente para o local que eles precisavam estar.” 

Eu já havia explicado a internet antes, e não era que eu achasse que meus companheiros não entenderiam… Mas parte da explicação era para o cocheiro, apenas por precaução. O importante era a ideia geral. 

Kantrilla foi a próxima a comentar: 

“Bem, você mencionou que havia muitas pessoas… E as cidades eram grandes!” Ela abriu os braços. “Mas você não disse que as… Carruagens… Eram rápidas?” 

Eu assenti. 

“Sim, mas as pessoas viajavam talvez… Quinze ou vinte quilômetros? Talvez trinta ou cinquenta.” 

Os números maiores eram o equivalente a um dia inteiro de viagem aqui. Enquanto isso, nosso destino atual estava a apenas alguns quilômetros da cidade – e mesmo Kagdihr era menor em população e muito menor em tamanho do que qualquer cidade média que eu pudesse imaginar. Talvez uns poucos quilômetros de extensão e dezenas de milhares de pessoas – grande o suficiente para ser uma capital impressionante aqui, mas não tão grande, realmente. 

Alhorn concordou com a cabeça. 

“E é tudo uma única cidade ao longo de todo o caminho?” 

Dei de ombros. 

“Bem, são várias cidades que cresceram juntas. Às vezes há espaços vazios, mas ainda há rodovias e coisas assim.” 

Halette balançou a cabeça. 

“E vocês erradicaram os monstros?” 

Neguei com a cabeça. 

“Lembre-se de que lá não há magia, então não há monstros. Na melhor das hipóteses, havia animais selvagens, mas eles não entram nas cidades em circunstâncias normais. Bem, alguns lugares ainda eram menos desenvolvidos, mas não havia nada tão grande quanto Meias, exceto ursos-pardos.” 

Olhei pela janela, onde Meias trotava ao lado da carruagem. Era óbvio que ela não podia andar dentro da carruagem conosco – nem caberia, e mesmo quando era “pequena” ela não seria permitida. Carlos também mantinha um ritmo constante atrás da carruagem.  

Para ser honesto, eu estava mais impressionado com os cavalos que puxavam a carruagem por se adaptarem tão rápido a Meias, mas supus que eles já tinham sido apresentados a outros animais de domadores também. 

Eu teria perguntado a Halette o que ela estava alimentando a Meias, mas a resposta seria basicamente de tudo – e qualquer coisa que Meias decidisse comer por conta própria. Eu estava preocupado se Meias caberia na masmorra no futuro, mas Halette disse que ela provavelmente não cresceria mais… O que foi, de certa forma, um alívio. 

~~~*~~~*~~~*~~~ 

Em vez de panos elegantes nas laterais das escadas para indicar sua localização, havia apenas pedras colocadas em cada degrau na descida. Supus que isso fosse mais barato de substituir caso a masmorra as absorvesse ou algo assim, e também evitava o trabalho de trazer qualquer coisa da cidade. 

Se nós realmente quiséssemos ser discretos em vez de servir de isca, teríamos um grande problema. Claro, um grupo de cinco aventureiros poderia se misturar com qualquer outro grupo, mas nem todos traziam um lobo gigante e um burro consigo. Eu achava que mais pessoas deveriam trazer um burro ou algo parecido, mas poucas realmente faziam isso.  

No entanto, eu suponho que, sem um domador de bestas, um burro comum poderia correr um risco muito maior. Eu também não podia dizer que todos deveriam ter um domador de bestas – embora Halette fosse uma boa arqueira, era preciso muito esforço para fazer isso e também completar pelo menos o treinamento inicial dos animais. Além disso, ela também gastava muitos recursos com seus companheiros. 

Alguns grupos relutariam em dar ao domador de bestas uma parte maior, mas nós começamos a dar uma meia parte extra a Halette. Valia muito a pena pela Meias e pela utilidade do Carlos. 

Como nós estávamos indo na masmorra de guardiões, haveriam todos os tipos de equipamentos mágicos – embora a maioria fosse de qualidade baixa. Embora nós fossemos vender parte deles, planejávamos dar qualquer coisa utilizável para quem pudesse usá-la. A menos que fosse algo particularmente valioso, não descontaríamos da parte de ninguém. Talvez isso fosse o luxo de sermos aventureiros de nível baixo a médio com algum conforto financeiro… Mas enquanto não precisássemos contar cada moeda de prata, não nos incomodaríamos. 

Embora tivéssemos várias pessoas que poderiam usar equipamentos semelhantes – por exemplo, tínhamos três pessoas para quem equipamentos de aumento de Força seriam úteis – poderíamos facilmente dividir. Bem, em termos de equipamentos de aumento de Força, eu planejava deixar para pegar algum depois de Alhorn e Halette, já que não era realmente necessário para mim. 

Nós não queríamos contar com o ovo antes da galinha botar, e não podíamos dizer que teríamos uma boa distribuição de itens mágicos… Mas se conseguíssemos equipar todo mundo com um conjunto completo de equipamentos que fossem pelo menos um pouco mágicos, incluindo os acessórios, seria ótimo. 

Quanto ao que seria um conjunto completo… Bem, isso variava um pouco. Obviamente, as pessoas só podiam usar um par de botas, mas se podia usar várias camadas de armaduras – embora, às vezes, as camadas de forro inferior fossem consideradas parte de ‘um item’. Da mesma forma, era loucura tentar usar mais de um cinto ou par de luvas.  

Anéis eram uma questão complicada. Pelo menos dois podiam ser usados – um em cada mão – mas, às vezes, mais podiam ser utilizados. Em teoria, você poderia encher todos os seus dedos com um monte de anéis… Mas isso acarretava vários problemas. Primeiro, eventualmente você perderia a capacidade de dobrar os dedos. Mesmo ter um anel em cada dedo poderia afetar a capacidade de segurar uma arma adequadamente, dependendo da espessura. 

Eventualmente, a magia também interferiria umas nas outras. Uma boa regra era usar dois ou três anéis por mão, o que parecia ser o limite sensato. Quanto a amuletos e outras coisas que pendem ao redor do pescoço, um ou dois desses também eram bons. A interferência mágica era o problema nesse caso. 

Quanto a capas e afins… Elas nem sempre eram uma boa ideia. Podiam interferir nos movimentos em combate, embora ainda fossem úteis para viajar como… Bem, capas. Elas podiam proteger da chuva ou do frio, mas nas masmorras eram de utilidade limitada, embora as mágicas pudessem ser valiosas – e algumas mágicas tinham encantamentos que as impediam de se enrolarem durante o combate. 

Quanto ao que realmente poderíamos obter… Bem, acessórios mágicos eram bastante raros, mesmo nos guardiões. Os que nós pegamos com as fichas no festival haviam sido especificamente feitos, usando materiais de vários outros itens mágicos que haviam sido reciclados, mais ou menos. Muito provavelmente, obteríamos muitas armas e armaduras que não serviriam para nenhum de nós e não seriam adequadas para o nosso uso. 

Dito isso, enquanto o tamanho fosse suficientemente próximo, as coisas poderiam ser reajustadas, e nós tínhamos uma variedade de tamanhos entre nós. Talvez tivéssemos Sorte. Bem, certamente teríamos… Mas que tipo de Sorte nós teríamos era uma questão completamente diferente. O ponto sobre os guardiões é que eles eram feitos do equipamento… Então derrotá-los sem destruir o equipamento mágico era uma coisa, e levar em conta que eles seriam mais fortes com o equipamento mágico também era algo relevante. 

Comentários