
Capítulo 178
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Dizer para mim mesma que eu executaria uma técnica corretamente não tornava isso verdade – mas ajudava a tornar. Confiança era essencial em tudo, fosse ao brandir uma arma ou ao usar magia. Eu não podia imaginar cometer um erro, apenas minha faca indo diretamente no olho de um javali e entrando em seu cérebro. Na terceira tentativa, foi exatamente isso que aconteceu.
Acertar o olho de um javali em investida poderia ser difícil. Contudo, o olho de um javali atroz tinha pelo menos o tamanho da minha palma. Combinando isso ao fato de o javali estar a menos de cinco metros e vindo mais ou menos em linha reta em minha direção, o arremesso não era tão difícil.
Se eu tivesse jogado a adaga sem o uso de uma habilidade, ela teria girado no ar… Mas Lança Perfurante ou qualquer equivalente para afagas a manteve reta enquanto ela atravessava o olho e penetrava no cérebro. Foi fundo o suficiente para que eu mal conseguisse ver o cabo.
O javali caiu, mas mais dois estavam avançando – depois só um, mas eu ainda queria minha arma de volta enquanto me afastava da borda de nosso penhasco improvisado. Usei Recuperar Arma para puxar a adaga, que resistiu por um segundo… Antes de se soltar.
Eu estava preocupada que ela ficasse presa, mas havia cortado um caminho suficientemente bom para si, e o cabo era fino. Enquanto corria para o lado, considerei não pegar a adaga cujo cabo estava coberto de fluidos do olho do javali. Ainda assim, acabei pegando.
O último javali subiu a colina aos tropeços, quebrando os últimos pedaços de gelo que Kasner havia colocado e avançando em nossa direção. Então Meias entrou pela lateral, brilhando com o poder de uma barreira mágica e derrubando-o enquanto saltava sobre ele. Na minha direção, mas eu não podia culpar seu entusiasmo. Ela não tinha participado da luta até aquele ponto.
Felizmente, o enorme javali não foi muito longe, então caiu confortavelmente a poucos metros de mim, de lado. Quando começou a se levantar, notei a posição conveniente de sua cabeça.
Se ele estivesse de pé, eu teria que me esticar muito para atacar sua cabeça, mas com ele de lado eu só precisava apunhalá-la. Segurei a faca em um golpe reverso e a enfiei no olho do javali – os olhos estavam localizados tanto nas laterais quanto na frente dele. A lâmina era muito afiada… E eu era forte, mesmo que não tanto quanto já tinha sido. Contudo, com Fúria ativada, eu tinha quase 600 de Força.
Senti a lâmina prender brevemente nos ossos atrás do olho do javali, mas eu já tinha feito a mesma adaga atravessar seu olho ao jogá-la. Fazer isso em combate corpo a corpo era mais fácil, mesmo sem usar uma habilidade. O javali se debateu quando minha adaga entrou, me arremessando – preferi soltar a adaga a quebrar meu pulso –, mas Meias o manteve preso durante os espasmos finais. Mesmo assim, ele conseguiu cavar um sulco profundo no chão ao lado.
Respirei fundo para acalmar meu corpo. Puxar uma corda de arco e jogar facas era mais exaustivo fisicamente do que parecia, e ser atacada por um javali atroz fazia o sangue bombear e a adrenalina subir… Mesmo que eles não te alcançassem. Olhei para baixo, para a encosta da colina, que agora era uma área de rocha exposta e tinha uma poça de lama no fundo.
“Uau, realmente destruímos essa colina…”
Kasner deu de ombros.
“O que são algumas árvores, afinal? Os javalis desenterraram pelo menos tantas quanto nós em uma hora de caça. É uma colina pequena. Vai se recuperar. Ou não.”
Ele estava certo, é claro. A colina tinha apenas cerca de quatro metros de altura, de baixo a cima, só era bastante inclinada. Estragar algumas centenas de metros quadrados não era nada comparado à devastação que os javalis estavam causando e continuariam a causar.
“Devem haver mais javalis atrozes…” Halette comentou. “Mas primeiro devemos levar esses de volta para Hazelbury. Eles precisam de provas de que caçamos os javalis e seria um desperdício não usá-los para comida ou algo assim.”
Tínhamos planejado isso, e Carlos estava puxando uma carroça que podíamos prender a um dos cavalos também. Provavelmente só conseguiríamos colocar um dos javalis na carroça, mas Hazelbury poderia enviar mais pessoas conosco depois para pegar os outros dois.
“Alguém sabe como cozinhar javali?” perguntei casualmente.
“O que quer dizer?” Halette questionou.
“Ah, bem, javalis selvagens às vezes têm parasitas e tal, e você precisa cozinhá-los direito ou vai ficar doente.”
“Ah, certo,” Halette assentiu. “Isso era um problema há centenas de anos, mas hoje sabemos como lidar com isso.”
“…Certo.”
Não sei por que pensei diferente. Embora este mundo não fosse industrializado, também não estava em um nível medieval. Eles só faziam as coisas de forma diferente porque tinham magia. Também precisavam se preocupar com monstros, então certas coisas, como estradas largas pavimentadas, eram raras. Eles não estavam realmente no passado.
Quando levamos a carroça até os javalis, havia o pequeno problema de colocá-los nela. Era forte o suficiente para carregá-los, mas levantá-los não era simples. Um javali comum, de algumas centenas de quilos, não era nada – eu poderia simplesmente levantá-lo. Cada um desses javalis, no entanto, pesava pelo menos uma tonelada.
Por outro lado, tínhamos quatro indivíduos muito fortes. Alhorn e Halette estavam em níveis próximos a fisiculturistas em Força… Embora com menos músculos aparentes. Essa era uma coisa estranha neste mundo e no sistema de atributos, embora nenhum dos dois fossem magros. Eu era o terceiro, e Meias, claro, era a quarta. Ela ficou na carroça e puxou uma perna, enquanto o restante de nós levantava a parte traseira do javali. Depois foi apenas um processo contínuo de puxar, levantar e empurrar até que ele estivesse totalmente carregado.
No final, levou o dia inteiro para levar o primeiro javali de volta e depois fazer outra viagem para buscar os outros dois. Foi quase tão exaustivo quanto um dia de luta na masmorra, embora estar na floresta fosse muito menos opressor do que estar na escuridão de uma masmorra.