
Capítulo 166
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Enquanto a rainha aranha caía de cabeça, acompanhei cuidadosamente seu movimento. Ela não conseguia se reorientar sem que as teias estivessem presas a algo… Mas a queda em si não seria um grande problema para ela. As patas dianteiras tocariam o chão primeiro, ajustando-se para algo que parecesse uma aterrissagem adequada.
Claro, isso só aconteceria se ela não caísse diretamente sobre minha lança. A aranha não conseguia mover a boca de forma independente do corpo, nem mudar para onde esse corpo estava indo.
Em retrospecto, é claro que foi um movimento tolo. Não porque não funcionou – funcionou perfeitamente, exceto pelo pequeno detalhe de que minha lança não era feita de ferro nem de outro material inquebrável. Ela perfurou mais de um metro na aranha antes de se partir no meio devido ao peso…
Foi o suficiente para matar a aranha, mas também para me fazer perder minha arma principal naquele momento.
Quando a gigantesca aranha despencou no chão, a maioria das outras começou a se dispersar. Talvez porque seu número estivesse diminuindo e o calabouço quisesse preservá-las, ou talvez fossem apenas os instintos naturais delas. De qualquer forma, Alhorn e Khyrmin rapidamente acabaram com as mais próximas. Ao perceber que estavam recuando, Kasner poupou sua mana para não gastar mais com feitiços.
Com as aranhas desaparecendo no ar, começamos a recolher pedras mágicas e flechas, além de verificar nossos ferimentos. Felizmente, não eram muitos, e Kantrilla tinha mana suficiente para curar os envenenamentos que restaram. Alhorn ajudou a tratar alguns machucados, mas também não eram graves.
Khyrmin havia garantido que não enfrentássemos inimigos em excesso, e o calabouço era tecnicamente de nível mais baixo do que nós. Bem, em relação ao resto do grupo, pelo menos – e, embora eu não tivesse os efeitos benéficos de uma classe, eu estava basicamente acima do nível do calabouço.
“Devemos dar uma olhada por aí” disse Khyrmin.
Não havia muito o que observar, mas entendi o que ela quis dizer. Este não era um calabouço grande, então o chefe provavelmente estaria próximo ao núcleo. Se pudéssemos cuidar disso… Bem, a maioria dos monstros já estava morta. Essa poderia ser nossa melhor chance.
Halette e Meias fuçaram e farejaram pela sala. Eu não podia ajudar muito nisso, já que minha Vigilância era bem menor que a delas. No entanto, eu tinha mana suficiente para criar um pouco de luz mágica – e eu digo bem pouco. O problema não era tanto a mana, mas minha falta de proficiência.
Por fim, Halette encontrou algo.
“Aqui. Há uma espécie de fresta de uma porta secreta, mas não consigo encontrar uma forma de abri-la…”
Khyrmin balançou a cabeça.
“Não há como abri-la deste lado. Vamos ter que arrombar.”
Naquele momento, desejei ter minha velha maça pesada. Ela era perfeita para derrubar paredes. Agora eu tinha… Uma adaga. Bem, não era tão ruim assim. Perfurar a parede com a adaga de adamantina era como atravessar gesso… Embora os tijolos negros que formavam o calabouço fossem várias vezes mais resistentes que tijolos comuns. Porém, eu tinha quase quinhentos de Força e uma adaga muito, muito afiada.
Após algumas perfurações, chutei a seção da parede. Ela desabou, revelando… Outra sala vazia.
“Tch. É semelhante às paredes” comentou Khyrmin. “Mas é um cristal em vez de tijolo. A luz não reflete nele.”
Alhorn, Halette e eu começamos a retirar os tijolos da parede um por um.
“É melhor se apressar, as aranhas estão voltando.”
Com esse aviso, assim que a abertura era grande o suficiente para eu passar, me espremi para dentro. Logo esbarrei em algo, agarrei-o e o joguei no chão… Com um baque surdo. Depois, apunhalei com minha adaga. Ouvi um som de estilhaços e, por um instante, vi o contorno do cristal do tamanho de uma bola de basquete enquanto a luz irrompia dele.
“Vamos! Em direção à saída!”
Com isso, o calabouço inteiro começou a tremer… Não como um terremoto grave, mas apenas levemente. Também era possível ouvir leves estrondos e sons de rachaduras. Meias liderou o caminho de volta pela trilha até a saída. Isso significava que ela também era a primeira a encontrar muitas das aranhas, que ela pulava em cima e esmagava com os dentes – sempre frustrada porque elas desapareciam logo em seguida.
Lutei usando o escudo e a adaga. Esta última não tinha o alcance da lança, mas cortava as aranhas como se fosse manteiga. Usei o escudo tanto para bloquear quanto para esmagar as aranhas contra o chão.
Fiquei feliz que Meias sabia para onde estávamos indo, porque nos movíamos rápido demais para que eu conseguisse acompanhar todas as curvas e desvios. Logo chegamos ao primeiro andar, e dali foi basicamente uma corrida desenfreada até a entrada. O primeiro andar estava praticamente limpo, então só havia aranhas vindo atrás de nós… E a maioria delas era mais lenta que o grupo. Kasner era o mais devagar, mas Khyrmin o pegou com um braço só.
Kasner olhou para trás, cobrindo as aranhas que nos seguiam com gelo, grandes e pequenas. Em seguida, conjurou um raio que eletrocutou o aglomerado delas. Nesse momento, os tremores do calabouço começaram a ficar mais intensos.
Corremos para fora do calabouço, ainda com mais aranhas nos seguindo… Mas Ehlark estava esperando do lado de fora. As diversas plantas próximas se moveram para esmagar e rasgar as aranhas que saíam, enquanto Khyrmin lidava com o restante.
“Devemos continuar” disse Khyrmin. “O colapso do calabouço pode alterar o terreno.”
Seguimos avançando até estarmos a cerca de oitocentos metros de distância. Ehlark examinou o grupo e começou a tratar os novos ferimentos que havíamos sofrido na saída.
“Bem, parece que vocês cumpriram sua parte” ele disse, olhando para Kasner. “Cumprirei a minha… Depois que todos descansarmos por um dia. Será melhor que você esteja no auge de sua saúde, e eu preciso estar com toda minha mana.”
Eu quase havia esquecido o motivo de tudo aquilo. Destruir um calabouço era tão interessante… E, embora eu estivesse preocupado com Kasner, estávamos literalmente fazendo tudo que podíamos para ajudá-lo. Preocupar-se com isso não ajudaria em nada. Quando percebi que finalmente poderíamos regenerar a perna dele, senti – assim como o resto do grupo – um grande alívio.