
Capítulo 154
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Kasner e eu havíamos trabalhado juntos para enfraquecer a maioria dos maiores cipós da criatura planta. Ainda havia alguns maiores atacando Alhorn, Meias e Khyrmin. Também havia alguns menores por toda parte, mas eles não alcançavam tão longe e eram menos ágeis, balançando para todos os lados e apenas ocasionalmente tentando se emaranhar em alguém.
Só porque as coisas estavam melhorando para nós, isso não significava que eu podia relaxar. Armaduras não protegeriam meu braço ou perna de serem agarrados e quebrados. Resistência e Força ajudariam, mas, obviamente, era melhor nunca ser agarrado para começo de conversa.
Defleti um cipó que vinha na minha direção, usando a maça de Kantrilla para esmagá-lo contra o chão. O cipó deformou-se… E, ao contrário dos cortes e perfurações de antes, ficou daquele jeito. Mesmo os cortes e perfurações estavam se regenerando mais lentamente. Estávamos conseguindo desgastar essa coisa. Esmaguei outro cipó congelado e avancei.
Khyrmin era um redemoinho mortal – qualquer cipó que se aproximava dela era cortado ao meio, de modo que não conseguia se regenerar. Percebi que ela não estava parada exatamente ao lado de Alhorn e Meias, mas deixava que eles se defendessem sozinhos. Na verdade, ela provavelmente já poderia ter derrotado o monstro se escolhesse avançar até ele.
Com alguns dos maiores cipós fora do caminho, Kasner decidiu atacar a massa central. Gelo começou a se formar no centro da criatura, e embora tenha quebrado grande parte da massa, os cipós começaram a desacelerar. Halette atirava em algumas das partes congeladas e, embora nem sempre se quebrassem, ela ia desgastando a criatura aos poucos.
O monstro vegetal claramente havia começado a perceber o perigo, tentando se mover lentamente para trás, mas já era tarde demais. Estava muito enfraquecido, e Alhorn usou a espada de seu pai para cortar os cipós até que uma massa central começou a aparecer.
Meias e eu ajudávamos a afastar os cipós restantes enquanto Alhorn cravava sua espada profundamente na grande esfera de matéria vegetal no centro. Ele girava a espada de um lado para o outro para cortar o máximo possível, e, mesmo tentando se recompor, o corte foi se alargando.
Meias saltou e começou a rasgar e morder pedaços, e o monstro vegetal parou de se mover. Mesmo assim, continuamos a despedaçá-lo.
“Está morto?” Perguntou Kantrilla.
“Hum…” Halette olhou de longe. “Deveria estar morto… Se não estiver mais se regenerando.”
Khyrmin assentiu.
“Está morto. Um bom trabalho. Plantas assim são uma praga para a terra.”
A maioria de nós tinha alguns ferimentos – exceto Carlos, Kasner e seu pônei, que ficaram fora da área de ataque o tempo todo. A maioria dos ferimentos era pequena, mas a égua de Alhorn estava em um estado grave. Uma das pernas estava claramente quebrada e, no geral, ela estava em péssimo estado. Em um mundo sem magia de cura, a única escolha certa seria acabar com o sofrimento dela. No entanto, não faríamos isso se houvesse uma forma de ajudar.
Kantrilla pediu que Alhorn e eu ajustássemos os ossos da perna dela enquanto colocava uma tala. Em seguida, ela aplicou magia de cura na égua parte por parte. Ela não ficaria curada instantaneamente, mas poderia se recuperar. O único problema era como levá-la a algum lugar onde pudesse se recuperar.
Então, a égua se levantou. Ela estava trêmula e claramente com dor… Mas mancou até a estrada, bufando. Khyrmin riu.
“Nossa, ela é forte como um carvalho.”
Alhorn assentiu.
“De fato… Talvez eu a chame de Carvalho.”
Nossos cavalos tinham nomes, mas todos eram nomes sem graça. Eu ainda estava tentando encontrar um bom nome para a minha, mas Alhorn conseguiu pensar em um bom antes de mim. Pelo menos, eu achei que era bom.
~~~*~~~*~~~*~~~
Nosso ritmo diminuiu enquanto Carvalho se recuperava, mas não estávamos com tanta pressa a ponto de não poder dar-lhe tempo. No dia em que ela se feriu, mal conseguiu chegar até a próxima cidade, mas no dia seguinte ela já avançava em um ritmo lento, porém constante.
Felizmente, havia mais cidades para se hospedar quanto mais avançávamos por Fepresil. Com os cuidados constantes de Kantrilla e o encorajamento de Alhorn e Halette, ela estava basicamente curada ao final de uma semana – o suficiente para que cutucasse Alhorn para montar nela novamente.
Duas semanas depois, chegamos a Elunore, a capital. A essa altura, achei que já estava acostumado a ver árvores grandes, mas então vi Elunore. A estrada era reta e larga por uma certa distância até a cidade, mas já pude notar algumas árvores verdadeiramente enormes.
Claro, sequoias gigantes eram grandes o suficiente para passar um carro por dentro – mas tinham apenas esse tamanho e alguns metros de altura. Essas árvores eram do tamanho de arranha-céus – tão altas e provavelmente tão largas quanto. Não havia como elas terem crescido assim sem algum tipo de magia – mas isso não era um problema neste mundo, especialmente neste país.
Khyrmin nos levou para dentro.
“Vamos parar numa estalagem primeiro” Ela disse “Mesmo se o meu contato funcionar sem problemas… Não vamos querer partir hoje.”
“Sobre esses problemas…” Alhorn franziu o cenho.
“Ah… Bem.” Khyrmin deu de ombros “Para ser sincera, já esperava ter problemas a essa altura. Mas até aqui me deixaram entrar sem problemas.”
“Por que não deixariam?” Kantrilla perguntou, “Você é cidadã daqui, certo?”
“Sim, mas…” Khyrmin balançou a cabeça “Bem, ainda pode haver problemas. A pessoa com quem preciso falar provavelmente não estará de bom humor para falar comigo… Nunca mais.” Ela se virou para o grupo “Sei que o grupo de vocês está disposto a passar por muita coisa pelo Kasner… Mas estejam preparados. Na verdade, talvez teremos de fingir que não estamos juntos. Assim, quando o problema aparecer… Vocês podem simplesmente ir embora.”
“Bem, pode ser que não haja problema” Kantrilla disse.
“Sim. E pode ser que chova em Escait” Khyrmin deu de ombros “Mas eu não apostaria nisso.”