
Capítulo 134
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Conseguimos uma pequena pausa na casa de Kazik enquanto esperávamos ele garantir a nossa passagem para fora da cidade. Todos precisavam desse tempo para enfaixar seus ferimentos e recuperar um pouco de energia e mana, e Kantrilla precisava disso mais que todos.
Infelizmente, não tivemos tempo para lhe dar uma boa noite de descanso, mas eu a alimentei com um pouco de mingau. Ela não tinha ferimentos graves, mas estava quase inconsciente mesmo quando estávamos saindo. Depois que comeu, eu a deixei tirar uma soneca.
Eu realmente não precisava de mais problemas no momento, mas já havia notado algo estranho na minha janela de status mais cedo. Tive que olhar novamente para ter certeza.

Havia algumas coisas estranhas. Primeiro, eu tinha certeza de que ao subir de nível os números deviam… Bem, subir. Talvez eles tivessem subido, mas meu nível tinha diminuído, e isso… Não era como a experiência deveria funcionar. A diminuição foi automaticamente aplicada à minha Força também. Por outro lado… Fazia alguns dias que eu não fazia nada e minha Força tinha aumentado em 7. Dito isso, eu ainda estava levemente no negativo.
Era possível continuar tendo esse aumento de Força sem fazer nada? Não parecia provável. Kantrilla teve uma Bênção durante toda a sua vida e tinha menos de 500 de Sorte. Se isso aumentasse um ponto por dia, ela teria… Milhares de pontos de Sorte. Eu não podia esperar que a Força continuasse crescendo rápido por muito tempo – não sem esforço real, de qualquer forma. Por outro lado, diferente da Sorte, a Força era facilmente treinável.
Então havia outra coisa. Minha Sorte… Tinha ultrapassado 100. E por uma margem enorme.
“Alguém mais teve aumento na Sorte?”
“Hmm…” Alhorn disse, provavelmente olhando sua janela de atributos. “Sim, aumentou. Também subi de nível.”
“Quanto?” Perguntei.
“Cerca de quarenta pontos.”
“O mesmo aqui” Confirmaram Halette e Kasner.
Meias cutucou Halette, e ela a examinou.
“Oh nossa… A Sorte de Meias aumentou em… Cento e oito?”
“A minha subiu em sessenta e quatro…” Cocei o queixo. “Acho razoável presumir que isso tenha a ver com o grupo que matamos. Tenho certeza de que vocês notaram o quanto eles eram absurdamente sortudos. Eles provavelmente estavam roubando a Sorte de Kantrilla de alguma forma…” Olhei para a figura adormecida dela.
Kasner arqueou uma sobrancelha.
“Então, o que… Matamos eles e isso ficou com a gente? Na verdade, eu me lembro de uma luz dourada…”
“Meias matou um deles sozinha, e estava perto de outro quando ele morreu”, Halette apontou. “Kasner e eu dividimos a Sorte de uma pessoa, e Meias dividiu com Alhorn. Llyr foi o único que estava perto de Enok.”
“Bem…” Cocei o queixo, “Kantrilla também estava lá. Eu pensaria que a Sorte preferiria ela… Embora houvesse uma garrafa extra.”
Kasner franziu o cenho.
“Mas por que a Sorte deles de repente parou de funcionar? No final… Bem, tivemos uma série de acertos sortudos.”
“A Sorte…” Kantrilla tossiu “A Sorte não gosta de ser enganada.”
Ela estava deitada na cama, ainda pálida.
“Se você tentar… Ela sempre volta para te morder.”
“Você está bem?” Perguntei “É melhor não falar.”
Ela assentiu fracamente e sorriu. De alguma forma, o sorriso dela fez com que eu sentisse que tudo estava bem… Embora claramente não estivesse.
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Kazik voltou cerca de uma hora depois e nos levou a uma casa perto da borda da chapada. Kantrilla mal conseguia andar, e o fazia apenas se apoiando em mim… Mas era melhor assim do que eu ficar carregando-a por aí. Pelo menos Kasner tinha recuperado mana suficiente para fazer sua perna de gelo novamente.
Aparentemente, não era difícil de fazer, contanto que não precisasse suportar movimentos bruscos. Ele desenvolveu a habilidade de resistência ao frio, então, pelo menos, ele não ia sofrer de congelamento.
Kazik nos levou para dentro da casa e por uma porta de alçapão no chão, que parecia normalmente ficar escondida sob um tapete. Quem quer que fossem os donos da casa, eles estavam notavelmente ausentes. Debaixo do alçapão havia uma escada. Tinha cerca de seis metros de altura, e Kantrilla não estava em condições de escalar.
“Você consegue se segurar em mim?” Perguntei.
Ela assentiu, e se segurou em mim. Os pés dela tocaram o chão dois degraus antes dos meus.
Passar Meias pelo alçapão parecia que ia ser uma tarefa e tanto, até ela simplesmente pular de focinho para baixo… Em uma escada de seis metros. Ela aterrissou no fundo como se não fosse nada, embora o som de suas patas impactando soasse exatamente como alguém sendo atingido por uma maça de duas mãos – e eu conhecia bem esse som.
Nós descemos… E descemos… E descemos. Em certo ponto, o túnel nivelou um pouco e caminhamos quase horizontalmente, embora ainda ligeiramente para baixo… E depois para cima. Depois de abrir outra escotilha – essa com uma escada muito mais curta – nos encontramos fora da cidade, olhando para a chapada a alguns quilômetros de distância.
Comecei a me perguntar por que eles se davam ao trabalho de ter portões na cidade… Mas eles mantinham os monstros fora, e qualquer um fazendo comércio em grande escala ainda precisaria passar e ser devidamente tributado. Além disso, nem todos sequer considerariam entrar ou sair de forma clandestina. Nós nem havíamos feito algo realmente errado – ilegal, talvez, mas não errado – mas ainda precisávamos sair às escondidas.
“Aqui é onde eu deixo vocês.” Kazik acenou do fundo da escada “Lembrem-se, não vão para o posto da fronteira mais próximo. Quando se aproximarem, viajem para o norte e oeste por dois dias até encontrarem outra estrada grande.”
“No Águia Dourada – a primeira pousada em direção a Othya ao longo dessa estrada – procurem por Eric. Ele terá cartões da guilda substitutos… Para aqueles que precisarem. Então vocês poderão cruzar a fronteira sem problemas. Apenas certifiquem-se de chegar lá. Talvez eles nem estejam procurando por vocês, mas não podemos fazer muito se forem presos em Escait. Não posso arriscar trazer suas montarias, então terão que seguir a pé.”
Parece que teríamos mais problemas para lidar. Pelo menos estávamos todos juntos novamente… E vivos, mesmo que não muito melhor do que isso em alguns casos.