A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 124

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Ficar sentado esperando enquanto estava tão perto de encontrar Kantrilla foi basicamente a pior sensação que já tive. Era como se de repente eu não pudesse mais andar novamente. Não, era como se eu pudesse andar, mas me dissessem que não era permitido. De alguma forma, isso tornava tudo ainda pior. 

Infelizmente, não consegui argumentar com Kazik. Não podíamos nos dar ao luxo de nos descuidar e ser pegos. Se o fizéssemos, era muito provável que eu ou Kantrilla fôssemos feridos ou mortos. Já era possível que eles suspeitassem que algo estava acontecendo, mas se tivessem tempo para se preparar novamente… Bem, eu realmente não gostava de perder sem poder lutar, como da última vez. 

Como eles não estariam apressados para sair, também se certificariam de que eu estivesse morto de uma maneira que não fossem pegos. Eu não tinha certeza do que queriam com Kantrilla, mas se minha aparição os fizesse entrar em pânico, era possível que a matassem ou… Algo assim. Eu ainda não entendia por que eles tinham a capturado. 

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Assim como Kazik havia dito, demorou alguns dias para que ele entrasse em contato comigo novamente. 

“Certo, garoto…” ele começou. 

Eu teria lembrado ele que eu era um adulto, mas mesmo aos vinte e três anos ainda era bastante jovem. 

“Eu já explorei o lugar. Vi, no máximo, um dos membros do grupo entrar de cada vez. Alguém acabou de sair, o que significa que o lugar deve estar vazio por mais uma hora… Talvez.” Kazik balançou a sua cabeça pequena “Eu não entrei. Portas são a maneira mais fácil de ser pego tentando se esgueirar, e eu não luto. Não sou muito bom nisso. De qualquer forma, temos que ir agora.” 

“Agora?” Olhei para baixo, para mim mesmo. “Deixe-me pegar minhas armas.” 

“Claro. Espero que você não precise delas, mas… Bem, é melhor tê-las.” 

Felizmente, eu já estava com minha armadura vestida, então apenas corri para colocar minhas armas. Em cerca de quinze minutos, Kazik e eu estávamos nas ruas sinuosas onde ficava o esconderijo. 

“Okay, vê aquele prédio? Aquele pequeno com detalhes verdes? Essa é a entrada.” 

Fui até a porta e me preparei para abri-la… Apenas para descobrir que estava trancada. 

“Eles não estão aqui, certo?” 

“Bem, não tenho certeza… Se houver outra entrada, talvez eles estejam, mas eu os vi entrando e saindo um de cada vez, então–” 

Eu chutei a porta. A única razão pela qual não a arrebentei foi que as dobradiças e a moldura cederam primeiro. 

“Droga, garoto! Eu ia dizer que um deles ainda poderia estar escondido lá dentro…” Ele se aproximou e olhou para dentro. “Apenas escadas para baixo. Ótimo. Olha, eu não posso ser pego lá dentro. Eu não consigo lutar, de qualquer forma, então…” 

“Está tudo bem.” Balancei a cabeça, “Tem pelo menos um a menos deles… E Kantrilla não está muito longe.” 

Apertei seu cartão da guilda com força… Embora tivesse cuidado para não quebrá-lo. Deixei Kazik parado no beco e desci as escadas. Estava escuro… Então tive que usar o feitiço de luz. De certa forma, eu tive sorte de ser fraco com aquele feitiço. Mal emitia luz, então as pessoas não me perceberiam vindo de longe. Por outro lado… eu gostaria de conseguir limitar a intensidade de propósito, em vez de apenas conseguir uma luz de vela. 

Cheguei a um corredor no fundo das escadas e, lá, enfrentei um problema. Eu tinha várias portas à escolha. Havia duas em cada extremidade do corredor e uma diretamente em frente às escadas. O que fez minha escolha ser feita foi o brilho de luz sob a porta à minha frente. Embora ir em direção a um lugar onde era mais provável haver uma pessoa fosse mais perigoso… Também era mais provável que Kantrilla estivesse lá. 

Não havia muito na sala – algumas pedras mágicas brilhantes para fornecer luz, uma mesa com uma grande quantidade de tralha mágica em cima e Kantrilla… Acorrentada àquela mesa. Ela estava pálida, e seus olhos mal pareciam registrar meu movimento ao me aproximar dela. Minha primeira tarefa era descobrir como remover as correntes sem machucá-la. Talvez eu pudesse apenas quebrar a mesa onde ela estava presa?  

Então, eu senti uma picada no meu pescoço. Afastei-me e, ao mesmo tempo, agarrei o cabo da minha maça e a balancei ao meu lado. Pelo menos, esse era meu plano, mas minha maça bateu contra a parede próxima. 

Lá estava ele. Enok Csorba.  

“Bem,” Ele disse enquanto as sombras começaram a se contorcer ao seu redor, “Quem diria que você realmente conseguiria chegar aqui? Estou surpreso. Ainda bem que decidi vir dar uma olhada nas coisas aqui.” 

Eu não estava com vontade de conversar, pois sentia algo acontecendo. O que quer que me picou o pescoço estava envenenado… Eu já começava a sentir os efeitos. Falar apenas consumiria a energia que eu não tinha. Quando ele deu um passo à frente para me esfaquear com uma adaga, eu me movi para balançar minha maça pesada, trazendo-a para baixo em sua direção… Mas ele de repente se moveu para o lado de uma forma que eu não esperava. Minha maça atingiu o chão, criando uma camada de gelo. 

Imediatamente senti a drenagem na minha mana, pois ataquei com Golpear. Aquela mesma coisa de novo, não é? Eu não poderia usar mana, então eu ficaria sem ela imediatamente. Dei um passo à frente para atingi-lo, mas de alguma forma acabei na placa de gelo que havia criado. Não fazia sentido, porque normalmente eu era tão cuidadoso. De alguma forma, pisei de maneira errada e minhas botas nem sequer ativaram. 

Cai de lado, e a bota de Enok veio para me chutar no rosto. Mesmo com um capacete, minha cabeça zuniu. Tentei me arrastar para ficar de pé, mas senti minha força se esvaindo. Era a mesma coisa de antes, mas as coisas estavam ainda piores. Eu realmente não poderia fazer nada? Não me lembrava de ser tão patético. 

Não importava quanto eu tentasse, mal conseguia me mover. Não conseguia segurar minha arma ou ficar de pé, apenas conseguia manter minha consciência à dura custo. 

Enok suspirou. 

“Seria tão inconveniente te matar aqui. Ainda assim, desta vez eu me certificarei…” ele se inclinou em direção a mim e puxou uma garrafa de algo, tirando meu capacete. 

Tentei estender a mão para estrangulá-lo, mas não conseguia nem levantar meu braço. Era ainda pior do que da última vez, como se eu não tivesse resistido nem um pouco àquele veneno. Ele me forçou a engolir a mistura vil da garrafa.

 

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