A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 119

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Eu não lembro muito dos dias seguintes. Tudo se tornou uma névoa de cavalgar o dia inteiro e de um treinamento possivelmente inútil tentando ativar os cartões da guilda sempre que eu não estava montando… Ou dormindo. Eu dormia, porque sabia que precisava… Mas nunca me sentia realmente cansado. 

Pelo menos, minha mente não estava clara o suficiente para processar o fato de estar cansado – mas assim que colocava a cabeça no travesseiro, eu ficava inconsciente imediatamente, mesmo que acordasse cedo por causa da preocupação. 

Comecei a notar gradualmente menos árvores e menos vegetação em geral. Isso significava que eu estava me aproximando de Escait… E me fez pensar por que as pessoas escolheriam viver num deserto. 

A resposta, é claro, era que não o faziam. Pelo menos, não todas. Haveria terras férteis, só que menos delas. O que havia tinha que compensar a falta de outras de alguma forma. Poderia ser a quantidade de terra aberta – mas a terra não era tão escassa a ponto de precisarem viver num deserto só por isso. 

Provavelmente, era por algo valioso que a área possuía. Talvez eles extraíssem gemas ou algo do tipo. Na verdade… Fiquei me perguntando sobre isso. Existiam minas neste mundo? Eu presumi que sim, mas, até onde eu tinha visto, a maioria dos recursos vinha de masmorras. Por outro lado, essa era minha perspectiva como aventureiro. Ainda haviam fazendas, então minas não estavam fora de questão… Mas elas seriam menos necessárias e só valeriam a pena para recursos mais valiosos e escassos. 

Então, eu cheguei à fronteira. Embora Escait fosse um deserto, isso não significava que fosse só dunas de areia e oásis. Na verdade, ainda não havia areia. Talvez isso mudasse mais para dentro do país. Eu não tinha certeza. De fato, nem mesmo sabia se iria para Escait, afinal. 

A fronteira era fácil de reconhecer – havia algumas torres e alguns edifícios atrás de um muro de aproximadamente três metros de altura. No topo da torre mais próxima, vi guardas escaneando o horizonte, provavelmente à procura de alguém tentando passar despercebido. Eles poderiam ver por quilômetros ao redor, e, embora não pudessem cobrir tudo, eles pareciam controlar a única fonte de água que eu tinha visto nas últimas doze horas. 

Eu me dei conta de que não sabia o que fazer, então cavalguei até o portão. Nada me impediria fisicamente de contornar o forte – mas isso não significava que eles não atirariam flechas ou mandariam cavaleiros atrás de mim. Não que eu estivesse planejando passar despercebido de qualquer maneira. Havia uma fila curta no portão – alguns vagões que pareciam cheios de grãos. Não demorou muito para que eles passassem pelos portões, e então chegou minha vez. 

Havia uma cobertura de tecido dando sombra aos guardas no portão – embora parecesse que ela poderia ser recolhida caso os arqueiros no topo do muro precisassem disparar para baixo. Tenho certeza de que os guardas apreciavam aquilo, porque eles estavam usando armaduras de placa e essas coisas já eram quentes o suficiente sem ficar no sol o dia todo. 

Um deles fez um gesto quando me aproximei. 

“Identificação, por favor.” 

Entreguei meu cartão da guilda – conferindo duas vezes para ter certeza de que era o meu e não um dos outros dois. Não queria ter que explicar por que estava carregando eles. Ativei o cartão, e o guarda deu uma olhada rápida antes de me acenar para passar. 

“Vá até o primeiro edifício à sua esquerda. Eles lidam com aventureiros lá.” 

Mas é claro que havia mais coisa além de apenas olhar meu cartão. Afinal, aquela era uma fronteira. Ainda assim, apreciei que eles dividissem as pessoas em grupos diferentes. Os vagões com grãos pararam em frente a um prédio diferente à direita, enquanto eu amarrei Cass do lado de fora de um prédio menor à esquerda. 

Um homem grande e musculoso falou quando entrei na guilda. 

“Bem-vindo à guilda de aventureiros da fronteira Othya-Escait. Procurando uma mudança de ares com masmorras diferentes?” 

“Bem, eu… Não exatamente. Vim aqui procurando alguém.” 

O homem me olhou de cima a baixo. 

“Ah… Talvez você seja o Llyr? O mestre da guilda enviou uma mensagem dizendo que alguém com a sua descrição estaria vindo.” 

Eu apreciei o fato de ele perguntar, mesmo que claramente soubesse quem eu era. Não havia muitos aventureiros de um metro e meio de altura… Quanto mais aqueles que andavam por aí em armadura completa. Exceto anões, mas eles tinham uma constituição completamente diferente. 

“Sim, sou eu.”  

Tirei meu cartão para mostrar a ele, e ele o verificou visualmente antes de confirmá-lo com um dos mesmos grandes dispositivos que as outras guildas tinham para verificar os cartões. 

“Muito bem. Você foi pré-autorizado para passagem pela fronteira, se desejar.” 

“Umm… Eu não sei se…” 

O homem puxou um pedaço de papel. 

“Eu imagino que esta mensagem o ajudará a decidir o que deseja fazer. É do próprio mestre da guilda.” Peguei a carta e a li. 

Llyr, 

Sua amiga provavelmente já está em Escait. Você mencionou que ela não sabia que você estava indo visitá-la, então pode precisar de um pouco de Sorte para encontrá-la. Sei que você não está familiarizado com o país, então procure meu amigo Kazik na guilda em Inassas. Ele conhece muitas pessoas e fala Othyan fluentemente. Ele deve ser capaz de ajudá-lo a entrar em contato com sua amiga. Não se esqueça, seu cartão da guilda é tão válido em Escait quanto aqui. É bom mantê-lo com você o tempo todo caso se perca.” 

-Timothy 

Parecia uma carta simples para um amigo, como se eu estivesse apenas fazendo uma viagem para ver uma amiga em vez de caçar alguém que foi sequestrada. Não dizia muito, mas me ajudou a decidir o que eu faria. Timmy sabia mais do que ele podia falar – porém me contou aquilo que podia. 

“Ah, acho que estou indo.” Assenti e disse ao homem musculoso. 

“Muito bem então. Embora tenhamos liberado você do nosso lado, o lado de Escait terá que verificar as coisas. Verificação padrão de contrabando, não deve ser um problema. Mantenha seu cartão da guilda em mãos, caso Ainar ali não tenha prestado atenção quando eu o verifiquei.” 

Assenti enquanto o homem grande chamava o outro homem que estava trabalhando em uma mesa diferente do lado oposto da sala. Além dos dois, havia apenas dois guardas em pé perto da porta no prédio vazio. Aparentemente, não haviam muitos aventureiros que passavam por ali. 

Segurei meu cartão da guilda na mão… Junto com os outros dois que eu tinha empilhado cuidadosamente. Eu tinha um plano caso fosse pego com eles, mas era melhor se eles passassem despercebidos. 

Ainar se aproximou e falou comigo com um leve sotaque. 

“Precisamos que você preencha um formulário com o motivo da visita e a duração esperada da sua estadia. Explorando masmorras, visitando amigos, esse tipo de coisa.” 

“Bem, estou indo principalmente por causa de uma amiga, mas posso tentar explorar algumas masmorras lá…” 

“Se você estiver se aventurando ativamente, explorando masmorras ou completando missões específicas, a guilda acolherá sua estadia pelo tempo que desejar. Sempre há uso para mais aventureiros. No entanto, se estiver apenas fazendo turismo, a duração normal é de cerca de um mês antes que você precise solicitar uma extensão.” 

“Certo.” Assenti. 

Um mês deveria ser suficiente… E se não fosse, eu poderia passar algum tempo em uma masmorra para conseguir uma extensão. Gostando ou não… Depois de um mês, eu teria pistas sobre o paradeiro de Kantrilla ou… Não, era melhor não pensar em outra alternativa. 

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