A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 106

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Observei a figura de Khyrmin se afastando. A única coisa que consegui pensar em fazer foi gritar pela porta aberta: 

“Bom, é claro que eu sou terrível se você não me treinou ainda!” 

Houve alguns momentos de silêncio constrangedor antes de Khyrmin voltar à porta aberta. 

“A noite lá fora é perigosa.” 

Ainda não estava de noite, mas entendi o recado. Eu não sabia o que esperar ao entrar, mas imaginava algo que se veria em uma casa… E não um monte de espadas. Espadas nas paredes, espadas em suportes, espadas exibidas em pedestais. 

Aquele andar tinha rapeiras especificamente. Elas vinham em todos os tipos de estilos e… Qualidades. Algumas pareciam peças de sucata, embora todas fossem bem conservadas. Mesmo assim, manutenção só resolve até certo ponto quando o produto inicial era uma peça de sucata. 

Olhando de perto, algumas das rapieiras eram até feitas de ferro. Ferro comum, nem sequer algum tipo de aço. Isso significava que eram apenas pedaços de metal moldados como rapieiras. Embora a era do ferro tenha sucedido a era do bronze… O ferro não era melhor que o bronze. 

O aço era melhor que o bronze, embora a qualidade fosse importante. Um aço ruim ainda era ruim, e um bom bronze ainda era bom. O ferro era bastante duro e inflexível, o que o tornava praticamente inútil para um rapieira, que precisava de flexibilidade para se dobrar e penetrar em frestas de armaduras. 

Khyrmin estava esperando ao lado das escadas para o próximo andar, seu rosto inexpressivo a ponto de não dar para saber se ela estava ficando impaciente com minha análise ou se queria uma reação. Eu não sabia o que dizer, mas Kantrilla falou primeiro de qualquer forma. 

“Que impressionante coleção de espadas!” Kantrilla juntou as mãos e sorriu. 

Vindo dela, aquilo era um elogio genuíno. Ela não era exatamente uma especialista em armas, e mesmo que fosse, provavelmente teria a mesma reação. Ela era do tipo que acreditava que mesmo armas de baixa qualidade tinham sua utilidade. 

Khyrmin não respondeu e simplesmente subiu as escadas para o próximo andar. O segundo andar tinha mais espadas, do tipo espada de uma mão. O terceiro tinha espadas de duas mãos e espadas longas. O quarto andar tinha espadas curtas e adagas. O quinto tinha espadas curvas de todos os tipos. O sexto andar era ligeiramente diferente, com martelos e maças. 

Eu estava começando a perceber o quão grande era essa “cabana”. Quer dizer, eu a tinha visto à distância, mas parecia normal até ver a porta. Depois ela foi ficando cada vez maior, e eu meio que perdi a noção. 

No entanto, ela se parecia com o que eu esperaria de uma cabana de toras… Exceto que cada tora tinha mais de um metro e meio de espessura. Isso colocava mais ou menos duas por andar, e isso significava que uma dúzia de toras empilhadas resultava em um edifício de fato bem grande. Eu nem sabia como aquilo poderia ter sido construído. 

O sétimo andar tinha machados de todos os tipos. Talvez fosse impressão minha, mas eles não pareciam ter sido organizados com tanto cuidado quanto as espadas. O oitavo andar tinha armas de haste, e o nono, armaduras em suportes, fazendo o lugar parecer cheio de pessoas. 

As armaduras eram especialmente interessantes porque, embora bem cuidadas, estavam em sua maioria bastante danificadas, com buracos, arranhões, amassados e rasgos. Os dois próximos andares eram diferentes, com pilhas de diversos itens espalhados. Conjuntos de armaduras incompletos, armas quebradas, escudos empenados e coisas assim. 

O décimo segundo andar, no entanto, voltou à disposição cuidadosa. Estava cheio de conjuntos completos de armaduras com armas e, às vezes, escudos. Mais do que isso, tudo brilhava. Embora os andares estivessem ficando menores conforme subíamos e o telhado se inclinava, ainda haviam dezenas de conjuntos de equipamentos mágicos em exposição. 

“Onde… Onde você conseguiu tudo isso?” Não pude evitar perguntar. 

Um dos conjuntos de armas já seria uma coleção para a vida toda. Vários conjuntos… Isso exigiria mais dinheiro, ajuda ou mais tempo. Elfos podiam viver mais que humanos, se eu me lembrava corretamente. No entanto, tudo aquilo era demais, e com nenhuma outra ornamentação além de equipamentos na cabana inteira, fazia pouco sentido. 

“Do meu calabouço.” Khyrmin respondeu, como se isso explicasse tudo. 

Que calabouço ela frequentava? Será que havia algum por perto? 

Havia apenas mais um andar. Estava quase vazio, exceto por uma cama enorme, uma cômoda e uma lareira gigantesca. Também havia um tapete de pele de urso, embora eu não fizesse ideia de que tipo de urso era. Os ursos colossais eram grandes, mas eles não tinham nove metros de comprimento da cabeça à cauda, tinham? Suponho que ele poderia ser falso, mas Khyrmin não parecia o tipo que se importaria com isso. 

“Vocês podem deixar suas coisas no canto.” Khyrmin gesticulou com a mão. “O ensopado está cozinhando para o jantar.” 

Depois disso, só houve muita espera desconfortável. Kantrilla tentou iniciar uma conversa com Khyrmin várias vezes, sem sucesso. Eu ainda não sabia exatamente o que pensar, então também não era uma boa companhia naquele momento. Mesmo assim, fiz algumas tentativas. 

“Como você construiu a cabana?” Perguntei. 

“Toras.” 

Isso… Não explicava absolutamente nada. Era como perguntar a um ferreiro como ele fez uma espada. “Metal” não era um como, era um com o quê. Mas não parecia valer a pena corrigir Khyrmin por isso. 

Eu ainda queria que ela gostasse de mim para me ensinar. Eu achava que ela planejava me treinar de qualquer jeito, mas talvez ela só fosse deixar Kantrilla e eu passarmos a noite e depois nos expulsaria pela manhã. De qualquer forma, se ela não queria falar nada, eu não ia incomodá-la. 

Depois de comer o ensopado (talvez de urso?), já estava escuro. Como não tínhamos nada específico para fazer, era hora de dormir. Khyrmin parecia o tipo que acordava cedo. 

Kantrilla e eu escolhemos nossas próprias seções gigantes do tapete de pele de urso. Usei parte da minha mochila como travesseiro e fui aos poucos pegando no sono com a sensação agradável de estômago cheio e uma lareira quentinha. 

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