
Capítulo 85
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
A masmorra do minotauro ficava perto da extremidade de Ekralas – ou talvez a cidade tivesse se expandido até cobrir minimamente a masmorra. De qualquer forma, era uma das poucas masmorras que realmente ficava na cidade.
Esta masmorra estava rodeada por seu próprio recinto murado, embora os guardas estivessem melhor equipados do que aqueles na masmorra dos goblins. Isso fazia sentido, já que os minotauros eram de nível muito mais alto. Os monstros que saíssem para fora da masmorra seriam de pelo menos rank C, em vez de rank A ou possivelmente B. Não que muitos monstros deixassem as masmorras, mas ser cauteloso nunca era demais.
Alhorn suspirou enquanto nos aproximávamos da estrutura negra que absorvia toda a luz ao seu redor.
“Eu quase tinha esquecido como são as masmorras. É meio deprimente, não é? Mas pelo menos eu poderei ver o quanto a minha magia de luz melhorou…”
“É fácil esquecer o quão estranhas as masmorras são.” Eu assenti.
Embora eu estivesse convencido de que os monstros que apareciam nelas eram normais para este mundo, a absorção de luz era certamente estranha. Ao mesmo tempo, essas propriedades eram a razão pela qual os principais ocupantes das masmorras eram monstros que podiam ver no escuro ou que não precisavam enxergar de forma geral.
Descer os degraus até a masmorra era uma sensação estranhamente familiar, mas perturbadora. Não poder ver onde meu pé ia parar tornava difícil caminhar… Então eu parei de olhar para os meus pés. As escadas eram regulares, então meu corpo sabia como descer.
Quando eu chegava ao final da escada havia o problema de eu estar esperando outro degrau onde não havia mais nenhum, porém isso era melhor do que não esperar outro degrau e acabar tendo um. Meu pé apenas atingia o chão com uma força um pouco desnecessária. Kantrilla, por outro lado, quase caiu, mal conseguindo se segurar no meu ombro para se equilibrar. A Destreza dela nem era tão ruim assim… Mas talvez ela simplesmente não a usasse bem.
Alhorn levou alguns segundos para criar seu feitiço de luz adequadamente, mas uma vez que ele o fez, pude perceber que ele vinha praticando. Em vez de haver uma única fonte de luz, parecia que toda a área ao redor dele estava projetando luz em uma pequena quantidade. Não era particularmente mais brilhante, mas a vantagem era que podíamos ver onde a luz não era projetada – e assim onde estavam as paredes e o chão.
“Ufa, isso é mais difícil do que eu me lembrava. Eu tenho que manter minha área apenas um pouco afastada das paredes e do chão ou isso vai começar a drenar a minha mana…”
Kasner também contribuiu com alguma magia de luz – embora aparentemente ele tivesse tão pouca dedicação a isso que nem sequer tinha Luz como uma habilidade real. Mesmo assim, ter mais luz era útil. Nossos inimigos já seriam capazes de nos ver chegando, então um pouco mais de luz lhes dava apenas um pouco mais de informação e nos dava… O que precisávamos.
Nós levamos quase quinze minutos para encontrarmos o primeiro minotauro. Estávamos andando devagar, porque Halette ainda não estava familiarizada com as armadilhas na área. Claro, ela tinha pesquisado quais tipos haveria, porém saber sobre elas e era diferente de tê-las visto de fato. Na verdade, não ter encontrado nenhuma armadilha nos tornava ainda mais cautelosos. Talvez nós simplesmente não conseguíssemos vê-las…
De qualquer forma, encontramos um minotauro antes de encontrar quaisquer armadilhas – ou ativá-las acidentalmente. Meias o cheirou primeiro, rosnando em resposta. Com isso, soubemos que ele estava depois da esquina, mas não estava terrivelmente perto.
Quando viramos a esquina, nós não o vimos – mas certamente o ouvimos. Um rugido profundo e o som de cascos contra pedra nos alertaram sobre sua presença antes que ele se aproximasse o suficiente para ser visto. Ele estava ainda a mais de dez metros de distância quando a luz o alcançou o suficiente para eu lançar minha lança – mas uma vez que o vi claramente, eu a lancei com todas as minhas forças.
A lança cortou o ar em direção ao minotauro que disparava em nossa direção, penetrando fundo em seu peito. O minotauro desacelerou momentaneamente… Mas no momento seguinte ele aumentou a sua velocidade. Ele ainda conseguiu golpear para baixo em minha direção com o seu grande machado, o que me obrigou a desviar… E então ele caiu no chão.
Olhei para a estranha combinação de homem e touro. Ele tinha as pernas de um touro – mas apenas um par, as pernas traseiras. Depois vinha o torso de um homem, seguido novamente pela cabeça de um touro, incluindo chifres. Ao ver isso me veio à mente que os minotauros não faziam quase nenhum sentido. Como eles sequer se equilibravam nessas pernas?
Bem, provavelmente elas deviam ser um pouco diferentes das pernas de um touro real.
“Isso foi… Inesperadamente difícil. Ele simplesmente continuou disparando em nossa direção mesmo que a lança tenha perfurado o coração dele!” Balancei a cabeça.
“Bastante surpreendente.” Alhorn assentiu “As anotações diziam que os minotauros quase sempre terminavam sua investida… Mas eu não tinha certeza do que exatamente isso significava.”
“Eles poderiam ter simplesmente dito que o minotauros são teimosos demais para morrer imediatamente.” Cocei meu queixo “Mais detalhes teriam sido bons.”
Além de seu machado, o minotauro deixou para trás apenas uma pequena gema. Ela era maior do que a de um goblin comum, mas menor do que a que nós conseguíamos dos chefes. O machado em si não era de qualidade particularmente alta – não que esperássemos muito do primeiro nível desta masmorra. Os minotauros se tornariam maiores, mais robustos e estariam melhor equipados à medida que avançássemos.
“Hmm…” Cocei mais o queixo “Halette, você pode ter mais de um companheiro?”
Ela deu de ombros.
“Quero dizer, eu poderia, mas então eu teria que dividir os recursos entre eles. Alguns domadores de bestas fazem isso, porém ter companheiros mais fracos significa que eles possuem maiores chances de morrerem…”
Ela abraçou Meias, que embora não fosse mais alta que do que ela, ainda era mais robusta.
“Apenas o pensamento em si já é horrível.”
“E que tal uma mula ou algo do tipo? Algo que cujo propósito não seja lutar. Eu sei que os animais comuns normalmente não se saem muito bem em uma masmorra, mesmo possuindo treinamento. No entanto, com a presença de um domador de bestas…” Eu ergui os ombros “O que outras pessoas costumam fazer?”
Helette arqueou os ombros.
“A maioria delas carregam o que podem e largam coisas pesadas e de baixo valor, até conseguirem comprar bolsas mágicas.”
Hallete ficou absorta em seus pensamentos por alguns segundos, depois continuou:
“Não faria mal tentar ter um animal de carga. E os minotauros não são conhecidos por suas emboscadas, então ele provavelmente poderia ficar seguro…”
“Só pensei em mencionar.” Eu encolhi os ombros “Não faria mal ganhar um pouco mais de dinheiro… Ou poder evitar ter que carregar bolsas pesadas que nós teríamos que largar para poder lutar.”
Com esse pensamento em mente, nós partimos mais fundo na masmorra para nos acostumarmos a lutar contra os minotauros. Haviam mais situações para aprendermos além daquela ideal onde eu praticamente matei um logo de cara.