A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 82

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Alhorn conseguiu perceber o que estava acontecendo e angulou seu escudo para tentar separar os pescoços e o corpo, mantendo-os afastados. Eu não tinha certeza se seu escudo poderia suportar esse tipo de impacto. Eu queria fazer algo para ajudar Alhorn, porém eu ainda estava deitado de costas. Eu só podia assistir o que estava por vir. 

No entanto, felizmente eu não era a única pessoa ali presente, e logo algo inesperado aconteceu. 

Um enorme bloco de gelo estava se formando sobre todos os pescoços enquanto eles se curvavam. O bloco de gelo era um pouco mais largo do que todos os pescoços juntos e cobria cerca de um terço do meio dos pescoços. O impulso dos pescoços rachou o gelo enquanto ele ainda se formava, porém o gelo os desacelerou. 

Eu mal conseguia ver Alhorn sendo empurrado pelas cabeças e eu acho que seu escudo parecia ter entortado um pouco… Mas Alhorn ainda estava tridimensional. Olhei para Kasner, em um estado de concentração suprema, e percebi que eu quase tinha esquecido que seu cajado na verdade era melhor para melhorar a magia de gelo, em vez de seu usual raio. 

Consegui me levantar com dificuldade. Meu braço esquerdo podia ter quebrado, me deixando incapaz usar o meu escudo, mas isso não significava que eu não podia lutar. Mais importante que isso, eu não podia simplesmente deixar Alhorn em perigo e não fazer nada. 

Exceto que eu não tinha uma arma comigo. 

Eu acho que o meu glaive provavelmente devia estar em algum lugar embaixo da hidra, mas não podia ter certeza. Eu precisava de dois braços para usar um arco… E então eu me dei conta de que ele havia quebrado na queda. Eu ainda tinha a minha funda? 

Felizmente, eu não precisei procurar por pedras. Meias veio correndo com minha lança na boca, tendo acabado de arrancá-la da lateral da hidra onde eu a havia lançado pela primeira vez. Ela a deixou na minha frente e depois correu de volta para a hidra, sem nem me dar tempo de dizer ‘Obrigada, garota!’. 

Alhorn ainda estava conseguindo se defender da hidra. As flechas de Halette tinham pelo menos cegado parcialmente as outras duas das cabeças, deixando apenas duas delas com funcionalidade máxima. Mesmo assim, elas pareciam ter desacelerado um pouco. 

Preparei a minha lança e me coloquei em posição. Só um pouco mais e poderíamos derrubar essa hidra. Eu queria ajudar Alhorn a lutar, mas entrar em combate corpo a corpo com a minha lança e sem o escudo não era o ideal. No entanto, eu podia ver que a perda de sangue estava afetando a hidra. 

Me concentrei antes de arremessar a minha lança, reunindo a minha mana restante. Eu pensei no arremesso de Ruslan. Eu sabia que não poderia replicar ele perfeitamente, mas ele havia sido o melhor ataque que já havia visto. 

O ataque em si era simples, porém ele era perfeitamente equilibrado. A mana cobria mais do que apenas a ponta da lança – ela cobria toda a lança em si –, permitindo que ela voasse pelo ar sem impedimentos. Eu tentei fazer o mesmo, então lancei com toda a minha força. 

A lança voou certeira – não que fosse difícil atingir uma hidra – e penetrou vários centímetros além da ponta da lança, atravessando as escamas, como merecia o nome da habilidade. Eu queria poder dizer que a hidra caiu morta imediatamente com meu golpe feroz, mas na verdade fui eu quem quase desmaiou ao drenar toda a minha mana. 

Eu caí de joelhos e observei enquanto Alhorn esfaqueava um dos pescoços, fazendo jorrar sangue de uma artéria. Então, raios voaram entre as cabeças restantes e a ferida da minha lança, criando fumaça enquanto carbonizava a hidra… Que, depois de mais algumas tentativas de morder, finalmente desabou, coberta de feridas por todos os lados. 

Olhei ao redor e vi que a maioria das outras hidras já estavam mortas. Isso incluía a chefe das hidras. Eu gostaria de ter assistido a essa luta, mas já era tarde demais. Vi alguns buracos através de alguns de seus pescoços e talvez um em um ângulo através de seu corpo. 

Todos que ainda estavam em boas condições trabalharam juntos para acabar com as hidras restantes e depois começaram a desmantelá-las para pegar as melhores partes. Todos estavam sendo pagos para participar da exterminação, mas isso não significava que era uma boa ideia desperdiçar recursos e dinheiro extra. 

Antes de participar, eu deixei Kantrilla cuidar das minhas feridas e colocar meu braço em uma tipoia. Alhorn e Meias também tinham feridas que precisavam ser tratadas. Alhorn provavelmente tinha algumas costelas quebradas, entre outras coisas, mas ainda conseguia andar. Eu me pergunto quanta Resistência ele tinha. Embora não fosse o suficiente para aguentar ser esmagado por uma hidra, eu sabia que seria bastante. 

Enquanto colocávamos os pedaços de hidra em Capuz, não pude deixar de me perguntar. 

“Por que as pessoas não levam mulas para as masmorras?” 

Halette tinha a resposta. 

“Ao contrário dos campos, as masmorras podem facilmente ter inimigos vindo por trás sem uma maneira de detectá-los. Além disso, animais comuns não conseguem lidar muito bem com as estranhezas da masmorra. Ouvi dizer que existem alguns animais de carga para masmorras, mas são mais caros, pois precisam ser capazes de lutar por si mesmos e passar por um treinamento especial.” 

 “Acho que faz sentido.” Eu assenti 

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Marchar por mais um dia enquanto eu estava ferido não foi divertido, mas eu não ia reclamar. Nem todos saíram apenas com um braço quebrado. 

Embora tivéssemos trazido um número adequado de pessoas, alguns dos outros aventureiros sofreram ferimentos graves que provavelmente levariam à perda de um membro, além de termos tido quatro baixas. Não importava se eles não eram fortes o suficiente, sofreram azar ou foram descuidados. Eles estavam mortos. 

Aventureiros morriam o tempo todo, mas qualquer indivíduo não era muito propenso a morrer. Afinal, se houvesse uma chance de morte de dez por cento todos os dias, quase ninguém duraria um mês. Na verdade, uma chance de um por cento por dia levava à morte quase certa em alguns anos. Era por isso que os aventureiros geralmente lutavam contra inimigos que consideravam “fáceis”. 

Claro, o nosso grupo aparentemente poderia matar uma hidra de seis cabeças – mas até mesmo as de cinco cabeças eram um pouco arriscadas demais para lutar o tempo todo. Se não conseguíssemos matar nossos inimigos rapidamente, a situação se tornava muito arriscada. 

Essa era também a razão pela qual Kantrilla era uma parte importante do nosso grupo. Embora ela não matasse inimigos e não pudesse se dar ao luxo de lançar barreiras repetidamente, ela curava nossas feridas. No mínimo, ela parava o sangramento rapidamente, mesmo que a ferida não fosse totalmente curada instantaneamente. 

Haviam alguns grupos que se aventuravam sem um curandeiro, mas havia muitas histórias deles ‘vencendo’ uma luta, apenas para um membro morrer por conta de seus ferimentos no caminho de volta à cidade ou para fora da masmorra. 

Isso era relativamente raro, já que a maioria das pessoas sabia disso, mas ainda assim eu ouvia os rumores. Eu fiquei feliz por ter conhecido Kantrilla, não podia imaginar como seria sem ela. Eu realmente gostava do resto do grupo também, mas não era a mesma coisa que minha primeira boa amiga neste mundo.

 

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