A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 80

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

As hidras foram avistadas mesmo antes das pessoas que estavam as atraindo para mais perto – elas não estavam muito atrás e eram muito maiores. O plano era trazer o menor número possível de hidras por vez… Mas parecia que esse plano havia falhado. 

No entanto, eu não ia culpar aqueles cujo trabalho era esse, porque certamente eu não era corajoso o suficiente para nem sequer tentar. Às vezes, os planos falham, e você se encontra enfrentando um enxame de hidras. 

O chão começou a tremer enquanto as hidras se aproximavam como uma vasta parede. Não havia como contar quantas havia. Era difícil, com tantos pescoços longos balançando em toda parte. Algumas eram do tipo relativamente menor, com três cabeças, mas a maioria delas possuía quatro ou cinco cabeças. 

Misturadas no meio delas haviam algumas que eu presumia ter seis cabeças devido ao tamanho, mas eu realmente não tinha tempo para contá-las. Havia também uma muito grande na parte de trás… Ela se erguia sobre todas as outras, embora algumas delas fossem do tamanho de uma casa decente. 

Eu me preparei para lutar contra as hidras… Mas elas não estavam vindo em nossa direção, e sim perseguindo as pessoas que as haviam atraído para o meio. 

Alhorn foi o primeiro que ouvi reagir corretamente. 

“Precisamos atraí-las para longe! Eles não podem enfrentar tantas delas sozinhos! Eles precisam lutar contra o chefe!” Alhorn gritou enquanto disparava uma flecha. 

Um momento depois, dezenas de flechas e feitiços voaram – ou motivados pelo grito de Alhorn ou por eles mesmos terem se dado conta disso. Um punhado de hidras morreu, embora muitas tenham sido alvo de mais feitiços do que o necessário, provavelmente resultando em mana desperdiçada. Muitas mais hidras foram feridas, algumas delas gravemente, e então os ataques também ganharam a sua atenção. O enxame de hidras começou a se dividir para os lados. 

“Rotacionar formações! Centro, recuar vinte passos!” 

O chamado veio da maga que fazia parte dos grupos de nível mais alto. Foi magicamente amplificado, então foi ouvido claramente mesmo em meio a todo os outros barulhos. 

Demorou alguns segundos para as pessoas lembrarem dos poucos planos que tínhamos, mas logo estávamos movendo a formação. Como dito, o centro recuou… E arrastou o restante das linhas junto, formando uma espécie de V. Com todas as hidras vindo principalmente em direção ao centro, fazia sentido. Isso nos permitia enfrentá-las de forma mais individual em vez de apenas esperar que elas acabassem com tudo em seu caminho. 

Nosso grupo se moveu um pouco junto com um lado do V, depois nós nos preparamos para enfrentar a primeira hidra que vinha em nossa direção. Era apenas uma de três cabeças… Derrubada por algumas flechas, uma lança minha e um único feitiço de Kasner. 

Foi uma coisa boa termos acabado com ela rapidamente, porque havia outra hidra logo atrás, uma de quatro cabeças. Eu não tive tempo de recuperar a minha lança, ou sequer tive espaço para lançá-la, então tive que me contentar com o meu escudo e o glaive. 

Kantrilla lançou algum tipo de bênção em todos. Esta não era uma batalha onde podíamos conservar mana – embora Kantrilla ainda guardasse mana suficiente para parar sangramentos. Como ela não tinha feitiços ofensivos para usar contra as hidras, na verdade era improvável que ela ficasse sem mana tão rapidamente, a menos que nós cometêssemos erros. 

Alhorn e eu tomamos nossas posições em cada lado da frente da hidra, com Meias tomando sua posição atrás dela, completando nosso pequeno triângulo. Eu não conseguia ver, mas pela maneira como a hidra se debatia ela provavelmente já havia pego o seu rabo. 

Eu avancei para atingir o pescoço mais à direita com o meu glaive… Mas o próximo pescoço veio se lançando para baixo em minha direção. Bloqueei com meu escudo… E fui lançado para longe. Eu aterrissei de costas a mais de três metros de distância, embora eu estivesse praticamente ileso. 

Se eu tivesse tentado parar o golpe ao invés de deixá-lo me empurrar, provavelmente eu teria quebrado o meu braço do escudo. Isso poderia fazer algum bem e ajudar a treinar a minha Resistência… Mas eu certamente não ia me preocupar com treinamento de atributos no meio de uma grande batalha. 

Quando eu me levantei e avancei novamente, Alhorn havia cravado sua espada em um dos pescoços, e baseado na quantidade de sangue jorrando, havia sido uma ferida profunda. Eu também vi algumas flechas cravadas em outra cabeça, com uma dentro da boca e outra em um olho. 

Enquanto todas as cabeças estavam distraídas com Alhorn, eu avancei e executei um Ataque Espiral, cortando parcialmente os três pescoços à direita. Não os decepei completamente, mas cada cabeça tinha um corte de quinze centímetros, se não trinta. Eu me encontrei coberto de sangue e, um momento depois, desviando das cabeças das hidras caindo enquanto ela era finalizada por um relâmpago de Kasner. 

Rapidamente eu procurei por hidras que exigissem atenção imediata, mas não vi nada que precisasse urgentemente da minha atenção. Pelo menos, não antes de eu limpar um pouco do sangue da minha manopla e do cabo do meu glaive. Eu queria ter uma boa aderência na minha arma… E um pouco de grama serviu bem para esse propósito. Isso levou apenas alguns segundos. 

“Então, para onde devemos ir?” 

Eu olhei mais ao redor. Dei uma breve olhada para a hidra chefe em si – tempo o suficiente para ver uma lança voar através de um dos pescoços de vários metros de espessura. O buraco deixado para trás parecia quase insignificante. Aquela batalha estava muito distante e perigosa para nos envolvermos, então eu continuei olhando. 

“Lá!” Halette apontou, indicando a direção ao disparar uma flecha em uma hidra. 

Um grupo um pouco mais distante estava em combate com duas hidras de quatro cabeças… E uma de seis cabeças se aproximava deles. Eles já pareciam estar quase no limite, e ninguém mais parecia livre para enfrentar outro inimigo. Isso nos tornava os únicos capazes de ajudá-los. 

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