A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 35

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Não demorou muito para que Kantrilla e eu conseguíssemos uma posição como guardas de uma caravana rumo a Ekralas, a capital de Othya, o país em que eu me encontrava. Ficava cerca de 120 quilômetros de distância de Trona, aproximadamente quatro dias de viagem. Em sua maior parte, a rota não era perigosa, e eles já tinham guardas. Fomos contratados como extras, o que significava um salário pequeno, mas a comida e os quartos nas estalagens ao longo do caminho seriam pagos. Era um acordo que muitos grupos de mercadores tinham com a guilda. Não custava muito a eles e gerava uma boa imagem com a guilda. 

Se houvesse perigo real, os aventureiros eram obrigados a ajudar juntamente com os guardas regulares, mas também recebiam um pagamento extra. O pagamento diário normal era apenas para lembrá-los de ficarem alertas. Como aventureiros de classe B, receberíamos apenas alguns cobres por dia, o que era basicamente nada – mas com as nossas despesas básicas cobertas, o pagamento em si não era tão ruim. Além do mais, por apenas alguns dias, isso não importava muito. 

A maior parte da jornada era apenas conversar ou apreciar a paisagem. Podíamos viajar nas carroças, então nem parecia um trabalho, embora eu tentasse garantir que eu permanecesse ciente dos arredores pelo menos. 

A distância de 120 quilômetros não parecia muita coisa, até eu pensar nela como quatro dias de viagem em vez de uma hora e meia de carro. Felizmente, Kantrilla trouxe diversas conversas empolgantes para quebrar o tédio. “Então, Llyr, você já foi à capital? Ouvi dizer que é incrível. Dizem que tem centenas de milhares de pessoas!” 

“Uau, isso é… Muita gente.” Era, eu acho. Seria do tamanho de algumas cidades na Califórnia… Algumas médias, de qualquer forma. Para um país como este, suponho que isso fosse muito grande. A questão é que essas poucas cidades eram praticamente indistinguíveis umas das outras, a menos que você visse as placas dizendo que mudaram de cidade – ou como as placas de rua mudavam, às vezes. Isso as tornava efetivamente uma cidade maior… Ou toda a área basicamente uma metrópole. 

“Eu sei, né? Você já foi à capital?” 

Balancei a cabeça. “Não, eu não fui.” 

“Eu também não. Na verdade, eu não saí muito de Trona, exceto uma vez. O Padre Thomas me levou com ele para Timeston. Ele foi solicitado para ir curar o filho do prefeito. Era mais ou menos do mesmo tamanho, mas era bem diferente.  No entanto a capital é muito maior, então deve ser bem emocionante. Tem uma guilda de aventureiros próspera e masmorras…” Seus olhos brilhavam de empolgação. 

“Não fique tão animada ainda. Faltam dias até chegarmos lá, e você não quer se empolgar demais.” 

“Aii, você não tem graça nenhuma. Você não está animado para ir a uma cidade grande?” 

“Eu vi cidades grandes, apenas não Ekralas.” 

“É mesmo? Quantas pessoas viviam na maior cidade que você já visitou?” 

“Hmm, um milhão talvez?” Eu realmente não acompanhava os números da população. Se contasse toda a área, provavelmente seriam milhões, mas as cidades próximas provavelmente não ultrapassavam muito de um milhão. Não, espera, Los Angeles era maior, ou será que todas as periferias contavam? Ah, tanto faz. Eu não precisava trazer isso à tona de qualquer maneira. 

“Pfwoqu-” Se Kantrilla estivesse bebendo alguma coisa, esse seria o momento em que ela cuspiria – possivelmente pelo nariz. Em vez disso, ela apenas fez um barulho engraçado e tentou dizer o quê ao mesmo tempo. “Um milhão de pessoas? Existem cidades tão grandes? Eu quero visitar alguma~” 

“Ah, desculpe, você não pode.” 

“Por que não?” 

Dei de ombros. “Elas não existem.” Para fins práticos, de qualquer forma. 

“Ah! Cidades imaginárias não contam.” 

“Ah é? Acho que você não estaria interessada em ouvir sobre prédios com centenas de metros de altura, então.” 

“… Talvez eu esteja. Eles são torres de magos?” 

Balancei a cabeça. “Não, apenas lugares onde milhares de pessoas trabalham.” 

“Como elas cabem lá?” 

“Eles os fazem maiores, obviamente.” 

“Não fica escuro no meio?” 

“Bem, eles têm grandes janelas de vidro em todos os lados. Isso deixa entrar muita luz, mas as salas internas também têm luzes.” 

“Não fica muito cheio de fumaça?”  

“Hein? Ah, não. Elas são… Luzes mágicas.” 

“Então é uma torre de mago!” 

“Não, magia é apenas… Muito comum lá. São cidades prósperas.” 

“Isso é maravilhoso.” Kantrilla estava sorrindo. “Com uma abundância de magia, ninguém seria pobre ou passaria fome.” 

Franzi a testa. “Isso teria sido bom.” 

“O que, você está dizendo que não pode ser assim? Esta é uma cidade imaginária! Não precisa ter ninguém pobre ou passando fome.” 

“Você está certa.” 

“Então, o que mais a cidade tem?” 

“Bem… A cidade é tão grande que as pessoas não podem caminhar até o trabalho. Todos pegavam cavalos e carruagens para chegar ao trabalho. Então havia muitos cavalos… Por isso eles se livraram deles.” 

“Mas pensei que as pessoas precisavam deles para se locomover. Como elas fizeram isso se elas se livraram deles?” 

“Oh, eles simplesmente se livraram dos cavalos. Então eles andavam em carruagens mágicas que iam muito rápido, mas não precisavam de cavalos.” Essa última parte era uma mentira. O trânsito era um problema tão grande que ninguém ia muito rápido… Mas talvez a versão imaginária não tivesse trânsito. 

“Qual é o nome da cidade?” 

“São… Err, São Francisco. Foi ele quem fundou a cidade e a liderou para ser tão próspera e cheia de magia.” Eu não tinha ideia do que o verdadeiro São Francisco tinha feito, mas ele definitivamente morreu muito antes de a cidade ser construída. 

“Entendi. Ele deve ter sido abençoado por Imtar, o deus da riqueza e prosperidade.” 

“Uh, claro. Existem deuses para esse tipo de coisa?” 

“Claro! Bem, eles não concedem bênçãos, no entanto. Apenas coisas tangíveis como Atributos recebem bênçãos, pelo menos de qualquer forma visível.” 

“É mesmo? Sorte não é particularmente tangível também.” 

“Claro que é! Vê este cobre? Se eu quiser que caia cara para cima, vai cair!” Ela jogou a moeda para o alto, pegou-a e a colocou deitada em cima de sua mão. O lado da coroa estava para cima. “Ah… Bem, na maioria das vezes, de qualquer forma.” Ela coçou a parte de trás da cabeça. “Para ser honesta, ela realmente falha mais frequentemente se eu realmente tentar demonstrar.” 

“Isso é o que a torna intangível.” 

“Bem, e quanto às outras habilidades mentais?” 

Dei de ombros. “Imagino que seu efeito possa ser mensurado… Velocidade de pensamento, resolução de problemas, resistência mental e totais de mana, certo? Suponho que a sorte você possa mensurar com, digamos, mil lançamentos de moedas.” 

“Oh, isso pode funcionar! Ou… Pode não funcionar. A sorte nem sempre aparece quando não tem importância. Err, ela também não gosta de ser explorada.” 

“É por isso que seus lançamentos de moedas dão errado?” 

“Talvez~” Kantrilla sorriu. “Quem sabe?” 

A divertida conversa continuou pelo resto do dia, antes de pararmos para passar a noite. As camas na estalagem não eram ótimas – eram modestasaté –, mas eram boas o suficiente para o preço que eu estava pagando. Talvez não para o preço que outra pessoa estava pagando, mas eu achava que nada era um preço bastante justo. 

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