
Capítulo 23
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
De alguma forma, eu consegui permanecer muito calmo ao ver os lobos circulando e rosnando. A primeira coisa que eu tinha que fazer era ajudar a Kantrilla. Embora ela pudesse se virar um pouco contra dois lobos, se eu me distraísse lutando contra os outros, não havia garantia de que alguns dos restantes não a atacassem em grupo. Como ela não podia realmente machucá-los, não haveria muito que ela pudesse fazer…
Eu, por outro lado, me especializei em matar coisas. Isso era o que ter apenas uma Força gigantesca fazia com você. Eu não queria perder mais tempo pensando em táticas e nos colocar em uma posição ainda mais desvantajosa… Então, eu ataquei assim que tive a oportunidade. Meu alvo era o segundo lobo, o que atacava a Kantrilla pela lateral. Eu já tinha decidido atacar enquanto girava, e com o impulso disso somado a Força e a Golpear, ele não tinha chance. Eu não o cortei completamente… Mas a lâmina da alabarda entrou até o fim. Talvez se eu tivesse uma arma diferente, eu realmente o teria partido ao meio.
Naquele momento, vendo que eu estava distraído, os três lobos que eu estava mantendo afastados correram na minha direção. Eu não podia fazer muito com a parte traseira da alabarda, já que seu alcance era limitado devido ao fato de a lâmina ainda estar alojada na caixa torácica do outro lobo. Ela estava presa… Então eu rapidamente decidi abandoná-la e pegar a minha clava. Eu fui rápido o suficiente para apenas sacá-la enquanto girava. Eu afastei um lobo, desviei do segundo e bloqueei as mandíbulas do terceiro com a própria clava. Ele rapidamente deu uma sacudida, mas descobriu que não adiantava de nada. Embora tenha danificado a madeira, não representava perigo algum para mim.
Ele me arranhou enquanto ainda segurava na clava, mas eu o chutei, fazendo-o soltar e recuar. Agora eu estava enfrentando três lobos sem a minha alabarda… Não era o ideal, mas era possível. De alguma forma, eu ainda conseguia acompanhar todos os seus movimentos com um pouco de magia me apoiando. Um lobo estava levemente ferido por eu tê-lo chutado para longe, mas não era nada sério. Eu sabia que era melhor agir rapidamente, porque os lobos trabalhavam bem juntos. Pegá-los desprevenidos era a melhor aposta.
Eu avancei na direção do lobo ferido, golpeando-o de cima para baixo. Ele estava um pouco mais lento do que antes. Houve o som de ossos se esmagando… Então me virei para o lado bem a tempo de ouvir o som de dentes perfurando a carne. Era meu braço, é claro. O ideal seria eu ter desviado do lobo em vez de deixá-lo morder meu braço, mas ele pensava diferente de mim. Eu consegui me mover para o lado e desviar do terceiro lobo. Isso incluiu erguer o lobo que mordia meu braço e fazê-lo ficar nas patas traseiras e girá-lo. Era ótimo ser forte… Embora fosse ainda melhor não ser mordido.
Enquanto meu braço esquerdo participava do eu imaginava ser o mais doloroso cabo de guerra, eu firmei a minha clava na minha mão direita. O lobo que não estava segurando meu braço continuou a me atacar pela esquerda, me arranhando. Isso resultou em sua maior parte em alguns arranhões passando pela minha armadura. Eu não conseguia atacá-lo de maneira eficiente… Mas eu puxei o lobo que estava segurando meu braço para baixo e golpeei com a minha clava sobre ele. Não era necessário dizer que usei o Golpear com força total. O lobo ganiu e recuou. Isso me deu a oportunidade de lidar com o que estava no meu braço.
Anteriormente, eu havia golpeado um deles com a minha clava, mas foi em um ângulo meio desajeitado que ocasionou em mais danos ao meu braço… Parecia que ele já ia precisar de cura e um período de descanso para se recuperar. Eu não queria agravar a situação. Para evitar isso, eu soltei a minha clava e, com a minha mão direita, segurei a mandíbula superior do lobo. Então, eu apenas a apertei e torci o máximo que pude. Eu poderia ter acertado os olhos ou as orelhas, mas eu não iria conseguir segurar muito bem com apenas uma mão. A mandíbula, no entanto, era estacionária em relação ao meu braço – e meu braço estava tão imóvel quanto eu podia mantê-lo com um lobo se debatendo. Que era na verdade… Bem estável. Os músculos de ambos os braços estavam tensos, mas eu permaneci firme.
Finalmente, veio um crack, e o ganido de dor do lobo perfurou os meus ouvidos à medida que a sua mordida afrouxava. Rapidamente, eu me abaixei para pegar a minha clava. Atualmente, a minha força usando um braço era quase tão grande quanto a força que eu tinha ao usar ambos os braços antes da minha sessão de treinamento de inverno. Um golpe… E eu estava sem mana… Mas eu não estava sem resistência ou, mais importante, adrenalina. O segundo lobo tinha acabado de recuperar a coragem para voltar, mas era tarde demais. Alguns golpes rápidos, mas poderosos, e eles estavam no chão… Depois, eu acabei com aquele que a Kantrilla estava lidando. Eu passei a considerar seriamente a necessidade de mais membros em nosso grupo, para que assim ela pudesse ficar livre para fazer… Outras coisas Clerigais durante o combate. Ela até conseguiu desferir alguns golpes com a maça dela, como pude ver… Mas a Foça dela não devia passar de 100 – e provavelmente, era até abaixo disso. Sem nenhuma habilidade em particular, teria levado algum tempo para ela derrotar o lobo.
Depois de tudo terminado, eu verifiquei se os cadáveres eram realmente cadáveres – batendo na cabeça de cada um deles. Então, eu desabei no chão. Eu estava exausto, mas era um tipo bom de exaustão… E com ela veio a sensação de um nível à medida que a experiência fluía sobre mim e para mim. Enquanto Kantrilla amarrava meu braço e lançava magias de cura nos arranhões e cortes espalhados por todo o meu corpo – alguns dos quais eu não tinha ideia de como surgiram –, eu refleti sobre quão incríveis as classes deveriam ser para compensar todo esse sofrimento.