A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 8

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

A guilda tinha uma série de classificações para determinar o quão difíceis eram os monstros, e para informar aos aventureiros se eles precisavam de mais pessoas ou de treinamento para realizar um trabalho. Em muitas histórias de ficção, as classificações são por letras, do menor para o maior, como F, E, D, C, B, A, S. Pensar nisso me dá vontade de esfaquear alguém, ou talvez esmagar a cabeça deles com uma clava. Eu sei que “S” significa “especial” ou algo assim, mas ainda assim, não é dessa forma que o alfabeto funciona! Além disso, isso dá uma quantidade muito pequena de níveis para agrupar as coisas. Isso não é realmente uma boa ideia. Felizmente, eu não precisei esmagar a cabeça de ninguém aqui. Embora o alfabeto seja diferente, basicamente vai do mais baixo para o mais alto, começando pelo A e percorrendo o alfabeto inteiro. Isso é melhor. Números podem ser ainda melhores, na verdade, mas isso pode confundir as pessoas com os níveis. As pessoas neste mundo realmente têm esse conceito – não são apenas pessoas de um mundo diferente como eu que conhecem os níveis. É estranho, mas suponho que se você crescesse com isso a sua vida toda, não pareceria assim. Os aventureiros também tinham cartões que eram usados como identificação. No entanto, para aventureiros de baixo nível elas eram apenas placas de madeira. 

Quanto às classificações, os Dragões estavam em algum lugar entre as classes J-M, e não havia muita coisa mais perigosa do que eles. Haviam rumores de que existiam alguns aventureiros de classe M – aqueles capazes de derrotar os dragões mais fortes sozinhos. Era dito que eles estavam por volta do nível 100. No entanto, não havia nenhum deles neste país, isso se essas pessoas fossem mesmo reais. Ah, a propósito, este país se chama Othya. Eu realmente não pesquisei a sua geografia ainda, embora pareça ser um país bastante grande. Ah, e os coelhos de chifre eram do nível A, é claro. 

Falando em coelhos de chifre, seus chifres valiam cerca de 1 cobre. Isso significa que eu teria que matar mais de 10 por dia para sobreviver da sua caça. No entanto, suas peles e carne também tinham valor, então se eu pudesse transportar tudo isso, valeria mais a pena. Eu não acho que teria problemas para carregar um monte deles, com exceção de que eles ocupariam muito espaço. Mesmo a minha bolsa nova só cabia alguns poucos. Eu decidi caçar alguns naquele dia e ver o quanto eu iria conseguir. Aparentemente, eles estavam literalmente por toda parte. Parece que eles se reproduziam ainda mais rápido do que os coelhos normais. Assustador. 

Ao sair da guilda, eu fui parado pelo bárbaro. “Ei, garoto. Brincadeiras à parte, usar uma arma só porque é grande não vai te fazer bem. Você consegue realmente brandir isso?” Ao contrário de sua aparência rústica, ele era gentil. 

“Ah, obrigado pelo aviso, mas vou ficar bem.” Segurei a clave com as duas mãos e o balancei algumas vezes. Ele até fazia um som agradável *fwoosh* enquanto cortava o ar. “Na verdade, sou muito mais forte do que pareço.” 

O bárbaro pareceu surpreso. “Isso não é madeira de ferro? Sem ofensas, mas pela sua aparência, apenas arrastar isso pelo chão já faria de você mais forte do que parece.” 

Suspirei. “Sim, eu entendo. Além disso, tenho vinte e dois anos. Não sou mais uma criança.”

 

Ele fez uma careta. “É mesmo? Desculpe, eu só não gosto de ver alguém acabar se matando tentando parecer legal. Acontece com muita frequência. No entanto como você é novo, posso te dar alguns conselhos, se quiser. Eu provavelmente ficaria lutando contra os coelhos de chifre até pelo menos o nível 5, mais se você não se sentir confiante. Certifique-se de obter alguma armadura assim que puder pagar. É um pouco caro, mas não há nada que valha mais do que sua vida.” 

Eu assenti. “Sim, eu gosto de estar vivo, então certamente vou me manter com eles por um tempo.” 

“Bom. Eu sou Sgar, a propósito.” Ooh, um nome bem bárbaro. Talvez eu esteja apenas projetando, no entanto. 

“Eu sou Llyr.” Esta foi apenas a terceira pessoa para quem contei meu nome desde que cheguei a este mundo. A primeira foi o representante da guilda alguns momentos antes, quando ele emitiu meu cartão de identificação. Eu também disse a Torvald e Gregory. Espera, acho que seriam quatro então?

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Eu segui o conselho de Sgar, e a minha vontade, e só lutei contra coelhos de chifre naquele dia. Eu fiquei perto da cidade e matei mais do que um punhado, mas eles não eram tão abundantes quanto na floresta. Talvez fosse porque havia mais pessoas matando-os aqui… Mas eu não vi mais ninguém. Por outro lado, era uma área grande. A boa notícia era que os coelhos, embora mais raros, também não vinham em pares ou em maior quantidade. À noite, eu tinha o suficiente para pagar minhas despesas na estalagem, incluindo refeições. Eu pensei que eu poderia fazer isso no futuro assim que aprendesse a controlar minha força para não estragar a pele ou quebrar os chifres quando os matasse. Embora eu não fosse incrivelmente forte, eles eram, afinal, coelhos. Apesar de serem perigosos, eram frágeis. 

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Naquela noite, foi quando eu contemplei as minhas escolhas de vida passadas – e as futuras. Eu me arrependia de colocar tudo em Força? Se eu tivesse apenas adicionado noventa pontos, minha Força teria sido média. Com os dez pontos restantes, eu poderia ter começado a distribuir eles normalmente, deixando meio que um nível acima. Do jeito que fiz… Eu suponho que contava como sendo cerca de dois níveis acima com o bônus de 10%, o que ainda era… Não muito melhor

. Nada incrível. Afinal, as pessoas poderiam ter Força acima da média. Eu era capaz de ser um aventureiro assim? 

O lado racional de mim dizia “não”. É perigoso ser um aventureiro. Mesmo que eu não saiba de muita coisa sobre este mundo ainda, eu sei disso. Eu já tive sorte de não ter sido realmente ferido. Um chifre poderia ter pegado no meu olho, e isso seria o fim para mim. A segunda parte de mim disse “seja homem”. Não era uma parte estúpida que estava dizendo que eu deveria enfrentar o perigo de frente, não importa as consequências. Isso não seria ser um homem, mas sim um tolo. Essa parte dizia para tomar uma decisão responsável. Pense antes de agir. O que é melhor para você e para as pessoas ao seu redor? A terceira parte de mim disse… Você aguenta. Não, você é forte, mesmo que só um pouco. Você poderia ser mais forte. Claro, você pode andar e correr agora, mas pense no que mais você poderia fazer! 

Eu pensei, e eu não sabia o que fazer, então dormi na cama desconfortável… E sonhei em lutar contra dragões. Os sonhos são estranhos. 

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