Quando a igreja de Turnera foi construída, ela foi construída ao lado da praça da cidade. As paredes eram de pedra branca, o que era raro por aqui, e os pequenos vitrais deixavam entrar uma luz multicolorida no interior.
Padre Maurice era o padre da igreja de Viena em Turnera. Ele inicialmente veio para Bordeaux, mas veio para Turnera assim que seu antecessor faleceu. Nessa altura, não havia muitos clérigos que quisessem ser designados para uma região tão remota no norte, longe de quaisquer grandes cidades, por esse motivo, quando a igreja pediu voluntários, quase todos relutaram em levantar a mão. No final, Maurice foi o único homem a divulgar seu nome.
Em suma, ele era um pouco excêntrico. Porém, apesar de suas peculiaridades, sua fé simples e comportamento calmo conquistaram o povo de Turnera em pouco tempo. Todos os anos, durante o festival da primavera, quando a estátua da igreja precisava ser carregada até a praça da vila, as instruções gritadas e exigentes de Maurice praticamente se tornavam uma característica da temporada.
A estátua fora feita por um pedreiro que viera para a vila quando ela não passava de um povoado. A forma da Poderosa Viena esculpida em pedra branca leitosa perdera aos poucos os seus contornos bem definidos ao longo dos anos, contudo continuava tão brilhante como sempre, pelo menos, uma vez que Maurice a polia todos os dias com muita diligência.
Maurice estava polindo a estátua como era sua rotina antes de fazer uma pequena pausa para preparar um chá, quando ouviu a porta se abrir e alguém gritar.
“Olá!”
Ele ergueu os olhos de seus preparativos para ver que era Belgrieve quem havia chegado.
“Bem, se não é o Sr. Belgrieve. Bem-vindo aos salões de Viena.”
Belgrieve olhou para a estátua polida e sorriu.
“Trabalhando duro como sempre, pelo que vejo.”
“É apenas uma expressão natural da minha fé.”
Belgrieve estendeu a cesta que trouxera consigo.
“Peguei um grande hoje, então vim compartilhar um pouco com vocês.”
“Oh, fico muito grato.”
A cesta continha um pedaço de carne de veado embrulhado em uma grande folha. Belgrieve explicou que pegou o cervo com uma de suas armadilhas na floresta.
Embora Maurice fosse um homem do clero, ainda era humano. Seu credo ditava que vivesse com simplicidade, no entanto seguia se deliciando com as ocasionais refeições indulgentes. Maurice agradeceu e também ofereceu um pouco do chá que acabara de preparar.
“Oh, não se importe comigo.” respondeu Belgrieve.
“Não posso receber caridade o tempo todo. A Poderosa Viena ensina a retribuir aos outros por tudo o que nos foi dado. Por favor, sinta-se em casa.”
Belgrieve riu enquanto puxava uma cadeira próxima. Há muito tempo, ele partiu para a cidade grande, apenas para voltar para casa decepcionado e desanimado. Por um tempo, se tornou motivo de chacota na vila e objeto de ridículo. Entretanto Maurice, que era um estranho e um homem simples e sério, foi um dos poucos que não demonstrou desdém por Belgrieve, e eles começaram a conversar bastante durante esse tempo.
Quando o chá de folhas oferecido terminou de ser preparado, seu aroma refrescante encheu o ar. Era o mesmo sabor que os dois homens sempre conheceram, mas foi a familiaridade que o tornou muito reconfortante.
