Festa de chá das senhoritas
Yuri encostou-se na mesa com a cabeça apoiada na mão e soltou um profundo suspiro.
“O tempo certamente voa…” ela meditou.
“Isso veio do nada.” disse Gilmenja, que estava sentado à sua frente.
“Quero dizer, parece que foi ontem que Leo voltou para Orphen.”
“Sim, naquela época, eu achava hilário como aquele idiota poderia ser um mestre da guilda.”
“Leo insistiu que era um posto de não fazer nada e que seria definido para toda a vida…”
“Você deveria ter sido honesta consigo mesma e segui-lo naquela época. É sua própria culpa por permanecer de maneira teimosa na capital imperial.”
“Oh, cale a boca.” Respondeu Yuri, enquanto uma garçonete silenciosamente apareceu para trocar o bule.
Elas estavam em um café no centro de Orphen. A neve caía desde o início da manhã mais uma vez, mas o céu ainda estava mais claro por volta do meio-dia. A luz um tanto lenta do início da tarde entrava furtiva pela janela, enquanto um ar calmo e tranquilo pairava sobre a esparsa clientela. De vez em quando, podiam ouvir o barulho de cerâmica pontuando conversas sussurradas que eram muito silenciosas para ouvirem.
Colocando sua xícara na mesa, Gilmenja disse.
“Você começou a parecer tão velha e estressada desde que chegou aqui. É um desperdício desse seu rosto fofo, hehehe.”
“Dá um tempo… Você tem sorte, parece que nunca envelhece.”
“Isso não é verdade.”
“É assim sim. Pelo menos, não mudou nem um pouco em dez anos. E aqui estou eu tendo que me preocupar com a minha pele.”
“Seu apelo sexual está aumentando. Só está cansada demais para perceber.”
“Claro que estou cansada…” os ombros de Yuri caíram enquanto brincava com o copo em suas mãos.
Era o seu dia de folga. Depois de deixar a escrivaninha para Edgar, ela saiu com sua amiga de confiança Gilmenja para tomar um chá. O trabalho de Yuri envolvia sentar-se o dia todo para gerenciar aventureiros e folhear a papelada, mas estava acumulando uma forma bem diferente de fadiga do que quando trabalhava suando. Seria impossível mantê-lo sem algum tempo para relaxar. Porém, essa não parecia ser a única fonte de estresse de Yuri.
Gilmenja riu e usou o garfo para pegar um pouco do creme que restou na bandeja do bolo.
“Se planeja demorar depois de vir até aqui, então qual era o sentido de deixar seu emprego?”
“Está interpretando tudo ao contrário. Estou demorando porque vim até aqui.” Yuri protestou emburrada.
Pela primeira vez, Gilmenja mostrou uma cara cansada.
“Você é um idiota, sabia disso?”
“Estou muito bem ciente… Sigh, o que fazer…”
“Aja de acordo com a sua idade pelo menos uma vez. Estou ficando irritada só de te observar.”
“Então e no seu caso? Como sua vida amorosa está te tratando?”
“Eu pareço ter uma? Hehehehe.”
“Hey, Gil… Já pensou em se estabelecer em algum lugar?”
