O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 204

O Grande Sistema Demoníaco

“Com sorte, eu já tinha acabado todos os meus planos com você quando foi expulsa de casa, mas não desdenhada da família, já que isso sujaria a nossa imagem.”  

“Aí eu segui meu caminho, você seguiu o seu, mas no final ainda fomos para a mesma escola militar. Como já tinha cumprido seu papel para mim, eu apenas fingi que você não existia e não passava de uma boneca quebrada, que sorte que isso foi o certo a se fazer.”  

“O único motivo por ter começado a gangue, foi porque estava entediada e precisa de alguma coisa produtiva para passar o tempo até me formar, e passar para a próxima fase do meu plano. Mas isso acabou tornando-se uma coisa boa. A gangue se provou bastante útil e leal a mim, sem contar que me permitiu estudar ainda mais a natureza humana e mostrar como a hierarquia funciona, como, por exemplo, o quão fácil é comprar os professores e os fazer agir a sua vontade. Tudo que precisa fazer é escolher o alvo certo, o que por incrível que pareça é mais fácil do que imagina.” Ela disse, fazendo uma pausa para rir em seu discurso interminável que ficava cada fez pior.  

“Falando de formatura, parece que esse plano terá que ser um pouco atrasado…”  

“Como falei antes, meu Lorde esteve vasculhando a galáxia inteira em busca de uma única pessoa ou item. Assim que nos juntamos a ele, eu e as demais tropas sob seu comando tínhamos apenas uma missão. Era como um rito de iniciação…” 

“Ele não nos disse do porquê esse item ou pessoa era de tão importância para ele e o porquê precisava encontrar. Nosso líder é bem reservado, mas ainda continua sendo nosso líder e todos nós morreríamos por ele sem pensar duas vezes.”  

“Sob quaisquer circunstâncias, se encontramos uma pessoa usando um certo colar dourado ou uma pessoa com olhos brilhantes em roxo e vermelho, nós devemos parar tudo que estamos fazendo e capturar essa pessoa viva. Esse é o alvo do nosso glorioso líder, a pessoa ou objeto que esteve procurando por milhares de anos. Eu mal consigo imaginar qual será a expressão dele quando dizer a notícia!” Ela continuou e fez mais uma pausa enquanto seu rosto ficava vermelho e alegre de excitação.  

“Porque olha isso! Esse aqui! Ele não é seu amiguinho, não é? Eu mal consegui acreditar quando vi essa foto! Era bom demais para ser verdade! E quando pesquisei mais a fundo! Eu descobri que era verdade! Dentro de outros mil planetas, eu fui a sortuda em encontrá-lo!” Ela exclamou com um sorriso no rosto, uma mistura de diversão, animação e autossatisfação enquanto se aproximava para mostrar Abby algo em seu relógio da escola, que ainda estava no braço.  

Os olhos já arregalados de Abby se arregalaram ainda mais e tremeram enquanto encarava o relógio diante de si, com uma expressão de desespero e pavor em seu rosto. Abby esteve aos poucos processando tudo que sua ‘irmã’ estava falando, sua mente ficando cada vez mais turbulenta quanto mais a garota falava. Toda a sua realidade estava sendo revirada, reduzida a cinzas e, lentamente, servida em pequenas porções. O sabor parecia ficar mais terrível a cada gole, até atingir o seu ponto mais alto agora…  

No relógio tinha uma foto, uma foto do seu lorde de quando estava na arena da casa Griffith, lutando contra Damian Nier. O semblante de sofrimento em seu rosto, onde o brilho roxo inconfundível de seus Olhos do Pecado estava totalmente exposto para que todos pudessem ver.  

Seu Lorde parecia ser alvo de algum tipo de rebeldes intergalácticos piratas… Um grupo que possivelmente era centenas ou se não milhares vezes mais forte que ele, mas ainda assim acreditava que o potencial de seu Lorde era mais alto.  

Enquanto Abby continuava a encarar a foto, seus olhos ficaram desfocados, o choque tanto mental quanto físico juntando com a dor do que tinha acabado de acontecer a quebrou por inteiro… Nenhuma vez na sua vida, ela se sentiu tão desesperada e inútil quanto agora…   

As memórias de tudo que ela tinha conquistado: os momentos de pura felicidade com seu lorde, que pareciam mais celestiais do que qualquer paraíso, Jayden, a primeira amiga que a aceitou por quem ela era, sem jamais tentar controlá-la… Alex, que ela conhecera há apenas uma semana, sendo uma pessoa maravilhosa e um amor, de alguma forma ainda mais tímido do que ela em uma conversa. Todas essas memórias vieram à tona em sua mente, uma a uma, antes de desaparecerem… E serem trocadas por algo ainda mais terrível… 

As memórias começaram a se repetir, e em cada uma delas, as pessoas eram brutalmente assassinadas diante de seus olhos ou arrancadas e roubadas dela… E, apesar de todo seu esforço, ela apenas assistia, paralisada, sem poder fazer absolutamente nada, o que refletia o desespero e a fraqueza que a consumiam por dentro. As memórias com seu lorde eram, sem dúvida, as mais dolorosas e destruidoras. 

Mesmo com todos os momentos difíceis, os últimos meses foram os melhores da sua vida, a única alegria que podia lembrar de toda sua vida. Era como se tivesse nascido de novo, tendo pessoas em quem podia depender e ser dependida também. Era tudo bom demais para ser verdade…  

O tempo parecia ser tão longo e curto ao mesmo tempo… Ela desejava que isso fosse eterno, mas agora entendeu que estava sendo muito egoísta e otimista, que sempre seria presa por seu destino de dor e fracasso…  

Lágrimas começaram a se formar nos olhos desfocados quando a realidade começou a cair sob ela. A realização de que tudo tinha acabado. Estava condenada a nunca mais encontrar seu lorde, seja pela sua própria morte, seja porque ele lhe foi roubado para sempre.  

Villanova assistiu Abby entrado cada vez mais em desespero, tudo só por suas palavras e sem encostar um dedo sequer nela. Um sorriso largo apareceu em seu rosto enquanto se deliciava com o estado deplorável de Abby e continuou a falar.  

“Não fique triste! Você ainda não cumpriu com todo o seu papel! Você ainda consegue ser útil para sua ‘irmã’! Você, irmã querida, vai ser a isca principal! Depois de ver o carinho que um tem pelo outro, não tenho dúvidas de que ele virá te salvar! Talvez não aqui ou tão cedo, já que estamos na propriedade Reid, Mas, logo, ele com certeza virá…”  

“Agora, deve estar se perguntando o que fará durante esse tempo, né? Que deveria ir para a escola sem estar amarrada, certo?” Villanova disse com tom pensativo, dando leves esperanças para Abby.  

“Bom, se achou que era isso, então pense de novo!” Ela gritou, arrancando todas as esperanças de Abby, brincando com o coração já despedaçado da ruiva.  

“Como disse antes, você agora é minha… Você morrerá… Não será nada… Ainda devia se sentir grata que compartilhei todas essas informações com você e que não fiz isso logo do começo. Eu só fiquei curiosa em como reagiria e senti que você ganhou o direito de saber.” A Shalker continuou, com o sorriso em seu rosto se transformando em algo sinistro e distorcido, indo de orelha a orelha. Uma expressão totalmente monstruosa, algo que nenhum humano seria capaz de reproduzir…  

Com outro movimento rápido da mão, o corpo de Villanova começou a se torcer e a estalar de novo. Sua pele voltou a ter a cor bege-areia natural de sua irmã, seu cabelo, de branco para um carmesim puro, e seus olhos retornaram ao familiar vermelho-sangue flamejante. As linhas vermelhas em seu rosto desapareceram e o som dos ossos estalando preencheu o ar, enquanto seu único chifre se retraía de volta para a cabeça e seu corpo encolhia 5 cm, voltando de 1,78m para sua altura normal de 1,73m.  

Diferente da última vez, Abby não reagiu à transformação. As lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto, enquanto sua mente e visão continuavam turvas, e a paranoia a consumia sem parar. Ela já tinha aceitado seu destino. Nenhum grito, autoconfiança, poder oculto ou determinação seria capaz de salvá-la, ou tirá-la daquela situação. Ela não era ingênua nem infantil o bastante para pensar isso…  

Villanova, que novamente tinha se transformado em Emilia Reid, abriu um inventário dimensional. E, de dentro do inventário, tirou um item que Abby nunca havia visto, ouvido ou sequer imaginado que poderia existir em toda sua vida. Era algo, sem dúvida, de outro mundo, muito além de seu conhecimento, e ela o olhava com olhos sem brilhos, ainda cheios de lagrimas.  

“Diga adeus… ‘irmã…” 

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