O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 181

O Grande Sistema Demoníaco

Moby de repente fechou os olhos e respirou fundo.   

‘Parece que a Transformação do Pecado está prestes a se esgotar, quase já se passaram cinco minutos.’ 

Ele não tinha certeza se caso perdesse sua transformação iria cair e acabar se machucando ainda mais. E não estava nem um pouco afim de experimentar, porque sabia que esse seria o caso. 

Ao olhar para o corpo inconsciente de Nags, se contorcendo em sua mão direita, Moby não pode deixar de sorrir ainda mais.

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De acordo com a informação que havia conseguido mais cedo, os três primeiros lugares da gangue eram os únicos permitidos a ver o chefe. Nags sendo tendo o terceiro lugar, significava que sabia sobre isso. Então, se ele tiver encontrado com o chefe nessas últimas duas semanas, Moby seria capaz de espionar a base de operação e o rosto do chefe deles, usando sua Manipulação de Memória. E mesmo se não der certo, o resultado de simplesmente questioná-lo seria imensa. 

A esse ponto, ele claramente declarou guerra com a gangue Zexis inteira, então precisaria se preparar para qualquer tipo de coisa que possa acontecer e juntar o máximo de informações possíveis. 

Além disso, com Nags e Jason sob seu controle por pelo menos uma semana, se ele arrumasse uma desculpa boa o suficiente, poderia usá-los como espiões, e se não, poderia simplesmente continuar com a premissa de que eram traidores que se juntaram a ele e imploraram por misericórdia depois de perderem ou algo assim. 

Parte dele, queria muito checar em Ray e transformá-lo em um demônio para ajudar o resto de seus amigos com mais um membro na família, a outra parte dele, só quer deixar Nags em alguma árvore e ir correndo para seus amigos. 

Se Moby deixasse Ray sozinho, isso só o colocaria em ainda mais perigo de no caso alguém da gangue achá-lo e pegá-lo como refém. Especialmente agora, que a barreira amarela de Nags havia se quebrado. Isso com certeza alertou todo mundo que Nags e Jason, os lugares três e quatro da gangue, haviam sido derrotados, levando o resto a fugir e ter a chance de se encontrarem com Ray no processo. 

Ou, a gangue foi esperta e já o capturou enquanto sabiam que Moby ainda estava ocupado com a luta. 

Só tinha uma coisa que iria ajudá-lo e acalmá-lo para fazer a escolha certa: perguntar para um de seus amigos sobre a situação atual. 

No entanto, antes mesmo de ter a chance de fazer algo, Moby ouviu alguma voz ecoando baixinho em sua cabeça… Parecia ser Alex, mas sua voz soava quebrada, algo que nunca ouviu vindo do amigo antes, então Moby teve dificuldade em processar que era a voz do arroxeado. 

‘Moby, eu tenho atualizações da situação… Depois de você ter derrotado a força principal deles e quebrado a barreira de proteção, o inimigo recuou…’ 

‘Fudeu! Isso vai ser um problema se eles viram seus poderes de demônio e te expor na frente da escola inteira! Quantos escaparam!?’ 

‘Não se preocupe sobre isso, tinha uns trinta no total e apenas um conseguiu escapar. Conseguimos usar nossos poderes demoníacos de forma esperta e não desconfiaram de nada…’ 

‘Oh, se esse é o caso, então não tem nada para o que se preocupar, certo? Por que está cabisbaixo então? Ray está completamente segura e consegui o controle dos dois que lutei. As coisas estão indo bem!’ 

‘B-Bem… Eles pegaram… Eles pegaram…’ 

‘Eles pegaram alguma coisa importante como um pedaço de armaduras? Não se preocupe, mesmo tendo posse, eles não vão conseguir nada com a peça, já que só funciona com demônios’ 

‘Não! E-Eles pegaram a Abby! Capturaram ela!’ 

Os olhos de Moby se arregalaram, assim que ouviu as palavras de Alex, ele não conseguiu acreditar nas palavras. Não, era só que Moby não queria acreditar nelas. Ele estava em humor tão bom e positivo depois que conseguiu de alguma forma ganhar em ambas as lutas, e agora vem, e chega uma das piores notícias que poderia imaginar para estragar tudo isso. 

‘Fui eu que envolvi ela nisso… foi minha culpa? Será que subestimei essa situação?’ 

Uma sensação de desconforto começou a nascer no coração de Moby, que começou a doer com cada batimento, fazendo-o segurar seu peito com força. 

Uma aura preta começou a surgir ao seu redor, sua raiva claramente fluindo em tudo, como se fosse devorar tudo no seu caminho. 

Um sorriso largo, porém sereno, que só poderia ser descrito como pura loucura, brotou em seu rosto, fazendo-o parecer uma bomba-relógio prestes a explodir e espalhar o caos qualquer momento. 

Moby instintivamente fechou ambos os punhos. A cabeça de Nags, ainda na mão direita, quase sendo esmagada em milhões de pedaços antes que de Moby se acalmar. 

Quando pensou no rosto brilhante, sorridente e esforçado de Abby e no fato de que talvez nunca mais a visse, seu coração se apertou ainda mais. Era como se tivesse perdido uma filha ou uma parte de si que nem ao menos sabia que possuía ou precisava. 

Moby segurou as lágrimas de escorrer em seus olhos arroxeados, que mudavam toda hora para um padrão complexo. 

‘ONDE ELES ESTÃO?! Pra onde foram?! Por que merdas você não está seguindo-os?! Como pode deixar isso acontecer?!’ A voz de Moby ressonou pela conexão mental, sua raiva descontrolada totalmente a mostra. 

‘Você acha que se soubesse, já não teria falado tudo pra você?! E se eu pudesse segui-los, já não estaria fazendo isso?! Eu estou muito fraco pra fazer coisa alguma, caralho! Acha que já não sei que é minha culpa?! É claro que sei! Se ao menos eu fosse mais forte! Se ao menos tivesse treinado mais, isso tudo não estaria acontecendo! Mesmo com todo esse poder novo, eu ainda sou uma desgraça de fracasso! Não aprendi nada desde daquilo! Tá tudo igual!’ A voz de Alex ressonou na mesma altura, rios de lagrimas escorriam por seu rosto, fazendo Moby se acalmar um pouco. 

‘Okay, eu entendi… Me desculpe, não foi sua culpa. Sei que fez o seu melhor, eu só tinha que descontar minha raiva em algo e decide fazer isso com você sem pensar direito. Vou buscar o Ray e depois ir até você, para te curar. Só temos uma hora e pouco antes que os relógios toquem, então precisamos sair da floresta logo. Vou fazer meu melhor para localizá-la com a conexão. Não se preocupe, marque minhas palavras, se eu descobrir que tocaram um fio de cabelo dela, vou torturar todos e massacrar cada um. Vou fazê-los desejar nunca terem nascidos.’ Moby respondeu, sua raiva estando longe de ser contida ou acalmada. 

Moby fechou os olhos e tentou se concentrar na assinatura de energia da sua colega capturado. Ele havia um tipo de conexão especial com cada membro da sua família e isso o permitia, além de várias outras coisas, localizar seu lugar exato. Foi exatamente isso que tinha usado para que o seu time e o de Jayden pudesse se encontrar durante o teste. 

Ele sabia que Abby não estava morta. Mas, agora, por algum motivo, não importasse o quão tentava ou se concentrava, ele não conseguia sentir um traço dela. 

Um pressentimento ruim surgiu em seu coração novamente, era mais um lembrete que seus poderes não eram absolutos; da mesma forma que sua conexão mental não funcionou quando estava preso na caverna com Travis e Jay, ou quando Jayden foi interrogada na sala do general enquanto estava no terraço. 

Isso significa que seu oponente estava cauteloso em ser rastreado e usou algum tipo de cristal mágico, ou de alguma forma, sabiam sobre os poderes de Moby. A primeira opção parece ser a mais plausível, ou só era a qual Moby queria acreditar. 

Moby xingou mentalmente, não conseguir rastreá-la ou entrar em contato arruinava a maioria dos seus planos. 

O sequestrador já deve estar longe da floresta nessas horas. Se ele foi capaz de escapar e derrotar todos seus amigos, significava que provavelmente era alguém do segundo ou até mesmo do primeiro rank da gangue. 

Ele ainda tinha muitas perguntas para fazer, tanto para Alex quanto para os dois marmanjos com ele. 

No momento, a coisa mais estupida a se fazer era procurar por ela sem nenhuma pista. Seria uma perda de tempo e diminuiria as chances de realmente achá-la para zero.  

Moby respirou fundo. Não podia deixar sua raiva o influenciar, resultando em fazer coisas ridículas que com certeza se arrependeria depois. Para achá-la, ele precisa pensar racionalmente. Ou seja, no momento, ele precisar cuidar do seu amigo ferido e sair da floresta, e depois interrogar todo mundo para conseguir o máximo de informação possível.   

‘Porra! Não consigo localizar ou entrar em contato com a Abby! Onde está Jayden? Por que não estou conseguindo entrar em contato com ela também?’ Moby perguntou para Alex, que ainda chorava de raiva. 

‘Ela está inconsciente, foi nocauteada. O cara poderia ter a pego também, mas por algum motivo, não a levou. Quando ele olhou para Jayden, apenas deu de ombros e estremeceu antes de deixar de lado e ir embora.’ 

‘Hmm… Entendi… por enquanto, vamos focar em nos recuperar e coletar informações, não vamos conseguir fazer mais nada na nossa situação. Não podemos agir imprudentes nessas horas. Ainda não tenho a menor ideia do que aconteceu do seu lado, então vou precisar que você e Jayden me expliquem tudo. E, meus mais novos bichinhos vão ficar felizes em nos ajudar também…’ Moby disse, sua voz calma, mas sua mente ainda estava um furacão, dando seu máximo em agir em seu papel de líder calmo e comportado. 

‘S-Sim, claro…’ Alex murmurou de volta, ainda sem conseguir aceitar sua realidade. 

“E você, Harpy, preciso que faça algumas explicações… Essa não seria uma forma excelente de ajudar seu novo mestre?” Moby disse, sinistramente e se agachando para ficar cara a cara com Jason. 

Jason ainda estava no chão, em posição de reverência. Havia acabado de presenciar a demonstração de poder e raiva de Moby, e agora estava ainda mais aterrorizado do que antes. Porém, por alguma razão, mesmo depois do que virou, uma parte dele ainda era completamente leal a gangue. 

“Há! Pelo visto, parece que HikariYami massacrou todos os reforços e agora, ele dev-“ Jason disse, nervoso, tentando seu máximo soar durão antes de ser cortado por Moby, que sorria ainda mais largo e gentil. 

“Quão mula você pode ser? Ainda não aprendeu sua lição? Eles fizeram lavagem cerebral em você ou algo do tipo? Não sei se entendeu, mas, sua gangue, agora vê você e seu amigo como nada mais do que traidores. Ninguém vai voltar pra te salvar. E, mesmo se viesse, consigo forçá-lo a ficar calado e lutar contra eles. Então, aqui vai mais uma lição… Você não precisa dos seus olhos para contar o que aconteceu, né? Arranque-os.” Moby ordenou, com um tom gentil, porém sinistro, que fez o grandalhão se arrepiar. 

Jason engoliu em seco. 

Antes de se dar conta, suas mãos se moveram sozinhas, com nada podendo pará-las. Era uma sensação que achava que nunca iria se acostumar; o sentimento de ver seu corpo fazer algo por si só, enquanto ainda está consciente. No caso dele, Jason estava olhando para suas mãos abertas, que lentamente se aproximavam de sua visão, sabendo que, inevitavelmente, arrancariam seus próprios olhos. Ele começou a gritar e chora em vão, com seus próprios olhos agora repousando em suas mãos. 

“Não se preocupe, vão regenerar logo. Agora, vamos nos juntar com os outros e aí, você pode explicar sua história, mas de uma forma melhor. O que acha? Estou com pouquíssimo tempo e paciência, então, se fosse você, obedeceria em silêncio.” 

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