O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 179

O Grande Sistema Demoníaco

De forma inesperada, Nags levou as mãos para trás do corpo e puxou algo, que só poderia ser descrita como uma granada, fazendo Moby arregalar os olhos. 

“Pega!” 

Moby não teve tempo de pensar ou questionar as ações de seu oponente, e apenas instintivamente fez seu máximo para se afastar do ataque. Por mais que esteja mais lento do que desejava, devido a suas asas feridas, ele ainda estava rápido o suficiente para se esquivar da granada que lentamente vinha em sua direção. 

Contundo, enquanto voava, num piscar de olhos uma barreira amarela surgiu no seu caminho quando menos esperava. Ao olhar ao redor, Moby percebeu que estava dentro de uma esfera de energia que Nags havia criado e com a granada logo abaixo de si. Imediatamente percebendo o que Nags queria fazer, Moby entrou em pânico e tentou quebrar a prisão mortal que estava. 

Porém, a barreira era mais forte da que Nags usou para bloquear e ricochetear seu ataque, e por causa do estado atual que estava, Moby só conseguiu formar pequenas rachaduras, o que não seria o suficiente para livrá-lo antes que a granada explodisse.

Moby percebeu que não tinha tempo o suficiente e xingou internamente enquanto se envolvia com uma camada concentrada de gelo roxo, esperando pelo impacto. 

No momento seguinte, a granada explodiu, criando uma nuvem de fumaça e quebrando completamente a barreira com um som de estourar os tímpanos, mas que foi abafado pela própria barreira. 

À medida que a nuvem de poeira começou a se dissipar, a lamentável figura de Moby, que mal conseguia se manter no ar, com seu estado agora ainda mais ferido com uma camada de gelo roxo trincada e com buracos por todo canto, finalmente podendo ser vista por completo. 

Por mais que Moby conseguiu criar um escudo, a explosão ainda conseguiu causar uma grande quantidade de dano. 

O negócio era uma granada militar de alta qualidade, então causava uma quantidade enorme de dano comparada com uma granada normal e comum. Sem contar que a explosão foi contida em uma área relativamente pequena, o que sem dúvida multiplicou enormemente a força e potencia do ataque.

Se Moby não tivesse conseguido criar o escudo a tempo, com certeza não iria ser nem capaz de voar, no mínimo. 

A irritação e raiva de Moby crescia cada vez mais que seu oponente lhe enganava ou passava a perna nele. Foi ele que ficou arrogante e caiu direto na armadilha, e não ao contrário. 

Mas, ele não estava bravo com seu oponente. Longe disso… Moby estava furioso consigo mesmo. 

Ele tinha que reconhecer que não estava mais lutando contra um cabeça oca que avançaria sem nenhum plano em mente, mas sim, com uma pessoa que realmente parecia ter algum tipo de inteligência fora do padrão. 

Moby começou realmente a entender isso quando olhou para a expressão de Nags que não era mais de medo, mas sim de confiança enquanto gargalhava. 

Ter conhecimento que seu oponente era fraco em confronto direto e corpo a corpo também era uma faca de dois gumes. Isso significava que ele provavelmente tinha alguma carta na manga ou contramedida preparada exatamente para esse tipo de situação – o que de fato tinha, na forma daquele escudo brilhante. 

Moby devia ter pensado nisso e reagido de acordo e com mais cautela, não ter avançado cegamente como tinha feito o que causou o resultado atual. 

Quando havia se aproximado de Nags e percebido sua expressão de medo e preocupação, devia ter percebido que sua agilidade não havia aumentado, o que significava que Nags estava mentindo. E que algo estava errado, assim deveria ter recuado e repensado sobre seu plano de ataque. 

No entanto, naquele momento, ele estava cego pela sensação de vitória ao ver que seu oponente estava um golpe longe de perder. 

Não só isso, mas também foi enganado em acreditar que o garoto não tinha nenhum controle sobre os discos que lançava, já que em nenhum momento os moveu no ar – especialmente enquanto os desviava – o que fazia parecer que qualquer pequeno ajuste repentino teria resultado em ser atingido. 

Moby sabia que Nags tinha controle sobre os discos, como havia provado pelo qual estava usando para flutuar. Mas apenas achou que era um caso especial que requiria uma grande quantidade de concentração e controle mental, o que não o permitia usar em seus outros ataques. 

No entanto, pelo visto o garoto só fez isso para plantar uma ilusão em sua cabeça. Tudo para garantir que os discos acertassem em cheio no momento exato – quando Moby estava cambaleando e menos esperava – fazendo com que tanto os discos quanto o próprio corpo de Moby colidissem. 

As emoções de humilhação de Nags ainda existiam, então Moby foi capaz de se regenerar rapidamente. Entretanto, essas emoções estavam lentamente desaparecendo, sendo substituídas por alegria e arrogância enquanto ele pensava que Moby não tinha nenhuma chance de vitória. 

Tanto porque ele parecia estar gravemente ferido e incapaz de lutar, quanto porque já havia desperdiçado uma grande quantidade de mana nesta e na batalha anterior. Porém, o garoto não fazia a mínima ideia dos efeitos da Transformação do Pecado e o fato de que sua mana estava completamente cheia, então Moby usou isso e a arrogância repentina de seu oponente ao seu favor. 

Qualquer um na situação de Nags teria pensando na mesma coisa. 

Moby precisa de alguma forma ganhar tempo e fazer seu oponente ficar com vergonha, apenas no caso de ter que precisar seu último plano que ainda não estava pronto. 

Não poderia só o chamar de coisas aleatórias e ganhar tempo como tinha feito com Jason. 

Então… Finalmente chegou a isso… Ele só tinha mais uma opção para a situação de agora… 

Moby estava prestes a revelar sua carta na manga. Um golpe que tinha descoberto por acidente quando estava treinando suas habilidades na mansão de Jayden. 

“O gato comeu sua língua foi? Finalmente te coloquei no seu lugar? Agora sabe a diferença entre o seu poder e o meu? Ou quer que eu deixe ainda mais claro para você?!” Nags disse, com um sorriso contente, enquanto encarava Moby, que estava coberto de sangue dos pés a cabeça. O mais alto segurava o braço como se a qualquer momento ele fosse cair, enquanto hiperventilava com olhos cheios de dor. 

“CALA A BOCA!” Moby rugiu enraivecido, com um brilho arroxeado nos olhos enquanto respirava rapidamente entre os dentes. 

Moby mal conseguiu erguer suas mãos dormentes e extremamente machucadas, criando vários pequenos fragmentos de gelo roxo ao seu redor e em suas mãos – quase risíveis -, atirando-os contra Nags em um acesso de raiva, com uma velocidade abaixo da média, presumivelmente devido aos seus ferimentos graves. 

Nags, quem estava claramente com a vantagem e que certamente havia ganhado, não conseguiu deixar de rir pela cena lamentável que estava acontecendo à sua frente. 

Os fragmentos eram tão pequenos e fracos que com o escudo mais simples dele iria ser capaz de bloqueá-los. 

No entanto, ele decidiu se divertir com o ato patético de desespero de seu oponente, aproveitando-se da situação, para deixar ainda mais claro o quão lamentável Moby estava, mostrando-lhe que nem precisava usar seus escudos para bloquear seus ataques inúteis e que não havia nada que ele pudesse fazer em seu estado. 

Com um sorriso satisfeito no rosto, Nags surfou pelo ar em seu disco, cantarolando enquanto se esquivava facilmente dos ataques de Moby, algumas vezes lançando seu próprio ataque que Moby completamente ignorava, recebendo direto com o corpo. 

Depois de trinta segundos disso e com o estado quase morto de Moby que ainda lançava milhares de ataques, que agora não tinham mira nenhuma, Nags começou a ficar entediado. 

“Hmm… Eu já parei de esquivar… Sério isso? Você ao menos está tentando!?” Nags perguntou, parando completamente, ignorando os ataques inúteis que passavam zunindo à sua frente enquanto observava Moby, que ainda lançava ataques como um louco descontrolado, com muitas veias do rosto parecendo prestes a explodir, fazendo-o responder com uma confiança inesperada. 

“Não!”

“Como assim não, caralho?!” Nags respondeu, em uma mistura de raiva, irritação e sacarmos, antes de olhar ao redor com os olhos arregalados e com a boca aberta enquanto suor escorria de seu rosto. 

“O-o-o quê?!” 

O que viu foi centenas, se não milhares de fragmentos de gelo roxo flutuando ao seu redor. Na ponta de cada um deles, tinha esferas pequenas ou grandes de energia roxa que pareciam que a qualquer momento iriam disparar. 

Ele estava completamente cercado, sem nenhuma escapatória… Nags estava completamente preso. 

‘I-Impossível! Não tem como ele ainda ter esse tanto de mana! Meu nível de poder é mais alto que o dele! E ele não deveria ter a força ou mentalidade para controlar todos esses gelos no estado que tá! Ele nem deveria estar voando, muito menos conseguir fazer uma porra dessa! O que merdas está acontecendo? Que tipo de monstro ele é?’ 

Moby podia sentir a onda de emoções forte, agora incluindo medo verdadeiro e ainda mais humilhação vindo do seu oponente. 

Seu plano havia funcionado melhor do que esperava. 

O corpo de Moby, que estava prestes a desmoronar, começou a sentir sua saúde e energia voltando ao seu sistema, sua visão antes turva e embaçada quase cristalina. 

Sua mana e energia demoníaca começou a regenerar em uma velocidade absurda, o permitindo colocar ainda mais em seus lasers, jogando tudo no próximo ataque para ser fatal e decisivo. 

Moby ergueu seu braço direito dormente e ensanguentado no ar, com um sorriso demoníaco no rosto e suas runas brilhando com vigor. 

Desapareça por suas ações, humano, e saiba qual é o seu lugar.” Moby falou, com uma voz carregada de morte absoluta, fechando sua mão direita aberta em um punho. Um brilho em seus olhos roxos que se intensificou ainda mais, enquanto ele olhava diretamente para a alma de Nags. 

“H-H-Humano?” O garoto murmurou baixinho, enquanto centenas de lasers dispararam em sua direção, colidindo com a barreira que havia criado anteriormente, causando explosões e nuvem de poeira. 

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