
Volume 2 - Capítulo 156
O Grande Sistema Demoníaco
Embaixo de Eric estava um garoto extremamente machucado e que mal conseguia respirar, lutando para segurar no último fio de vida que tinha. Cortes fundos por toda parte da pele pálida, queimaduras no rosto marcando exatamente onde a mão estava o segurando e sangue caindo dos lugares onde havia perdido seus membros.
Eric estremeceu de horror enquanto olhava para o corpo semimorto, suas pernas tremiam mais que um terremoto quando seus pensamentos anteriores foram se quebrando, não conseguindo acreditar no que estava acontecendo diante dos seus olhos…
O corpo não era de Moby, longe disso… Não era ninguém menos do que Raymond, que estava mais magro do que nunca, esparramado no chão com uma expressão de choque no rosto… Quem foi que saiu vitorioso não foi Raymond, mas, sim, Moby. E ele foi o responsável por acontecer isso…
A chance de Moby sair vitorioso nunca passou pela sua cabeça, Eric pensava que a vitória era certeira… Por isso que ele atacou no momento que ele recebeu o sinal.
Ele não conseguia aceitar o que estava acontecendo. Erica claramente viu Moby sendo envolvido pelo gás tóxico de Raymond, então não é possível que ele não esteja sofrendo o efeito. A única explicação, seria que Moby fechou os olhos e prendeu a respiração durante todo esse tempo. No entanto, na cabeça de Eric, isso era impossível. Mesmo sem o gás, Raymond era fisicamente superior a Moby em praticamente todos os aspectos, a única vantagem que Moby tinha era nas artes marciais, que levaria para combate de curta distância com Raymond ainda na vantagem. Então, se Moby não estava vendo e nem respirando, não teria absolutamente nenhuma chance dele ganhar…
‘Como porras isso aconteceu… im-im-impossível isso ter acontecido… Que tipo de monstro eu criei… O-Onde caralhos ele está…’ Eric pensou, desesperado, ainda sentado no chão e tirando sua atenção do corpo imóvel de Raymond.
O que aconteceu depois, deixou Eric ainda mais em choque do que já estava…
Quando começou a olhar ao redor para procurar onde Moby estava, ele viu um vulto surgir pelo canto da sua visão antes de sentir uma dor imensa vinda do seu estomago, acompanhada por uma sensação de queimação inexplicável que ardia, mas não parecia quente. O som de carne sendo cortada encheu seus ouvidos enquanto ele soltava um grito alarmante de dor.
Quando olhou para baixo, ele viu uma katana enferrujada cheia de sangue perfurando seu estomago. Eric arregalou tanto os olhos, que pareciam que qualquer hora iriam sair para fora, sentindo seu corpo enfraquecer de repente e tossindo uma boa quantidade de sangue na katana que o perfurava.
Com a visão embaçada, Eric olhou na cara do seu atacante, vendo a sombra de Moby que não parecia nada mais do que um demônio puro vindo das profundezas do inferno… Seu rosto exibia um enorme sorriso diabólico, completamente encharcado de sangue e seus olhos estavam no formato de duas fendas enquanto ele começou a rir histericamente, contemplando a dor de Eric…
Naquele momento, Eric perdeu todas as esperanças… Não havia nada que podia fazer no estado que estava, ainda mais tendo esgotado toda sua mana nos seus últimos ataques. O fim dele estava próximo, já que morreria nos próximos segundos… Moby era simplesmente muito forte, ele havia criado um monstro, desbloqueando o potencial adormecido dele ou talvez o garoto só estivesse se segurando durante todo esse tempo… De qualquer forma, ele sabia que estava completamente fodido…
‘Por que tive que mexer com esse cara… Por que o mundo é tão cruel… Eu não mereço nada disso… Sou muito novo para morrer…’ Eric pensou, amaldiçoando a própria existência e estupidez, enquanto escorria lágrimas pelas bochechas.
Contudo, Eric mais uma vez estava completamente errado… Moby não venceu apenas por causa de força bruta; ele venceu pelo raciocínio rápido e por pura estratégia.
Moby não sabia se as memórias que viu são do futuro, outra realidade, ou apenas uma visão de como havia se tornado no futuro. Tudo que sabia era que eram reais, como foram comprovadas pelo sistema e pela garota no colar, que se chama Avilia. Exatamente como nas memórias… Havia muitas informações aleatórias em sua mente, variando entre fatos inúteis, como quando a Escola Militar Z começou e acabou; e fatos úteis, explicando a forma correta de manipular e controlar a energia demoníaca.
Mais um dos vários fatos uteis, era que demônios são completamente imunes contra qualquer tipo de veneno, porém, era mais complicado do que parecia… Segundo as memórias, a anatomia dos demônios não era a coisa responsável por neutralizar os venenos, mas, sim, era o fluxo de energia demoníaca que percorria o corpo deles e isso fazia muito mais sentindo para Moby. Durante toda sua infância, Moby nunca teve nenhum caso de intoxicação alimentar, e qualquer substância venenosa que consumia ainda surtia efeito, mas de forma extremamente reduzida, algo que ele agora relacionava ao seu fraco fluxo de energia demoníaca. Mas agora com as suas memórias e o novo sistema com fortalecimento de Avilia, seu fluxo de energia demoníaca estava mais forte do que antes, permitindo que Moby neutralizasse completamente o gás tóxico sem problema algum.
Mesmo puto com a situação, Moby sabia que se quisesse vencer e se vingar, ele não poderia avançar cegamente sem ao menos pensar em um plano.
Primeiro, ele forçou Raymond a ativar seu gás toxico, forçando Eric parar com os ataques que Moby não estava confiante em esquivar, especialmente com a sua reserva de energia demoníaca limitada. Em seguida, ele suprimiu a energia demoníaca, sugando o veneno para ver os efeitos antes de neutralizá-los novamente, enquanto fingia ter os sintomas para atrair Raymond para mais perto e dando uma falsa esperança de vitória. Após encontrar Moby aparentemente com dor, tossindo no chão, Raymond sorriu maliciosamente e correu em sua direção com uma adaga na mão. No entanto, quem acabou esfaqueado foi ele, direto no peito, por Moby, que o pegou completamente de surpresa.
Moby então retirou sua katana do corpo enfraquecido de Raymond antes de agarrá-lo com uma força de ferro, levantando-o tão alto que suas pernas sequer conseguiam tocar o chão enquanto tinha dificuldade para se soltar devido ao medo, pânico e do ferimento. Quando a poeira começou a baixar, Moby fez um sinal de positivo para Eric, que, naturalmente, interpretou como uma ordem para atacar, sem questionar por que ele não falou, já que a fumaça havia provavelmente invadido sua boca e seus pulmões.
Isso serviu para duas coisas: primeiro, para gastar a mana de Eric, tornando o em um alvo mais fácil, e segundo, para aumentar o fator choque e medo, deixando-o muito assustado para lutar. Assim, depois que jogou Raymond na direção de Eric, surpreendendo-o e tirando o ar de dentro dele, deu tempo suficiente para Moby se aproximar sem se preocupar com nenhuma lâmina de vento vindo em sua direção. E usando Flash demoníaco deixou isso ainda mais fácil.
Agora, Moby tinha Eric exatamente onde queria, ajoelhado no chão com uma expressão de puro desespero no rosto enquanto a katana encantada com energia demoníaca de Moby estava perfurando profundamente no estômago dele. Por mais que a energia era claramente mais fraca comparada com a que ele viu o futuro ele usando, ainda era forte suficiente para causar uma dor extrema em seu oponente, com o bônus de que era invisível a olho nu.
Quando Moby olhou para os olhos de Eric cheios de desespero, não sentiu pena nenhuma, o único pensamento que se passava em sua cabeça era sobre qual era a maneira mais dolorida e desumana que poderia torturar ele depois que o garoto morresse… Essa foi a única razão pela qual deixou os outros garotos vivos, já que seriam a vez deles mais tarde… Enquanto pensava, ele encontrou a resposta na forma de uma memória que viu sobre o seu futuro eu, fazendo Moby rir descontroladamente enquanto puxava a katana do estômago de Eric antes de pegá-lo pela cabeça e injetar uma boa quantidade de energia demoníaca dentro dele.
Moby teria preferido se pudesse transformar um deles em um demônio, seus escravos pessoais por uma semana antes de descartá-los como se não fossem nada, mas no momento ele ainda não era um demônio inferior e sua reserva de energia demoníaca não era suficiente… No entanto, era o suficiente para o método de tortura que ele havia visto em suas memórias, aquele que sugava a essência vital de alguém antes de transformá-los em pó, literalmente.
Sentindo o aperto esmagador de Moby, Eric começou a entrar em pânico, se debatendo igual uma criança e fazendo seu máximo para se livrar, porque até respirar estava sendo uma tarefa difícil. Eric já estava sem mana e no seu estado, ele estava muito fraco para sequer poder fazer algo. Sem entender nada, ele começou sentir uma energia desconhecido entrar por sua cabeça, que lentamente foi se expandindo por todo seu corpo. A sensação de calma e paz que se espalhou por seu corpo o fez parar suas tentativas inúteis de fuga, enquanto todo seu ser parecia estar em harmonia…
Porém, essa paz não durou muito e logo foi substituída pela pior dor que ele já sentiu em toda a sua vida…
A sensação leve e celestial de pura felicidade desapareceu e foi substituída por pura escuridão, enquanto ele revivia seus piores pesadelos repetidamente em sua mente… Entretando, eles não pareciam ser pesadelos… Não, para ele, era todos reais demais; toda a dor física e mental que os acompanhava eram replicadas não apenas em sua mente, mas também em seu próprio corpo…
Seu sangue parecia começar a ferver e borbulhar com o calor e a intensidade de mil sóis. Ele sentiu os ossos se racharem, como se fossem se quebrar a qualquer momento. Cada órgão de seu corpo parecia se virar do avesso, não de uma vez só, mas lentamente, para tornar tudo o mais doloroso e excruciante possível. Sua pele parecia estar se contorcendo enquanto seus cabelos negros começavam a exibir fios brancos. Sua pele antes lisa começou a enrugar, fazendo-o parecer mais velho do que realmente era, mesmo com sua altura de apenas 1,47.
Na sua mente, o que parecia um ou dois minutos, pareceram que foram semanas ou até meses da pior tortura que podia imaginar.
Moby olhava para o processo inteiro com um largo sorriso no rosto, estando grato que estava funcionando melhor do que havia esperado. Ele podia assistir toda a dor e sofrimento em tempo real quando começou a ver o corpo agonizar, quebrar, se contorcer e se transformar de maneiras estranhas. Em poucos segundos, Eric vai estar morto, recebendo tudo que ele merecia por fazer Moby passar por tudo aquilo e finalmente, Moby vai estar livre do carrapicho que não saia do seu pé.
Quando de repente, Moby sentiu uma dor intensa em sua cabeça, como se tivesse levado um tapa que o acordou para a realidade. Assim voltando ter seus sentidos, ao mesmo tempo que se sentia extremamente estupido pelo que estava prestes a fazer…
Moby largou imediatamente o corpo de Eric, deixando o cair no chão com rugas na pele e alguns cabelos brancos na cabeça. Por mais que estava quase morto, ele ainda estava respirando…
Moby esteve a um passo de arruinar toda a sua vida, matando alguém por pura vingança, devido a seu ódio e fúria descontrolado… Ele precisa parar e pensar sobre o que estava prestes a fazer, por sorte, Moby conseguiu parar antes de ter sido tarde demais. Conseguir se vingar, não quer dizer jogar a lógica pela janela e qual era ponto, se ele não ficaria livre depois disso. Ele precisava pensar de forma calma, racional e inteligente. Se Moby tivesse matado Eric agora, todos saberiam que foi ele, o que o levaria a ser preso e até sentenciado a morte. Não valia a pena. Mesmo se matasse os outros dois garotos, muitas pessoas viram ele indo se encontrar com eles. E se eles abrissem uma investigação ou apenas perguntar a ele com um detector de mentira, Moby não teria chances de se safar.
Ele já havia traumatizado os três garotos pelo resto da vida deles, e se ele quisesse matá-los, Moby teria que fazer isso em um momento melhor e quando não tiver ninguém para presenciar, assim não teriam como culpá-lo.
Por agora, ele tem que deixar o Eric sozinho, porque qualquer outra coisa o mataria de vez. Ele poderia esperar Raymond e Simon acordarem para poder fazer a mesma coisa que fez com Eric, já que só funciona quando o alvo está consciente, mas isso arriscaria ele ser visto por alguém que estivesse perto da área. Arriscaria sua nova técnica de tortura ser descoberta e arriscaria ele entrar em uma luta com algum outro estudante mais forte, que era algo que Moby não queria, pois sua reserva de energia demoníaca estava quase esgotada.
Sua melhor opção, era recuar agora e depois atacar novamente no tempo certo. Aumentar sua força com o sistema, em segredo, até o momento certo; era exatamente isso que ele faria. Moby guardou sua katana, olhando para o corpo tremendo de Eric sendo encharcado pela chuva, antes de ir até sua mochila. E antes de ir embora, Moby decidiu olhar nas mochilas dos três garotos para ver se tinham algo de valor para pegar.
Enquanto andava na direção da mochila, um flash branco surgiu ao seu redor, consumindo completamente sua visão, fazendo-o entrar em pânico e colocar os braços sob o rosto para proteger os olhos…
No segundo seguinte que abriu os olhos, Moby se viu nu, flutuando em um espaço místico dourado. Extremamente surpreendido, ele não pode fazer nada além de olhar ao espaço lindo, nem ao menos se perguntar onde estava ou por que estava ali. Então, de repente, ele ouviu uma voz profunda, poderosa e majestosa que ecoou por todo o espaço e fez tremer até seu núcleo.
“Meus parabéns, Moby Kane, você passou no seu primeiro teste! Você demonstrou uma força excepcional, determinação, intelecto, estratégia e, e por fim, mas não menos importante, raciocínio racional! Estou incrivelmente impressionado! Estou ansioso para ver como irá se sair nos seus próximos testes… Enquanto isso, esse será meu adeus, desejo muita sorte no seu caminho para se tornar o Rei Demônio!” a voz falou antes de ir sumindo aos poucos.
E antes que Moby tivesse alguma chance de perguntar ou falar algo, um outro flash de luz apareceu e o consumiu por inteiro, cegando-o novamente…
No mesmo momento que o flash surgiu, as verdadeiras memórias de Moby retornaram tudo de uma vez, o que lhe fez descobrir o que realmente aconteceu com ele no teste.
Quando abriu os olhos mais uma vez, ele se viu de volta na arena azul familiar da sua escola militar; de volta ao seu corpo real, não o de quando era criança, com o rosto cheio de suor devido ao esforço metal que acabara de enfrentar…
‘E-Eu voltei! Passei no teste!’ Moby pensou, com um alívio enorme e se sentindo orgulhoso de si mesmo, mas com muitas perguntas e reflexões passando em sua mente, sobre o que havia acabado de ver e experienciar.
Interrompendo sua linha de pensamento, o som familiar da notificação do sistema tocou, deixando Moby animado para saber quais foram suas recompensas por passar no teste que havia acabado de fazer…