A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 448

A Virtude do Demônio

Eiro estendeu a mão, conjurando um jato comprimido das chamas mais quentes que podia conjurar. Tudo ao redor de Merlin estava chamuscado, exceto o próprio velho.

Merlin acenou com a mão e criou mais uma massa de Magia Arcana. Ele não parecia ter uma varinha, então Eiro tinha uma leve vantagem. A Magia Arcana ainda era capaz de repeli-lo, no entanto. Agora, em vez de se transformar em correntes para prendê-lo, a Magia Arcana se tornou uma bolha que cercou o Demônio, aprisionando-o.

Lenta, mas certamente, a bolha encolhia.

— É uma pena que tenha chegado a isso, Eiro. Expressarei minhas condolências às suas crianças, não se preocupe.

Eiro rosnou, sem se importar com o que Merlin dizia. Apontou a mão e extraiu uma quantidade enorme chamas do portal planar. Ele as comprimiu em um pequeno ponto na frente de seu dedo e começou a girá-las e torcê-las o mais rápido que podia. O ar dentro desta bolha logo foi incinerado e se transformou em um tornado devastador enquanto a bolha continuava encolhendo.

Mas quando o Demônio pressionou o pequeno ponto de chamas na massa de Magia Arcana, a barreira se estilhaçou em pedaços como se fosse feita de vidro. Afinal, Eiro usou metade de sua mana para criar isso, e não apenas as utilizou como simples chamas, mas se infundiu com elas com sua habilidade de Criação de Contrafeitiço. Criou chamas com o objetivo de destruir especificamente feitiços e nada mais.

Elas provavelmente não seriam capazes de danificar um único cabelo neste momento, já que Eiro se certificou de que elas só conseguiam afetar magia, fortalecendo a capacidade que tinham nesse aspecto. Eiro avançou com todo seu poder antes que Merlin fosse capaz de perceber que a barreira havia sido destruída e pressionou pequeno ponto de chamas no abdômen dele.

Enquanto a pele protetora e mágica ao redor de Merlin se despedaçava, Eiro pressionou os dedos na pele do mago. Suas unhas afundaram na carne dele, e o Demônio encarou os olhos de Merlin enquanto as notificações de dano finalmente apareciam na frente do mago.

— Eu realmente não queria fazer isso… — disse Eiro, rangendo os dentes enquanto ele e Merlin se encaravam. — No entanto, eu desprezo o que você fez neste lugar. Eu desprezo que você tenha agido em desrespeito àqueles ao seu redor por puro egoísmo. Eu também desprezo essas coisas em mim, mas pelo menos estou tentando mudar.

Os dedos de Eiro penetraram lentamente o peito do inimigo, passando por seus ossos e envolvendo seu coração. Com cortes precisos e movimentos rápidos, Eiro retirou o coração do corpo de Merlin. Foi a forma mais rápida de garantir que ele morresse. O núcleo de mana estava praticamente fundido com o coração das criaturas que tinham um, então não importava o que fizesse em seguida, isso pelo menos reduziria sua produção de mana.

Conforme a alma se desfazia naquele lugar, a produção de mana dentro dele cessaria para sempre. Não importava o que fizesse então, ele inevitavelmente morreria.

Sangue escorreu da boca de Merlin enquanto agarrava o peito e ofegava por ar.

— V-Você… Como você…

— Cala a boca — disse Eiro, chutando o estômago de Merlin, simplesmente liberando sua raiva. Ele notou que Merlin havia conseguido prolongar sua vida por um tempo ao criar um coração falso usando Magia Arcana. O velho encarou Eiro e levantou a mão, tentando conjurar outro feitiço.

— Pare com isso, nós dois sabemos que é inútil. Você vai morrer — disse Eiro sem rodeios, enquanto esmagava o coração de Merlin em sua mão. Ele virou a cabeça, olhando para Gabria. Ela havia caído no chão de medo após testemunhar a verdadeira forma de Eiro e a luta entre os dois.

Claro, os guardas do lado de fora da sala também foram alertados pelo que estava acontecendo, mas Bavet já estava cuidando disso. Ele se transformou em ‘Eiro’ e impediu que os guardas entrassem.

Eiro levou a mão à garganta ao perceber o que acabou de acontecer.

— Eu realmente não queria ter que fazer isso, Merlin! Você era parte da minha família, você-

— Parte da sua família…? — questionou Merlin com um sorriso irônico. — Ha, como se! Eu não me importo com om que você diga, você nunca será parte dessa ‘família’. Você nunca foi, e nunca será o filho de Jura! Você se impôs na vida dele e se impôs na minha! Se você tivesse ficado longe, então tudo estaria bem! Eu finalmente poderia ter me tornado mais forte e provado que realentem sou um Mestre! Esse sistema ridículo simplesmente me impediu de poder dizer isso de verdade! — gritou Merlin.

Eiro encarou Merlin.

—… O que você vem fazendo com as crianças da Academia? Aquela garota de outo dia… Ela estava completamente aterrorizada…

— Garota? Que garot- Ah, aquela pirralha! Eu simplesmente fiz o que tinha que fazer para garantir que ela aprendesse seu lugar, aquela garota desagradável! — exclamou Merlin.

— Eu-

— Pare com essa merda, eu já entendi… — rugiu Eiro, enojado até o âmago. — Foi por isso que você destruiu aquela vila? — perguntou o Demônio, aponto para Gabria. — A garota… Ela possui uma pouco de sangue de Monstro. Quase imperceptível, a úncia maneira de ter aparecido é… o talento dela, talvez! Um apetite voraz por carne? Como você pode desprezar tanto os monstros a ponto de erradicar uma vila inteira de híbridos de Monstros e Humanos, mas depois se aliar a um maldito Nobre?!

Merlin o encarou por um instante e não pôde deixar de rir.

— Você acha que eu odeio Monstros?! Hah! Haha! — Eiro encarou confuso, até que finalmente entendeu o que estava acontecendo. — Eu odeio as pessoas, seu tolo! Monstros são… eles são perfeitos! Mesmo que as criaturas sejas limitadas pelo destino, se matarem o suficiente, serão libertadas.

Evoluirão, ampliarão seus limites, elas… se tornarão ainda mais perfeitas! — exclamou Merlin com uma expressão repugnante de excitação.

— Claro, eu não odeio todas as pessoas! Eu realmente amei Jura como se ele fosse meu irmão de verdade, mesmo quando ele parou de me visitar há tanto tempo… Ao mesmo tempo, eu não amo cegamente os monstros… Especialmente aqueles que não são verdadeiros monstros… Essas pessoas que possuem sangue deles, criações repugnantes que desafiam tudo o que torna os monstros maravilhosos… E você, uma criatura que nasceu para se tornar o ser genuinamente perfeito, você poderia ter alcançado o pináculo da perfeição! Mas você… você escolheu abandonar tudo! — berrou Merlin, encarando- o profundamente. Demorou um tempo para ele perceber, mas, quando percebeu, ficou surpreso. Ainda em dor, pressionou as costas contra a parede atrás dele.

— Por- Por que eu… acabei de dizer isso…? — questionou Merlin, e Eiro simplesmente deu de ombros.

— É fácil conjurar um feitiço em você quando minha mão está ao redor do seu coração — comentou o Diabrete. — Você possui uma resistência surpreendentemente baixa a feitiços mentais.

Merlin o encarou e balançou a cabeça.

— Quer saber? Acho que é isso! Acho que finalmente não tenho mais que fingir quero estar aqui! Esse ato de se importar com as pessoas finalmente acabou! — exclamou Merlin. Ele reuniu a mana que restava em seu corpo e criou outra massa de Magia Arcana com a qual cobriu todo seu corpo, usando-a para conjurar um feitiço levemente diferente.

Assim que o conjurou, e realmente levou apenas um instante, o corpo de Merlin se desfez em pedaços, transformando-se em pássaros brancos brilhantes que voaram em direção à parede e desapareceram.

— Nelli, por favor, siga-o, e me diga o que ele fará. Assim que notar perigo, retorne — disse o Demônio a Náiade, enquanto aproximava-se lentamente de Bavet. Ele ainda tentava impedir que os Guardas entrassem, e Eiro caminhou até as costas de Bavet e se fundiu com ele, deixando que o Slime transformasse seu corpo imediatamente enquanto ficavam fora da vista dos guardas por um momento.

Eiro os encarou, demonstrando uma expressão extremamente ruim.

— Relatem ao Rei… Merlin foi um dos perpetuadores do ataque à Academia ano passado, cometendo alta-traição não apenas contra este país, mas contra todos os povos, ao se aliar ao Rei dos Monstros.

…

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