A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 421

A Virtude do Demônio

— Que armadura maravilhosa você tem, Lorde Daemonherz — disse uma dama a Eiro, com a intenção de começar uma conversa com base no pouco que conseguia ver neste nobre recém-intitulado. Ela nunca segurou algo tão pesado em suas mãos delicadas e considerava aquela armadura apenas decorativa. Infelizmente, no entanto, Eiro tinha que ser legal com os outros nobres, contanto que não fossem rudes com ele.

— Obrigado. Foi feita pessoalmente por um querido amigo meu, usando os melhores materiais disponíveis — explicou Eiro. — Se tiver interesse nesses itens, posso lhe apresentar a Armodeus.

— A-Ah, não, não há necessidade — a nobre respondeu. Eiro lembrou-se de que ela era viúva, pois seu marido havia falecido de uma doença incômoda.

O Demônio sorriu para ela.

— Então se me der licença, acho que minha filha precisa de um pouco de ar fresco — comentou ele, e a dama à sua frente abriu um largo sorriso.

— Oh, se é assim, então vamos até a varanda. A vista é maravilhosa nesta hora da noite!

— Não! — exclamou Avalin, ao ouvir que a mulher também queria ir com eles. Parecia que a garotinha também percebeu o que essa mulher queria.

— Você não pode ter o papai! Ele é meu! Vá! — exclamou ela, e a dama a encarou.

— C-Com licença? O que você quer dizer, senhorita?

— Vá! Deixe o papai em paz! — respondeu Avalin de imediato e a dama olhou para trás sem jeito, virando-se nervosa.

— P-Parece que eu esqueci que tinha outra coisa para fazer…

Assim que a dama saiu, Eiro se virou com um sorriso no rosto.

— Obrigado, querida. Amanhã, você receberá sobremesa extra.

— Hehehe! — exclamou Avalin com um grande sorriso, enquanto Leon olhava para o pai e resmungava para si mesmo.

— E eu…?

— Não se preocupe, também acho que o trabalho de Avalin pode ter ajudado um pouco mais — Eiro piscou depois de falar, para que apenas Leon conseguisse escutar sua voz, antes de saírem até a varanda. Por enquanto, o Demônio soltou as mãos deles.

— Não se afastem, fiquem aqui.

Assim, poderia acalmar um pouco sua mente. Não gostava desse tipo de barulho alto. Gritos de dor e horror, por algum motivo, não o incomodavam, mas não suportava conversas aleatórias fingidas de alegria e sorriso fingidos. Era incômodo.

Enquanto pensava nisso, outra pessoa apareceu na varanda. Uma das poucas pessoas com quem Eiro não se importava de falar no momento.

— Entendo que você talvez já queira ir embora, mas este evento foi planejado especialmente para você — disse Ariella. — E se eu tenho que ficar aqui, então você precisa ficar pelo menos o dobro do tempo.

— Há! Boa. Você sabe que não precisava vir. Ou até ficar. Você pode sair quando quiser, mas eu tenho que ficar pela maior parte da noite — respondeu Eiro, e a Nefilim se inclinou contra o parapeito da varanda enquanto olhava nos olhos dele.

— O quê? Você faz parecer como se eu quisesse estar aqui — ela riu de leve.

Eiro suspirou um pouco.

— Ariella, sei que desde que eu matei <A Morte>, você espera que possamos matar <O Diabo> com facilidade também, mas preciso que saiba que-

— Eu sei, Eiro. Não é por isso que estou de bom humor. Claro, o fato de estarmos mais perto disso do que antes ajuda bastante, mas também estou feliz por você. Parece que você está feliz, então também estou feliz — explicou Ariella. Eiro a encarou com as sobrancelhas levantadas.

— Obrigado. Fico feliz de ouvir isso — respondeu ele. Por alguns instantes, os dois ficaram ali parados, olhando um para o outro, aproveitando a companhia do outro em silêncio.

Até que uma das janelas acima da varanda foi aberta e um jovem pulou dela. De imediato, Eiro comprimiu ar para amortecer a queda do jovem, depois resmungou alto.

— Arc, o que eu te falei sobre pular das janeiras assim?

— Éeeee… para não pular…?

— Exato. Então, por que você ainda está fazendo isso? — questionou Eiro com um resmungo profundo, e Arc se virou e apontou para a janela pela qual ele havia pulado. Havia algumas garotas olhando por ela, olhando para baixo, confusas.

— Eu queria me livrar delas. Elas são meio incômodas, sabe?

— Você não me disse que queria conhecer garotas na escola? Aquelas parecem ser da sua idade, então qual o problema? — perguntou o Demônio ao filho, que o encarou com um sorriso.

— Pai, estou procurando alguém para conhecer aos poucos, e não alguém para casar! Aliás, a maioria delas foi até mim por causa dos pais, e isso é… estranho.

— Então, diga a elas que não está interessado. Você normalmente não se importa com o que os outros pensam se isso te incomoda — apontou Eiro, e Arc exibiu um sorriso sarcástico.

— É o que tenho feito… Sério, parece que minha habilidade está prestes a ganhar outro nível…

— Seria melhor se isso não acontecesse. Quero dize, você pode sair quando quiser, ou sentar-se em uma das mesas com os outros e comer.

— É, claro. Na verdade, a comida é muito boa, eu provei um pouco mais cedo.

— Este é o castelo real, claro que a comida é boa, Arc — ressaltou Eiro, e uma boca apareceu em sua bochecha.

— Ei, pirralho, também traga algo para eu comer! Estou com um pouco de fome.

— Bavet, você não vai comer agora. Você sabe quão desconfortável isso é? Parece que caroços estão crescendo por todo meu corpo.

— E daí? Estou com fome e isso consome muita energia… Normalmente não ficamos assim opor muito tempo! — reclamou o Slime e Eiro resmungou baixinho.

— Se você não parar de reclamar, farei o favor de nunca mais me fundir com você. Embora, nesse caso, minha utilidade para você será reduzida.

— Ha! Boa! — exclamou Bavet — Você pode tentar me tratar como um bichinho de estimação, mas a essa altura eu já te conheço bem o suficiente para saber que você nunca se livraria de mim!

— Não preciso me livrar de você, posso te deixa na vila dos monstros para sempre e te dar a tarefa de ensinar todos os monstros novos e idiotas que eu encontrar — Eiro sorriu de leve e pôde sentir todo seu corpo tremer. Esse tremor não vinha dele, mas do slime que estava fundido com a camada externa do seu corpo.

— Na verdade… eu ouvi você falar sobre esse lugar algumas vezes antes, mas ainda não tenho certeza do que você quer dizer. O que é a ‘vila dos monstros’? — perguntou Ariella, bastante curiosa sobre o que Eiro queria dizer. Arc sorriu um pouco, falando pelo pai.

— Veja, meu pai não é apenas superforteinteligente e capaz de conjurar mais magia do que qualquer um na academia, mas ele também é um líder nato. Com as próprias mãos, ele criou uma vila cheia de monstros ao redor de uma mina de pedras mágicas. Lá existem Goblins, Kobolds e até mesmo Orcs — explicou Arc com os braços cruzados de forma presunçosa na frente do peito, enquanto Ariella se virava na direção de Eiro.

— Espera, sério? Uma vila cheia de monstros? Isso não é meio… perigoso? — perguntou ela, e Eiro balançou a cabeça.

— Na verdade, não. Para começar, os Orcs nunca tiveram qualquer monstruosidade e eu selei a monstruosidade dos Goblins e Kobolds enquanto os treinamos para serem civilizados. Quando removermos o selo, eles serão capazes de se controlar. Estão presos em uma ravina agora e não conseguem sair de lá tão fácil. O Hobgoblin que cuida da vila foi treinado por mim e, dependendo de como as coisas forem no futuro, eu espero transformá-lo em um monstro Nobre também — explicou Eiro. Ariella ficou surpresa, sem esperar esse tipo de resposta.

— Espera, sério? Por que você transformaria um Goblin, de todas as criaturas, em um monstro Nobre? Eles são tipo… os monstros de mais baixo nível que existem, certo? Eles estão no mesmo nível que… para sua espécie, os Diabretes, eu acho? — disse Ariella e tanto Eiro quanto Arc congelaram. Bavet tremia como se estivesse contendo a risada, enquanto Eiro esfregava a ponte do nariz.

— Ariella. Você sabe que sou um Diabrete, certo? — comentou ele, e a Nefilim o encarou.

— O q-O quê?

— Pois é, eu comecei como um Diabrete Inferior que nem tinha atributos. Eu era o mais fraco Diabrete entre todos os outros naquela horda. O único motivo pelo qual sou assim agora e não estou morto e transformado em fertilizante, é porque eu era burro demais para perceber que as notificações do sistema não eram outras criaturas me seguindo — explicou Eiro. — Desde então, eu reuni quatro Cartas do Arcano Menor, duas Cartas do Arcano Maior, acumulei um total de dois mil e quinhentos pontos de atributo, firmei contrato com três Espíritos, recebeu três bênçãos, uma de um Rei dos Espíritos e duas de Rainhas dos Espíritos, e até recebei uma habilidade Lendária — adicionou Eiro com um sorriso suave.

— Se alguém como eu consegue ir do zero absoluto para onde estou, posso transformar um Goblin em um Nobre.

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