
Volume 4 - Capítulo 312
A Virtude do Demônio
Eiro virou seu corpo e soltou sua adaga. Ela caiu em direção ao pé direito e o Demônio a chutou no ar enquanto segurava o braço do fantoche, para arremessá-la no ombro dele. Usando o momentum que conseguiu com isso, Eiro avançou e pulou enquanto a adaga de madeira caía de novo.
O Diabrete chutou a adaga para baixo em direção ao boneco cambaleante, empurrando-a contra a parte de trás do pescoço dele em alta velocidade. Ela estava a apenas uma mão de distância dele quando o fantoche deixou seu corpo cair para o lado. Parecia ter aproveitado o fato de estar cambaleante, bem com o momento que o levou a isso, para desviar da adaga se aproximando.
Ele arremessou uma de suas próprias adagas no ar com um rápido movimento do pulso e usou sua mão livre para girar seu próprio corpo, impulsionando-se do chão. Usando esse momento de novo e o transformando, o fantoche golpeou Eiro, que ainda estava no meio do ar.
Eiro tentou desviar do ataque, mas assim que fez isso a adaga que o fantoche havia jogado começou a cair. Sua ponta acertou a parte de trás da cabeça de Eiro perfeitamente e o Demônio perdeu esta rodada. Se fosse uma adaga normal, teria sido suficiente para causar bastante dano, especialmente ao considerar o que estava para acontecer.
O boneco planejava usar a adaga que ainda segurava para continuar golpeando Eiro enquanto chutava a outra em suas costas de novo, agora que ela havia quicado um pouco para longe dele. Já que Eiro não estava usando nem suas asas nem sua cauda nessas lutas, desde que não tinha como saber se ele poderia revelá-las para os inimigos com quem lutaria, isso significava que não havia como ele se defender contra os ataques do fantoche.
— Eu perdi. — O Demônio disse e o fantoche parou de atacar. Em vez disso, soltou a adaga que ainda segurava e pressionou um dos seus braços no chão, enquanto usava o outro para ajudar a sustentar Eiro e o Diabrete bateu suas asas para se ajudar também. Ao mesmo tempo, puxou o boneco para ele, usando magia de terra para empurrar a adaga de madeira do chão para que o fantoche pudesse segurá-la.
Com um leve suspiro, Eiro esfregou a parte de trás do seu pescoço.
— Hm, isso é um pouco problemático. Ainda não ganhei de você. — Ele murmurou enquanto encarava o fantoche. Ele já havia lutado contra ele cinco vezes novamente e, embora sempre fosse acirrado, o boneco sempre vencia.
Bem, para ser justo, Eiro ainda não analisou esse tipo de combate com sua <Memória de um Escolar>. Em vez disso, tentou apenas copiá-lo, com as técnicas que já conhecia, para extrair o máximo de movimentos possíveis do fantoche. Considerando tudo isso, Eiro foi muito bem, para ser honesto.
— Essa… Essa é uma forma muito interessante de lutar… — Krog apontou com um sorriso. Eiro se virou e olhou para ele com um aceno.
— Uhum, é sim, mas eu gosto disso. Esse pode muito bem se tornar meu estilo de combate principal a partir de agora. Não apenas me permite subir de nível minhas habilidades de Combate Corpo-a-Corpo e Maestria com Adagas ao mesmo tempo, o que é muito bom, mas a versatilidade também é enorme. E ao considerar minha ‘Tesouraria’, as maneiras com que posso aplicar isso podem aumentar muito.
Ele havia parado de usar habilidades como essa para que pudesse aprender o básico de tudo, mas estava muito animado com as formas que podia usar com isso em suas lutas futuras.
— … Você está trapaceando de alguma forma, não está? — Jess questionou em descrença. — Como consegue se mover tão rápido? E como aprendeu esse estilo depois de… 20 minutos, talvez? Que tipo de prodígio você é?
— Isso não tem nada a ver com ser um prodígio. Mais do que isso, é porque ele já aprendeu os estilos que combinados geram esse. — James comentou e Jess olhou para ele com um olhar penetrante.
— Entendi isso. Isso significa que é muito parecido com aprender novos movimentos de um estilo, certo?
Eiro cruzou os braços em reflexão assentir.
— Acho que pode se dizer que sim.
— Certo, então James… Quanto tempo demora para você aprender novos movimentos do seu estilo? — A maga perguntou e o Elfo da Luz olhou de volta inexpressivo. Ele a encarou por alguns instantes, ante de olhar em outra direção.
— Pois é, isso foi suficiente como uma resposta para mim… — Jess suspirou. — Bem, de qualquer forma… Eiro, pode me ajudar a praticar conjuração mais tarde? Pensei que talvez você também pudesse usar sua nova habilidade de Contrafeitiço?
Eiro olhou para ela e não teve que pensar muito sobre isso.
— Essa é uma ideia muito boa, sim. Na verdade, é assim que devemos praticar o tempo inteiro quando eu voltar da minha viagem… Você recebe proficiência na sua habilidade pois o feitiço foi ativado, mas ele consome apenas a mana mínima porque o efeito não foi ativado. E isso nos permitiria parar de nos focar em controlar danos e procurar áreas de prática adequadas… Definitivamente deve ajudar na sua velocidade de conjuração se tentarmos conjurar com repetição rápida.
— … Levou um dia inteiro para eu pensar nisso como um método prático e você fez em um segundo? — Com um beicinho, Jess cruzou os braços. — Isso é totalmen-
— ‘Trapaça’, sim, nós entendemos. — Krog a interrompeu e a jovem maga virou a cabeça na direção do guerreiro brutamontes com um olhar profundo.
— Cale a boca, escudo de carne!
— Quem você está chamando de escudo de carne, sua idiota? — Korg respondeu com uma encarada. Eiro estava prestes a interrompê-los, mas recordou que esses dois brigavam assim o tempo todo. Apesar de não parecerem se odiar, então imaginou que fosse apenas uma brincadeira amigável.
De qualquer modo, o Demônio decidiu que, por ora, deveria rever todos os movimentos que se recordava do fantoche.
A primeira coisa que fez foi vê-los repetidas vezes para captar os movimentos básicos de tudo o que o boneco fazia. Ao usar seus conhecimentos dos outros estilos que estavam integrados em seu corpo, Eiro conseguiu fazer isso com certa facilidade, afinal, esse estilo era uma combinação dos dois, então, depois de ver o resultado, ele deveria ser capaz de ver o padrão e descobrir como todos os tipos de movimentos desse novo estilo funcionavam.
Então, em algum ponto, conseguiria fazer o fantoche usar certos movimentos para que conseguisse arrumar os pequenos erros que poderia ter cometido em sua análise. Após isso, Eiro queria fazer mais uma coisa. Queria tentar um método de prática que só funcionava em pequena escala e que o machucaria bastante no processo. Era provável que causasse alguns danos à sua própria Vida, mas, pelo que sabia, valeria a pena no fim.
Demorou um tempo opara Eiro analisar tudo, mas, quando concluiu, foi capaz de descobrir a forma como seus músculos deveriam estar posicionados e concentrados, assim como o modo específico que deveriam agora, mas havia algumas melhorias pequenas que só conseguiu descobrir agora que viu a combinação perfeita desses dois estilos de combate.
— Nelli. — Eiro disse enquanto se preparava para isso, esticando-se para soltar seus músculos um pouco e a Náiade apareceu ao seu lado.
— Sim?
Eiro acenou sua mão para o lado e puxou uma grande quantidade de neve que estava por perto. Ele a derreteu em água, a qual moveu até Nelli.
— Poderia refinar isso um pouco?
— Hm, claro, mas por que você quer que eu faça isso? — Ela questionou e Eiro a encarou com um sorriso.
— Você verá… se eu contar antes de tentar você tentaria me impedir, de qualquer forma. — O Diabrete comentou.
Nelli ficou um pouco incerta depois de ouvir isso, mas confiava no julgamento de Eiro por ora e prosseguiu a refinar a água. Assim que ela se tornou bem pura, Eiro cobriu a mão direita com uma fina camada, fazendo o resto flutuar próximo a ele, como uma reserva.
Ele a esfregou em parte do seu tríceps e absorveu a água em sua pele com um tipo de infusão física, embora não fosse isso. Ele só queria que a água fluísse entre cada uma das fibras musculares… então, o Demônio retirou uma pequena esfera da sua Tesouraria, a qual utilizou para infundir todo seu corpo.
Era a Pedra Mágica de Gravidade que Eiro usou para aumentar seu próprio peso consideravelmente. Bem, ele fez isso para que houvesse uma resistência incrível a cada um dos seus movimentos.
Assim, começou a mover seu corpo de acordo com as formas específicas que havia analisado através de suas memórias. Ele manipulou a água que havia colocado entre suas fibras musculares para causar mais tensão do que o normal e acelerar o processo de treinamento muscular.
— Nelli, comece a me curar agora. — O Diabrete disse. Parecia que a Náiade compreendeu o que ele pretendia. Embora fosse muito oposta a este tipo de treinamento, ela entendia a razão de Eiro estar fazendo isso.
Ela começou a curar as fibras musculares dele com magia e Eiro ajustou a magia de cura para certificar de que as fibras se regenerassem da forma que queria.
Depois de um tempo, ele conseguiu ter certeza de que este tipo de treinamento funcionava até certo ponto. Isso não o deixaria muito mais forte, mas era suficiente regenerar seus músculos de maneiras específicas para ajustá-los, depois de destruí-los violentamente em escala microscópica.
Assim que confirmou que tudo funcionava, Eiro estendeu isso para mais partes do seu corpo, despedaçando-se para depois se reconstruir, com o objetivo de acelerar sua prática.