A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 177

A Virtude do Demônio

Enquanto Eiro fazia James dissecar as aranhas, ele se sentou na laje de pedra mais uma vez. Olhou para Lugo na sua frente e abriu a janela de status do Cervo.

[Nome – Lugo]

[Raça – Cervo da Floresta]

[Nível – 1]

— Ainda nível 1… e sem progresso dentro desse nível? — Eiro murmurou com uma leve carranca. — Parece que o que quer que você seja, não é uma besta mágica… também não é um monstro, senão teria feito algum progresso dentro do nível 1… Você me ajudou um pouco com aqueles monstros no caminho do pântano.

Reflexivo, Eiro tentou imaginar o que exata isso poderia significar e que tipo de criatura Lugo era. Ele nunca ouviu ou leu sobre algo assim.

— Talvez a técnica de prática esteja errada? — Enquanto Eiro pensava sobre algumas razões possíveis, Jess deu uma olhada na pilha de pedras mágicas na frente do Demônio e logo ficou curiosa.

— Eiro, o que é a roxa? Nunca ouvi falar de uma assim. — Ela comentou e Eiro olhou para ela.

— Hmm? Certo, na verdade, eu também não. Parece um pouco com uma pedra mágica espacial, mas o formato é completa diferente. — Eiro disse. — Acho que só há uma forma de descobrir.

Com isso o Diabrete pegou a pequena pedra mágica roxa e a pressionou em seu peito. Fez a mana sair da sua mão e, por meio dela e através da pedra mágica em direção ao seu peito, mais especificamente seu coração. Em um instante, o corpo de Eiro foi colocado sob diferentes forças. Ele ficou mais leve por alguns instantes, depois foi pressionado contra a laje sob ele.

Algumas vezes, sentia seu corpo ser puxado para o lado, ou para trás e para frente, mas tudo isso cessou alguns momentos depois, quando uma notificação apareceu na frente de Eiro.

[Seu corpo foi infundido com gravidade. Você será capaz de manipular a força agindo sobre seu corpo.]

Eiro olhou para si, sem ver a menor diferença em sua aparência externa, embora tivesse certeza de que seu corpo estivesse infundido com magia de gravidade. O Demônio se levantou e, assim que fez isso, o peso do seu corpo diminuiu bastante, voltando ao normal.

Quando se agachou de novo, seu peso aumentou momentaneamente, depois normalizou novamente.

O Demônio pensou sobre o significado disso, tentando manipular essa magia dentro do seu corpo.

Eiro a moveu para cima dentro de si para tornar seu peso mais leve, pulando e alcançando o dobro de altura quando comparado ao normal, mas este não foi o único efeito, já que seu corpo estava caindo muito mais devagar que o normal.

— Espera, você consegue voar? — Jess perguntou, confusa. — É por causa dessa pedra mágica?

Eiro afastou a pedra mágica do seu peito e tentou dissipar a magia por ora, enquanto explicava.

— É magia de gravidade. Eu não estava voando, apenas pulei e aquela ‘planada’ foi eu caindo.

O Diabrete olhou para a pedra mágica em sua mão enquanto pensava no que faria com isso. Nesse instante, seria mais esperto tentar continuar para que pudesse infundir seu corpo com ela, mas… seria muito mais útil ter magia de gravidade como uma habilidade.

Seria impossível conseguir isso sem ter mais pedras mágicas, por conta do crescimento em suas afinidades, que era minúsculo quando comparado a se infundir direta com a magia mesmo quando Eiro usava o fato de que a mana estrangeira mudaria seu corpo. Eiro estava confiante de que precisaria usar todas essas pedras mágicas da natureza e ainda mais se quisesse chegar ao ponto em que conseguiria despertar sua magia de natureza, sem ainda sequer despertá-la como uma habilidade.

De qualquer forma, por ora, tentar usar a pedra mágica de gravidade para aumentar sua afinidade era inútil. Os goblins poderiam encontrar mais delas na mina, então, se isso acontecesse, Eiro poderia considerar isso.

— Será útil. Aqui, pode dar uma olhada melhor se quiser, mas não tente usar muito da magia dentro dela. — Eiro disse para Jess enquanto estendia a mão e entregava a pedra mágica da gravidade para a jovem.

Com uma expressão animada e alegre, Jess pegou a pedra mágica roxa e começou a olhá-la com mais atenção, ao mesmo tempo que Eiro pegava outra pedra mágica da natureza. Desse modo, ele continuou inserindo essa magia em seu corpo para que conseguisse ganhar a magia de natureza assim que possível. Sem dúvidas, seria um recurso incrível.

Eiro continuou fazendo isso pelas próximas horas, até pouco depois do pôr do sol. Ao findar do dia, já tinha usado duas pedras mágicas inteiras. Ele cresceu cerca de mais um centímetro e seus chifres ficaram bem grandes. Irritantemente grandes, na verdade. Com sorte, isso mudaria depois que Eiro evoluísse mais uma vez, ou seria difícil esconder seus chifres no futuro.

Ele já havia pensado que, ao infundir seus chifres com magia de sombra, poderia dobrá-los um pouco e pressioná-los contra sua cabeça. Teria que recorrer a isso, até pensar em outra forma.

— Papai… — Avalin murmurou enquanto olhava para o Demônio, que se sentou em uma das caixas de madeira quase quebradas. — Por que estamos aqui…? — Ela perguntou, enquanto esfregava seus olhos cansados. — Quero ver Sammy e Clem… E Arc e Rudy…

Com um sorriso, Eiro segurou a garota e a sentou em seu colo.

— Não se preocupe, voltaremos em mais alguns dias.

— Mas eu quero voltar agora…! — Avalin reclamou baixinho, enquanto Eiro esfregava a cabeça dela.

— Leon e eu não somos suficientes para você? — Ele perguntou e Avalin, com lágrimas no canto dos olhos, pressionando o rosto contra o peito de Eiro enquanto balançava a cabeça.

— Vocês são, mas eu quero ver eles também…

Eiro suspirou enquanto tentava pensar na melhor forma de animá-la, olhando para Nelli, pedindo que ela criasse um pouco de água.

Com apenas alguns movimentos de sua mão, Eiro começou a controlar essa água. Avalin e Leon ainda estavam vestindo roupas grossas de inverno, então Eiro poderia fazer isso sem preocupações, mas espalhou a água pelo quarto e a congelou. Para ser exato, gelo no formato de pequenas flores que cobriam o chão, iguais às Flores do Inverno.

— Você lembra delas, certo? — Eiro perguntou com um sorriso enquanto fazia Avalin se virar para ver as flores de gelo que apareceram.

— Uhum… Da floresta, certo? Durante o solstício de inverno?

— Isso mesmo, durante o solstício de inverno. — Eiro respondeu enquanto Avalin ficava distraída olhando para as flores e recordando da antiga casa deles. — Voltaremos para casa com os outros antes que as luzes bonitas apareçam no céu, certo? Esse ano, todos nós iremos observá-las. Ouvi falar que a capital também tem um festival enorme. Quer que a gente vá lá e se divirta?

Por alguns momentos, Avalin pensou sobre isso e acenou, animada. Ela ainda tinha algumas lágrimas no canto dos olhos, mas Eiro as enxugou, notando as expressões de Jess, Krog e James.

Jess parecia sofrer com quão fofa Avalin era, ao mesmo tempo que ficava impressionada com as flores de gelo que Eiro fez em um instante. Krog estava revirando os olhos com a exibição vergonhosa, enquanto James tinha uma expressão um pouco amarga. Isso era algo que Eiro não perderia. Era muito óbvio que James se lembraria da Avalin ‘original’ em situações como essa.

Felizmente, alguém veio interromper, acabando com a atmosfera um tanto problemática.

— Mestre! Gobo aqui! Gobo, falar com Mestre! — O Hobgoblin exclamou do lado de fora e Eiro colocou Avalin no chão e caminhou até a saída, onde Gobo o esperava.

O Demônio saiu da caverna e suspirou enquanto olhava para o chefe dos Hobgoblins.

— Sim? O que foi?

— Gobo quer… quer fogo! — Ele comentou e Eiro levantou as sobrancelhas.

— Você quer fogo? Você tem um bastante grande bem ali, certo? — O Diabrete perguntou e Gobo balançou a cabeça.

— Não, fogo grande! Fogo brilhante! — Gobo exclamou animado. Parecia que ele viu Eiro usar as pedras mágicas de formas diferentes de antes e agora queria saber como poderia usar as pedras mágicas de fogo em particular.

O Demônio suspirou e esticou a mão, pedindo para Gobo entregar a pedra mágica que segurava e começou a inserir sua mana nela.

Chamas dispararam para frente quando isso aconteceu e Eiro se certificou de controlá-las, mas Gobo ainda estremeceu em resposta ao fogo repentino flutuando no ar.

— É isso que você quer? — Eiro perguntou para o Hobgoblin, que assentiu com puro entusiasmo.

— Fogo brilhante! Sim!

Após pensar um pouco, Eiro entregou a pedra mágica de volta e acenou com a cabeça.

— Amanhã de manhã, quando estiver claro de novo, venha aqui com os outros Hobgoblins. Então te ensinarei como fazer esse fogo. Isso e muitas outras coisas. — Eiro disse com um tom claro, enquanto Gobo exibia um sorriso brilhante com seus dentes amarelos e sujos e se virava animado, saindo correndo.

Com um leve resmungo, Eiro entrou na caverna de novo, olhando para o slime.

— Sabe o que precisamos para selar a monstruosidade dos Hobgoblins?

— Sim, e temos tudo o que precisamos. É como eu suspeitava. — O slime respondeu, apesar de ainda estar bastante irritado e Eiro se virou satisfeito para olhar para Jess.

— Venha me ajudar a preparar o teste de afinidade para cinco pessoas. — Eiro disse e Jess inclinou a cabeça para o lado em contemplação.

— Cinco pessoas? Espera, você quer dizer os Hobgoblins? Quer ensinar magia para eles?

Eiro deu de ombros em resposta.

— Se eles tiverem talento para isso, então talvez, mas não, meu foco principal é descobrir que tipo de talento eles podem ter. Não podemos testar essas coisas tão facilmente, então pelo menos quero tentar descobrir usando afinidades e talentos. Se eles possuírem talentos para coisas que não envolvem combate, ensinarei alguns artesanatos pequenos ou tentarei torná-los mineradores melhores. Se tiverem talentos para combate mágico ou talento para combate não orientado para magia, então os ensinarei a lutar… simples assim.

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