
Volume 3 - Capítulo 173
A Virtude do Demônio
Com um leve rugido, Eiro esfregou a ponte do nariz em contemplação e irritação. Tinha que pensar em uma boa forma de ajudar esses caras a subirem de nível o mais rápido possível, porque, nesse instante, eles não seriam de muita ajuda como o Demônio queria.
— Quais são as suas classes agora? — Eiro questionou e Jess respondeu por todos.
— Sou uma Maga, James é um Assassino e Krog é um Guerreiro Pesado. — Jess disse, ainda perplexa com quão altos eram os atributos de Eiro.
— Então, qual é o histórico de classe de vocês? Deixe-me adivinhar, Jess, você era uma Aprendiz de Maga, James era um Ladino e Krog era um guerreiro comum? — Eiro perguntou e Krog assentiu.
— Sim, mas como você sabe? — O guerreiro questionou e Eiro fechou os olhos e começou a pensar.
— Conto mais tarde. Por hora teremos que subir vocês até o nível 100 para que possam trocar de classe de novo. Jess, me desculpe por dizer isso, mas acho que você deveria voltar a ser uma aprendiz. Krog, você deveria conseguir uma classe específica para várias armas. E James… veremos sobre isso, ainda não conheço muito bem suas habilidades e técnicas.
— Espera, espera, o quê? Por que eu deveria me tornar uma aprendiz de novo?
— E por que eu deveria me restringir a uma arma?
Jess e Krog protestaram de imediato e Eiro os encarou com os braços cruzados.
— Como você tem habilidades mágicas de todos os quatro elementos básicos, deveria ter todas as classes de aprendiz, certo? Aprendiz de Maga de Água, Aprendiz de Maga de Fogo, Aprendiz de Maga de Terra e Aprendiz de Maga de Vento, tudo bem? Você precisa passar por todas essas classes e então conseguir as versões avançadas dessas classes. — O Demônio disse para Jess e depois olhou para Krog.
— E você precisa de uma classe que suporte o uso de diferentes armas. Você não se limita a uma, certo? Claro, um guerreiro pode lidar com diferentes tipos de armas, mas isso não é eficiente. Se eu tivesse a chance de voltar para caminhos evolutivos anteriores, assim como vocês, então eu faria o mesmo. — Eiro comentou. — Sairemos para caçar em breve para permitir que vocês subam de nível, mas antes disso… — O Diabrete murmurou. — Já ouviram falar sobre Força Vital? — Ele questionou.
James balançou a cabeça com uma leve carranca.
— Não é aquela coisa que a Magia de Vida usa?
— Essa é a Energia da Vida, algo diferente. Não, Força Vital é outro termo para Vida, um tipo de energia que existe no seu corpo como a mana. Dependendo de como a manipula, você consegue aumentar sua força consideravelmente. — Eiro explicou enquanto caminhava até o canto da sala para pegar um dos bonecos de treinamento.
— O que você está dizendo? ‘Força Vital’? ‘Um tipo de energia’? Isso está começando a ficar ridículo. Você está brincando conosco? — Com uma expressão irritada, James olhou para Eiro, tentando entender se o que o Demônio disse era verdade ou não.
Eiro olhou de soslaio para James e pegou o boneco de treinamento, colocando-o no chão, prendendo-o. Ele parou na frente do boneco e assumiu sua postura comum.
— Este é um soco comum. — com toda a força e velocidade que conseguia reunir, Eiro golpeou o peito do boneco. Ele foi empurrado um pouco e um leve estalo foi criado como consequência. Todos olharam para Eiro, observando a força que ele conseguiu produzir.
— Este é o soco onde manipulo minha Força Vital para fortalecer meus ombros e braço. — O Demônio explicou e repetiu o mesmo movimento, com sua força vital manipulada da forma que descreveu.
Em vez de só ser empurrado, o peito do boneco fortalecido foi aberto e ele caiu no chão, com um assobio alto criado pela velocidade do punho de Eiro.
— Viu a diferença? — Eiro perguntou. — Não me importo se não acreditam em mim, mas se são tão contra escutar o que tenho a dizer, sairei agora e o acordo com esse grupo está encerrado. Nesse momento, vocês são muito fracos para serem qualquer ajuda para mim, mas sei que possuem o talento para se tornarem muito, muito fortes, contanto que se esforcem. — O Demônio disse com um tom claro. Foi uma surpresa e tanto saber que o crescimento de atributos deles estava tão baixo, mas estava tudo bem. Ele os ajudaria a compreender. Ele os ajudaria a se fortalecer.
—
— Depressa. Quero chegar lá o sol se ponha. — O Diabrete rosnou enquanto virava e olhava para a trilha da montanha atrás dele.
— Cale a boca! — Krog gritou, irritado. — Não é você que está carregando literalmente uma rocha! — O guerreiro gritou enquanto ajustava as alças, cavando no seu ombro. Isso porque, em suas costas, estava carregando, como havia reclamado, uma rocha grande, sustentada por tecidos e correntes.
— Eu te disse, isso é importante. O crescimento natural dos seus atributos é baseado principalmente ao redor da força, então você precisa saber como é importante apoiar seu maior trunfo manipulando a Força Vital. E pare de reclamar, nem James nem Jess estão. — Eiro disse para o guerreiro, olhando para o Elfo da Luz e a garota Humana em questão.
James tentava resolver puzzles de brinquedo não com sua mão comum, mas também com a mão de madeira que o Demônio fez para ele. Devido à força de vontade, destreza e vida geral de James, Eiro pôde dar a ele em um instante uma prótese avançada para ele.
Para começar, não era nem de longe tão capaz quanto a mão de Eiro, mas James ainda conseguia aumentar sua destreza à medida que se acostumava com ela, afinal não teve mão nos últimos sete ou oito anos.
E enquanto isso, Jess praticava circular sua mana pelo seu corpo para aprender mais sobre suas veias de mana e aumentar sua proficiência ao manipular sua mana no geral. Era muito difícil, já que tinha que escalar esta montanha enquanto fazia isso.
— Isso porque você deixou aqueles dois vestirem casacos aquecidos, mas por que diabos eu não posso?! Até o Cervo maldito está usando cobertores!
— Primeiro, porque isso ajuda no crescimento da sua resistência. Segundo, esses cobertores não são para Lugo, eles são para Avalin e Leon. — Eiro respondeu e Krog continuou a encará-lo.
— Falando nisso… — James final falou. — Por que esses dois estão vindo conosco?
— Porque é muito perigoso deixar esses dois sozinhos. Eu confio nos outros e eles estão fazendo aulas particulares para ter certeza de que estejam à altura do dia a dia da academia, mas é muito arriscado para esses dois. Não tem ninguém em quem confio para cuidar deles e há certas coisas que não podemos ver reveladas sobre eles ou coisas ruins acontecerão. — Eiro explicou e viu a entrada da caverna um pouco afastada da trilha.
— Aliás, vocês, parem de praticar. Precisamos escalar um pouco. E Krog, pode deixar a rocha aqui. — Eiro disse enquanto estendia a mão para pegar Leon e Avalin das costas de Lugo, ao mesmo tempo que os outros três suspiravam de alívio por terem pelo menos algo parecido com uma pausa.
Eiro empurrou a perna contra a parede rochosa na sua frente e criou degraus pelos quais conseguiu escalar. Com alguns pulos, Lugo também subiu a parede rochosa e Eiro se agachou na frente das crianças e os outros, que também escalaram.
— Vocês dois estão bem, certo? — Eiro perguntou e os dois acenaram.
— Uhum! — Avalin exclamou, com o rosto quase escondido pelo casaco grosso que estava vestindo, enquanto Leon olhava ao redor.
— Mas, o que estamos fazendo? — Ele perguntou e Eiro apontou na direção da entrada da caverna.
— Precisamos passar por alguns túneis encontrar algumas pessoas que eu preciso que você use sua habilidade, ta bem?
— Existem monstros aqui…? — Leon perguntou. — Monstros malvados…?
— Não se preocupe, nem se todos eles se juntarem conseguem me derrotar, e tenho um plano para ter certeza de que não sejam malvados por muito tempo. — Eiro apontou enquanto acariciava o cabelo preto de Leon, olhando para a substância rochosa enrolada ao redor da galhada de Lugo. — Não é mesmo? — Eiro questionou.
— Vai se foder… — Ele murmurou baixinho e Eiro rosnou alto.
— Por que todo mundo continua xingando na frente das minhas crianças de oito anos…?
O Diabrete se levantou e caminhou na direção de Lugo, pressionando suas mãos contra o corpo endurecido do slime.
— Agora, diga-me, o que nós faremos aqui? — Ele perguntou, raspando a rocha com uma das adagas e, nervoso, o slime falou de novo.
— E-Erm, nós tentaremos selar a monstruosidade deles?
— Exato, companheiro? E então faremos o quê…? — Eiro perguntou a seguir e o slime pensou por um tempo.
— Nós… usaremos a habilidade do garoto para treiná-los para não serem inerentemente violentos contra outras criaturas, depois removeremos os selos de alguns deles para ver se funcionou?
— Bom trabalho, cara! — O Demônio exclamou com uma risada sarcástica, dando tapinhas no corpo do slime e se virando.
— Espere… — Jess resmungou enquanto Krog a ajudava a escalar a parede rochosa. — Aonde nós estamos indo? Estamos indo para um ninho de monstros para subir de nível?
— Algo assim, eu acho. — Eiro respondeu, percebendo que dar a eles algumas informações não seria tão mal. — Espere, na verdade, não. Nem pensem em atacar qualquer um daqueles caras, ainda preciso deles. — O Diabrete disse. — Explicarei quando chegarmos, acho que pode ser difícil de fazer isso de outra forma.
Assim que todos estavam prontos, Eiro colocou Avalin e Lugo de volta nas costas de Lugo e começou a caminhar na direção da entrada da caverna. Ele aumentou a entrada usando Magia de Terra e deixou todos entrarem, fechando-a assim que todos entraram.
Quanto mais próximos chegavam da passagem do outro lado, mais todos escutavam sons que os assustavam enquanto o próprio Eiro ficava um pouco incomodado. Bem, eles fizeram seu trabalho, no fim, mas estavam relaxando.
Quando entraram na vila dos Goblins da Montanha, viram inúmeros goblins sentados ao redor de uma fogueira grande, comendo diferentes tipos de animais enquanto brincavam com as pedras mágicas que Eiro disse para minerarem.