
Volume 2 - Capítulo 92
A Virtude do Demônio
A criação de círculos mágicos era algo que precisava ser materializado para avançar como um usuário de magia, não importa quanto foco tivessem. Em algum ponto, tornava-se uma necessidade básica. Claro, era obviamente possível usar os diferentes elementos em seus estados brutos com apenas o seu corpo, mas isso requeria comparativamente uma quantidade insana de mana assim como um controle incrível, com um retorno mínimo quando comparado aos Círculos Mágicos.
Embora necessitassem que você ficasse parado durante sua criação, exceto se você tivesse praticado especialmente a criação de círculos mágicos enquanto se movia, o que era algo que necessitava de ainda mais controle. Havia diferentes formas de criar Círculos Mágicos, além dos métodos que eram mais conhecidos.
Primeiro, havia a criação com base em imagem. Embora essa fosse uma das formas mais rápidas, também era uma das mais inconfiáveis, desde que era necessário visualizar todo o círculo mágico em sua conclusão antes de criá-lo. Especialmente quando se tratava do uso de mana, a mente se cansava facilmente, então era muito fácil cometer erros, mesmo para aqueles hábeis com visualização mental.
Então, havia a criação com base no desenho, em que literalmente se desenhava um círculo mágico no meio do ar. Essa era uma das maneiras mais lentas de criá-los, mas era uma das que fornecia mais controle sobre o que estava ocorrendo, já que tornava mais fácil criar círculos mágicos complicados.
Depois, havia uma forma que combinava ambos, em que você ‘conectava’ mentalmente um certo padrão ao seu cajado para acelerar o processo um pouco mais, enquanto perdia o mínimo de controle possível, mas muitas pessoas não eram capazes de usar esse método, pois necessitava que a pessoa fosse capaz de alternar imediatamente para outra parte específica do círculo mágico, enquanto recordava de toda a coisa como um todo, ao mesmo tempo que gerenciava o desenho em si do círculo, assim como o fluxo de mana que precisava ser manipulado, dependendo da parte específica dele.
Entretanto, o próprio Eiro tinha um talento incrível para magia, assim como uma memória que não perdia para ninguém, então conseguiu utilizar efetivamente essa tática, o que era apoiado ainda mais devido ao fato de ele ter cinco pequenas varinhas na forma dos dedos da sua prótese.
Enquanto encarava o gelo que usou para criar o círculo mágico em que trabalhava atualmente, ele fez seu melhor para alternar a conexão mental dos seus dedos adequadamente. O dedo mindinho e o polegar faziam as linhas básicas, enquanto seu anelar e indicador deveriam criar diferentes padrões rúnicos, e o seu dedo médio deveria preencher o espaço para qualquer descanso necessário.
— Ele… ele está criando um círculo mágico com o seu corpo… — Um dos magos do grupo de Rumia murmurou baixinho. Fazia sentido que ele estivesse confuso, já que o método de criar próteses como Eiro não era muito difundido. Até mesmo o fato de que era possível manipular sua força vital era algo que pouca, se nenhuma, parte da população tinha ciência, não importava a posição delas.
Segundo Jura, até a maior parte dos aventureiros de alto escalão e oficiais militares não escutaram sobre o termo ‘Força Vital’ nesse contexto. Claro, havia alguns entre eles que escutaram sobre, mas normalmente não faziam uso dela devido às repercussões que tinham com a manipulação da Força Vital, como a dor ou o risco que a acompanhava.
— Quem se importa com isso?! Ataquem-no, agora! Ele é apenas um homem! — Rumia comandou, enquanto apontava com sua espada para Eiro, mas, quando o primeiro soldado começou a avançar para fazer isso, o Demônio começou a sorrir amplamente sob sua máscara, enquanto o círculo mágico de gelo começava a girar, brilhando com uma luz fraca, enquanto o Diabrete começava a deixar um pouco da água produzida por Nelli fluir para sua mão esquerda, sobre seu corpo, em cima da sua capa, e a levou pela sua mão direita até o Círculo Mágico.
A razão para ele fazer isso era muito simples: isso o permitia usar o máximo de mana possível quando aquecia a água. E enquanto o líquido começava a emitir vapor, ele entrava no círculo mágico criado para projetar a água para frente e espalhá-la, enquanto a congelava ao redor dos homens.
E isso tinha um motivo.
Todos esses soldados estavam vestindo armaduras de metal completas, mas sempre havia aberturas cobertas apenas por panos ou couro ao redor de suas articulações. Então, Eiro queria que a água se espalhasse especificamente ao redor dos homens, enquanto procurava pontos fracos, embora isso só fosse possível através da manipulação conjunta de Eiro e Nelli sobre a água que havia sido propulsionada pelo círculo mágico.
Claro, isso também não teria sido possível sem o círculo mágico, que atuava como a peça central e permitia um controle tão sutil de uma quantidade tão grande de água a tal distância.
E assim que a água quente foi espalhada ao redor das articulações dos soldados e um pouco, até mesmo, sob suas armaduras, ela congelou imediatamente e tornou praticamente impossível que eles se movessem, criando o que pareciam várias estátuas. Alguns dos soldados caíram devido ao ímpeto, e outros estavam presos no lugar, embora todos tivessem algo em comum: não conseguiam lutar mais.
Claro, Rumia e os magos não tinham tais fraquezas, pois a armadura dele cobria suas articulações, e os magos não estavam vestindo armaduras em primeiro lugar e usavam apenas vestes de pano.
— Hmm, o que você estava dizendo? — Eiro perguntou enquanto esticava os braços para o lado, onde Nelli rapidamente apareceu através das gotas d’água que se reuniam ali, mostrando-a sentada sobre o braço dele de forma digna, com as pernas cruzadas, antes de continuar a partir das palavras do Demônio.
— Um dos homens que foi escolhido e abençoado por uma Deusa da Natureza e um dos Maiores Espíritos que já existiram, assim como a boa amiga dele, a Náiade toda poderosa! — Ela exclamou. — E vocês pensam que podem nos enfrentar com apenas uma dúzia de homens? — Nelli questionou com uma leve risada, enquanto os aldeões começavam a murmurar entre si, especialmente o chefe da vila que percebeu quem realmente era o Espírito que acompanha Eiro.
— Eiro, essa é… Nelli? O que aconteceu com ele? Como está Jura? — Ele perguntou nervosamente, como se já soubesse a resposta, e o Demônio se virou lentamente para ele.
— Eu esperava poder contar isso de outra forma, mas… Jura faleceu há uma semana. Agora sou o único guia das Damas… — Ele explicou, embora estivesse um tanto surpreso quando acabou vendo algo que nunca esperava.
Olhou para um dos homens deitados no chão, um dos poucos que realmente havia se ferido, e conseguiu ver algo vermelho em seus olhos, mas, de alguma forma, não era apenas a cor que usualmente aparecia. Na verdade, Eiro conseguiu ver o reflexo total, uma representação espelhada da notificação flutuando atualmente na frente do soldado.
[-67 de Vida]
Em resposta a isso, Eiro não pôde deixar de sorrir largamente!
— Na verdade, sabe de uma coisa? Agora que penso sobre isso, não parece tão problemático. — O Demônio disse, incapaz de se livrar do sorriso, apesar de não ser visível para o exterior. Apenas Nelli parecia ser capaz de dizer o que ele sentia genuinamente. — Eu fui arrastado por aquele velho todas as vezes, e agora estou preso numa vilazinha tão chata? Certo… — Eiro suspirou enquanto balançava a cabeça, e então se virou novamente para Rumia. — Então você deseja me libertar dessa tarefa? — Eiro perguntou, e com um sorriso largo, Rumia assentiu imediatamente.
— Claro, claro! Em retorno pela posição de guia, até posso considerar matá-lo de forma indolor! — Rumia explicou, como se fosse algum tipo de ação benevolente, e com uma risada, Eiro acenou a cabeça.
— Hey, essa é uma oferta que não posso perder. — Eiro respondeu, e então estalou os dedos, tudo isso enquanto manipulava o ar ao redor dele para fazer um vento forte soprar em direção a Rumia, manipulando até mesmo algumas gotas de água presas em sua capa para criar alguns fragmentos pequenos de gelo que foram carregados pelos ventos, criando algo como um brilho que tornava tudo ainda mais mágico.
— Certo, você deve tê-la agora. É como uma bênção, então deve estar no fim de seus status. — Eiro explicou. Era óbvio para qualquer um com um único neurônio que isso era uma farsa, e até mesmo Rumia pensou que Eiro pretendia mudar a mente dele, mas não era isso que Eiro precisava. Ele precisava apenas daquele pequeno momento de dúvida, o pensamento de que ‘E se o que ele estiver dizendo for verdade?’. E parecia que Rumia tinha exatamente esse mesmo pensamento em mente, e com um pensamento rápido abriu silenciosamente o seu status, apenas para ter certeza, e então estalou a língua irritado.
— Heh, você acha que eu cairia nessa? Cero, eu…
— Que diabos, você está nessa posição e tem apenas Esgrima (Aprendiz) Nv. 76? Quer dizer, pelo menos você tem a habilidade de Táticas em Grupo no nível intermediário, então talvez não seja tão absurdo… E o que é isso, você tem habilidade de dança (intermediária)? E nível 53 ainda… Tenho certeza de que amaria ver um homem da sua… graça, fazer uso dela em algum momento. — Eiro o interrompeu com uma risada alta, e por um momento, ninguém entendeu o que ele estava falando, até que viram o rosto de Rumia corar.
— C-como você sabe sobre isso?! Você não é um avaliador, é?! — Rumia questionou com um grito alto, e Eiro apenas sorriu levemente, dando alguns passos para frente com as mãos atrás de suas costas, e apenas sorriu para Rumia.
— Oh, quem sabe o que eu sou?! Eu certamente não sei, mas o que eu tenho certeza é que sou mais esperto que você. Diabos, até mesmo minhas crianças têm um status de inteligência mais alto do que você, e elas não têm nem mesmo quinze anos. Para ser honesto, sua constituição e resistência são bastante impressionantes, mas o que mais poderia se esperar de um covarde? — Eiro comentou, tentando provocá-lo propositalmente.
— Covarde…? Covarde, você diz…? — Rumia perguntou, e, sem pestanejar, Eiro acenou a cabeça em resposta.
— Isso mesmo. — Ele respondeu muito claramente, e de imediato Rumia começou a avançar em direção a Eiro com sua pesada em mãos. Pelo que Rumia sabia, Eiro era apenas um mago, então a solução óbvia deveria ser atacá-lo em combate corpo a corpo, mas, como esse não era realmente o caso… Rumia ficou muito surpreso quando ele parou seu corpo e sentiu a ponta da adaga pressionada contra sua garganta.
— C-como você fez isso…? — Rumia perguntou baixinho. Ele poderia jurar que Eiro havia tentado socá-lo, ele não tinha nada em mãos, mas essa situação chegou a esse ponto depois de um segundo, e Rumia não tinha agilidade alta, então não conseguiu fazer muito sobre sua própria situação. Estava em apuros.
— Agora, camarada, deixe-me explicar algo para você, e preste atenção, pois só direi uma vez, embora seja a segunda vez que você escutará isso, já que você ignorou tão rudemente o que foi dito a você antes. — Eiro gesticulou com os olhos enquanto olhava para o chefe da vila, e então voltava sua atenção para Rumia, empurrando ainda mais fundo a ponta da adaga na pele dele.
— Os únicos que podem escolher os guias são as próprias Damas, e você sabe a razão para elas precisarem de guias, certo? De algum modo, não importa quão frequentemente elas venham, elas não conseguem encontrar o caminho até aqui, e quando passam muito tempo nesse reino, ficam loucas e destroem tudo. O que acha que um deus como esse faria com alguém que se intrometesse tão rudemente? — O Demônio explicou, e então adicionou. — Vamos dizer que você teria sorte se fosse morto por mim aqui. Eu tenho uma situação pessoal para lidar, então irei embora daqui a um ano. Se você deixar a cidade apenas durante os equinócios de primavera e verão, assim como os solstícios de verão e inverno, então farei o favor de mediar entre você e as deusas iradas. Entendido?
Com um olhar profundo, Eiro encarou os olhos de Rumia, que apenas o encarou de volta, então Eiro repetiu.
— Entendido?
…